Página do jornalista amapaense Cleber Barbosa, voltada a difundir notícias, pensamentos, reflexões e atualidades sobre turismo, comportamento, economia, cultura e política.

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segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Coluna Argumentos





A harmonia

Eis uma palavrinha que deu muito o que falar nos últimos anos. A situação, a tinha como a base das costuras políticas. A oposição tratava com desdém, só do pejorativo mesmo. E agora que um novo governo se instala, não é que a turma do PSB vem defendendo a paz e a harmonia novamente? Tomara que fumem o cachimbo da paz!

A missão

Por falar em paz, o senador eleito Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) ligou ontem de Brasília para participar do nosso programa Conexão Brasília, na Diário FM. Ele não só diz defender a união de forças políticas em torno do que seja melhor para o Amapá como atribui a Camilo Capiberibe, o governador eleito, a tarefa de orquestrar esse diálogo.

Nas Cutias

A coordenadora municipal da Igualdade Racial, a assistente social Cirlene Maciel, disse ontem no rádio que em plena Semana da Consciência Negra, que ainda é necessário que o poder público, os parlamentos e os movimentos sociais combatam o preconceito racial e a discriminação, hoje mais velados.

Na fazenda

De sua fazenda localizada às margens do Rio Araguari, o empresário e suplente de senador Salomão Alcolumbre (PMDB) liga para o colunista e agradece a lembrança por ter telefonado para ter notícias suas. “Eu tenho que ficar mais vinte dias aqui, direto, por isso dei um tempo daí”, disse um dos mais conceituados empreendedores.

Nova vida

O projeto Esporte Cidadania,uma parceria entre o Serviço Social da Indústria (SESI) e diversos apoiadores do Poder Público, Iniciativa Privada, Sociedade Civil e Imprensa, desembarcou ontem no pequeno município de Porto Grande. O objetivo é promover a inclusão social através do esporte, preservar a saúde e melhorar a qualidade de vida da população.

Piloto sem carteira

Uma patrulha da Marinha resgatou os tripulantes de um barco de pesca que ficou encalhado na Costa do Amapá. Eles chegaram por volta das 6 horas da manhã de ontem à sede da Capitania dos Portos do Amapá, em Santana e foram recebidos pelo próprio comandante, o capitão-de-fragata Marcelo Resende. Além do susto, receberam a atenção, alimentação e um puxão de orelha. O capitão não tem habilitação.

Indústria com voz

Com a posse da deputada estadual eleita e empresária Telma Gurgel, na Confederação Nacional dos Transportes, em Brasília, é muito provável que a atuação de seu filho, o deputado federal eleito Vinícius Gurgel seja em boa parte para garantir os interesses da indústria (e dos industriários). Mesmo em seu primeiro mandato, ele pode nem figurar no tal baixo clero.

Bandeira, o nosso símbolo

O tenente-coronel Allan Fernando Quint, comandante do 34º Batalhão de Infantaria de Selva, em Macapá, comandou na última sexta-feira uma bela cerimônia pela passagem do Dia da Bandeira. O militar, que comanda o Exército na fronteira do Amapá com a Guiana Francesa e o Suriname defende e trabalha para aumentar a presença desta Força nesta faixa de terras.

ESTÁ BOMBANDO!

Está começando a esquentar a disputa para eleger os 50 melhores do Prêmio Amapá em Destaque 2011, que vai dar o Troféu Tucuju de Ouro aos ganhadores. A votação é exclusiva na internet, no endereço www.amapadigital.net/amapaemdestaque e para votar é preciso ter uma conta de e-mail. A votação poderá ser feita até o dia 15 de janeiro de 2011 e o prêmio será entregue logo depois.

“Colocamos o Amapá na rota dos iates de alto luxo”


CAETANO - Com os incentivos da ALCMS transações milionárias com barcos de luxo deixam tributos no Amapá

Depois de uma companhia aérea, a TAM, que passou a comprar seus aviões novos no exterior e decidiu “internar” as aeronaves pelo Amapá para pegar carona nos incentivos fiscais da Área de Livre Comércio de Macapá e Santana (ALMCS) agora é a vez dos iates de alto luxo darem entrada no país através de Macapá. O Diário do Amapá identificou um dos responsáveis por essa nova modalidade de comércio exterior, o alagoano Caetano Pinto, um sujeito falante como qualquer outro nordestino e que rapidamente se adaptou ao clima e à gente amapaense, tanto que ele mudou-se de mala e cuia para o Estado, onde mora, vota e até já tem time de futebol. Dizendo-se fã do Marabaixo e de Patrícia Bastos, ele falou ao Diário sobre esses negócios milionários e sobre suas impressões a respeito do jeito tucuju.

Diário do Amapá – Você é natural de onde?
Caetano Pinto – Eu nasci em uma cidade chamada Palmeira dos Índios, no interior de Alagoas, onde lá mora a minha família, a minha mãe, mas aqui tenho aminha filha, aliás, tenho a minha esposa... (risos) é porque eu a chamo de minha filha. Mas aqui tenho a minha esposa, meus negócios e meu voto, sou eleitor daqui, o meu time é o São José e o meu coração é daqui. Eu amo essa terra.
Diário – Fale um pouco dessa atividade comercial que o senhor realiza em Macapá?
Caetano – Na verdade a gente começa um trabalho no inverso. Nós trouxemos empresas de São Paulo para operar o Corredor de Importação aqui. Agora, uma empresa daqui vai operar o Corredor de Importação para levar para o Nordeste fisicamente os equipamentos importados por aqui. Quer dizer que o tributo vai ficar aqui. A máquina vai para o Nordeste mas o tributo vai ficar aqui, fica conosco.
Diário – Esses iates, pelo que a gente sabe, são de alto luxo, coisa de primeiro mundo mesmo, como essa empresa operacionaliza as vendas, afinal não deve haver mercado na região?
Caetano – Na verdade são duas empresas. A Master Marine trabalha com barcos, iates e Jet-skis, além dos veleiros Benetton. Já a Prince, na verdade YB, que no Brasil tem também a Unidas Ret a Car, pois é do mesmo grupo português, se instalou no Brasil aqui em Macapá, sob a nossa coordenação. Trata-se de uma bandeira dos maiores iates do mundo, feitos na Inglaterra.
Diário – A fábrica é na Inglaterra, é isso?
Caetano – Exatamente. É uma fábrica centenária na Inglaterra, que é do grupo Lui Vitton. Para se ter uma idéia esses iates todos possui seus estofados com o couro Lui Vitton.
Diário – A gente então se pergunta sobre o preço final de um iate desses?
Caetano – O menor barco deles tem 42 pés (pouco mais de 12 metros) e vai até 240, sob encomenda. Mas são barcos com preço inicial na casa de 500 mil libras esterlinas o menor. Com a cotação de 2,75 de real isso significa mais de R$ 1 milhão (de reais).
Diário – E um barco considerado top de linha, o mais caro mesmo, chega a custar quanto?
Caetano – Ah, um top de linha de 240 pés, vai custar mais ou menos 30 milhões de libras esterlinas, vai dar mais de R$ 80 milhões, mas tudo depende do que você coloca dentro em termos de equipamento, como radar, sonar, enfim os acessórios que você coloca é que forma na verdade o preço final do barco.
Diário – O senhor fala em “depende do que você quiser colocar” e a gente se imagina fazendo uma encomenda dessas...
Caetano – Pois é... (risos) É por aí mesmo, é isso. Mas a felicidade é que além de, lógico, aqui tem o benefício fiscal, legal, que hoje briga com Santa Catarina, mas eu tenho lutado muito e apresentado que em relação a Santa Catarina geograficamente nós estamos bem melhor posicionados.
Diário – Briga porque Santa Catarina também tem incentivos fiscais?
Caetano – Sim, lá tem um incentivo ainda maior que aqui, pois no Amapá é 4% de ICMS Importação e lá é 3%. Mas, repito, geograficamente nós estamos melhor situados, em relação aos mercados internacionais. Por exemplo, se eu convenço um empresário a montar um estaleiro aqui ele vai vender para o Caribe e não vai se virar para São Paulo, pois lá é um mercado dez vezes maior do que São Paulo nessa área náutica.
Diário – Há quanto tempo o senhor está instalado oficialmente no Amapá?
Caetano – Há um ano e meio. Eu moro aqui desde outubro do ano passado. Antes eu fiquei num apart-hotel mas hoje já tenho minha casa aqui.
Diário – E nesse período a empresa já realizou suas operações normalmente? Qual a média de operações envolvendo essas embarcações?
Caetano – Sim, nós começamos a operar oficialmente em outubro do ano passado. Olha, a Prince, dos iates maiores, feitos sob encomenda, para você ter uma idéia, você dá 50% de entrada e espera um ano para receber o barco. É uma jóia na verdade, né? Os barcos Pince são considerados uma jóia no mundo, é como você ter uma Ferrari.
Diário – E os mercados consumidores no Brasil são de que região do país?
Caetano – Ah, Rio e São Paulo, basicamente. Na verdade a maioria dos compradores nem é do Rio e São Paulo, pois eles têm negócios no Brasil, compram esses barcos, instalam geralmente em Angra dos Reis ou Guarujá e quando vêm ao Brasil dão um passeio no barco. Mas naturalmente também fazem negócios.
Diário – A Rede Record de televisão outro dia estava exibindo uma série de reportagens sobre os homens mais ricos do mundo, que possuem até sete desses iates de alto luxo e houve quem torcesse o nariz para a pauta. Mas o jornalista não pode virar as costas para uma realidade que é mostrar quem se deu bem na vida, o senhor concorda?
Caetano – É lógico que sim, pois aí também tem trabalho. A maioria desse pessoal que se apresenta como rico, é gente que trabalhou muito para se tornar milionário. Alguns tiveram herança, tudo bem, mas é muito difícil você saber crescer sem uma herança. Um grupo familiar, geralmente, se não colocar um executivo para administrar, é mais difícil. Veja só o caso do meu ex-patrão né?
Diário – O Silvio Santos foi seu patrão, não é mesmo? Aliás, você tem uma história com a imprensa não é mesmo?
Caetano – Exatamente... (risos). Foi há trinta anos, fazendo televisão, primeiramente em Vitória, no Espírito Santo, na TV Gazeta, fundando essa afiliada da Globo lá. Depois fui para a TV Globo no Rio de Janeiro e depois fui convidado para trabalhar no Grupo Silvio Santos, em São Paulo, quando fundamos o SBT. Só depois fui para a Bahia, onde fiquei na TV Itapoã, realizando um trabalho de dez anos lá, onde lançamos Luiz Caldas, Chiclete com Banana, Mara Maravilha, Sarajane e até a Daniela Mercury, quando eu ainda estava lá.
Diário – Puxa, que time bom esse heim?
Caetano – É, foi um time bom porque à época na televisão da Bahia havia apenas cinco cantores famosos: Gilberto Gil, Caetano Veloso, João Gilberto, Gal Costa e Maria Betânia. Mas nenhum dos cinco morava em Salvador, então quando você queria um cantor famoso para a TV local a gente não tinha, então foi quando começamos a trabalhar esses artistas que falei anteriormente. E foi assim que nasceu toda aquela música, cuja questão da qualidade eu não discuto, pois música é música. Hoje eu amo o Marabaixo... (risos) entendeu? Na verdade o Marabaixo, ouvir Zé Miguel, Patrícia Bastos cantando, já pensou? Que orgulho! Eu acredito, honestamente, que no Brasil existam poucas como ela.
Diário – O senhor visitou o Amapá a primeira vez em 1992 e só voltou em 2009. Deu para perceber muitas mudanças a ponto de decidir virar aqui?
Caetano – É outra cidade. O povo, culturalmente muito mais preparado, mas eu acho que ninguém tem o direito de chegar cobrando se é ou se não é, pois só de chegar e ganhar um lugarzinho que eu ganhei, ser bem tratado, ter amigos aqui, sair meia-noite de casa e andar ali pela orla recebendo aquele vento do Rio Amazonas, depois parar e conversar com alguém, sem susto. Meu amigo, isso para mim é um prêmio, então tudo o que eu fizer, trazer empresas para cá, para recolher impostos, enfim, para mim é pouco para o que eu tenho aqui.

Perfil do Entrevistado

Caetano Soares Pinto é natural de Palmeira dos Índios, no Estado de Alagoas, onde mora parte de sua família. Ele chegou ao Amapá em 1992 para uma visita técnica que deveria durar três dias e acabou ficando três meses. Depois disso fez visitas esporádicas ao Estado até decidir fixar residência em Macapá em 2009, quando instalou uma representação da empresa multinacional do ramo náutico. Diz que se considera amapaense de coração e diz gostar de ouvir rádio desde cedo e até já escolheu um time local para torcer, o São José.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

"A Marinha quer ampliar sua presença na Amazônia"


ALMIRANTE Rodrigo - A Marinha estuda aumentar o efetivo e a estrutura naval para a Amazônia Oriental

Zarpou nas primeiras horas da manhã deste domingo o Navio Auxiliar Pará, que estava atracado no porto da Compa-nhia Docas de Santana. A bordo, um tripulante especial, o Almirante Rodrigo, que é o atual comandante do 4º Distrito Naval, sediado em Belém. Esse militar é o responsável pelas ações de quase 2,6 mil militares da Marinha em quatro Estados da Amazônia Legal, que são o Pará, o Amapá, o Piauí e o Maranhão. E foi exatamente a bordo do navio que veio realizar o apoio às inspeções navais do comandante, mas também realizar ações de cunho social, que o Almirante Rodrigo falou ao Diário do Amapá. Na conversa com o jornalista Cleber Barbosa, o comandante disse que o alto comando da Marinha estuda ampliar a presença da chamada Ma-rinha de Guerra nos rios e na costa desta parte do país.

"No que diz respeito especificamente ao Estado do Amapá, eu não posso antecipar que tipo de novas Organizações Militares possam vir a ser criadas aqui, mas tudo isso está sendo estudado, porque as demandas são grandes"

Diário do Amapá - Almirante, o senhor fez questão de vir a Macapá dessa vez a bordo do Navio Auxiliar Pará, uma embarcação que tem um valor muito grande para a Marinha, qual o objetivo dessa missão ao Amapá?

Rodrigo Hônkis - Eu fiz questão de vir a bordo sim, poderia ter vindo de avião, mas todas as oportunidades que tenho de embarcar eu as aproveito porque primeiro eu prestigio o navio e particularmente me é muito caro isso, gosto muito de estar embarcado, relembrar os tempos de oficial mais jovem e vivenciar o espírito de camaradagem e companheirismo nas diversas atividades que são desenvolvidas quando o navio está em movimento. Eu gosto muito e sempre que posso eu me desloco de navio.

Diário - Fale um pouco desse navio, pois pelo que se sabe ele tem possibilidades de emprego tanto estratégico, operacional, como também tem esse braço social dentro das atividades da Marinha?

Rodrigo - É verdade. O Navio Auxiliar Pará, que é o navio que nós estamos embarcados, é um navio com muita capacidade de emprego, pode levar um helicóptero embarcado, pois tem ponto para pouso e decolagem de helicóptero, que não é o caso agora, pois está sem helicóptero a bordo. Mas ele tem uma ampla gama de instalações médicas, como consultório odontológico, equipamentos de radiografia e, mais recentemente, foi instalado um mamógrafo a bordo que inclusive foi utilizado no último final de semana para atender algumas mulheres aqui da região que estavam com recomendação de fazer o exame. Nós fizemos contato com a Secretaria de Saúde e desta forma tivemos o prazer a satisfação de poder prestar esse apoio.

Diário - O senhor diria que a instalação desse mamógrafo foi um "plus" para esse navio ou realmente houve alguma demanda, indicativo ou incidência de doenças nessa área médica para motivar a Marinha a fazer esse investimento?

Rodrigo - Na verdade foram várias coisas que convergiram para isso. Esse equipamento foi instalado fruto de uma parceria com uma Ong chamada Américas Amigas e teve uma interveniência da esposa do comandante da Marinha [do Brasil], dona Sheila, teve também a interveniência da ex-embaixatriz norte-americana no Brasil, além dos Voluntários Cisne Branco, uma entidade que é dirigida pela Dona Sheila e regionalmente as esposas dos comandantes de Distritos têm as suas atividades, enfim, tudo isso concorreu para que esse equipamento fosse instalado. É um "plus" como você disse, porque era uma lacuna no atendimento da população ribei-rinha. Na parte de mulheres ficava sempre essa lacuna do exame de mamografia, que é um exame bastante sofisticado e inclusive nas grandes capitais não é um exame que está acessível a todo mundo a qualquer tempo e a qualquer hora, então esse equipamento a bordo veio sim trazer uma capacidade maior de prestar o apoio que é devido à nossa população ribeirinha.

Diário - Agora do ponto de vista estratégico almirante, a gente sabe que a área de jurisdição digamos assim, que o seu comando do 4º Distrito Naval é muito ampla, então o efetivo da Marinha tem que se desdobrar para fazer frente às demandas de patrulhamento da Amazônia Oriental não é mesmo? Como é essa missão?

Rodrigo - Você comentou sobre as dimensões da área de jurisdição do 4º Distrito Naval que compreende os Estado do Pará, Maranhão, Piauí e Amapá. Isso é cerca de 23% do território nacional, mas somos ainda poucos em termos de efetivo, não chegando a 2,6 mil homens e mu-lheres. Existem vários planos de crescimento da Marinha de uma forma geral e em particular na área que eu comando, mas são coisas que vão acontecendo aos poucos, tanto na parte de reequipamento de novos meios navais, novos esquadrões de helicópteros, novas instalações de conforto inclusive para o nosso pessoal e é marcar presença mesmo. A Marinha, juntamente com as outras Forças Armadas, ela tem a função de marcar presença nas calhas dos nossos rios, dos grandes, pequenos, dos pequenos afluentes, além de levar ação cívico social à nossa população ribeirinha e também quando necessário, garantir a lei, a ordem e a soberania do país nesse imenso espaço amazônico.

Diário - Existe previsão para o tempo que um oficial-general como o senhor fique empenhado numa missão como a de comandar um Distrito Naval?

Rodrigo - Eu assumi no dia 15 de dezembro do ano passado, portanto há quase um ano. Em média os comandantes de Distritos ficam dois anos, então imaginando que isso venha a acontecer eu tenho ainda mais um ano e um mês, uns treze, quatorze meses de comando.

Diário - O Amapá já chegou a abrigar até três Organizações Militares (OM) da Marinha, como o Serviço de Sinalização Náutica, o SSN-41, o Navio Balizador Tenente Castelo e a Delegacia da Capitania dos Portos, que recentemente foi guindada à condição de Capitania. Que futuro o Comando da Marinha reserva para o território do Amapá?

Rodrigo - Como eu disse anteriormente, a Marinha pretende crescer como um todo em todos os rincões do Brasil e não vai ser diferente aqui na região Amazônica. Agora no que diz respeito especificamente ao Estado do Amapá, eu não posso antecipar que tipo de novas Organizações Militares possam vir a ser criadas aqui, mas tudo isso está sendo estudado, porque as demandas são grandes e a Marinha tanto no que diz respeito às suas atividades fim como no que diz respeito às suas atividades como autoridade marítima no que diz respeito a segurança da navegação, são demandas muito grandes e que exigem da parte da Marinha uma atitude proativa, ou seja, ela tem que se antecipar tanto na parte de segurança da navegação e aí incluindo a manutenção preventiva e corretiva de toda a sinalização náutica dos rios e do litoral. Isso tudo é motivo de preocupação por parte da Marinha e isso certamente vai levar a um aumento de meios distribuídos tanto em Belém quanto nas outras capitais dos Estados em que o 4º Distrito Naval tem jurisdição.

Diário - Almirante, obrigado por sua entrevista.

Rodrigo - Eu agradeço a oportunidade e toda vez que isso acontece eu aproveito para levar à reflexão de todos, o problema da segurança da navegação. A Marinha, como autoridade marítima é responsável por isso, mas ela sozinha não vai fazer muita coisa, então cada vez mais há a necessidade de que a população como um todo entenda que todos nós somos um pouco responsáveis pela segurança da navegação, seja denunciando algum problema, denunciando superlotação de embarcações, procedimentos incorretos, enfim, pois às vezes isso tudo salta aos olhos embora a pessoa são seja letrada no assunto marítimo mas ao ver alguma coisa que esteja errada, existem meios de fazer chegar à autoridade marítima para que a gente cada vez mais diminua a ocorrência de acidentes na nave-gação, poupando vidas e evitando acidentes como, por exemplo, o escalpelamento, que é outro evento que nós estamos envolvidos como protagonistas e é preciso que realmente a gente divulgue os preceitos de segurança e que todos estejam imbuídos do propósito de que a segurança da navegação é uma responsabilidade um pouco de cada um de nós.



Perfil


Atual comandante do 4º Distrito Naval, responsável pela chamada Amazônia Oriental, é o vice-almirante Rodrigo Otávio Fernandes de Hônkis, natural do Estado do Rio de Janeiro e com mais de 40 anos de serviço efetivo na Marinha. Ele chegou ao posto de vice-almirante, o penúltimo degrau na carreira de um oficial-general na Marinha, por ato do presidente da República, no dia 12 de agosto de 2008, quando era contra-almirante. Sua designação para servir em Belém e comandar o 4º DN deu-se no dia 15 de dezembro de 2009.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Jornalista acusa abuso de sargento da PM

A jornalista Neuciane Lima, do Diário do Amapá, da Rádio 102 FM e Diário FM e ainda do programa Bronca Pesada (TV Tucuju) denunciou ontem ao Sindicato dos Jornalistas do Amapá e ao Comando da Polícia Militar do Estado, um caso de constrangimento e abuso por parte de um sargento da corporação. Ele simplesmente recusou-se a dar informações à jornalista alegando que ela seria uma "foca", ou seja, repórter iniciante.
De fato, a Neuciane passou mais tempo atuando como produtora d eredação do que propriamente uma repórter, mas há pelo menos dois anos ela virou a "Danadinha" da imprensa, diante de sua atuação ligeira e busca incessante pela notícia e o furo de reportagem. Mas mesmo que ela fosse mesmo uma foca de redação, isso não justificaria a descompostura do sargento. Leia a íntegra da nota:

Nota de Repúdio

Senhor Comandante,

Venho por meio desta, expressar minha indignação quanto à atitude tomada por um de seus comandados que me expôs ao ridículo ao fazer chacota do meu trabalho, quando do pleno exercício da atividade jornalística. Na madrugada desta quarta-feira, 10, o Sargento PM Ozimael, que comandava a VTR 1109 do 1º BPM, se dirigiu à minha pessoa como “foca”, uma expressão comumente utilizada na linguagem técnica jornalística e que é atribuída para os profissionais recém saídos das universidades.
O termo em nada me diminuiria - apesar de já estar há anos no exercício da profissão, em absolutamente nada, não fosse à forma como seu comandado se dirigiu a mim. De modo desrespeitoso, ele disse em bom e alto som que; “...não concederei entrevista para uma pessoa que não conheço. Falo apenas com as estrelas...”, referindo-se aos repórteres da área policial.
Desnorteada pelo tratamento repugnante que recebi da autoridade policial, me senti totalmente constrangida diante dos demais colegas de imprensa que também trabalhavam durante a madrugada cobrindo a área policial.
Diante do fato exposto, quero dizer que em particular, sempre elevei o trabalho da instituição policial militar, quer seja na Tv, no rádio e até mesmo no jornal impresso do qual também faço parte há mais de dez anos. Por tanto, como profissional, penso que mereço a menor consideração possível de alguém que tem a função de primar pelos direitos éticos, físicos e morais do cidadão, independente de quem ele seja. Em suma, peço que se posicione diante de seu comandado para evitar que outros fatos, lamentáveis, como esse, arranhem a imagem desta tão importante instituição militar.

Com apreço,

Neuciane Lima