Página do jornalista amapaense Cleber Barbosa, voltada a difundir notícias, pensamentos, reflexões e atualidades sobre turismo, comportamento, economia, cultura e política.

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segunda-feira, 22 de maio de 2017

INFRAESTRUTURA | Governo intensifica obras de duplicação na Rodovia Duca Serra

O governo do Estado tem intensificado os serviços da duplicação da Rodovia Duca Serra, que liga a capital ao município de Santana. A obra é executada pela Secretaria de Estado de Transportes (Setrap) e, nesta etapa, contempla a terraplanagem no perímetro entre a Lagoa dos Índios e o bairro Cabralzinho.
De acordo com o diretor de Obras da Setrap, Marcelo Farias, com a conclusão dos trabalhos, o trecho deverá receber os serviços de pavimentação. Sobre a construção da ponte na Lagoa dos Índios, Farias ressaltou que o projeto está em andamento e, assim que ficar pronto, será realizada uma licitação para a execução da obra.
A Duca Serra é uma das principais rodovias estaduais e liga os municípios de Macapá e Santana. Serve também de rota para quem precisa se deslocar até Mazagão e liga o lado oeste da capital à Rodovia BR-156, através da Rodovia AP-440, conhecida como KM 9.
A duplicação da Rodovia Duca Serra começou em 2016 e tem como principal objetivo desafogar o trânsito intenso de veículos – principalmente nos horários de pico. Ao longo da rodovia, encontram-se bairros como Cabralzinho, Marabaixo e vários conjuntos residenciais. Ela é também o endereço de vários empreendimentos e faculdades particulares.
Até o momento, já foram concluídos os serviços de terraplanagem, pavimentação e sinalização da via no perímetro próximo ao 34º Batalhão de Infantaria e Selva até a Lagoa dos Índios. No segundo semestre, deverá iniciar outra frente de trabalho no sentido Santana–Macapá. A previsão é de que a duplicação da Duca Serra seja concluída no fim de 2018.

OPINIÃO | Notas da coluna ARGUMENTOS, sexta-feira, dia 18 de maio de 2017.

Crise

Brasília ferve. A imprensa especulou à tarde que o presidente Temer preparava a renúncia, inclusive com detalhes até do suposto discurso. Mas o mandatário do país acabou anunciando que permanecerá no cargo e vai encarar as investigações de frente.

Faces

Mas depois vieram os vazamentos de áudios e vídeos da delação do empresário dono da JBS. Nitroglicerina pura na visão de muitos. Uma ação desesperada de alguém enrolado com a justiça, para a defesa.

Por GPS

Sim, Joesley Batista premeditou tudo para dar mais veracidade às suas delações. A Polícia Federal monitorou passo a passo a rota do dinheiro da propina. Até chip eletrônico foi instalado para rastrear a grana.

Senado

Da bancada de senadores do Amapá, apenas Randolfe e Capiberibe vieram à cena política ontem. O primeiro, para protocolar impedimento de Temer; o segundo, para pedir eleições presidenciais diretas.

Alcolumbre

Já o senador Davi Alcolumbre, que é do DEM, partido da base governista, ainda não havia se manifestado até o fechamento desta edição da coluna. Expectativa é que nesta sexta-feira ele possa falar algo.

Aéreas
Única companhia aérea brasileira a operar voos para Caiena, a Azul só peca em não incluir Macapá na rota para a Guiana Francesa, Mas se depender da ação de lideranças políticas e empresariais do Amapá, poderá ter em breve a companhia de outras concorrentes, como a Gol e a Latan.

Apoio

Nesta sexta-feira será firmado um convênio entre o Instituto de Pesquisas científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá (Iepa) e a Universidade do Estado do Amapá para possibilitar que acadêmicos da instituição de ensino possam realizar estágios obrigatórios nos núcleos de pesquisa do Iepa.

Práticas

Pelo que a coluna apurou, o acordo será assinado no gabinete da Reitora da Ueap e permitirá que os estudantes ampliem seus conhecimentos científicos e tecnológicos, além de proporcionar à Ueap mais uma opção para encaminhar seus acadêmicos que precisam realizar estágios obrigatórios.

Cursos

Para fechar, a medida beneficiará estudantes dos cursos de Engenharia Ambiental, Engenharia Florestal, Engenharia de Pesca, Engenharia de Produção, Engenharia Química, Licenciatura em Ciências Naturais, Licenciatura em Química e Licenciatura em Pedagogia.

quinta-feira, 18 de maio de 2017

ARTIGO | "Escala da produção de grãos no Amapá", por Juan Monteiro.

Nos últimos três anos, a produção de grãos cresceu no estado do Amapá pela alta produtividade das áreas agricultadas alcançada através das tecnologias de ponta aplicadas nas fazendas, trazendo significativos efeitos no desenvolvimento de cadeia produtiva e impactos na economia da região.
O aumento da escala da produção de grãos ocorre com a organização de seus processos de maneira a maximizar os recursos disponíveis e reduzindo a extensão territorial agricultada, proporcionando um resultado elevado por área ocupada com a atividade agrícola.
Os produtores amapaenses investiram milhões de reais em equipamentos e tecnologias para obter mais grãos em uma menor área possível, para isso, introduzindo gradativamente o que chamam de agricultura de precisão, que consiste em um  conjunto de ferramentas avançadas para a agricultura, a exemplo do GNSS (Global Navigation Satelite System), do SIG (Sistema de Informações Geográficas), de instrumentos e de sensores para medidas ou detecção de parâmetros ou de alvos de interesse no agroecossistema (solo, planta, insetos e doenças), de drones para georreferenciamento e aplicações, de geoestatística e da mecatrônica. 
A aplicação da agricultura de precisão, além significar a maximização do potencial da área produtiva, também se torna essencial para a diminuição do uso de defensivos agrícolas e, consecutivamente, um menor impacto ao meio, além da economia ocasionada pela racionalização do uso de diversos insumos que passa a acontecer conforme a necessidade de cada pequena parte do solo.
Segundo dados do IBGE, em 2016 a produção de soja no estado foi de 42 mil toneladas, enquanto a de 2017 será de 49 mil toneladas, representando uma variação positiva de 17% de um ano para o outro. Isso se deve ao estado ter alcançado índices de produtividade similares aos das regiões agrícolas tradicionais do país, onde se colhe uma média de 50 sacas por hectare em uma área que variou, de acordo com dados da Aprosoja-AP, de 14.040 Ha para 19.000 Ha nos anos de 2016 e 2017, respectivamente.
Ao contrário dos grãos de milho, que são totalmente consumidos no mercado amapaense, a soja tem seu maior volume exportado para países da Europa e para a China, respectivamente 80% e 20%. No entanto, das 14.040 mil toneladas produzidas em 2016, uma pequena parte começa a ser utilizada no estado na produção de ração para suínos e avicultura.
A verticalização da produção dos grãos de soja é a fase mais esperada pela economia do estado do Amapá, onde o grão colhido em estado in natura passa pelo processo de esmagamento, neutralizando as enzimas e dando origem a subprodutos como a glicerina, destinada à fabricação de cosméticos, o óleo de soja, para indústria de alimentos, e o farelo, destinado à fabricação de rações para a indústria de proteína animal.
A indústria de proteína animal é um dos pontos principais para a economia do estado Amapá, pois, possibilitaria a criação de animais para corte gerando horizontes ao comércio e à implantação de frigoríficos e indústrias de processamentos, resultando em um mercado de trabalho mais aquecido e a elevação do poder de compra pela mão-de-obra absorvida, e da atingida indiretamente como desdobramentos, a exemplo das empresas de diversos insumos como peças, máquinas, combustíveis, alimentos e outras.
Segundo o Centro de Estudos do Agronegócio da Fundação Getúlio Vargas, a cada 80 hectares de soja plantados, é gerado 01 emprego direto no campo que, por sua vez, possui uma proporcionalidade de 10 gerados indiretamente na cidade. Neste sentido, os 19 mil hectares plantados no Amapá geram 237,5 postos de trabalho no campo e 2.375 na cidade, totalizando uma projeção de 2.612,5 empregos diretos e indiretos.
Estudos desenvolvidos por instituições como a Unifap e a Aprosoja-AP, apontam que o estado possui a capacidade de plantar os grãos em uma área aproximada de 400 mil hectares, e isso geraria algo em torno de 5.000 em pregos no campo e 50.000 na cidade, perfazendo cerca de 55.000 vagas de trabalho, representando uma considerável ampliação do mercado consumidor capaz de fazer movimentar a economia em todos os seus setores, fazendo o Amapá subir a uma outra categoria de comércio.
Mas o aumento da escala da produção de grãos possui um grande obstáculo a ser superado que já perdura há três décadas, a regularização fundiária. Pois a mesma impede a criação de um ambiente juridicamente seguro para que o produtor possa fazer o investimento necessário à indústria de grãos, e a limitação de financiamentos voltados à produção devido ausência de titulação das terras, necessária para garantir os mesmos, o ocasionando lentidão ao desenvolvimento da região.
Para o Amapá alcançar avanços na qualidade de vida de seu povo, necessita promover o crescimento econômico e o desenvolvimento socioambiental através da aplicação uma política pública clara e bem definida para este setor, de maneira a equacionar as contradições existentes e encontrando um caminho equilibrado na construção de um estado melhor para todos.


Juan Monteiro
Administrador e Jornalista

Especializando em Marketing do Agronegócio pela USP

OPINIÃO | Notas da coluna ARGUMENTOS, quarta-feira, 17 de maio de 2017.


Guiana

Causou muita repercussão a notícia de que agora a Guiana Francesa flexibilizou a estada de até 72 horas para turistas brasileiros que fizerem conexão em Caiena para outros países, como da Europa, Caribe ou das Américas. Um incremento ao turismo regional, claro.

Regra

Mas um internauta postou comentário em nosso Blog dando conta de que essa medida já estava valando e que ainda não havia sido dado publicidade. De fato, o novo cônsul no Amapá confirma a informação.

Ganho

Segundo Alain Kraïs, em entrevista exclusiva à coluna, a medida vale desde o final do ano passado, mas carecia de regulamentação, o que só ocorreu recentemente. Com atraso ou não, é uma boa notícia.

Agências

No meio do chamado Trade Turístico, também é um alvoroço essa novidade. Pietrina Salgado, atual presidente da Abav, entidade das agências de viagem, diz estar juntando documentos para se posicionar melhor.

País

Outra informação repassada ontem à coluna por ela diz respeito ao interesse das entidades nacionais do setor de turismo. Claro, pois isso abre um leque de possibilidades para conectar voos para o exterior.

Caiena
Este é o aeroporto de Caiena, terminal internacional que poderá agora conectar os turistas do Norte, Nordeste e até do Centro Oeste com o exterior. A Air France até já cancelou as operações de um voo de Brasília a Paris, deixando as opções por Belém as melhores alternativas.

Bomba

Só que a notícia mais bombástica veio no começo da noite, no principal telejornal do país, o JN. Tem a ver com uma suposta delação acompanhada de provas em áudio e vídeo que fazem Temer e Aécio serem tragados para dentro da Operação Lava Jato. O silêncio no Planalto é ensurdecedor.

Estratégia

Olha, o presidente da república terá que vir hoje a público com alguma posição, apresentando uma defesa para essa escandalosa revelação. A noite deve ter sido longa para que os altos escalões do Governo Federal pensassem em uma saída. De outro lado, petistas e lulistas eram pura empolgação. Até no Amapá.

Posição

Lula não pode considerar o fato de ontem um ‘salvo conduto’, longe disso. Ele tem mais é que resolver seus próprios pecados e arrumar uma defesa plausível. Mas é fato também que o foco sai um pouco dele e segue para os rivais Temer e Aécio. Aliás, tem fato novo sobre ele também.

Prodap abre inscrições para capacitação de jovens em Pós Produção de Vídeos

Interessados em aperfeiçoar seus conhecimentos na área audiovisual podem se inscrever no processo seletivo de Pós-produção de Vídeos, lançado pelo Governo do Estado do Amapá, por meio do Centro de Gestão de Tecnologia e Informação (Prodap). A capacitação é gratuita e voltada para pessoas acima de 16 anos com conhecimento em sistema operacional (Windows, Linux ou OSX), internet e vídeo.
As inscrições podem ser realizadas entre os dias 16 e 21 de maio, pelo endereço eletrônico www.processoseletivo.ap.gov.br, onde também está disponível o edital do certame.  Serão ofertadas 36 vagas.
O processo seletivo terá duas fases. A primeira, de caráter classificatório, é constituída por análise das informações incluídas no ato da inscrição. A segunda etapa atenderá a comprovação das referidas informações, de acordo com nível de conhecimento aos quais será atribuída pontuação.
O curso terá um mês de duração e acontecerá nas dependências do Prodap nos turnos da manhã e tarde, com aulas ministradas pelo analista da instituição, Ronaldo Miranda. Os alunos terão oportunidade de aprender sobre todo processo básico e profissional de pós-produção de vídeo em quatro módulos: Básico (edição e colorização), Profissional Mod 1 (edição e colorização), Profissional Mod 2 (edição e colorização) e Profissional Mod 3 (edição e colorização e finalização). “Vamos trabalhar a edição, que é o ato de montar o filme; a colorização, para corrigir as cores, e a finalização”, explicou o coordenador de Tecnologia do Prodap, Márcio Brasil.
Projeto Cidadão Digital
A capacitação em Pós-produção de Vídeos integra o ciclo de cursos e capacitações desenvolvidos pelo Cidadão Digital, um projeto que faz parte do Planejamento Estratégico de Tecnologia da Informação e Comunicação do Prodap.
Essa é a primeira capacitação ofertada em 2017. Nos próximos meses, devem ser disponibilizados os cursos de fotografia e edição de áudio. “O Prodap é o único local do Estado onde o cidadão tem a oportunidade de fazer cursos na área do audiovisual de forma gratuita e com alta qualidade”, enfatizou o diretor-presidente do Prodap, Lutiano Costa.

terça-feira, 16 de maio de 2017

OPINIÃO | Notas da coluna ARGUMENTOS, terça-feira, dia 16 de maio de 2017.

Mercado

A Guiana Francesa já bateu o martelo, com o aval de Paris, claro. Está regulamentada a prática das conexões internacionais em Caiena, com dispensa de visto. Então quem tiver bilhete para a Europa, Caribe ou America poderá permanecer até 72 horas tranquilamente.

Oficial

Essa informação foi confirmada ontem à coluna pelo cônsul da França em Macapá, Alain Kraïs. É um grande avanço para o incremento do turismo regional, além de uma enorme vantagem aos turistas.

Romaria

Olha, quem já viajou de Macapá a Paris via São Paulo, por exemplo, sabe a amolação que é passar quase 24 horas entre escalas, conexões e o voo direto de 12 horas para atravessar o oceano Atlântico.

Economia

Para uma comparação prática, os dois voos diários que saem de Caiena levam 8 horas para chegar à capital da França, ao custo de 500 a 600 euros. Já os voos via Rio ou São Paulo custam mais que o dobro disso.

Abertura

Para fechar sobre essa grande novidade, a gente conclui que a Guiana Francesa quer de fato se abrir para o turismo. Quem comprar um pacote turístico para lá também não precisará mais do complicado visto.

Linhão
O Linhão do Tucuruí anda provocando uns apagões que estão amolando consumidores por aqui. Os cortes na transmissão teriam sido gerados por problemas na travessia da rede pela floresta amazônica. E olha que lá temos as maiores torres de transmissão do país. Alguma nota aí?

Clima

E o calor, reparou? Amigos, de uma hora para outra Macapá voltou a ser aquela ‘estufa’ que possibilita até fritar um ovo no asfalto da Av. FAB ao meio-dia. Para os mais antigos é sinal de que as chuvas começam a diminuir para a chegada do verão amazônico, que vai de julho a dezembro.

Publicação

Por falar nisso, a retomada das publicações da Revista Diário está na ordem do dia, como diria o ex deputado Vital Andrade. As reportagens sobre economia, turismo, comportamento e também o meio ambiente ganham aceitação dos leitores e um olhar generoso da crítica. Grande orgulho integrar o time.

Mobilidade

Titular da Setrap, Jorge Amanajás, confirma que além da Linha Verde, que ligará o Ramal do Km 9 até a Rodovia Norte Sul, haverá uma irmã chamada Linha Azul, um prolongamento da Av. das Nações (hoje Tupinambá) abrindo um leque de possibilidades para o Centro.

Guiana Francesa dispensa visto para turistas em conexão de até 72 horas em Caiena

Aeroporto Internacional de Caiena, na Guiana Francesa
Um antigo desejo para turistas e agentes de viagem do Amapá acaba de ser atendido pelo Governo da França. Trata-se da dispensa do Visto [ou Visa] expedido por autoridade diplomática no Brasil para ingresso na Guiana Francesa, para casos de conexões com voos internacionais. Isso representa um maior incremento no chamado turismo regional, um incentivo a estrangeiros conhecerem não apenas um, mas vários destinos turísticos na Amazônia, América do Sul e Caribe.
A informação foi confirmada nesta terça-feira (16) pelo cônsul honorário da França em Macapá, Alain Kraïs, em entrevista ao Blog do Cleber Barbosa. O jornalista brasileiro confirmou também que para os casos de turistas que adquirirem um pacote de viagem com alguma agência da Guiana Francesa ou de correspondentes destas no Amapá, também terá a dispensa do visto, desde que o viajante apresente a passagem de ida e volta.
Cônsul da França em Macapá, Alain Kraïs, falando ao jornalista Cleber Barbosa
Para os demais casos, como viagens a trabalho ou mesmo visando morar na Guiana Francesa, ainda haverá a exigência do visto no passaporte dos brasileiros, agora no próprio Consulado da França em Macapá e não mais apenas na Embaixada da França, em Brasília.
Falando à reportagem, o cônsul francês disse que esta é uma medida já regulamentada pelo governo central e que representa uma abertura importante para a economia da região – como indutor do turismo. “Não devemos concorrer entre nós, ao contrário, o turista europeu que chegar ao Continente por Caiena será instado a também conhecer o Brasil, através de cidades como Macapá, Belém, Fortaleza, enfim, como também o estrangeiro em viagem ao Brasil pode ser sugestionado a conhecer a Guiana Francesa, o Suriname e os demais países do Caribe”, disse o diplomata.
Avião da francesa Air Caraïbes, que opera voo diário para Paris
Economia
Outra vantagem comparativa que essa liberalidade dos franceses irá proporcionar é a gigantesca economia de tempo – e dinheiro – em relação às viagens para Paris feitas a partir de aeroportos do Rio de Janeiro e São Paulo. “Hoje um turista do Norte do Brasil gasta quase 24 horas para chegar à Europa, pois atravessa o país todo até o Sul e de lá decola para cidades como Paris, com mais 12 horas até o destino”, diz a presidente da Abav-AP (Associação Brasileira de Agências de Viagem), empresária Pietrina Salgado.
Na Guiana Francesa são ofertados dois voos diários de Caiena a Paris, sendo um da Air France e outro da Air Caraïbes, às 18 horas e às 20 horas, respectivamente, com duração de apenas 8 horas e ao custo de 500 a 600 euros para o trecho de ida e volta.

A brasileira Azul opera um voo para Caiena, mas partindo de Belém
Seguro

O cônsul francês também esclareceu a respeito de publicações brasileiras dando conta da cobrança de até R$ 1,5 mil para a contratação de seguro para automóveis adentrarem na Guiana Francesa pela recém-aberta Ponte Binacional de Oiapoque. “Esse é o valor para um pacote de três meses. O valor para trinta dias é de 175 euros, o equivalente a R$ 400 (reais). Mas nós estamos trabalhando para reduzir mais este valor, comercializando o seguro aqui mesmo no Consulado e até ofertando para períodos menores, como de 15 dias, por exemplo”, disse Alain Kraïs.

Presidente da Associação Comercial do Amapá, empresário Altair Pereira
De Belém
Já o presidente da Associação Comercial e Industrial do Amapá (ACIA), empresário Altair Pereira, lembra que atualmente apenas uma companhia aérea brasileira opera voos regulares para Caiena, a Azul Linhas Aérea. “Mas operando a partir de Belém, portanto ainda não atende aos interesses do nosso estado, afinal passa por cima do Amapá diariamente, podendo parar aqui que é mais perto da capital da Guiana Francesa”, pondera.
Essa questão da Azul gerou no ano passado uma grande discussão sobre incentivos fiscais reclamados por ela para poder operar no Amapá o voo internacional para a Guiana Francesa. A companhia queria isenção do ICMS sobre o querosene de aviação, mas a própria ACIA descobriu que já existe legislação estadual versando sobre o tema, como incentivo para a aviação internacional a partir do Amapá.
Por enquanto, portanto, os turistas que desejarem aproveitar a abertura da Guiana Francesa em liberar a exigência de visto para fazer conexão com voos internacionais em Caiena terão, antes, que fazer uma escala em Belém – de onde parte o voo da brasileira Azul para Caiena. 

ENTREVISTA | “Cotidianamente a gente sente a presença do racismo”

Apesar de ainda jovem, o advogado amapaense Danilo Silva demonstra muita maturidade ao abordar com muito realismo aquilo que muita gente insiste em esconder no país: o racismo. Ele acaba de assumir a presidência da Comissão da Verdade Sobre a Escravidão Negra no Brasil, um colegiado que passa a fazer parte das seccionais da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Ele foi entrevistado pelo jornalista Cleber Barbosa, durante o programa Conexão Brasília, pela rádio Diário FM, ocasião em que falou abertamente sobre o problema que ele mesmo diz já ter sentido. Na pele. Para o advogado, a primeira dificuldade é admitir que o preconceito racial ainda existe e precisa ser combatido, com muito diálogo e informação. Os principais trechos da conversa o Blog publica a seguir.

Cleber Barbosa
Da Redação

Diário do Amapá – O senhor acaba de ser nomeado para presidir a Comissão da Verdade Sobre a Escravidão Negra na OAB local, um grande desafio, não é?
Danilo Silva – Exatamente. Essa comissão é bem nova na OAB. No Conselho Federal ela tem apenas dois anos e aqui no Amapá ela está em fase de implementação, ainda. Ela já foi criada, fui nomeado presidente e agora estamos formando a comissão, a ser composta por vários advogados, por membros da sociedade civil e também do Judiciário e do Ministério Público que queiram contribuir com esse trabalho.

Diário – E como ela surgiu? Qual é o mote de sua atuação?
Danilo – Tal como foi a Comissão da Verdade, para investigar os crimes na Ditadura Militar, crimes de torturas, homicídios, essa Comissão da Verdade na OAB surgiu com o intuito de investigar quais crimes, quem cometeu esses crimes e onde foram cometidos esses crimes que possibilitaram a escravidão negra no Brasil.

Diário – Pelos dados que o senhor dispõe, dá pra dizer onde e quando surgiu a escravidão?
Danilo – Bom, a escravidão existe desde que o mundo é mundo, em vários continentes, com os hebreus, com os chineses, enfim. Já a escravidão negra iniciou com as grandes navegações, na época da corrida entre Portugal e Espanha. Quando Cristóvão Colombo chegou à África, ele viu que as pessoas tinham a pele escura e se espantou, pensando inicialmente que era por questões geográficas que as pessoas tinham pele negra. Levantou a teoria de que eram serem humanos primitivos e a partir daí iniciou-se o tráfico intercontinental de escravos, se espalhando pelo mudo. A escravidão negra foi a maior barbárie que já ocorreu na história da humanidade.

Diário – E, claro, acabou chegando ao Brasil com os portugueses, é isso?
Danilo – Não só com os portugueses, mas também com os espanhóis e todos os mercadores europeus de escravos, como holandeses, franceses. A África, em vinte anos, foi noventa por cento colonizada.

Diário – No Brasil coube à princesa Isabel abolir a escravidão, mesmo que muitas pessoas questionem o cenário em que isso se deu, não é?
Danilo – A princesa Isabel tinha apenas dezenove anos de idade quando assinou a Lei Áurea, num momento em que havia vários movimentos abolicionistas, numa pressão especialmente dos países que já haviam abolido a escravidão e estavam atrás de mercados consumidores. Vale ressaltar que esses movimentos abolicionistas internos não eram antirracistas, pois existiam muitos outros que eram.

Diário – Qual seu pensamento sobre a políticas de cotas para negros em vestibulares e também concursos públicos, pois há quem critique dizendo que a reserva de cotas já é algo discriminatório?
Danilo – Bom, como é de se esperar somos a favor, claro, pois entendemos ser uma política afirmativa, e afirmativa de direitos, pois se enquadra na Constituição como promoção da igualdade racial. O principal argumento de quem é contra, e que a gente escuta muito por aí, é dizer que aprovar as cotas é como se estivesse declarando publicamente que o negro é incapaz. Ora, essa teoria cai por terra a partir do momento que a gente pega os dados dos estudantes que ingressaram na universidade pública através da política de cotas. A taxa de evasão escolar é muito menor do que os alunos não cotistas. As notas são melhores, o esforço e a produção são maiores também, ou seja, a gente sabe que não existe diferença biológica entre um negro e um branco, não existe diferença intelectual. A grande fundamentação das cotas é a diferença de condições, pois a maioria afrodescendente é pobre e não tem as mesmas condições que a maioria eurodescendente, de pele clara e de classe média ou alta.

Diário – Há uma dívida histórica com a população afrodescendente.
Danilo – Gosto de citar sempre o exemplo do juiz federal William Douglas, chamado o mago dos concursos, que durante muito tempo foi contra [a política de cotas], mas que hoje é a favor. O que fez ele mudar de opinião? Ele é professor voluntário nesses cursinhos pré-vestibulares para pessoas carentes e viu que a maioria é negra. Ele publicou um artigo sobre isso, explicando as razões para ter mudado de opinião. Disse ter visto o esforço dessa população de acordar cedo, pegar ônibus, ir muitas vezes com fome só para estudar, enquanto que a filha dele que mora bem, uma boa estrutura, tem de tudo, possui muito mais condições de ascender na vida.

Diário – O senhor já tinha uma história de militância no movimento negro no Amapá?
Danilo – Não tinha não, apesar de ser simpatizante desde sempre, apesar de sofrer violência racial desde sempre, é uma coisa incomum que todo negro tem essa vontade, essa garra de lutar e mudar isso. A oportunidade que eu vi veio depois de me profissionalizar, me tornar advogado, enfim, cheguei à conclusão de que poderia contribuir para mudar esse cenário. É muito fácil a gente ficar em nossa zona de conforto, ficar em casa no sofá vendo os outros fazerem as coisas, enfim, poucas pessoas têm essa iniciativa de virar protagonista de mudanças. Então veio essa oportunidade com a Comissão dentro da OAB e ela tem um trabalho muito importante para ser feito pelo país, então o Amapá não poderia ficar de fora.

Diário – Que tipo de violência racial o senhor já foi vítima?
Danilo – Cotidianamente a gente sente a presença do racismo. Quando a gente entra num mercado, por exemplo, quando o segurança fica andando atrás de você; quando a gente entra numa loja e as pessoas não te tratam bem, a não ser quando você está em vestido. Nunca me esqueço quando uma vez em Castanhal, no Pará, quando caminhava numa tarde pelas ruas do comércio quando percebi que as pessoas iam fechando as portas das lojas; depois na faixa de pedestre via as pessoas levantando o vidro dos carros quando eu me aproximava, enfim, nesse dia eu me senti muito mal realmente.

Diário – O que precisa ser feito para se eliminar o racismo doutor?
Danilo – Bom, a gente precisa desconstruir o mito da democracia racial que existe no Brasil, que é de afirmar que negros e brancos convivem harmoniosamente, de que não existe racismo no país; e que o negro tem ascensão social igualmente ao branco; enfim, o que não é verdade.

Diário – Ou seja, primeiro é preciso admitir que o problema existe?
Danilo – É, no Brasil as pessoas querem admitir a inexistência do racismo e pior do que isso, não admitir que é preciso dialogar sobre isso, as instituições, as escolas, as famílias, enfim, acreditam veementemente que não precisam debater sobre isso. É uma realidade que a gente precisa mudar trazendo para a ordem do dia o debate sobre discriminação, racismo, políticas de cotas, pois o que falta para a maioria da população realmente é informação. O combate ao racismo e a promoção da igualdade racial hoje tem força de emenda constitucional no Brasil, pois foi aprovada nas duas casas do Congresso Nacional, em dois turnos e por maioria absoluta. É aí que entram as políticas afirmativas de direito que eu me referi no começo, cujo objetivo é incluir os negros em outras classes da pirâmide social.

Perfil…

Entrevistado. O advogado Danilo José Martins Silva tem 26 anos de idade, é amapaense nascido em Macapá. É casado com o biomédica Andréia Barbosa, com quem espera seu primeiro filho para março. É formado em Direito pela Faculdade Estácio de Macapá, especialista em Direito Previdenciário. Foi estagiário da Advocacia Geral da União, na Procuradoria da Fazenda e no Departamento Previdenciário; também estagiou no Tribunal de Justiça do Estado do Amapá, no Juizado Especial Norte; é músico e compositor, tendo inclusive tocado na noite antes da formação acadêmica. Acaba de ser nomeado para presidir a Comissão da Verdade sobre a Escravidão Negra no Brasil, colegiado que está sendo implantado em todas as Seccionais da OAB.

Notas da Coluna ARGUMENTOS, domingo e segunda-feira, 14 e 15 de maio de 2017.



Patrulha

A Rede Globo mantém firme vigilância na internet sobre sites que “disponibilizam” as transmissões de jogos que são exclusivos do pay-per-view, ou seja, pagos. Vira e mexe chegam notificações para tirar as partidas do ar, para desespero dos torcedores.

Alternativa

De fato, piratear conteúdo das emissoras comerciais implica em punições, mas em tempos de dificuldades na economia, bem que as emissoras de TV aberta poderiam dar mais opções ao combalido torcedor.

Valor

Depois da postagem do jornal Folha de São Paulo sobre a França cobrar R$ 1,5 mil para brasileiros atravessarem a ponte binacional, em Oiapoque, a coluna apurou que não é bem assim. Há ruído na informação.

Informações

Entidades locais, como o Sindicato das Empresas de Turismo e a própria Associação Comercial, foram ao escritório consular da França em Macapá, buscar mais informações. Saíram com esclarecimentos.

Na real

Falando à coluna, o cônsul Alain Kräs explicou que esse valor de R$ 1,5 mil é para um pacote de três meses. Para 30 dias o seguro dos automóveis é de 174 euros, cerca de R$ 400. “Mas vamos implantar para 15 dias”.

Cidadão
O combativo promotor de justiça Adilson Garcia teve a lixeira em frente à sua casa remexida por algum malandro. Ele sacou a vassoura e foi varrer a rua. Em uma rede social, deixou a seguinte mensagem: “Limpe a sua rua! Não espere só a prefeitura. Faça a sua parte!”. Mandou bem doutor!

Lotes

Titular da Sesa, Gastão Calandrini, concluiu processo licitatório e já renovou estoque do medicamento hidroxicloroquina para portadores de lúpus, e do espiramicina, remédio indicado para grávidas com toxoplasmose, para tentar evitar a transmissão da doença para o filho. Em boa hora.

Rito

A hidroxicloroquina faz parte do Programa de Medicamentos Excepcionais e de Alto Custo do Ministério da Saúde, que atua exclusivamente com medicamentos de uso controlado. Os pacientes tratados passam por exames, consultas, confirmação da doença e verificação dos documentos pessoais.

Certames

A coluna apurou que o estado chegou a ficar com o estoque zerado dos medicamentos, em decorrência da inabilitação e/ou desclassificação das propostas de empresas nas últimas licitações para aquisição dos remédios, impossibilitando legalmente a compra.

CONEXÃO BRASÍLIA TV | R$ 1,5 mil para passar na ponte? Não é bem assim!

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segunda-feira, 15 de maio de 2017

CONEXÃO AMAPÁ/MARANHÃO: O turismo regional começa a se consolidar

CLEBER BARBOSA
EDITOR DE TURISMO

Há muito tempo que o Amapá abriga legiões de maranhenses em seus domínios, um fluxo migratório iniciado pela corrida do ouro e que se consolidou nos anos 90 com a instalação da Área de Livre Comércio de Macapá e Santana e o deslanchar de obras de infraestrutura. Tanta gente veio que na hora de voltar para sua terra e visitar os parentes os maranhenses atuam como agentes multiplicadores de uma realidade: os atrativos turísticos do Maranhão e o estabelecimento de uma rota para incrementar o turismo regional entre os dois estados, passando pelo Pará.
O Blog visitou São Luís esta semana, constatando que o Maranhão está mudando o eixo da sua economia, ao apostar no turismo. Mas que estado é esse que a cada ano se consolida como destino turístico diferenciado, porta de entrada do Nordeste ou da Amazônia, dependendo do ponto de vista de quem observa? O Maranhão é um misto de nostalgia e futuro. São quatro centenários de história e uma capital pujante, repleta de edifícios, viadutos e uma economia aquecida. A capital São Luís adotou boas medidas de mobilidade urbana e tem uma malha viária muito acima da média.

Cultura
Para estudiosos, o Bumba Meu Boi do Maranhão foi quem originou muitos folguedos por toda a Amazônia. As danças típicas do Maranhão também são uma atração à parte. Os brancos levaram o enredo da festa; os negros, escravos, acrescentaram o ritmo e os tambores; os índios, antigos habitantes, emprestaram suas danças. São elas: Bambaê de Caixa, Cacuriá, Dança de São Gonçalo, Dança do Caroço, Dança do Coco, Dança do Lelê e o Tambor de Criola.
Barreirinhas – Na cidade de Barreirinhas, portão de entrada para os Lençóis Maranhenses, o fluxo de turistas também é intenso. Diversas pousadas estão lotadas, com hóspedes de estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. A empresária Sonia Cardoso visitou os Lençóis e ficou encantada com o que viu durante o passeio. “Conhecer este lugar superou minhas expectativas, nunca pensei que tudo isso existisse em um só local, uma beleza singular”, explicou ela.

Praias
O Maranhão possui 640 quilômetros de Costa Atlântica, além disso, sua capital São Luís é uma ilha, logo, dá para imaginar que tem praia pra todo lado que se olhe o horizonte. A vantagem é o mar verdinho e a areia das inúmeras praias é muito limpa, branquinha mesmo. Visite a Ponta D’Areia, Calhau, Olho D’Água, Araçagi ou Raposa. Além disso, há hotéis à beira-mar.

Dicas de passeios para aproveitar o Maranhão
O Maranhão consegue fazer parte do Nordeste e do Norte, ao mesmo tempo. Explico. Faz parte da chamada Amazônia Legal, possui generosa parcela da floresta amazônica, assim como os ecossistemas comuns de um estado litorâneo. E tem feito o dever de casa, por assim dizer. A antiga Lagoa da Jansen, uma área de mangue em zona nobre de São Luís, antes era a vergonha local, exalava forte odor e era tomada por palafitas. Foi despoluída e urbanizada, hoje, cartão-postal.

Interior
Entre os passeios que não se pode deixar de fazer, tem a cidade de Barreirinhas, passeio pelas dunas, lagoas e banho no rio Preguiça. Lá está instalado o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, coisa de cinema mesmo. Em Carolina, Cachoeiras, Ilha dos Botes e os morros. Em Alcântara, não é só a base de lançamento de foguetes, tem Pelourinho, até a Casa do Imperador. Visite também o Parque Nacional da Chapada das , fica no centro-sul do Maranhão e tem como principais municípios Carolina, Riachão, Estreito e Imperatriz. Seu nome veio por conta de seus platôs, que lembram realmente o formato de mesas de pedra. Uma foto de lá não pode faltar no seu álbum.

São Luís, com seus quatro centenários de história, convite à viagem nostálgica
Fundada pelos franceses em 1612, São Luís foi tomada pelos portugueses e chegou a ser brevemente ocupada pelos holandeses (1641 a 1644). Seu nome é uma homenagem dos franceses ao rei santo e ao monarca Luís XIII. A cidade possui um valioso conjunto arquitetônico, com mais de três mil prédios tombados. É essencialmente lusitana e representa o maior conjunto da arquitetura civil portuguesa no Brasil. Conhecida por seus azulejos coloniais e pelas festas folclóricas, conta com 32 Km de praias na região metropolitana, caracterizada por suas águas turvas devido a proximidade dos rios. Cidade onde o sol brilha o ano todo e a cultura popular pulsa forte na veia de seus habitantes, São Luís, patrimônio mundial, possui atributos singulares que a transforma em um dos destinos mais originais do Brasil.
A diversidade de manifestações culturais faz com que a cidade viva clima de festa o ano inteiro, impulsionando e dando alegria e energia à oferta turística da cidade. Em junho, São Luís se transforma no maior arraial do Brasil. O calor das fogueiras, o batuque dos pandeirões e o colorido das fantasias podem ser vistos por toda parte. Há alguns anos, a prefeitura de São Luís vem trabalhando para que o São João da capital seja um dos festejos mais alegres e contagiantes do Brasil, numa demonstração de respeito e valorização das tradições culturais da cidade.

LENÇÓIS MARANHENSES

OPINIÃO | Notas da coluna ARGUMENTOS, sábado, dia 13 de maio de 2017.



Frutas

Coube a uma das mais tradicionais indústrias de sorveste do Amapá a honrosa missão de ‘abrir os trabalhos’, por assim dizer, na novíssima Zona Franca Verde (ZFV). A tradicional Sorveteria Macapá, que ganha agora a marca comercial de “QSabor”.

Tendência

Aliás, o segmento da alimentação está deslanchando por aqui, tanto que uma indústria de iogurtes da Guiana Francesa faz planos para aterrissar no Amapá, na onda dos incentivos fiscais da nossa Zona Franca.

Eixo

A tradicional Jari Celulose paralisou a fábrica, lembra? Era para se reinventar, inovação. Depois reabriu com a produção voltada para a celulose solúvel, empregada na produção de alimentos e até de tecidos.

Mercado

Por aqui, também, a Amcel anunciou estar entrando no mercado do agronegócio, com o plantio de soja. Terras regularizadas e tecnologia ela tem de sobra, então poderá fazer a diferença e entrar na ‘briga’.

Custo

O paulistano Thiago Verçosa, que também teve seu projeto aprovado pela Suframa para adentrar na ZFV, diz que os incentivos fiscais o atraíram, pois significam enorme economia na aquisição de máquinas.

Vitrine
O Amapá está sendo muito bem representado por essa dupla de guias de turismo num congresso nacional da classe, em Natal (RN). Vagner Lins e Edina Tavares entraram com a bandeira do estado no evento. “Com muito orgulho de nosso lindo Amapá”, escreveu ele em uma rede social.

Teatro

Essa é para o segmento cultural. Especialmente quem curte artes cênicas. Trata-se da vinda dos atores Christian Villegas e Daniel Fadione, na próxima quinta-feira em Macapá. Em formato de mesa redonda, repassarão técnicas de artes cênicas e ainda apresentam pocket show com músicas inéditas.

Debates

O Amapá foi o estado escolhido para sediar as discussões do Encontro Preparatório para o Congresso Brasileiro de Cooperativismo. Cada região do país debaterá as demandas regionais. O evento ocorrerá na próxima quinta-feira, dia 18, a partir das 9h, na sede da OCB, no centro de Macapá. Bora lá?

Capacitação

Outra novidade é a chegada do curso  MBA em Projeto, Execução e Desempenho de Estruturas e Fundações, pelo Ipog. A capacitação é voltada a engenheiros, arquitetos, projetistas. Trata-se de uma parceria com o CREA-AP e CAU-AP para a formação da 1ª turma de MBA.

Faculdade Estácio de Macapá promove II Encontro de Jornalistas do Amapá.


sábado, 13 de maio de 2017

MERCADO | Lingüiças "Sabor de Minas", mas com sabor tucuju!

Olha que legal!
Visitei agora há pouco o estande de degustação de um produto com nome de fora, mas sabor genuinamente amapaense.
Trata-se dos embutidos "Sabor de Minas", cuja fábrica fica no bairro do Pacoval, em Macapá.
Uma boa novidade que possui um mix de produtos de fazer inveja. Ou seja, tem uma lingüiça para cada churrasco do cliente. Show!
Obrigado ao Supermercado Santa Lúcia pela oportunidade.



Postei no Facebook
https://www.facebook.com/clebermacapa/posts/1374667142615663

sexta-feira, 12 de maio de 2017

OPINIÃO | Notas da coluna ARGUMENTOS, sexta-feira, dia 12 de maio de 2017.



História

Um evento relativamente simples, mas de enorme significado para a história do desenvolvimento do Amapá. É o que podemos dizer a respeito da reunião de ontem em Macapá do Conselho de Administração da Suframa, colegiado da Zona Franca de Manaus.

Indústria

Foi ontem, no Palácio do Setentrião, marcando ainda a entrada oficial dos dois primeiros empreendimentos na novíssima Zona Franca Verde: uma indústria de sorvetes e outra de ração animal. Instalação em curso.

Grandeza

Outra marca importante da cerimônia de ontem foi ver como se pode demonstrar maturidade política ao reconhecer o esforço de cada liderança em prol de um objetivo comum, um ganho do estado, da sociedade.

Quadros

Muitos nomes citados, por suas ideias, suas gestões, articulações e agilidade para fazer. Ou salvar. Aí vai desde Janary, Barcellos, Capiberibe, Sarney e os mais novos agentes políticos, como Waldez e Clécio.

Figura

Já o ministro Marcos Cardoso, principal liderança federal no evento, roubou a cena pela simpatia e carisma. Fala fácil e cisca pra dentro, como se diz por aqui. Ele é do PRB e reuniu lideranças da legenda, lá.

Setentrião
Aspecto da reunião da Suframa, ontem, em Macapá, quando o governador assinou documento de doação de uma área para a construção de uma sede da entidade em Macapá, e também apresentou projeto de lei versando sobre incentivos fiscais para a Zona Franca Verde do Amapá.

Iluminado

O presidente da Associação Comercial e Industrial do Amapá, Altair Pereira, é um visionário. O motivo para tal afirmação foi saber ontem que saiu de seu computador o projeto formatado para Macapá abrigar um Festival do Equinócio, em setembro. Ideia é congregar de tudo e não apenas Carnaval.

Despojado

A coluna entrevistou Altair Pereira, ontem, quando tomamos conhecimento pormenorizado do projeto, que muita gente pensa ter sido formatado apenas como alternativa para o desfile das escolas de samba em outra época, menos chuvosa. “O projeto é de domínio público”, diz o empresário, ao repassar cópia.

Grandeza

Olha, o tempo dirá que o homem tem razão. Altair Pereira, de tradicional família empreendedora local, é meio avesso a aparições midiáticas e não autorizou o colunista a fazer tal registro. O fazemos por justiça. Agora é reunir essas ideias, aperfeiçoá-las e colocar em prática o evento.

quarta-feira, 10 de maio de 2017

REPORTAGEM | Os riscos da aviação regional na Amazônia.

Recentemente foi o ministro Teori Zavaski, mas na história do Amapá outras personalidades morreram em acidentes aéreos, como os então deputados Coaracy Nunes e Dalto Martins, suscitando o debate.
Foto: Acervo Márcio Vom Kruger

Cleber Barbosa

Para a Revista Diário

O avião é o meio de transporte mais seguro que existe – só perde para o elevador – e as estatísticas estão aí para comprovar. Mas ao longo da história alguns acidentes aéreos provocaram além de comoção muita discussão a respeito da segurança da aviação. No caso do Amapá, em particular, onde muita gente importante morreu em acidentes aéreos, a pergunta que não quer calar é se é mais difícil voar por aqui, na Amazônia.
Uma das primeiras tragédias de que se tem notícia foi a que vitimou o então deputado federal Coaracy Nunes, o suplente de deputado Hildemar Maia e o piloto Hamilton Silva – que são hoje nomes de ruas importantes de Macapá. Eles viajavam até a localidade de Nossa Senhora do Carmo, região do rio Macacoary, na manhã do dia 21 de janeiro de 1958, quando o avião Paulistinha CAP-4 em que viajavam caiu num dia de chuva fina.
Mas antes disso, Macapá teria outra experiência marcante com aviões. Na verdade hidroavião, segundo o jornalista e historiador Nilson Montoril. Foi a primeira aeronave a sobrevoar a pequena Macapá, assustando muita gente que jamais avistara algo assim nos céus. “Teve até quem corresse para a igreja e soldado confessando seus pecados para a esposa achando que era  o fim do mundo”, conta.
Arquivo Porta Retrato

Deu ruim
Outro episódio emblemático foi quando a mineradora Icomi S.A. fez festa para inaugurar sua pista de pouso, mas logo no primeiro dia o único avião a viajar para a Serra do Navio sofreu um acidente, levando a direção da empresa a abandonar seu projeto de ter um aeródromo. A aeronave perdeu o trem de pouso na aproximação para o pouso, quando atingiu a copa de algumas árvores. Felizmente ninguém saiu ferido e a aeronave caída viraria atração turística depois.

Saiba mais sobre os desafios de se voar na floresta amazônica
Para entender melhor as discussões a respeito da segurança da aviação regional, a reportagem foi ouvir a opinião  de quem atua no setor, como os pilotos e também o atual diretor do Departamento de Transportes Aéreos do Estado, Carlos Lima. Mais conhecido como Comandante Carlão,  ele admite que voar na Amazônia tem sim suas peculiaridades e até riscos adicionais. “Principalmente com relação a falta de apoio em solo”, resume ele.
E quais seriam esses apoio?  Para ele um dos principais é a cobertura do sinal de rádio, o que faz os pilotos percorrerem grandes distâncias sem conseguir contato com qualquer torre de controle ou mesmo pistas de pouso. “E aqui a gente ainda tem o chamado cone do silêncio, uma grande área compreendida entre o Rio Araguari, Calçoene e Oiapoque, que não possuem a comunicação bilateral”, explica Lima.
Outra característica dessa região é que voando a 10 mil pés, por exemplo, os pilotos encontram baixas temperaturas nessa região até a fronteira, causando riscos de formar gelo e prejudicar os comandos de navegação, além de reduzir a velocidade da aeronave. “Para isso, as empresas costumam pintar de preto o bordo de ataque, aquela parte frontal da asa, para identificar melhor possível formação de gelo. São nossos macetes”, conta o Comandante.
Outra curiosidade, para não dizer um paradoxo, é que com os avanços tecnológicos, como a navegação por GPS e as melhorias no Transponder, alguns sistemas antigos foram sendo abandonados, como algumas frequências de rádio que antes até possibilitavam uma melhor cobertura aos comandantes.
Queda do avião da Fretax no Vale do Jari, em 2013, que resultou em dez mortos. O mau tempo teria sido o maior causa da tragédia, pois o piloto preparava para o pouso.

TEMPO
Sobre isso, outro piloto consultado, Comandante Vitor Santos, diz que um dos grandes desafios da aviação são as condições meteorológicas, daí a importância do radar a bordo. “Mas ainda existem aviões sem esse aparelho, o que faz o piloto entrar na nuvem praticamente de olhos fechados, sem saber exatamente que tipo e qual o tamanho daquela formação”, diz. E até para isso existem técnicas bem amazônicas. Na volta para Macapá, os pilotos costumam sintonizar o rádio do avião na frequência 630 AM, da velha Rádio Difusora de Macapá. “Isso faz com que eventuais tempestades na rota apareçam como interferência na transmissão da rádio e até fazendo a agulha da bússola ficar tremendo”, diz o piloto amapaense.
Mas, de acordo com informações de antigos garimpeiros, a situação já foi pior no passado. Como na época da corrida do ouro no Amapá, época em que todo tipo de improvisos eram constatados, como decolar amarrado por uma corda. Era devido ao excesso de peso das cargas e das pistas clandestinas, normalmente muito curtas. Era um desafio voar para lá.

PERSONAGENS
O piloto amapaense Jorge Mareco, que é comandante dos modernos jatos da Latam Airlines, começou sua carreira na aviação regional, mas sai em defesa do setor, onde, inclusive se deu sua formação como piloto, no Aero Clube do Pará. Hoje, na aviação comercial, fala dos avanços e da tecnologia embarcada e o quanto isso ajuda a segurança. “Foi-se o tempo que voar era perigoso, pois hoje em dia é muito mais seguro você sair daqui para Belém em uma aeronave de grande porte do que ir daqui até a Praça Zagury de carro, quando pode sofrer um acidente de trânsito”, compara o profissional.
Ele diz ainda que toda essa tecnologia empregada diminui drasticamente a possibilidade de falha humana. “O computador está ali para ajudar a gente, mas claro que na hora em que ele falha, tem lá um ser humanos para controlar, daí eu dizer que a gente não pilota os aviões, a gente os gerencia”, completa o Comandante Mareco.

ACIDENTES
Entre os registros de acidentes fatais por aqui, antes daquele que vitimou o deputado e piloto Dalto Martins, em 2012, houve um emblemático, em 2001, quando o Comandante Pedro, recém transferido do Mato Grosso para Macapá, caiu com um monomotor com duas índias e duas parteiras a bordo. Elas viajavam de Oiapoque para Macapá. O piloto não teria seguido recomendações da torre de controle e decolou com um das piores formações de nuvens que existem para a aviação, o temido ‘Cumulonimbus’, apelidada pelos pilotos como cebezão. O mau tempo fez o comandante perder o controle da aeronave, caindo entre as montanhas, sem sobreviventes. Os pilotos locais disseram que naquelas condições até é possível voar, mas não por instrumentos, mas sim um voo visual, feito pela Costa do Amapá, o que demanda mais tempo, porém com mais segurança.
Em 2013, um acidente com um Embraer Carajá de prefixo PT-VAQ, pertencente à empresa Fretax. O avião caiu na aproximação para o pouso em Monte Dourado (PA), na região do Vale do Jari, matando dez pessoas, entre elas o piloto José Carlos Vieira Junior.

DICAS 
Mas não há motivo para pânico, afinal o gigantesco número de pousos e decolagens comparados com os raros acidentes aéreos atestam a segurança, então são algumas dicas para aproveitar a viagem.
– É comum o piloto falar “afivelem os cintos pois iremos passar por uma forte turbulência”. Isso não é o mesmo que falar “o avião vai cair” é apenas para aumentar sua segurança.
– É comum sentir um desconforto nos ouvidos ou ficar “meio surdo”, para melhorar tente simular um bocejos ou masque um chiclete, pois o movimento de mastigar ajuda a destapar.
Então uma boa viagem!

ECONOMIA | O drama do setor da MINERAÇÃO no estado do Amapá.

Numa entrevista bombástica, o engenheiro Glauco Cei, um dos mais conceituados empresários do setor, fala sobre os motivos para se desconfiar dos propósitos da mineradora Zamin no Amapá.

Cleber Barbosa
Para a Revista Diário

O anúncio de que a mineradora Zamin Ferrous pretende obter uma autorização de embarcar o minério estocado para garantir o pagamento de fornecedores está deixando muita gente com o pé atrás em relação a se confiar que ela cumpra o que promete. Gente como o empresário Glauco Cei, atual presidente do Sindicato das Empresas da Construção Civil, o Sinduscon. Ele concedeu uma entrevista esclarecedora à Diário FM, respondendo a questionamentos de Ivo Canutti e ouvintes, sobre um dos mais nebulosos capítulos da história da mineração por aqui, mergulhada em profunda crise desde então.

“A maior irresponsabilidade com o Amapá foi o sucateamento da ferrovia e a destruição do porto

Revista Diário – Nessa nova tentativa da mineradora Zamin Ferrous em retomar a sua recuperação judicial é grande a expectativa em torno das empresas que prestaram serviços para ela e também dos funcionários em receber o que ela deve, algo em torno de R$ 1 bilhão. Como o senhor vê tudo isso?
Glauco Cei – É verdade, realmente, em virtude de uma ação conjunta para a qual eu inclusive gostaria de agradecer ao emprenho do próprio Ministério Público Estadual, nas pessoas dos promotores Marcelo Moreira, Weber Pennafort e Adilson Garcia, que estão engajados nesse movimento de apoio aos prestadores de serviço dessa mineradora. Eu tenho um dado de que na época da operação da Anglo American havia uma circulação em torno de R$ 40 milhões até R$ 50 milhões por mês no estado, dependendo da movimentação é claro, então é muito dinheiro. É preciso que a gente busque o passado do setor minerário, dessa nova fase iniciada em 1998 com a implantação da MPBA. Depois veio a MMX, com projeto de ferro; depois veio a Unagem com outro projeto de ferro na área do Cupixi, então ao longo desses dezesseis, dezessete anos nós tínhamos o um setor minerário muito pujante e foi quando nós conseguimos quebrar a economia do contracheque aqui do estado porque circulava muito dinheiro aqui por conta desse trabalho e não dependíamos mais só do serviço público.
Diário – Foi a quebra de um paradigma mesmo, com a iniciativa privada empregando mais que o poder público.
Glauco – Sim, com isso o próprio comércio fez diversos investimentos, em shoppings, em novas lojas, enfim, e de repente em virtude de um problema que foi a queda do valor de minério, é preciso que a gente reconheça isso, mas também pelo acidente do porto e a consequente paralização da ferrovia, o que inviabilizou que o setor minerário continuasse funcionando. Isso, ao nosso ver, foi uma grande irresponsabilidade e o que é pior, deixou um passivo, quer trabalhista e também junto aos fornecedores. Então todos tiveram problemas, o comércio, a indústria e os próprios trabalhadores.
Diário – Aí veio todo um efeito cascata, não é mesmo?
Glauco – Sim, muita gente quebrou. Para se ter uma ideia, teve empresário que perdeu sua própria casa em virtude de ações trabalhistas, então veja, o que se quer é uma solução para tudo isso, mas até agora o que tem se apresentado nessa recuperação judicial, que corria só em São Paulo e agora graças a essa ação do Ministério Público e também graças a uma gestão dos senadores Randolfe Rodrigues e Davi Alcolumbre. Aliás, é preciso reconhecer que o senador Randolfe foi o primeiro a denunciar essa venda da Anglo para a Zamin, lá em 2014, quando ele foi inclusive bastante criticado, mas a gente vê que ele tinha razão. O próprio governador Waldez Góes ao assumir o governo nos chamou para uma reunião para que a gente explanasse o fato e colocou seu procurador, dr. Galeno, que está acompanhando o processo. Portanto, o que a gente quer é que o dano causado ao estado seja reparado, afinal o maior prejuízo foi para o estado do Amapá.
Diário – A ideia é desaforar a recuperação judicial que tramitava em São Paulo?
Glauco – Que ela tenha a anuência de nós que estamos aqui no estado do Amapá e que sofremos o maior prejuízo.
Diário – Mas a queda do porto também não inviabilizou que outras mineradoras deixassem de escoar sua produção? Esse prejuízo foi bem maior então?
Glauco – Muito maior, pois sem a ferrovia e sem o porto inviabilizou o setor. Quero deixar claro que eu não trabalhava com a Unagem, por exemplo, mas muitos dos meus companheiros, muitos trabalhadores atuavam lá, e ela tinha uma exportação de mais ou menos 1,5 milhão de tonelada a 2 milhões de toneladas por ano, o que era o que a Icomi no seu auge chegou a exportar aqui com o manganês. Então se a gente tem o porto e a ferrovia essa mineradora – que quero deixar claro indenizou e pagou todo mundo – estaria operando agora.
Diário – Então esse foi um diferencial em relação a outras?
Glauco – Sim, um diferencial, eles trabalharam de forma responsável com o estado onde estavam obtendo a riqueza, que foi o estado do Amapá. Agora isso não aconteceu no caso Anglo-Zamin. Eu não tenho como tirar a Anglo dessa situação, porque todos os contratos e pasme, na época, em 2009 a 2010, quando ela comprou o Sistema Amapá da MMX, foram feitos novos contratos com as empresas locais, sendo inclusive criado junto ao Senai e o Sebrae um plano de desenvolvimento de fornecedores, aonde as empresas se habilitavam a prestar esse serviço, de modo que o dinheiro do Amapá circulasse no estado do Amapá, com contratos de cinco anos e com a obrigação de comprar equipamentos. Então com isso muitos empresários foram a agentes credores – e não foi ganância não – e fez financiamento para comprar caminhões, máquinas, cozinhas industriais, enfim, fornecedores de mão de obra, e tudo mais. Mas isso tudo acabou quando a Zamin comprou a Anglo, pois ela não pagou mais ninguém, com essas empresas ficando a ver navios e o que é pior, com débitos trabalhistas e também com débitos de ativos, então isso foi uma irresponsabilidade.
Diário – Que outras empresas do setor foram afetadas com a queda do porto presidente?
Glauco – Ah, se o porto tivesse funcionando hoje é possível que a Unagem estivesse exportando; é possível que a mineração Vila Nova tivesse exportando também; e porque não dizer a Icomi ou a Ecometals tivessem tirando manganês. Eles inclusive estão tentando agora fazer via rodoviária, o que é inviável, vai destruir nossa estrada, pois o peso do minério dá em torno de 3 toneladas o metro cúbico, então não tem como você trazer de caminhão pois vai prejudicar mais ainda os nossos acessos. Daí a gente dizer que a maior irresponsabilidade com o estado do Amapá foi o sucateamento da ferrovia a não reconstrução do porto após o desmoronamento dele.
Diário – Quando se deu a venda da Anglo para a Zamin quem era o governador?
Glauco – Isso foi feito entre 2009 e 2010, quando o governador era o Camilo Capiberibe.
Diário – E não foi levado em consideração na hora dessa transação que a ferrovia e o porto eram concessões do estado?
Glauco – Eu tive na época duas reuniões com o então secretário da Indústria e Comércio, José Reinaldo, quando alertamos essa posição de que a Zamin não era uma empresa séria, por conta da Zamapá que ela já estava fazendo um trabalho lá na área próximo a Tartarugalzinho. Ele então alegou que a Anglo ia fechar, então eu disse ao secretário “olhe, que feche, mas recupere o porto e a ferrovia”. O que não pode é inviabilizar o estado, entendeu?
Diário – Então o senhor já tinha essa visão de que essas duas concessões tinham que ficar de fora da transação envolvendo as duas empresas?
Glauco – Sim, com certeza. É que o minério classe 2 tem um peso específico muito grande, como eu falei são 3 toneladas o metro cúbico, então ele pesa muito para você transportar via rodoviária. Por meio ferroviário é melhor, dá para você trabalhar com o trem em vagões de até 70 toneladas, então uma só locomotiva puxa isso e não vai causar impacto a ninguém. Nós alertamos bastante quanto a isso e não sei quais condicionantes foram apresentadas na época, mas, enfim, a negociação foi feita e está aí o problema para todo mundo hoje.
Diário – A negociação acabou incluindo as concessões do porto e da ferrovia?
Glauco – Ao que me parece houve uma proposta de recuperação da ferrovia e do porto que não foi cumprida pela Zamin. Ao nosso ver, à época, pela própria operação da Zamapá, uma empresa do mesmo grupo indiano do senhor Pramod, ela já vinha tendo dificuldades aqui de pagamentos de um projeto menor com os fornecedores no estado do Amapá, então nós não víamos assim uma viabilidade, nós que trabalhamos com a Anglo American e desde a implantação desses projetos como da MPBA e da MMX, temos uma certa noção com relação a essa movimentação. Também prestamos alguns serviços para a Zamapá e víamos que aquilo ali não tinha condições de dar certo. Talvez essas pessoas, de boa-fé, tenham acabado iludidas, não sei.
Diário – E sobre a recuperação judicial em si, esses ativos de minério estocado uma vez vendidos garantem o pagamento de todas as dívidas da mineradora?
Glauco – Olha, é quase que certo. Nós temos 4 milhões de toneladas ainda estocadas aqui em Santana e mais umas 2,5 milhões de toneladas de minério processado em Serra do Navio. Se nós fizermos uma conta de padeiro, como se diz, a gente vê que hoje o minério de ferro custa U$ 90 [dólares] a tonelada, tirando U$ 10 [dólares] para a logística de embarque e levar de navio até o porto de Beijing [China], por exemplo, a U$ 80 dólares a tonelada nós teríamos em torno de U$ 1,6 bilhão [de dólares].
Diário – E tem mercado para isso, de compradores interessados nesse minério?
Glauco – Tem sim, o mercado chinês por exemplo reagiu, o preço mundial de mercado subiu, qualquer pessoa pode ver no site que controla o setor, no endereço vale.com, então está nessa faixa de U$ 90 dólares a tonelada o preço médio do minério de ferro, então é perfeitamente viável. O que nós nos preocupamos não é só com a retirada do minério, mas com a viabilidade do setor minerário, sua manutenção.
Diário – O que a sociedade observa é que não vale a pena só vender o que já está em cima da terra, mas garantir a viabilidade do setor que é muito importante para o estado do Amapá pois pode ajudar muito na matriz econômica, não é isso?
Glauco – Com certeza. Além disso, com o porto e a ferrovia reconstruídos, temos outras possibilidades para o Amapá, como o próprio agronegócio. Se por ventura tivermos uma nova recessão econômica na China e caia o preço do minério, enfim, isso tudo para dizer que uma vez restabelecida a infraestrutura de porto e ferrovia já teremos um polo de exportação para o nosso grão. Existe um dado de que a previsão de exportação de grãos por Miritituba, no porto de Santarém, é algo em torno de 35 milhões de toneladas/ano e essa soja já está saindo por parte lá por Barcarena. Por que? Porque nós não temos o porto. O nosso porto da CDSA [Companhia Docas de Santana] não tem o que se chama de ‘retroporto’, que é a érea atrás do porto para você manipular as cargas. Então como é que vamos receber as balsas de Miritituba se nós não temos área para guardar? Então veja o quanto é importante para o desenvolvimento do estado a recuperação desse porto e a recuperação da ferrovia, não só para o setor minerário, mas toda uma atividade econômica, privada inclusive, que vai gerar muito emprego e recursos, gerando a circulação de dinheiro em nosso estado, pois estamos caminhando para sermos um estado com uma das maiores crises econômicas do Brasil porque não podemos ficar só na economia do contracheque público, isso vai nos penalizar bastante.

Perfil

O atual presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Amapá (Sinduscom) é o empresário Glauco Cei. Seu mandato à frente desta entidade iniciou no dia 30 de abril de 2014. É oficial da Reserva do Exército Brasileiro, onde atuou tenente de Infantaria. Ele também possui formação civil como engenheiro, tendo fundado, em 1986 em Macapá, a Etecon Construções, para atuar na construção civil com projetos e obras de engenharia. Ele também é presidente da Sociedade Amigos da Marinha, a SOAMAR no estado do Amapá. Possui vasta experiência no campo da abertura e construção de estradas no Amapá, tendo, inclusive sido um dos pioneiros na abertura da BR 156.

OPINIÃO | Notas da coluna ARGUMENTOS, quarta-feira, dia 10 de maio de 2017.



De olho

Juiz federal João Bosco Costa Soares está agindo forte para apurar irregularidades no processo de concessões de apartamentos da primeira fase do conjunto Macapaba. Enquanto isso, sua equipe segue o rito para desembaraçar a segunda fase do habitacional.

Perfis

O cerne da questão são as inconsistências em relação aos dados dos beneficiários cadastrados no programa de benefícios do governo federal. Tem que moralizar, mesmo, afinal estamos passando o país a limpo.

Suspeição

Alguns jornais à época da inauguração do Macapaba publicaram manchetes e imagens onde carros de luxo foram fotografados pernoitando nos apartamentos que seriam “habitação de interesse social”.

Construção

Por falar em carros de luxo, novamente Macapá registra o surgimento de uma invasão, desta vez na zona oeste, no bairro Goiabal. Os carros, curiosamente, são vistos desembarcando material, com frequência.

Prática

Gente, longe de polemizar, sabemos que há um déficit habitacional no Amapá, com muita gente precisando de um pedaço de chão. Mas a ação de especuladores já foi há muito tempo comprovada. Tem que endurecer.

Consumidor
Procon criará guichê de atendimento exclusivo para clientes da CEA. A intenção é solucionar a demanda de reclamações decorrentes do reajuste tarifário e instalação de novos contadores. Também poderiam observar o porquê de não aceitarem pagamento com cartões de débito/crédito.

Fomento

Olha uma boa notícia. Governo do Amapá entrega nesta quarta-feira, dia 9, cheques para empreendedores individuais que irão comercializar produtos no Festival da Castanha, que acontecerá nos dias 12, 13 e 14 de maio, no distrito do Maracá, em Mazagão, distante 130 quilômetros de Macapá.

Produção

Técnicos da Embrapa, extratores da APA da Fazendinha e gestores da empresa 100% Amazônia, sediada em Belém, reúnem-se hoje, por lá, para elaboração de um plano de trabalho que inclui as condições para iniciar parceria comercial entre a empresa 100% Amazônia e a comunidade da Fazendinha.

Na conta

Depositado na conta da Prefeitura de Macapá o valor de R$ 625 mil para a construção de passarelas em madeira para áreas de ressaca. O recurso é emenda parlamentar do deputado Cabuçu (PMDB), sob ordem bancária. O pagamento é 50% do valor de R$ 1,25 milhão destinado à capital.

MEIO AMBIENTE | Rio Amazonas também está assoreado, diz geólogo do Amapá

Especialista diz que o rio-mar está invadindo lagos e igarapés, com danos irreversíveis para a natureza, o que explicaria sumiço do Rio Araguari

Cleber Barbosa
Para a Revista Diário

Muito se fala a respeito das mudanças ambientais do planeta e o quanto isso afeta – e ainda vai afetar – a vida das pessoas. Por aqui, na Amazônia, as alterações também são percebidas e da mesma forma geram debate. Até o maior rio do mundo, o Amazonas, vira objeto de discussão, como também especulação. Mas, no começo do ano, Macapá sediou um evento de cunho científico, o I Seminário Nacional de Territórios, Ordenamento e Representação, promovido pela Universidade Federal do Amapá, com apoio de diversas instituições, dentre elas o CNPQ (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico). Gente que esteve lá saiu preocupado com as informações a respeito do nosso rio-mar.
Convidado a palestrar no seminário, o geólogo e advogado Antônio Feijão diz ter sido uma rara oportunidade de se ter um extrato científico com todo um trabalho de amostragem de coletas científicas e estudos históricos a respeito de nossos mananciais hídricos. Feijão destaca que recentemente as notícias do fim da pororoca do Rio Araguari tiveram grande repercussão no Brasil e até fora dele. Mas não foi um problema pontual, pois até mesmo o Rio Amazonas dá sinais de sofrer com o assoreamento dos rios da maior bacia hidrográfica.

Origens
Fazendo um recorte sobre o caso do Rio Araguari, Antônio Feijão diz que desde sua nascente, nas montanhas do Tumucumaque, este rio percorre 550 quilômetros e movimenta 280 milhões de metros cúbicos de água. “Mas as hidrelétricas retiveram essa água e tiraram a força do rio; além disso, os búfalos ou seus criadores recortaram canais e agravaram ainda mais o problema”, diz ele. Explicando a dinâmica do rio, o geólogo lembra que o Araguari fazia esse trajeto sem nenhum anteparo ou barreira natural, chegando forte para enfrentar o Oceano. “Isso ajudava a aliviar também as correntes e os sedimentos que chegavam a regiões como o Bailique, que hoje também enfrenta problemas de assoreamento”, acrescenta, para exemplificar mais efeitos desse gigantesco problema.

Recuo das águas do Rio Araguari já supera 80 quilômetros
As constatações da comunidade científica a respeito das transformações provocadas pela intervenção do homem na natureza do Amapá são de fato preocupantes. Testemunha ocular do seminário que discorreu sobre o tema, o geólogo Antônio Feijão diz de forma lúdica, como se dá a batalha entre os rios Amazonas e Araguari. “Embora a gente pense que o Rio Amazonas seja um ser de paz, ele é mesmo de guerra e o Oceano Atlântico também”, diz ele.
O próprio Oceano Atlântico, que tem sua posição consolidada a uma centena de milhões de anos, não aceita qualquer desafio. “E parte para cima também, portanto é esse duelo que está implicando em grandes transformações como na vida do homem.
O geólogo explica que antigos registros, como as publicações do pesquisador e navegador francês Charles La Condamine (1701-1774) já mostravam a pujança do Araguari, que considerava ter “duas bocas”. Mas o rio e até mesmo toda uma rede de furos, igarapés e rios menores como o Gurijuba, que tinham uma conexão sazonal com o Araguari, foram invadidos pelo Amazonas. “Agora são rios  com mais de trezentos metros de largura e com profundidades superiores a vinte metros, com a maré indo lá dentro onde era o antigo leito do Araguari”, narra Antônio Feijão.
Por fim, ele diz que pesquisadores como a professora Valdenira Ferreira consideram que nada agora pode ser feito para frear isso. “Nessa luta de um gigante com pigmeus é difícil o Amazonas não vencer, não tem como você conter o maior rio do mundo”, pondera. Já o professor Admilson Torres, do Iepa, diz que já são mais de 16 as ilhas da região que estão perdendo território e que poderemos ter salinização chegando até a Região dos Lagos, provocando profundas mudanças de vida em toda a região do Delta do Amazonas.