domingo, 17 de março de 2013

UMA VIAGEM E TANTO: Família conhece o Nordeste, de carro e avião

AVENTURA - Para a família do arquiteto Bóris Germano as duas viagens ao Nordeste do Brasil touxeram experiências que jamais serão esquecidas e muitas fotos tiradas em verdadeiros paraísos naturais que o país proporciona

Essa é uma daquelas histórias que rendem horas e horas sendo contata em família ou para os amigos. Trata-se da Viagem Inesquecível do Bóris Germano, 38, sua esposa Lucidalva Silva, 34, e dos filhos Guilherme, 4, Luciano 11 e Leonardo, 17, que moram no bairro do Marabaixo, em Macapá. Eles tinham o sonho de fazer uma viagem até o Nordeste Brasileiro. Fizeram duas, uma de carro e outra de avião. Cada uma com suas características e vantagens para um lado e para o outro. Confira os “causos”.
Em 2010 veio a primeira jornada, quando embarcaram o carro numa balsa para seguir viagem a partir de Belém. Como um amigo se comprometeu a ir junto com sua família, em mais dois carros, não tiveram a preocupação com mapas ou GPS, pois ele dizia conhecer bem o percurso. Mas o encontro não rolou como o combinado, em Castanhal (PA) e eles tiveram que seguir viagem sozinhos, mesmo sem seu guia.
O resultado, claro, foi terem se perdido no caminho, pois tomaram uma bifurcação rodoviária errada e ao invés de São Luís (MA) foram parar no sul do Estado, quase em direção a Brasília. Em Açailândia (MA) perceberam o erro e com informações de um caminhoneiro pegaram o rumo certo, para recuperar os 500 quilômetros percorridos em vão. “Também a estrada é muito mal sinalizada naquele perímetro, diz Bóris.
Turismo - Mas chegando a São Luís eles finalmente puderam fazer turismo, tirando o trabalho que deu para achar vagas em hotéis - pois não fizeram reserva antes - deu tudo certo. Na capital do Maranhão, ficaram encantados com as praias muito limpas e o centro histórico muito bem restaurado. De lá seguiram viagem até Fortaleza (CE), mas antes fizeram uma revisão no carro, um Polo sedan 1.6, que se mostrou econômico, afinal as despesas com combustível somaram R$ 800 em toda a jornada.
Na capital cearense foi só diversão e muito lazer, com direito a passar o dia com as crianças no Beach Park. Seguiram-se passeios para as tradicionais praias do Cumbuco, Canoa Quebrada e Iracema. Aliás, isso foi em janeiro de 2010, quando chove muito em toda a região e eles contaram com a sorte de escapar de um desabamento de barreira e de um temporal que alagou Fortaleza no dia seguinte a sua partida. “De carro é mais aventura e possibilita conhecer tudo, mas também tivemos esse atropelo de se perder. Valeu a pena”, diz Lucidalva.

Na segunda visita ao Nordeste, pacote aéreo


Depois da inesquecível experiência com a viagem de carro, a família do Bóris Germano decidiu seguir os conselhos de um amigo e comprou um pacote turístico muito em conta e com quase tudo incluído, de reservas em hotéis até ingressos para um show de humor, passando, claro, pelos trechos de avião, tudo parcelado e bem em conta. Mas ainda andaram de carro nessa aventura, pois antes de deixarem Belém pediram para que a agência de viagem locasse um carro para eles. Foram conhecer o Hotel Fazenda Cachoeira, em Capitão Poço (PA). “Ele é lindo, um espetáculo. As crianças não queriam mais sair de lá”, recorda Lucidalva. Com diárias e refeições muito baratas, o hotel fazenda os prendeu lá por três dias.
Depois seguiram viagem para Fortaleza (CE), onde desta vez chegaram de avião. Dizem que na ocasião foi diferente, sem o carro, em uma metrópole de mais de 3 milhões de habitantes. Seguiram-se estadas de três dias em uma pousada aconchegante em Iracema, pagando R$ 130 a diária. Com os filhos já maiores, puderam se divertir muito mais, até com programações noturnas.

Moral da história: viajar é bom, mas com planejamento e organização


Nossos personagens da promoção “Minha Viagem Inesquecível” deste domingo dizem não se arrepender das duas viagens feitas ao Nordeste. Nem mesmo a de carro, pois o contratempo de se perder poderia ser evitado com o uso de um GPS ou mesmo de um simples mapa, acessórios, aliás, que agora não saem do porta-luvas do Polo da família, que faz planos para uma nova aventura pelas estradas do país. A outra opção de viajar de avião é mais rápida e confortável, claro, e quando der vontade de dirigir é só alugar um carro, lembrando que para isso é preciso ter um cartão de crédito, habilitação em dia e uma sobra de dinheiro para as despesas com abastecimento.
Mas mesmo que você vá sem carro, no Nordeste tem sempre um meio de transporte alternativo. Para o caso da família do Bóris Germano foram vários, como tirolesa, buggy e até o ski-bunda... “Recomendo que as famílias façam turismo juntas, isso aproxima e reforça o amor de pais e filhos”, ensina o arquiteto Bóris, que é funcionário da Eletronorte, em Macapá.
Ele também fez as contas para o Diário do Amapá, para mostrar as vantagens de se viajar de carro. Ele diz que uma viagem ao Nordeste feita de avião sai na média de R$ 4 mil, pois foram em janeiro, época da chamada alta temporada de férias. “Nós rodamos 4,5 mil quilômetros de carro e as despesas com gasolina foram de R$ 800”, recorda o urbanitário. O filho mais velho de Bóris, Leonardo, tinha 15 anos na primeira viagem e hoje mora com a mãe em Portugal.
A agência de viagem escolhida pela família foi a Poroc Turismo, localizada na Avenida Hildemar Maia, 913, no bairro de Santa Rita, em Macapá. Para maiores informações e reservas o telefone de lá é (96) 3224-1666.

NÚMEROS


- A distância entre Belém (PA) e São Luís (MA) é de aproximadamente 600 quilômetros;

- De São Luís (MA) até Fortaleza (CEA) são mais 900 quilômetros de estrada.

- Para ajudar na hora de viajar de carro é bom investir em informações do Guia Quatro Rodas (R$ 60) ou num aparelho de GPS (R$ 300).

4.500Km
- Esta foi a distância percorrida de carro pela família

"Recomendo que as famílias façam turismo juntas, isso aproxima e reforça o amor de pais e filhos"

Bóris Germano, arquiteto

HOTEL FAZENDA




“Queremos apenas manter um clima de governabilidade para o Estado”

Oriundo de tradicional família de políticos locais, o atual presidente da Assembleia Legislativa mostra que tem luz própria. Com seu estilo bonachão, se revela um administrador nato e toca mesmo na interinidade do cargo grandes transformações no Parlamento Estadual. Nessa entrevista concedida ao Diário do Amapá, Júnior Favacho responde a questionamentos até sobre sua costumeira emoção em seus discursos e do trabalho social que a Assembleia Legislativa decidiu apoiar como nas Apaes, Ijoma e outras belas iniciativas. Também fala de política partidária e as relações com o Poder Executivo. Acompanhe a seguir a entrevista exclusiva.
Diário do Amapá – Quem se relaciona com o senhor diz que é um homem apressado. Tem pressa mesmo?
Júnior Favacho – Tenho, acho que porque trabalho desde muito novo e na iniciativa privada onde se visa sempre os resultados a gente é meio acelerado, por isso cobro agilidade de minha equipe.

Diário – E como se adaptou ao serviço público, onde, dizem, a burocracia atrapalha a velocidade das coisas?
Favacho – Pois é, levei um tempo para me adaptar. Na verdade não me adaptei ainda, é uma coisa que nos deixa até chateados, amolados mesmo. Então cobro ainda mais por respostas de minha equipe de trabalho. Na verdade no serviço público fiquei ainda mais ansioso, pois sei que a sociedade depende do atendimento de suas demandas. As pessoas têm pressa e o nosso papel é garantir que essas demandas sejam atendidas ou pelo menos amenizadas.

Diário – O senhor tem origens na atividade empreendedora, mas seus pais se notabilizaram na política. Como é lidar com esses dois ramos tão distintos?
Favacho – Olha, falar de família é sempre muito especial e as pessoas já repararam que me emociono com essas coisas. Mas é que tenho muito orgulho do caminho trilhado pelos meus pais e, por tabela, por meus avós, que tiveram uma origem muito simples. Mas politicamente eles são mais do que apoiadores, incentivadores, são conselheiros de todas as horas.

Diário – Já que o senhor tocou no assunto, muita gente repara mesmo que o senhor é muito emotivo, isso é ruim?
Favacho – Olha, confesso que já me preocupei com isso, como dar um jeito de controlar essas emoções. O presidente Sarney diz que na Presidência da República aprendeu a chorar pra dentro, só na garganta, o tal do engolir seco. Por outro lado acho bom que possa ainda conseguir me emocionar, mostrar que sou humano, de carne e osso. Este final de semana foi para mim um teste importante, pois visitei a Apae [Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais] no Vale do Jari e me emocionei muito, mas não chorei ao falar em público... [risos]

Diário – Como foi essa viagem até Laranjal e Vitória do Jari?
Favacho – Pois é, foi algo inesquecível, tocante. Devo agradecer aos meus pares por ratificarem a decisão de apoiar projetos sociais como este trabalho tão especial feito pelas Apaes. A gente pensa que vai chegar lá e ajudar, mas vê que mais aprendemos do que ensinamos algo a eles.

Diário – Como assim presidente?
Favacho - A gente pensa logo em nossos filhos sabe? Agradece a Deus pela saúde deles, pois vê nessas crianças especiais que mesmo diante de todas as dificuldades eles parecem que são até mais felizes que nós.

Diário – E a emoção vem fácil?
Favacho – Sim, claro, pois eles adoram receber visitas e manifestam essa alegria de todas as formas possíveis, mesmo com as limitações físicas ou motoras, eles se movimentam, dão risadas, pedem abraço, beijo... Recomendo a todos visitar um projeto social como a Apae. É uma lição de vida.

Diário – Daí a decisão de celebrar os convênios?
Favacho – Exatamente, estamos na verdade indo além da nossa missão constitucional, mas é importante que todos os segmentos possam dar sua parcela de contribuição. No caso da Apae, tanto a de Laranjal do Jari como a de Vitória do Jari recebem apoio de órgãos públicos e também da iniciativa privada. A Assembleia celebrou um convênio de R$ 60 mil com a Apae de Vitória e de R$ 100 mil com a de Laranjal, que tem uma estrutura bem maior. O Tribunal de Justiça e o Governo do Estado também se comprometem a ajudar. Estamos contemplando com um convênio a Apae de Macapá e brevemente a do Oiapoque.

Diário – Já que o senhor falou no Governo do Estado, como está essa relação entre o senhor e o governador Camilo?
Favacho – Na verdade não é entre eu e ele, mas entre a Assembleia Legislativa e o Governo do Estado. A própria Constituição prevê que os Poderes sevam ser independentes e harmônicos, só estamos cumprindo a lei. Na prática, buscamos uma relação mais respeitosa e madura, sem subserviência, é bom que se diga. Queremos manter um clima de governabilidade para o Estado, apenas isso, então é importante que independente de qualquer diferença partidária ou ideológica a gente possa conversar com o outro Poder, isso se mostra muito mais eficaz.

Diário – Como assim?
Favacho – Veja bem, falávamos no começo sobre pressa não é mesmo? Então, por exemplo, nesta semana recebi uma deleção de vereadores de Serra do Navio. Veio a Câmara Municipal inteira praticamente, de vários partidos e com trajetórias políticas diferentes. Eles queriam resolver um problema grave de falta de médicos e também preocupados com uma possível greve na Caesa de lá. Fui pessoalmente com eles ao Palácio do Setentrião e de lá fomos à Caesa e também à Secretaria de Planejamento. E saímos desses três lugares com uma solução encaminhada. Eles sozinhos talvez não conseguisse essas audiências. E eu também se tivesse brigado com o Governo também não seria recebido.

Diário – Mas se especula logo que essa aproximação seria uma aliança visando as eleições de 2014?
Favacho – É claro que não, isso não está nem em pauta agora. No tempo certo os nossos partidos discutirão a política de alianças visando 2014. O quadro agora é de mobilização para retomar o crescimento e o desenvolvimento do Estado e a gente sente isso em todos os níveis. A própria bancada federal tem se posicionado desta maneira, ou seja, sempre que os interesses do Estado estão em jogo todos se mobilizam, independente de qualquer coisa.

Diário – E como vai a Assembleia Legislativa nesse novo período do senhor no comando?
Favacho – Vai muito bem. Como disse, apesar do momento de entendimento com os demais Poderes a Assembleia segue cumprindo o seu papel, dando legitimidade às políticas de estado, votando a provando projetos de interesse do Estado, mas também legislando e fiscalizando as ações do Executivo. Acabamos de realinhar a composição de nossas Comissões Técnicas permannentes e os parlamentares que as integram está todos os dias percorrendo o Estado, as repartições públicas, os hospitais, escolase tudo mais coletando informações para suas proposições legislativas, indicações ou requerimentos. Nós colocamos tudo isso para apreciação do Plenário e encaminhamos o resultado das votações para quem de direito.

Diário – O senhor parece confiante.
Favacho – Tenho fé em Deus e gosto de trabalhar, apenas isso.

Perfil..
Entrevistado. O amapaense Amiraldo da Silva Favacho Júnior, ou simplesmente Júnior Favacho, é casado e pai de três filhos. É administrador de empresas e empresário. Filho de tradicional família de políticos locais, está em seu primeiro mandato parlamentar, mas com um rendimento e articulação tão grandes que foi eleito por seus pares para ser o vice-presidente da Assembleia Legislativa, condição que o fez assumir as rédeas do Poder Legilativo, em junho de 2012. Desde que passou a responder pela gestão da Casa, cancelou contratos sob suspeita e determinou a abertura de procedimentos licitatórios para as contrações e compras da AL e decidiu interiorizar as ações do Parlamento.

Coluna Argumentos, domingo, dia 17 de março de 2013


Saúde
A presidente do Conselho Nacional de Saúde, Maria do Socorro de Souza, foi ao nosso Conexão Brasília ontem e falou de como ainda se aposta no SUS (Sistema Único de Saúde) para a atenção dos pacientes carentes. Mas viu que aqui a luta contra o câncer é quase inglória.

Cruzeiros
Presidente da Associação de Agências de Viagem (Abav), Elenilton Marques, diz que a operação de cruzeiros no Amapá ainda carece de muito mais estruturação e um toque profissional em sua gestão. Tá certo, ele.

Preconceito
Gastão Pereira, presidente da Federação das Associações de Moradores do Amapá (Feama), diz que quando um dirigente de bairro é eleito, o primeiro título que recebe é o de ladrão. Mas o trabalho é voluntário, diz.

Entrevista
Depois da escolha do Papa Francisco, o bispo diocesano, Dom Pedro Conti, virou um dos mais requisitados religiosos da imprensa local. Mas esteve em retiro espiritual. Não falou.

colunatrilha
Berro
Tem muito jipeiro que berra mesmo a cada obstáculo da trilha da Fazenda Berro, de propriedade de José Maria Esteves (Avicap). A quarta edição do desafio ocorre no próximo domingo e a coluna mostra em primeira mão a camiseta oficial do evento.

Turismo
A coluna anuncia que está de volta a promoção “Minha Viagem Inesquecível”, do Diário do Amapá. Todos os domingos a gente publica a história de alguém. Acompanhe no caderno Nota 10.

Boa nova
Novidade anunciada pelo deputado federal Davi Alcolumbre (DEM), de que agora a inadimplência dos municípios não vai mais impedir a liberação de recursos federais para as áreas da saúde e da educação. Ele disse que agora vai carrear mais recursos de suas emendas parlamentares para essas rubricas.

De saída
Outra notícia recebida pela coluna ontem foi trazida pelo deputado Bala Rocha (PDT), que ontem viu seu amigo e aliado Brizola Neto deixar o Ministério do Trabalho (MTb). Mas o cargo continua reservado a seu partido, que indicou o nome do secretário-executivo da legenda, Manoel Dias, para assumir a pasta, que também já foi de Carlos Lupi.

sábado, 2 de março de 2013

UM SONHO REALIZADO: A saga do piloto amapaense Jorge Mareco

Para um piloto como Jorge Mareco, as paradas para descanso possibilitam conhecer seu país e alguns dos mais charmosos destinos do mundo, como nestas fotos no sul da França ou numa estação de esqui na Suíça

CLEBER BARBOSA
Editor de Turismo

“Estamos deixando Belém do Grão-Pará em direção ao Principado de Macapá”. Esta frase é do piloto de aviação Jorge Mareco, um amapaense que costuma cativar desde seus tripulantes como também seus passageiros sempre que pega o microfone da cabine de comando dos jatos da TAM Linhas Aéreas pelo país. Claro que sempre que o colocam na rota para o Amapá ele se derrete ainda mais e declara seu amor por sua terra, sua gente e sua cidade-natal, a bucólica Serra do Navio. E foi a depois de um voo para Macapá, onde moram seus pais, que ele recebeu o Diário do Amapá para falar mais da profissão, da carreira e dos prazeres proporcionados por uma das mais glamorosas profissões, ser um comandante de avião.
A maneira descontraída com que se reporta aos passageiros pelo sistema de som das aeronaves chama a atenção e não é raro alguém lhe perguntar se ele não é um radialista frustrado. “Muitos dizem que estou na profissão errada, que tenho dom para radialista, mas não tenho essa pretensão. Faço isso de vez em quando só para descontrair mesmo e quebrar um pouco o gelo, para ajudar a relaxar as pessoas”, diz, descontraído.

Começo - Ele conta que a aviação passou a fazer parte de sua vida desde a infância, quando observava as aeronaves cruzando os céus e sonhava ser piloto. Na juventude, depois de tentativas prestando vestibular para medicina e odontologia, acabou investindo mesmo na velha vontade de ser aviador. “A aviação me contaminou aos dezoito anos de idade, foi o aerococus, o vírus da aviação, e desde 1995 sou formado como piloto e estou há oito anos na TAM”, relembra.
Ele trilhou o caminho mais trabalhoso – e também o mais charmoso – começando seus estudos em clubes de aviação, como o Aero Clube do Pará. Lá fez a parte teórica e também acumulou as horas de voo até tirar o prevê de piloto privado. Depois foi para Belém Novo, no Rio Grande do Sul. “Lá eu me formei piloto comercial, instrumento, multimotor, enfim, toda a formação final foi lá”, diz Mareco, que explica hoje existir o curso superior de Ciências Aeronáuticas, com os aeroclubes ainda servindo para as aulas práticas dos acadêmicos.
Com uma política de valorizar as localidades onde os comandantes possuem seus familiares, a atual empresa de Jorge Mareco sempre o escala para operar voos para Macapá, para alegria de seus pais, que moram na cidade.

As estatísticas atestam a segurança do avião


A carreira de piloto é, de longe, uma das mais charmosas que existem, afinal poder sonhecer seu país inteiro e até vários países pelo planeta não é para qualquer um, mas a pergunta que não quer calar é: e os riscos dessa profissão? Sim pois em caso de algum problema nos voos os resultados poderão ser terríveis, já que de acidentes aéreos pouca gente sobrevive, não é mesmo?
Não para o piloto Jorge Mareco. Ele diz que hoje a aviação está num patamar de segurança absurdo. “A tecnologia embarcada é de outro mundo. Foi-se o tempo que voar era perigoso, pois hoje em dia é muito mais seguro você sair daqui para Belém em uma aeronave de grande porte do que ir daqui até a Praça Zagury de carro, quando pode sofrer um acidente de trânsito”, compara o profissional.
Ele diz ainda que toda essa tecnologia empregada diminui drasticamente a possibilidade de falha humana. “O computador está ali para ajudar a gente, mas claro que na hora em que ele falha, tem lá um ser humanos para controlar, daí eu dizer que a gente não pilota os aviões, a gente os gerencia”, completa Mareco.

Orgulho de ser do Amapá, puxando o bordão da empresa que ele serve


Quem já voou pela TAM sabe do bordão que os comissários repetem sempre, ‘uma companhia que tem orgulho de ser brasileira’. E foi pegando carona nela que o Comandante Mareco certamente se inspira para falar do orgulho de ser amapaense. “Para mim é um orgulho total. A gente saiu daqui, querendo ou não moramos na região norte, longe dos grandes centros do país, portanto com mais dificuldades para a gente sair daqui e se fixar nesses lugares maiores, daí eu falar sempre se boca cheia do orgulho de ser daqui”, diz o piloto.
Ele também usa de muito bom humor para reportar as informações aos passageiros em suas aeronaves. Recentemente foi ‘flagrado’ depois de um pouso que não foi um dos mais suaves em Macapá, quando pegou o microfone de disse, bem a vontade: “Só para avisar que quem pousou o avião foi o copiloto”, para risos de quem estava a bordo. Ele também é espirituoso quando fala da segurança deste tipo de transporte. “Está mais do que comprovado que o avião é o meio de transporte mais seguro que existe, só perde para o elevador...”, diz.
Ele também rende homenagens a várias gerações de pilotos que já voarem e ainda voam no Amapá. Entre seus contemporâneos estão Daniel Oliveira e Felipe Lima,este último inclusive colega de companhia e que já operou voos ao seu lado para Macapá. “Fico muito feliz com essa oportunidade de falar da nossa profissão e de ser do Amapá, pois não é fácil chegar até aqui, foi muita ralação, muito estudo, muito não pela frente e a gente investe alto nisso, porque querendo ou não é um investimento alto a carreira de piloto e a gente sua muito a camisa e todo reconhecimento nos deixa muito feliz, de vardade. Jorge Mareco hoje mora em Florianópolis (SC).

NÚMEROS

- A carreira de Jorge Mareco foi iniciada no Aeroclube do Pará, onde fez as primeiras aulas teóricas e também as aulas práricas;

- Ele diz que o avião é o meio de transporte mais seguro que existe, só perdendo para o elevador;

- Para ajudar a quebrar a tensão dos passageiros, sempre que pode ele usa de bom humor no microfone do sistema de som das aeronaves.

8.000h.
Este é o número de horas de voo de Jorge Mareco.

HOMENAGEM




“O Brasil não vai ser resolvido por juízes, procuradores ou delegados de polícia”.

Entrevista / MANOEL DO SOCORRO TAVARES PASTANA
Procurador da República, atualmente lotado no Rio Grande do Sul

Da mesma forma como arregimentou admiradores ao longo da brilhante carreira no serviço público, a contundência com que sustenta suas convicções também lhe rendeu muitas inimizades e até ameças de morte. Em sua passagem pelo Amapá, há dez anos, sua atuação firme contra os crimes do colarinho branco também o fizeram enveredar pela literatura, registrando em auto-biografias os dissabores que enfrentou na vida e na profissão de procurador da República. De férias em Macapá, Manoel Pastana está de volta ao olho do furacão, por assim dizer, diante das novas revelações que faz em aparições midiáticas como nessa entrevista ao Diário do Amapá.

Cleber Barbosa
Da Redação


Diário do Amapá – Há quanto tempo o senhor está no Rio Grande do Sul?
Manoel Pastana – Nove anos.

Diário – Então já toma chimarrão?
Pastana – É, tomo chimarrão só no inverno, no frio... [risos] No verão ainda não me acostumei, pois o gaúcho toma tanto no verão quanto no inverno.

Diário – E como mata a saudade do nosso açaí, que agora está até internacionalizado?
Pastana – Eu coatumo levar açaí de Brasília, que é o mesmo daqui do norte, todo congelado mesmo, pois toda a minha família mora em Brasília, compro lá e eu levo para Porto Alegre.

Diário – Tirando isso o senhor teve alguma dificuldade para se adaptar ao Sul?
Pastana – Não porque eu gosto tanto do frio quanto do calor e lá você tem as quatro estações bem definidas, sobretudo o inverno frio e o verão quente, então me adaptei bem.

Diário – Bem, mas mesmo nessas suas férias no Amapá o senhor tem sido bastante requisitado para entrevistas onde mostra que a velha retórica e a contundência com que combate a corrupção continuam as mesmas. O senhor anda com seguranças?
Pastana – olha, isso aí eu prefiro manter sob sigilo, até por uma questão de segurança... [mais risos].

Diário – Muitas pessoas pensam erroneamente que por ser procurador da República se parece com o trabalho do advogado da União. Pelo que a gente vê em sua atuação quando é preciso chuta o balde até da União, não é?
Pastana – É, o advogado da União defende a União e acaba inclusive defendendo o Governo, o que aliás nem deveria fazê-lo, principalmente em atos que ofendem a legalidade. Já o procurador da República defende a sociedade, ele é um fiscal da lei. Em tão quando você defende a sociedade você muitas vezes se coloca contra atos do governo e a qualquer infrator. O procurador da República tem essa autonomia funcional para que ele possa exercer essa função com essa independência.

Diário – Mas toda essa independência já lhe causou problemas até mesmo na carreira?
Pastana – Sim, isso já causou até ameaças de morte, já causou perseguição dentro da própria instituição. Eu se não tivesse a própria garantia constitucional, já teria sido demitido há muito tempo. Veja bem, qualquer procurador, qualquer membro do Ministério Público Federal tem a mesma garantia da magistratura. Um procurador não quer dizer que seja intocável, se ele cometer ato ilícito vai ser processado e vai perder o cargo, inclusive já houve casos assim. Agora, se ele age dentro da lei, como nós sempre agimos, mesmo você perseguido não conseguem te alcançar.

Diário – Enquanto o Partido dos Trabalhadores comemora neste final de semana os dez anos a frente do Governo Federal, o senhor tem uma visão completamente diferente desse período, motivando inclusive a publicação de um livro com essa história?
Pastana – Eu não falo do ponto de vista político ou da gestão. O que a gente viu foi do ponto de vista jurídico, com isso que apareceu com o julgamento do Mensalão. Para mim isso é apenas uma pequena parte do que de fato aconteceu. No meu entendimento o que as provas indicam lá que o principal envolvido, que é o ex-presidente Lula, sequer foi acusado, então lá no livro eu explico porque que ele não foi acusado e o que ele praticou. Eu detalho isso pois inclusive não é nenhuma novidade, pois já publiquei parte deste assunto no meu livro “De faxineiro a procurador da República”, na primeira e na segunda edição. Mas agora com esse novo livro, que é “Uma quadrilha no comando do Brasil” eu trago informações mais atualizadas, principalmente com o resultado do julgamento.

Diário – O senhor não concorda com o resultado do julgamento?
Pastana – É, ele foi aquém do que de fato aconteceu. O principal envolvido não foi responsabilizado. Aquele que é considerado o líder da quadrilha, o José Dirceu, pegou uma pena quatro vezes inferior a do operador, que era o Marco Valério, ora, qualquer quadrilha o operador deve sofrer uma sanção menor do que a do líder dessa quadrilha. Por que isso não aconteceu? Porque simplesmente a investigação e a acusação foram equivocadas. O procurador-geral, Antônio Fernando, que ofereceu a denúncia, deixou no meu entendimento de agir de acordo com a lei, tanto é que eu representei contra ele. 

Diário – Na sua juventude o senhor teve alguma experiência do tipo ser do contra, de oposição ou questionador de governos?
Pastana – Não, eu nunca fui ligado a nenhum partido político, nunca me interessei por política partidária e eu sempre falo disso nos meus livros que queiramos ou nção os destinos de uma nação são determinados pela política, então por conta disso todo cidadão deveria se interessar, no sentido de fiscalizar e entender o que pé isso e cobrar dos nossos representantes. O Brasil não vai ser resolvido com procuradores, com juízes, com delegados de polícia. O destino do Brasil está nas mãos dos políticos, dos senadores dos deputados, dos presidentes da república, dos governadores porque são eles que são responsáveis pela gestão, pelo destino. Eu quando cheguei aqui no Amapá era taxado de petista e confesso que tinha simpatia sim pelo partido, pois defendiam algo que eu também defendo que é a lisura no serviço público, a preocupação com as pessoas mais carentes, que hoje eles até tem essa preocupação, mas de forma equivocada, distribuindo bolsas, não é?

Diário – A bolsa família, por exemplo?
Pastana – Pois é, eu nunca vi você acabar com a miséria por decreto, porque no entendimento da presidente Dilma, dá para fazer isso por decreto, pois segundo um estudo de duvidoso êxito R$ 70 [setenta reais] seria o valor para a pessoa deixar de ser miserável. Isso aí é um absurdo, pois a minha família sempre foi extremamente carente. Minha família é toda da Ilha do Marajó e eu passei fome literalmente, mas minha mãe nunca permitiu que nós fôssemos mendigar nas filas que havia na época na prefeitura para pegar leite. O que ela nos ensinava aos cinco seis anos de idade, era vender pastel e outros salgados para agente vender nas escolas e nas filas onde estavam as pessoas esperando os donativos da prefeitura.

Diário – E como foi o seu começo profissional?
Pastana – Quando eu cheguei em Brasília tinha muita facilidade para entrar no serviço público, se você tivesse um pistolão, pois os concursos públicos eram raros, bastava o ‘QI’, o quem indique. Eu já exerci vários cargos públicos, mas todos foram obtidos por concurso público, justamente com essa mentalidade de você conquistar o seu espaço.

Diário – Enquanto muita gente tem receio de repassar conhecimento, essa sua experiência em concursos públicos também virou obra literária, quando o senhor até fala das técnicas de memorização na hora de estudar. Isso significa que quando se aposentar no Ministério Público pode virar professor?
Pastana – Sim, eu pretendo. Eu acho que o conhecimento não tem limite e deve ser compartilhado e incentivado. Eu faço isso sempre que tenho oportunidade, em minhas entrevistas, palestras, nos meus livros e quando me aposentar talvez até em sala de aula... [risos]

Perfil

Entrevistado. Manoel do Socorro Tavares Pastana é autor do livro autobiográfico, ‘De Faxineiro a Procurador da República’, membro do Ministério Público Federal (MPF), instituição na qual ingressou no ano de 1996, no cargo de Procurador da República, por meio de concurso público de provas e títulos. Em dezembro de 2003 foi promovido a Procurador Regional da República (segunda instância). Atualmente está lotado na Procuradoria Regional da República da 4ª Região (www.prr4.mpf.gov.br), oficiando perante o Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que tem jurisdição sobre os estados do Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina.

Coluna Argumentos, domingo, 03 de março de 2013



Jogo

Todas as fichas estão sendo apostadas em Sarney (PMDB-AP)nessa renovação da Área de Livre Comércio de Macapá e Santana. Com seu prestígio e importância na República, haverá de costurar mais que a renovação dos incentivos, obter garantias para as futuras.

Fronteira

Ainda sobre esse tema, o deputado Bala Rocha (PDT) disse ainda não ter desistido de emplacar a extensão dos incentivos de zona franca para o município de Oiapoque, o mesmo lugar que ele já quis transformar em Território.

Conexão

Por falar em Bala Rocha, ele disse ontem que está costurando ser indicado para ser membro de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar as falhas de operadoras de telefonia celular. Haja comissão pro homem!

Festão

Tenente-coronel Ricardo Quadros, presidente do Clube Toca da Onça, amplia os horizontes, firmando parceria com Raul e Janete Silva, que levaram a banda Sayonara pra lá.

Causa

O líder da Comunidade Terapêutica Monte Tabor, o psicólogo Tom Sobral, foi ao rádio ontem e disse estar a procura de mais parceiros para tocar a entidade. Recebeu vários telefonemas.


P... da vida!


Conforme a coluna anunciou no meio da semana, publicamosa a foto enviada por uma leitora, sobre a bronca do proprietário deste GM Prisma. A faixa diz: Quer uma dor de cabeça? Compre um Chevrolet. O que será que o levou a esse protesto?

Sucesso

Empresário Johny Kleber, da Náutica Amapari, vai ao Rio de Janeiro com uma delegação local participar do “Rio Boat Show”, uma das maiores feiras náuticas do país. E chega lá com moral, pois acaba de levar o Prêmio Sesi de Qualidade, por suas inovações tecnológicas na fabricação local.

Exemplo

As lanchas ‘Made in Amapa’ que são produzidas no Distrito Industrial, em Santana, substituem o isopor por garrafas pet recicláveis como flutiadores. Há ainda um programa de gratificação dos colaboradores da empresa que a cada 17 garrafas recolhidas para reciclegem, levam para casa um refrigerante geladinho. A economia é repassada ao preço final. Dez.

“A questão das drogas no Brasil não é um caso de polícia, é caso de política pública”



Com muita bagagem acumulada entre estudos e enfrentamento às drogas pelo Brasil e fora dele também, o deputado federal Givaldo Carimbão (PSB-AL) visitou Macapá durante a semana que passou para falar dessa longa experiência e também pedir apoio para a aprovação de uma nova legislação para nortear o enfrentamento à produção e comercialização de entorpecentes no Brasil. Ele visitou os estúdios do programa Luiz Melo Entrevista, da rádio Diário FM, ocasião em que protagonizou uma verdadeira aula de conhecimento a respeito deste tema. O Diário do Amapá publica a seguir um resumo dos principais trechos da conversa radiofônica.

Diário do Amapá – Por que Carimbão?
Givaldo Carimbão – Vem de carimbo mesmo. Como é o nome do Sarney? José de Ribamar. E virou Sarney. Mas é que eu tinha uma loja de carimbos, papelaria e gráfica. Isso há 30 anos. Quando incendiou a minha loja, era o Carimbão. Então me chamavam de Givaldo do Carimbão, do Carimbão, do Carimbão, aí ficou Carimbão. Estou com sete mandatos e o juiz teve até que mudar meu nome.

Diário – Não quer dizer então que o senhor seja daqueles burocratas chatos que acham que o carimbo vale tudo, mais do que uma assinatura?
Carimbão – Eu acho que o carimbo até já acabou hoje. A tecnologia o superou.

Diário – Mas aqui se não tiver com o carimbo não vale nada...
Carimbão – Mas o carimbo sem assinatura não vale.

Diário – É dono de um currículo e tanto na política.
Carimbão – Tive mil votos na primeira eleição, dois mil na segunda eleição, quatro mil votos na terceira, 40 mil votos na quarta, 60 mil votos na quinta, 80 mil votos na sexta e cem mil votos na sétima [falando acelerado].

Diário – Um campeão de votos e daria um narrador esportivo.
Carimbão – Obrigado.

Diário – O senhor veio ao Amapá para falar de drogas. Essa ação que o governo paulista está desencadeando em São Paulo, retirando os drogados das ruas, involuntariamente, não é uma agressão, considerando que vivemos em uma democracia?
Carimbão – Essa é a terceira vez que eu venho ao Amapá, já tinha vindo com o Milhomen e depois com Janete Capiberibe, para alguns encontros pelo Brasil afora. Há 20 anos eu estudo um pouco essa matéria das drogas, que naquela época era a questão do cheira-cola e o Estatuto da Criança e do Adolescente tira a cola. Rapidamente os governos não tomam providências e de repente vem a maconha, daí veio a época do maconheiro. Daí passa à cocaína e chega o crack. Essa o Brasil experimenta há 15 anos, o que levou o país economicamente a despendiar muito dinheiro jogando pelo ralo.

Diário – E depois, deputado?
Carimbão – Eu escrevi dois livros sobre a matéria e tive a oportunidade de ser o relator nacional de políticas sobre drogas. Estudei em 20 países, como Suécia, Holanda, Inglaterra, Alemanha, Portugal, enfim, Estados Unidos, Polônia, Bolívia, estudando oficialmente a política de 20 países pela Câmara Federal. Nós rodamos 27 estados do Brasil para entender todo esse processo. Ao final nós fizemos um relatório de 750 páginas e depois nasceu um livro oficialmente nesta tese, um relatório definitivo para a Política Sobre Drogas no Brasil.

Diário – Que está em que fase?
Carimbão – Está para ser votado, espero que ainda no próximo mês. Foi votado e aprovado por unanimidade na Comissão por 51 deputados que apreciaram a questão do relatório, onde eu proponho, lógico, óbvio, também a internação involuntária. Eu mudo o nome compulsória, por uma questão de nomenclatura, mas é fundamental e importante que a população possa ter serviço público de saúde. Eu tenho dito que isso não é caso de polícia, é caso de saúde pública.

Diário – Por quê?
Carimbão – Eu fui a São Paulo, fiquei três dias dentro de uma delegacia e vários deputados federais ficaram comigo, fomos até à ‘Cracolândia’, passamos dois dias lá, enfim, nós entendemos o seguinte: o Brasil hoje tem 200 milhões de habitantes e a pesquisa mostra que 1% está no uso ativo do crack, 7% da população estão no uso ativo da maconha. Ora, 1% de 200 milhões de habitantes são 2 milhões de brasileiros, 2 milhões de pessoas. Este estado do Amapá tem 700 mil habitantes, então são três estados deste dentro do Brasil fumando crack à esta hora. Imagine três vezes a população do Amapá estar no uso ativo do crack à esta hora. São números que espantam qualquer ser humano e são dados da Fundação Getúlio Vargas, onde nós contratamos a pesquisa para nortearmos o projeto.

Diário – Impressionante.
Carimbão – Em São Paulo são 40 milhões de habitantes, então significa dizer que tem 400 mil pessoas no uso ativo do crack. Mas vamos ver onde está o grande gargalo. O Brasil, em 1970, na Copa do Mundo, quando ficou famosa a canção que dizia “...noventa milhões em ação...”, o Brasil tinha 90 milhões de brasileiros em sua população, hoje temos 190 milhões, ou seja, o Brasil cresceu 111% sua população. Naquele ano, 1970, o Brasil tinha 30 mil presos e hoje tem 550 mil presos, na [mesma] proporção era para ter 70 mil presos, mas o Brasil cresceu 1.600% [por cento] de presos contra 100% da população. Não há estado no mundo que suporte, não há família e sociedade que suportem conviver com esse processo.
Diário – E crescendo.

Carimbão – Crack no mundo, grosso mesmo é em dois países, Brasil e Estados Unidos. Eu andei no mundo, andei no planeta.
Diário – Levar o viciado à força para o tratamento não é o Poder Público se render ao tráfico?
Carimbão – Olha, eu tenho dito o seguinte: eu fui estudar na Bolívia, Colômbia e Peru, três dos cinco países que produzem a droga. Esses três representam 98% da produção de cocaína no mundo, então cocaína é Bolívia, Colômbia e Peru. Heroína é no Afeganistão, em Cabul, ali naquela região são 300 mil hectares, e a maconha propriamente dita é no Paraguai, a melhor qualidade do mundo e a segunda maior produção, e em Marrocos a maior produção do mundo. Ou seja, crack, merla, cocaína é tudo próprio da cocaína.

Diário – E o Brasil?
Carimbão - O problema do Brasil é que o maior exportador do mundo está no Brasil, porque três países, 17.144 quilômetros de fronteira está entre Bolívia, Colômbia e Peru, pegando o Mato Grosso, Mato Grosso do Sul. Rondônia, Acre e uma partezinha daqui ainda. Com a agravante de que o único país do mundo autorizado a plantar cocaína e tem certificado de qualidade é a Bolívia, que está ao lado, colado com o Brasil. É humanamente impossível a olho, se não for a tecnologia, e o Brasil lamentavelmente não tem enfrentado esse problema.

Diário – Como enfrentar o problema?
Carimbão – Tem que haver um tratado internacional. O Brasil não pode ficar omisso, ficar fazendo simplesmente a repressão interna e não fazer um trabalho bilateral entre países produtores e países consumidores, como é o caso do Brasil. Se o Brasil quer enfrentar o problema, a repressão é um dos grandes começos, é muito mais barata para o Brasil.

Perfil..
Entrevistado. Givaldo de Sá Gouvêa, ou simplesmente Givaldo Carimbão, é natural de Itapi (SE), comerciante e político. Atualmente é deputado federal pelo estado de Alagoas, mas antes foi vereador em Maceió (AL) por três mandatos, desde 1989 até 1999, quando passou a exercer sucessivos mandatos de deputado federal. Ele é o autor do projeto Acolhe Alagoas, que trata da questão das drogas. O projeto é uma referência nacional, tanto que já correu o Brasil e outros países pelo mundo para divulgá-lo. Carimbão integra a Comissão Parlamentar de Defesa pela Vida da Câmara dos Deputados. Veio ao Amapá para participar de uma agenda de compromissos oficiais, entre eles visitar o governador do estado.

Coluna Argumentos, sábado, 02 de março de 2013.


Escândalo
Se forem verdadeiras as denúncias apontadas pela chapa derrotada nas eleições para a direção da OAB-AP nós estamos perdidos. Sim, pois em todo lugar essa Ordem costuma se manifestar duramente cobtra os ataques à cidadania e de repente se vê no olho de um furacão.

Drogas
O Amapá também tem seu Carimbão, por assim dizer. Trata-se de Tom Sobral, que comanda há 22 anos um trabalho de reabilitação de dependentes químicos, o Monte Tabor. Com a vantagem das famílias estarem junto.

Em cima
Deputado Luiz Carlos (PSDB) postou em sua página na internet o encontro que a bancada federal e o prefeito Clécio Luiz tiveram com Ministro do Desenvolvimento Agrário(MDA), Pepe Marques. Macapá em pauta.

Aviação
Um encontro de boas–vindas. Assim o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), definiu a reunião na quinta-feira (28), com o diretor da Azul Linhas Aéreas, Vitor Celestino.


Coluna Argumentos 02.03.2013
Selva!
O Exército Brasileiro incorporou ontem à noite novos recrutas em Macapá.
O 34º Batalhão de Infantaria de Selva (BIS) recebeu um grande número de familiares dos novos militares, que não escondiam o orgulho da farda rajada.

Acordo
Os presidentes da Câmara e do Senado, anunciaram na quinta-feira (28), que os vetos à Lei dos Royalties (12.734/12) serão votados pelo Congresso na próxima terça-feira (5).

Reclama
“É crucial que esses servidores, dos três ex-Territórios, tenham tratamento isonômico e igualitário, o que infelizmente não está acontecendo”. Frase do deputado federal Bala Rocha (PDT-AP), a respeito do projeto que reconhece os servidores de Rondônia como sendo da União, com cargos e salários.

Justiça
Depois do ato simbólico de devolução dos mandatos no Congresso Nacional, de políticos cassados pela Ditadura Militar, agora algumas Assembleias Legislativas começam a fazer o mesmo. Esta semana foi a vez da do Maranhão, com direito a manifestação pública de um ilustre maranhense, José Sarney (PMDB-AP), contemporâneo de alguns deles.

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