Página do jornalista amapaense Cleber Barbosa, voltada a difundir notícias, pensamentos, reflexões e atualidades sobre turismo, comportamento, economia, cultura e política.

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segunda-feira, 29 de julho de 2013

“O Exército vai aumentar muito o seu efetivo no Amapá com a criação de uma Brigada”.

Coronel Pinheiro. O comandante do Exército no Amapá fala das mudanças na estrutura da tropa na Amazônia. 
Algumas mudanças importantes na estrutura do Exército Brasileiro poderão afetar positivamente a presença de tropas federais no Amapá. O 34º Btalhão de Infantaria de Selva, sediado em Macapá, acaba de sair do Comando Militar da Amazônia e passa a integrar o recém criado Comando Militar do Norte, sediado em Belém. Os reflexos dessa mudança e a possibilidade do Amapá vir a sediar em seus domínios uma Brigada Militar, quadruplicando o efetivos das tropas por aqui são explicados pelo atual comandante do Comando de fronteira do Amapá, o tenente-coronel da arma de Infantaria, Marcelo Pinheiro Pinto. Acompanhe a seguir os principais trechos da entrevista ao Diário.

Cleber Barbosa
Da redação

Diário do Amapá – Recentemente aconteceu uma mudança importante na estrutura do Exército Brasileiro no Amapá, que alterou a subordinação do Comando de Fronteira do Amapá e do 34º Batalhão de Infantaria de Selva, saindo do Comando Militar da Amazônia e indo para o Comando Militar do Norte, que acaba de ser criado não é?
Marcelo Pinheiro – É isso mesmo. Desmembramos a Amazônia em ocidental  e oriental. A chamada Amazônia Ocidental ficou com o Comando Militar da Amazônia e a Amazônia Oriental ficou com o Comando Militar do Norte. Este novo Comando tem a jurisdição dele nos estados do Amapá, Pará, norte de Tocantins e o estado do Maranhão.

Diário – Quem comanda o Comando Militar do Norte?
Pinheiro – Nós temos um general de quatro estrelas, um general-de-exército, que é o General Ferreira, oriundo de engenharia, serviu em Manaus, inclusive já trabalhei com ele no Comando Militar da Amazônia, onde ele foi o chefe do Estado-Maior e também chefe do Centro de Operações. Ele foi tenente no 8º BEC [Batalhão de Engenharia e Construção] em Santarém, portanto um militar vocacionado aqui para a área Amazônica que vai trazer muita contribuição.

Diário – Um militar de muito prestígio portanto.
Pinheiro – Isso também demonstra também a importância dessa região que está crescendo muito. A abertura da ponte [binacional], tudo isso aí vem demonstrando que a região está ganhando muita importância, então esse Comando Militar do Norte estava se fazendo necessário.

Diário – Com possibilidades de crescimento da estrutura do próprio Exército por aqui também?
Pinheiro – Sim, provavelmente nós teremos também a criação de uma Brigada, provavelmente instalada aqui no Estado do Amapá. Estamos torcendo para isso, fazendo  gestões mostrando a importância da região, a qualidade da cidade de Macapá para que esse comando venha para cá. Há uma tendência muito grande que ele venha se instalar aqui.

Diário – Se tudo correr bem isso pode levar quanto tempo coronel?
Pinheiro – O Comando Militar do Norte está se formando, foi designado um general, mas ainda não tem nenhuma instalação definitiva, pois o QG [Quartel General] está funcionando onde é o QG da 8ª Região Militar ali em Belém, então ele deve levar uns dois anos para se configurar, montar toda a estrutura e a partir daí com certeza deve se voltar para a criação desta Brigada, que vai incorporar o nosso 34º BIS, o 2º BIS de Belém e o 24º BC de São Luiz.

Diário – O comandante militar da Amazônia, o general Vilas Boas, é então seu ex-comandante, não é mesmo?
Pinheiro – É, ele inclusive se despediu da gente, falou comigo pessoalmente da tristeza de ver o Amapá deixar de integrar o seu comando. Mas ele sabe da importância dessa nova criação e por isso ficou satisfeito com a novidade.

Diário – Quais as principais vantagens para o Amapá em ser subordinado agora a um comando militar mais enxuto, digamos assim?
Pinheiro – A nossa Amazônia é muito grande, com uma fronteira também muito extensa, então isso faz com que o Comando Militar da Amazônia tenha uma relevância muito grande no cenário nacional. Devido às extensões ele acabava não tendo uma atenção total da fronteira. Essa redução também se adapta às novas políticas de fronteira que se instalam, com a criação de outros Pelotões Especiais de Fronteira aqui mesmo no estado do Amapá, o que faz com que a região seja atendida de melhor forma, com um Comando Militar mais próximo, em Belém.

Diário – Esses investimentos também significam mais empregos para a nossa juventude não é mesmo?
Pinheiro – É, nós teríamos um aumento muito grande do efetivo aqui. Hoje é bem acanhado, pois dos 8 mil jovens que se alistam aqui no estado nós só conseguimos incorporar 250 recrutas, um efetivo bem pequeno para a quantidade demandada. Com a vinda da Brigada com certeza isso vai triplicar ou quadruplicar porque a estrutura da Brigada incorpora mais de 3 mil militares, logicamente que vem um efetivo profissional, de carreira, que são militares que incorporam em qualquer parte do país. Mas nessa parte temporária, que seriam esses jovens incorporados no estado com certeza aumentaria bastante.

Diário – O que realmente compreende uma Brigada em termos de estrutura de batalhões?
Pinheiro – Bem, a Brigada se for instalada aqui viria o Comando da Brigada, a estrutura de comando, sua Companhia de Comando também, o nosso Batalhão e mais as estruturas logísticas também, como um Grupo de Artilharia, que é um efetivo de Batalhão, teríamos um Batalhão Logístico, com seu efetivo parecido com de um batalhão de Infantaria, além de outras estruturas de comunicações e engenharia, para dar o suporte à nossa estrutura operacional, que é a arma base, a arma de Infantaria. Além disso, teríamos um Esquadrão de Cavalaria que também viria a ser criado aqui no estado.

Diário – Isso tudo aumenta a presença do estado brasileiro nessa parte da Amazônia o que lembra a preocupação que o país sempre teve com relação à cobiça estrangeira sobre ela, com combate à biopirataria enfim, isso ainda preocupa mesmo coronel?
Pinheiro – Com certeza, a Amazônia é o futuro, é a salvação, considera-se dessa forma, para o mundo, com muita coisa a ser descoberta, coisas que podem ajudar muito na evolução do homem, o que tem com certeza tem  trazido essa cobiça, o que tem aumentado muito a busca por esse tipo de material. Então é uma preocupação constante nossa que estamos sempre atentos, onde nós temos essa incumbência, ali na região do Rio Oiapoque, de Clevelândia do Norte até Vila Brasil, quando se houver algum problema a gente leva aos órgãos responsáveis por esse combate propriamente dito. Ali nós temos a responsabilidade pelo combate ao delito transfronteiriço ambiental, uma missão subsidiária nossa, não é a principal, que é a defesa da pátria. Mas sempre que nos deslocamos naquela região fazemos esse tipo de combate.

Diário – E os recrutas incorporados este ano, estão em que fase da instrução militar coronel?
Pinheiro – Eles terminaram o Período Básico, em que todos os recrutas recebem o mesmo tipo de instrução e agora iniciaram o período de Qualificação, quando ganham a qualificação militar, ou seja, ele vai ser um militar de Infantaria, um soldado Fuzileiro ou vai ser um soldado de Comunicações, trabalhando com os equipamentos de comunicação, ou ele vai trabalhar com as viaturas, na garagem, ser motorista, mecânico e assim por diante, cozinheiro, enfim receber a qualificação propriamente dita para assim integrar definitivamente o nosso Exército e poder trabalhar em qualquer condição. A partir daí a próxima fase é o Adestramento, quando vai trabalhar dentro da tropa.

Diário – Para fechar, existem algumas peças publicitárias sendo veiculadas a respeito do ingresso de interessados nas fileiras do Exército, inclusive atraindo mulheres. Tem um site com mais informações a esse respeito?
Pinheiro – Sim, nós temos o site do Exército Brasileiro, no endereço www.exercito.gov.br e ali tem no alto da página principal tem escrito ‘Junte-se a nós’ onde logo abaixo aparecem os concursos que ainda estão abertos. Se não estou enganado está aberto o da Escola de Formação Complementar do Exército, onde a presença feminina é muito grande, para profissionais formados e que ingressam de acordo com sua especialidade.E no ano que vem haverá concurso inclusive para que as mulheres possam ingressar em nossas Bandas de Música.

Perfil

Entrevistado. O comandante do Exército Brasileiro no Amapá é Marcelo Pinheiro Pinto, casado com dona Michele Pinheiro e pai de três filhos. Filho de militar, ingressou na carreira pelo Colégio Militar, tendo depois cursado a Academia Militar das Agulhas Negras (Resende-RJ). Especializou-se em Operações na Selva através do Centro de Instrução de Guerra na Selva, o CIGS (Manaus-AM), onde também foi instrutor. Concluiu o Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais, na EsAO (Rio de Janeiro-RJ) e cursou Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (EsCEME). Em 2009 foi compor as Forças de Paz da ONU no Haiti. Antes de vir para o Amapá servia no centro de Comunica-ção Social do Exército - CCOMSEX.

Coluna Argumentos, domingo e segunda, 28 e 29 de julho de 2013

Jantar
A Comunidade Católica Shalom vai celebrar o Dia dos Pais em grande estilo. Será no Marco Zero do Equador, no dia 10 de agosto. O jantar-show foi devidamente articulado com o novo titular da pasta, o vereador licenciado Richard Madureira, de Santana.

De olho
Um navio precisou ter os passageiros retirados pela Capitania dos Portos, ontem, na rampa do Santa Inês. É que a tripulação perdeu o controle sobre o embarque dos passageiros, que precisaram ser contados.

Estrutura
Apesar das ações da Marinha na rampa, cumprindo seu papel, o cais se mostra inapropriado para embarcar grande público. Mas isso é uma questão para a Agência Nacional de Transportes Aquaviários, a Antaq.

Missão
Pedro Conti, bispo diocesano de Macapá, exerce a função de catequista formador na Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro. Fica muito próximo aos jovens.

Rádio
Um mal-estar ainda no amanhecer do dia de ontem nos impediu de levar ao ar o nosso radiofônico Conexão Brasília, pela Diário FM. Pedimos desculpas e convidamos para sábado.

Na lama
O médico cearense Raimundo Pinto, conhecido como Dr. Jipeiro, lança um desafio aos aventureiros, encarar a Transamazônica em pleno inverno de 2014. A expedição pretende ir até Lábrea, que fica isolada nesta época. Quem se habilita?

De volta
O juiz do Tribunal Regional Eleitoral do Amapá (TRE/AP) Ernesto Collares concedeu liminar suspendendo a cassação do diploma do prefeito de Pracuuba, Antônio Carlos Leite de Mendonça Júnior, conhecido como Júnior Leite (PT), e do vice-prefeito Ilson Magave Ramos. A decisão reconduz o gestor ao posto, uma vez que havia sido afastado.

Controle
Finalmente uma notícia boa vinda do setor de transporte coletivo. Já está em pleno funcionamento um sistema de controle operacional através de GPS que permite monitorar os ônibus, garantindo ao usuário saber a hora exata em que os veículos chegarão a determinado destino. Duas empresas operam.

FESTIVAL DO CAMARÃO: Os mistérios para atrair tanta gente!

TURISMO / Uma verdadeira multidão segue neste final de semana para a bucólica vila de Afuá, a cinco horas de barco de Macapá, para o tradicional festival de julho

A galera que foi a Afuá neste fim de semana lotou as embarcações que atracaram no píer do Santa Inês, em Macapá para a folia que já é consolidada a cada mês de julho na pequena e aprazível ilha no arquipélago do Marajó, a ‘Veneza’ deles. 
Cleber Barbosa
Editor de Turismo

Em plena floresta amazônica, na Ilha de Marajó para ser mais preciso, uma bucólica vila ferve no final do mês de julho, em uma festa que existe há mais de trinta anos: o Festival do Camarão. A localidade fica em território paraense, mas é muito mais próxima e ligada a Macapá, para onde costumar migrar os filhos do lugar. São cerca de 10 mil visitantes neste final de semana da festa, que costumam lotar navios, barcos ou qualquer outro tipo de embarcação que os leve lá.

O Diário do Amapá acompanhou o embarque dos veranistas para Afuá na última sexta-feira (26), na Rampa do Santa Inês, para tentar entender o porquê da festa atrair tanta gente para uma pequena cidade que mal comporta seus próprios veranistas.
Alexandre é assessor parlamentar em Macapá, mas é natural de Recife (PE)
O assessor parlamentar Alexandre embarca para sua terceira participação no Festival. Para ele a fama do evento aguça a curiosidade de todos, daí a decisão de viajar até lá. “É uma questão turística, independente do lugar ser pequeno e não ter muita estrutura, mas é onde todas as tribos se encontram, inclusive de outros estados, como eu que sou de Recife”, diz o veranista.

A dona de casa Dina, que reside em Santana, foi até o cais levar as filhas para viajar a Afuá. “Elas estão muito alegres em poder ir até lá. Eu é que fico um pouco preocupada com tanta gente junta pegando esses barcos, mas tenho fé em Deus que tudo vai dar certo”, diz a senhora.

O comandante da Capitania dos Portos do Amapá, Carlos Neves, acompanhou pessoalmente o embarque dos foliões que iam para Afuá neste fim de semana. Ele explicou que o papel da Marinha e assegurar que não haja excesso de passageiros, que as viagens sejam feitas em segurança, com coletes salva-vidas e conferindo a documentação dos tripulantes. “A gente observa muitas embarcações de fora operando viagens para o Afuá na época do Festival, atraídos pelo grande público, daí nossa preocupação de também conferir a situação delas”, diz o militar.

Uma das embarcações que deram muito trabalho aos fiscais da Marinha foi o Barco Motor Júlio Prestes. É que a tripulação perdeu o controle do embarque, pois muita gente pulou por qualquer entrada para acessar a embarcação. Os passageiros precisaram ser retirados e embarcador novamente, com o apoio da Polícia Militar do Amapá e da Guarda Municipal de Macapá, para a devida conferência da quantidade permitida.

Afuá dos poetas tem lá os seus encantos naturais

Sua população estimada em 2008 era de 40.000 habitantes. Possui uma área de 8.410,3 km² e é conhecida como a "Veneza da Ilha de Marajó" por ser repleta de canais e palafitas. O município de Afuá possui vegetação costeira típica da região do delta do rio Amazonas, com predominância de várzeas e igapós. O Parque Estadual Charapucu é uma unidade de conservação estadual que abrange cerca de 65 mil hectares de ambiente naturais de beleza cênica e preservados.

A cidade de Afuá - que não se confunde com o município, muito maior territorialmente - define-se como uma cidade ribeirinha, conforme a proposição de Trindade Jr. e Maria Gorete Tavares, em "Cidades ribeirinhas: mudanças e permanências". Enquanto tal, apresenta as seguintes características: 1 - fica às marges de rios (Rio Cajuuna, Afuá e Marajozinho); tem origem tradicional: nasceu ao redor da igreja católica de N. Sr.ª da Conceição, através de terras doadas por Micaela Ferreira, no final do século XIX3 - é local, isto é, possui forte vínculo com os rios (através da pesca, do lazer, do uso como via para o meio de transporte).

Artistas nacionais chamam cada vez mais foliões para os shows noturnos

O festival tem sempre uma novidade para atrair o público para Afuá com super atrações nacionais. Já passaram pelo festival cantores como: Cavaleiros do Forró, Reginaldo Rossi, Banda Só Pra Contrariar, Forrozão Tropikália, Fafá de Belém, Banda Babado Novo, Gaby Amarantos entre outros. No ano passado, quando a festa completou 30 anos de realização, teve Margarete Menezes, Capypso e até o cantor Seu Jorge.

Mas o Festival do Camarão de Afuá não está restrito somente ao palco, dentro do festival acontece outro show à parte envolvendo os camarões “Pavulagem” que defende a cor Vermelho e “Convencido” de cor Verde, no espaço denominado de “Camaródromo”.  A batalha camaroeira como é chamada tem em disputa uma “batalha” de cores e movimentos dos dois camarões, onde as torcidas das duas escolas fazem a festa dando um colorido especial a disputa. O esperado é que Afuá receba um público de mais de 40 mil visitantes nos quatro dias do evento.

É comum também a exploração do evento por grandes expressões da mídia nacional. O Fantástico, da Rede Globo, já mostrou as curiosidades de Afuá na telinha, especialmente o concurso para a escolha do Mister Camarão e da Musa do Camarão.

Em 2012, quem enviou uma equipe para o lugar foi o Domingão do Faustão, que escalou a dançarina e assistente de palco Carol Nakamura para estrelar uma reportagem especial sobre o Festival do Camarão. Ela ficou encantada com a famosa bicitáxi, único meio de transporte disponível no lugar, onde as ruas são passarelas de concreto, sem carros.

CURIOSIDADES

- Afuá é um município brasileiro do estado do Pará, integrante do Arquipélago do Marajó.
- Localiza-se a uma latitude 00º09'24" sul e a uma longitude 50º23'12" oeste, na altitude de 8 metros. - Propagandistas a definem como "Veneza Marajoara" ou "Veneza Amazonense", pois a cidade se levanta sobre as águas.
- Suas passarelas em alvenaria, transformam-se em ruas onde só trafegam bicicletas e a bicitáxi.

1890
Este é o ano de fundação da cidade de Afuá, que comemora aniversário no dia 20 de agosto.

VISTA AÉREA


domingo, 21 de julho de 2013

“Faço política pois sei que pode transformar a vida das pessoas para melhor”.

Fátima Pelaes. A deputada faz uma avaliação da vida parlamentar, dificuldades e vitórias alcançadas.
Ela tem no currículo uma candidatura a governadora do Amapá e também a prefeita de Macapá. Identificada com as causas sociais, a deputada federal Fátima Pelaes (PMDB) está em seu quinto mandato no Congresso Nacional, o que lhe empresta muita experiência e segurança para falar dos mais diversos temas da vida pública. Ontem ela foi ao rádio, conceder entrevista ao programa Conexão Brasília, pela Diário FM. Fátima falou da experiência também de já ter sido indicada para virar ministra do Tribunal de Contas da União e do próprio Ministério do Turismo. Os principais trechos da conversa o Diário do Amapá publica a seguir. Acompanhe.

CLEBER BARBOSA
Da Redação

Diário do Amapá – Quanto tempo de mandatos consecutivos no Congresso Nacional?
Fátima Pelaes – Eu cheguei lá em 1991, no meu primeiro mandato. Depois eu concorri ao Governo em 2002 e fiquei aqui, quando tive a oportunidade de ser secretária de Turismo e depois voltamos para o Congresso Nacional, onde estou no meu quinto mandato. Mas eu me sinto com o mesmo entusiasmo do primeiro mandato, com uma diferença, hoje com muito mais experiência para tirar os problemas, as dificuldades, correr atrás dos projetos e o nível de conhecimento que a gente passa a ter lá, tanto nos ministérios como no Congresso Nacional. Isso de certa forma facilita a luta, as vitórias, pois tenho muita fé em Deus e tenho trabalhado.

Diário – Muita gente diz que a senhora conquistou seu espaço lá com muita simpatia e diálogo, além de uma característica de conhecer dos ascensoristas dos ministérios aos chefes de gabinetes, o que lhe garante muito trânsito na Capital...
Fátima – É importante você ter esse trânsito para você batalhar, eu acho que a persistência é fundamental também. E você acreditar nos seus projetos, pois quando você acredita é muito mais fácil para você lutar por aquilo, então a gente tem procurado. Primeiro respeitar as pessoas, em todos os níveis, em todos os lugares, por isso dizem que você conhece uma pessoa, como ela lhe trata, sem ela precisar de você. Então procuro tratar todo mundo bem.

Diário – É uma coisa que a senhora tem como meta?
Fátima – A gente coloca em prática no dia a dia, no trabalho também, na nossa luta, por acreditar.

Diário – Por falar em trabalho em que a senhora tem se dedicado atualmente?
Fátima – Além das rotinas normais, hoje a gente tem a questão do PAC [Programa de Aceleração do Crescimento] então a gente está engajada em uma luta que é para o município de Santana que é a Baixada do Ambrósio, uma luta grande, que não é para hoje, não é para esse mandato, pois falta um ano e meio para terminar. Na verdade essa é uma luta que não vem de hoje, é de muitos anos, mas que é importante começar. E continuar, pois é uma luta da bancada, de outros mandatos. É que agora veio a questão do PAC 3 que vai ser aberto agora pela Presidenta Dilma e nós estamos querendo colocar esse projeto lá.

Diário – Como está esse projeto agora?
Fátima – O projeto tem dez anos e o prefeito vai ter que reformular. O prefeito Robson [Rocha] inclusive esteve comigo lá com a secretária Inês [Ministério das Cidades] onde nós temos uma linha de financiamento nessa área, mas é uma luta árdua. Só para você ter uma ideia não sou uma pessoa que foca apenas no mandato, até a próxima eleição, nós trabalhamos para o nosso Amapá e pelo Brasil, então eu sei que é um projeto importante e a gente vai estar lá. Há um compromisso de que ela [Dilma] vai colocar entre as prioridades do Governo Federal. São mais de mil famílias que moram hoje na Baixada do Ambrósio e com esse novo momento que o Porto de Santana vai viver é preciso pensar na urbanização também.

Diário – O prefeito diz que quer resgatar essa vocação portuária de Santana.
Fátima – É, tem a questão do petróleo, que daqui a três anos nós já vamos ter a possibilidade de estarmos produzindo alguma coisa, os grandes projetos de mineração, então você tem uma perspectiva boa para lá.

Diário – Tem também o projeto de embarque de grãos.
Fátima – Sim a questão do transbordo dos grãos do Centro-Oeste, que é um projeto grande também, privado, do outro lado do rio e que nós conhecemos o projeto, pois tivemos a oportunidade de ir conhecê-lo e levamos até o governador as pessoas que são do Mato Grosso. Ele acreditou no projeto e juntos fomos ao governador de Mato Grosso, nessa relação de parceria. Hoje o Governo deu todo o apoio necessário para que eles se instalassem, conseguiram financiamento e já iniciam o projeto. Fico muito feliz de saber que o nosso mandato contribuiu decisivamente para isso, pois não temos um aviário porque não temos grãos, daí sermos hoje apenas um importador de frangos. Daqui a alguns anos essa realidade vai ter mudado, certamente e vamos viver um novo momento no Estado, com a geração de empregos, isso garante qualidade de vida, pois dignidade se faz com emprego e salários justos.

Diário – Seu colega de bancada, o deputado Milhomen, disse já ter ouvido uma ponderação bem humorada de um prefeito dizendo que os deputados davam muito trabalho às Prefeituras do interior devido a burocracia exigida para a liberação dos recursos que os parlamentares alocam em emendas ao orçamento. O que a senhor acha?
Fátima – Poderia dizer ao contrário, que na verdade tem alguns prefeitos que dão muito trabalho para nós... [ risos] O que ocorre é que você coloca a emenda e se a Prefeitura não tiver preparada para elaborar os projetos não tem como [liberar] pois o governo federal está muito exigente hoje, então você tem que cumprir todas as exigências, documentação e tudo mais. Eu falava hoje [ontem] com o prefeito de Mazagão, Dilson Borges, que priorizou três pontos: uma equipe de projetos, uma equipe da parte de contabilidade e uma equipe jurídica. Se você tiver essas três equipes bem preparadas a prefeitura vai e deslancha, pois hoje o Governo Federal não são só emendas parlamentares.

Diário – Existem os programas federais, não é mesmo?
Fátima – Isso, inclusive esta semana nós levamos a equipe do prefeito Clécio e o prefeito Robson que estavam lá e fomos até o Ministério da Educação, trabalhando os projetos dessa área, a documentação, os registros, enfim todo o trabalho do dia a dia que precisa ser feito. Vai ter sempre muito trabalho.  Por isso a gente cobra muito, pede equipe, liga, todos nós da bancada fazemos isso, pois temos uma bancada de parlamentares muito dedicados.
Diário – O difícil é ver quando esses recursos retornam para Brasília não é?
Fátima – É muito frustrante para o parlamentar chegar no final do ano e fazer um levantamento e ver o quanto foi devolvido. Só para ter uma ideia nós perdemos aqui do Parque do Meio do Mundo R$ 8 milhões, que foi aquele projeto que a Marta Suplicy veio aqui e assinou o convênio, como ministra do Turismo. Agora no Píer Santa Inês o governador Camilo está se propondo a executar tudo com recursos do Estado, pois a Caixa não está autorizando a liberação nem do R$ 1 milhão que restou do convênio que nós havíamos conseguido, que era de R$ 8 milhões junto ao Governo Federal. Se cada parlamentar for colocar na ponta do lápis tudo aquilo que conseguiram vai dar muito. Então agora não só eu, mas creio que todos os nossos colegas têm sido muito mais agressivos no sentido de estar pedindo, estar cobrando para que os prefeitos possam fazer isso, secretários, enfim.

Diário – E para o futuro, quais são seus planos, pois com toda essa longevidade no Congresso, tentou a Prefeitura de Macapá, o Governo do Estado e postulou até virar ministra do Tribunal de Contas da União. O que está por vir?
Fátima – Olha, quero continuar trabalhando pelo meu povo, pela minha gente e sinto que como deputada federal posso fazer. Faço política porque sei que ela pode transformar a vida das pessoas para melhor. Eu quero qualidade de vida para todos, pois vim de uma família muito humilde, que lutou com muitas dificuldades, então eu sei o quanto é difícil para uma família pobre. Isso era o que me movia quando fui candidata a governadora e é o que me move hoje como deputada federal, então quero continuar fazendo isso. A vida pública não é fácil, você faz amigos e inimigos e quando você pleiteia alguma coisa que alguém também está querendo não sabe o que pode vir o que pode acontecer. Eu já tive essa experiência também quando colocaram meu nome para ser ministra do Turismo. Mas tenho muita fé, e a minha fé em Deus me levanta a cada dia e continuo acreditando nos meus sonhos.

Perfil

Entrevistada. Fátima Lúcia Pelaes é amapaense, tem 53 anos de idade, é formada em Sociologia pela Universidade Federal do Pará (UFPA). Começou na vida pública atuando na Legião Brasileira de Assistência, a LBA, entidade da qual também se tornou superintendente no Amapá, tocando programas de assistência social que a tornaram popular e depois eleita deputada federal. Está em seu quinto mandato na Câmara dos Deputados, sendo considerada uma campeã na liberação de recursos alocados em emendas paarlamentares. Foi também a primeira secretária estadual do Turismo, disputou o Governo do Estado e por duas vezes a Prefeitura de Macapá. Foi reeleita em 2010 para a Câmara com 17.297 votos (6,06%).

COM OU SEM CHUVA: Macapá Verão alcança seus objetivos

TURISMO / Mesmo com a cidade ainda registrando pancadas de chuva em pleno mês de julho, estação das férias tem uma programação diversificada e para as famílias
Neste domingo acontece a já tradicional programação do Macapá Verão nos quatro principais balneários da cidade (Fazendinha, Araxá, Jandiá e Curiaú), com programação cultural atendendo todos os gostos e todas as tribos, do melody a Bossa Nova. A partir das 08 horas, diversas programações esportivas acontecem nos balneários, campeonatos de beach soccer, vôlei de praia, dentre outras modalidades.

Nos cinco palcos que receberão programação, mais de 20 artistas locais se apresentarão para um público que tem comparecido e marcado presença desde o primeiro domingo de programação. São cantores, bandas, grupos de dança e de funk, poetas e atores. Vai ter show do Grupo Senzalas, Mano Blues Band, Nathy Rabelo que canta os sucessos nacionais, e a Banda Vertigo com muito rock internacional, essas são apenas algumas das atrações que agitarão os veranistas que procuram entretenimento para o domingo.

O Complexo do Araxá terá três palcos, peças teatrais, recitais e atrações musicais estarão à disposição do público, uma oportunidade das crianças terem programação cultural de qualidade e de conhecerem um pouco do teatro e da poesia local com o Movimento Poesia na Boca da Noite, que se encarregará de apresentar esse mundo de palavras e rimas.

O Curiaú recebe uma programação animada, mas sem esquecer da tradição e do apelo cultural que o lugar tem. Grupos de Batuque e Marabaixo estão confirmados para mostrar o poder dos tambores de Macapá, além de grupos de hip hop e de muita música para que os frequentadores do balneário do Curiaú possam dançar até o fim da tarde.

O Jandiá terá apresentação dos Grupos de Funk, movimento de jovens que vem crescendo em Macapá, e peças teatrais, além de toda irreverência da dupla Os Cabuçus. O pagode e o sertanejo também terão espaço nas 9 horas de festa que estão programadas.

No balneário da Fazendinha acontece mais uma etapa do Festival de Melody das Equipes, além de muito Pop Rock com a Banda Pintura Íntima e o pagode do Grupo Gente da Gente. Vai ter Macapá Verão na Rodovia do Curiaú a partir das 17 horas, com apresentação da peça teatral “Casamento de Maria Feia”, apresentação de grupos de Marabaixo e shows de MPA e Blues.


Concurso da Musa Verão começa neste domingo

As eliminatórias do Musa Verão 2013 acontecem simultaneamente nesse domingo. Meninas entre 16 a 25 anos podem se inscrever nos balneários para desfilar, a vencedora de cada balneário, incluindo os distritos, vai disputar a grande final no dia 04 de agosto na Fazendinha. 

Junto com a programação do Macapá Verão, as secretarias municipais estão fazendo ações de fiscalização, educação e ordenamento, SEMAM e SEMUR fazem campanhas para preservação do meio ambiente e sobre a questão do lixo, SEMAST coordena a feira de artesanato e ações de esclarecimento sobre o Minha Casa, Minha Vida, bolsa família, Cras, a SEMSA distribui preservativos e faz campanhas sobre doenças sexualmente transmissíveis.

Durante toda programação a Guarda Municipal, Polícia Militar e Corpo de Bombeiros garantem a segurança dos veranistas que prestigiam o evento. O Conselho Tutelar e o Juizado da Infância e da Juventude também fazem o seu trabalho de fiscalização. A CTMAC organiza e fiscaliza o trânsito.

Resgate às velhas e boas brincadeiras populares é uma das atrações

A programação do Macapá Verão 2013, promovido Prefeitura de Macapá e iniciado no último final de semana, deu destaque às brincadeiras populares em suas atividades. Crianças e adultos se divertiram com trampolim, circuito psicomotor e carrinho de rolimã. As atividades esportivas estão sendo realizadas pela Coordenadoria Municipal de Esporte e Lazer (Comel) com apoio de faculdades e do Serviço Social do Comércio (Sesc). As brincadeiras populares podem ser prestigiadas por todos, sem limites de idade, para isso basta se deslocar a um dos quatro pontos onde acontece a programação do Macapá Verão 2013: complexo turístico do Araxá, Jandiá, Fazendinha e Curiaú. Além das brincadeiras, o público vai encontrar atividades de lazer, esporte, shows musicais, intervenções culturais, e muitas outras atividades.

A Prefeitura Municipal de Macapá e a Coordenadoria Municipal de Esporte e lazer (Comel) acreditam que iniciativas como o “Macapá Verão” têm papéis fundamentais na promoção do esporte e da cidadania. Para o coordenador de esportes do Macapá Verão, Gilberto Santiago, além de relaxar nas férias, também é importante se divertir e cuidar da saúde.

“Estamos desde as primeiras horas do dia com todos os equipamentos necessários para a prática de exercícios e diversas brincadeiras. Além disso, todas as atividades estão sendo devidamente acompanhadas por profissionais capacitados”, destacou. Um dos destaques são os regastes das brincadeiras tradicionais que remetem à infância e que continuam fazendo sucesso com os veranistas, de todas as idades.

CURIOSIDADES

- Teatro, poesia, música e dança abrilhantam a programação desse domingo nos quatro balneários da cidade.
- No domingo, acontece a já tradicional programação do Macapá Verão nos quatro principais balneários da cidade (Fazendinha, Araxá, Jandiá e Curiaú), com programação cultural atendendo todos os gostos e tribos.

1975
Este foi o primeiro Macapá Verão da História, segundo os mais antigos, na gestão de Cleiton Figueiredo à frente da Prefeitura de Macapá.

GALERA


Coluna Argumentos, domingo e segunda, 21 e 22 de julho de 2013


Comando
Dito ontem pelo comandante do 34º BIS, coronel Marcelo Pinheiro, que a mudança na hierarquia do Exército Brasileiro na Amazônia é benéfica para o Amapá. Que deixa de ser subordinado ao Comando Militar da Amazônia e vai para o Comando Militar do Norte.

Apoio
A sede do Cmdo. Mil. da Amazônia é Manaus e a do Cmdo. Mil. do Norte é Belém. Com uma área de jurisdição menor, isso pode significar um apoio mais efetivo às ações da Força aqui na fronteira do Amapá.

Nome
Para fechar sobre o nosso Exército, a coluna apurou o nome do substituto de Marcelo Pinheiro, que deixará o Comando local em janeiro. Será seu colega de turma, o tenente-coronel Alexandre Ribeiro de Mendonça.

Vai bem
O prefeito de Ferreira Gomes, Elcias Borges, falou ontem no rádio sobre um balanço de seus primeiros quatro meses de gestão. Fala fácil e demonstra segurança. Tem trânsito.

Efetivo
O tenente-coronel Pinheiro (foto) disse ontem no rádio serem grandes as chances do Amapá vir a abrigar uma Brigada Militar em seu território. Isso significa quase quadruplicar o efetivo da tropa por aqui e a vinda de um general para comendar as tropas.

Calor
Em Londres, onde está em missão oficial, o médico e deputado federal Bala Rocha (PDT-AP) se assustou com as mais de 500 mortes provocadas pelo calor excessivo que faz na Europa.

Direito
O advogado e deputado Luiz Carlos (PSDB-AP) teve destacada atuação para a aprovação do Novo Código Civil. Ele era membro da Comissão Especial designada a acompanhar e debater as mudanças. Também vê com bons olhos a aprovação da autonomia para defensorias públicas da União.

Circos
O deputado federal Evandro Milhomen (PC do B) segue debatendo a cultura. Na semana que passou, teve encontro com o ator global Marcos Frota, quando discutiu com ele e outras lideranças do setor, uma audiência a respeito da atividade circense no país. Frota seria oriundo e também um empreendedor dessa modalidade cultural no Brasil.

Artigo do senador José Sarney (PMDB-AP)

“O que a Internet está fazendo com nossas mentes?”
O livro ¿Qué está haciendo internet con nuestras mentes? (O que a Internet está fazendo com nossas mentes?, em Português) lança uma grande indagação: quais as transformações que a internet fará em nossas mentes? O autor Nicholas Carr traça a história da evolução do homem, e escreve sobre o funcionamento da mente. De acordo com ele, em primeiro lugar, pensava-se que a mente havia sido feita para a memória. E quando inventaram o livro, questionaram: “E agora, o que vai ser das nossas memórias?”. Depois que os livros surgiram, formaram até hoje parte do processo de construção das nossas mentes. Mas agora, em um momento novo da história humana, os livros vão cedendo lugar à internet, que tem características muito distintas. O livro é vasto, amplo, à vocação barroca, é a expansão das formas, tudo que a linguagem da internet não usa. Eu pessoalmente sempre fui contra essa concepção.
O livro jamais acabará. Ele é a maior descoberta tecnológica. Não precisa de energia, não tem peças de reposição. Pode ser lido e levado para todos os lugares como o amigo sempre pronto a dar soluções a todos os nossos questionamentos. Tem todos os programas, sem precisar de soft ou hardware. Ariano Suassuna outro dia foi fazer uma palestra e um estudante afirmou que “o livro já era.” Suassuna perguntou-lhe:” Quem lhe disse isso?” Ele respondeu: “Li, num livro de McLuhan.” A internet muda esse paradigma.
A rede é um meio baseado na síntese, nas poucas palavras. E segundo o autor, essas transformações podem modificar a mente das pessoas, de modo que no futuro o homem pense de uma maneira sintética. Que concentre o conhecimento em coisas muito mais condensadas. E dessa forma, a própria linguagem humana vai se modificar. Esse é o grande argumento do livro. Além disso, o autor dá a entender que o próprio conceito de rede joga por terra a razão entre causa e efeito. Porque nossas mentes foram preparadas para essa relação causa e efeito. E na internet, esse paradigma também é transformado: não existe causa, somente efeito. O autor não diz que isso vai acontecer, mas que há um processo em marcha e o futuro vai dar a palavra final.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

DA ÁFRICA PARA A AMAZÔNIA: A saga da Mazagão dos amapaenses

TURISMO / Uma das principais atrações históricas e turísticas  do Amapá, a bucólica Vila de Mazagão desnudada como um dos destinos turísticos do interior do Amapá

Com população originariamente descendente da África e de Portugal Mazagão é uma das, senão, a mais importante cidade no contexto histórico do estado do Amapá. A poucos quilômetros de Macapá aproximadamente 35 km, a paisagem atrai os amantes da natureza e as águas dos rios que cortam o município atraem para um banho refrescante ao som dos pássaros que povoam as matas.

História - Sua criação se deu por volta de 1770, às margens do rio Mutuacá por famílias que, em 7 de junho, foram transferidas da possessão portuguesa Mazagão em Marrocos para Belém do Pará e depois para “Vila Nova de Mazagão” criada em 23 de Janeiro de 1770, hoje Mazagão Velho.

Do total de 340 famílias, algumas com escravos, que chegaram à cidade de Belém em 1770 e em 1773 foram para Nova Mazagão. Nem todas seguiram o mesmo destino, algumas ficaram na capital paraense e em cidades do interior descumprindo a ordem inicial de se fixarem na nova povoação. Somente 136 famílias chegaram ao destino final. (Edgar Rodrigues-historiador).

A saída das famílias de portugueses e dos seus escravos, da Mazagão africana, deu-se em conseqüência da situação de conflito vivida entre cristãos e mouros (islamitas), das terras inférteis e sob a justificativa portuguesa do uti possidetis – o direito de posse a quem efetivamente tiver povoado –, o que garantiria o efetivo domínio português das terras entre o norte do rio Amazonas e a Guiana Francesa (Júnia Ferreira Furtado, professora do Departamento e Programa de Pós-graduação em História da UFMG). Assim, Portugal teria a obrigação do povoar todos cantos do Brasil para continuar a sua soberania na posse das terras “descobertas”.

Em 1833, Nova Mazagão perde o seu status inicial de vila retornando à condição de povoado com a denominação de Regeneração, subordinado administrativamente à Macapá. Já em 1890 é criado o município de Mazagão através da Lei 226 de 28 de novembro, com os distritos de Mazagão Velho (antiga Vila Nova de Mazagão e povoado de Regeneração), Maracá e Carvão; limitado pelos municípios de Santana, Porto Grande, Pedra Branca do Amaparí, Laranjaldo Jari e Vitória do Jari.

* Pesquisa e fotografias:  Dércio Damasceno

A vida que segue com a produção extrativista

As formas de subsistência predominantes em Mazagão são o extrativismo e agricultura, existem no município vários projetos de manejo do açaí, coleta e beneficiamento de Castanha-do-Brasil e piscicultura, mas, também há ocorrência de artesanato e marchetaria envolvendo comunidades das zonas rural e urbana. Em Mazagão o turismo religioso é marcante principalmente durante o mês de julho, quando acontecem as festividades de São Tiago onde ocorrem encenações de batalhas travadas entre Mouros e Cristãos com destaque para a aparição de um soldado que, segundo a lenda, destacou-se na batalha levando os cristãos à vitória, esse soldado seria o santo padroeiro da cidade: São Tiago.
A festa da piedade é outra manifestação religiosa que atrai muitos turistas, pois, ela ocorre a partir do dia 26 de junho se estendendo até início de julho sendo replicada nos distritos e comunidades. De 16 a 24 de agosto a população mazaganense também realiza a festa do Divino Espirito Santo em que o destaque da comemoração, no seu segmento profano, são as apresentações de Marabaixo, dança típica do estado do Amapá, regadas à gengibirra, uma bebida produzida com raiz de gengibre e cachaça.

Bons motivos para visitar a bucólica vila de Mazagão para os turistas

Como chegar - Para se chegar à Mazagão, sede do município e demais distritos, Mazagão velho, Carvão e Maracá partem vans e micro ônibus do centro de Macapá com preços a partir de seis reais. As viagens duram em torno de 45 minutos.

Onde ficar - No centro de Mazagão há hotéis e pousadas com diárias individuais a partir de 50 reais, incluindo café da manhã. No distrito de Mazagão Velho também há pousadas, área de acampamento e residências familiares que hospedam os visitantes para as festividades de São Tiago. As mais humildes custam por volta de 30 reais a diária e as mais sofisticadas 70 reais por pessoa.

O que comer - No café da manhã sempre se encontra tapioquinha com manteiga, queijo e outras variedades; pão caseiro e macaxeira cozida. No almoço e jantar prato típico local é o Camarão-no-bafo que pode ser o regional (Macrobrachium amazonicm) ou o Camarão Pitú (Macrobrachium carcinus), mas, também várias espécies de peixes são servidas, principalmente o pirarucu (Arapaima gigas), dourada (Sparus aurata) e pescada amarela (Cynoscion acoupa). O custo do café da manhã pode sair a partir de 2 reais e as refeições de 8 a 60 reais dependendo do preparo e tipo de alimento.

Arqueologia - Outra atração, mas, ainda com pouca visitação são os sítios arqueológicos onde é possível se encontrar artefatos de civilizações antigas, no distrito do Maracá, e as ruínas das antigas edificações do princípio da Vila Nova de Mazagão, também no cemitério e na velha igreja.


CURIOSIDADES

- A origem da toponímia "Mazagão" é controversa. João de Sousa afirma que o nome provem da expressão em língua árabe "El ma Skhoun", com o sentido de "água quente"
- A versão mais plausível é que o nome seja de origem berbere uma vez que se encontra registado pelo geógrafo Muhammad Al-Idrisi, no século XI, o nome original pronunciado como "Mazergan" com o significado de "amolar".

1770
Este foi o ano do início do povoamento da Vila de Mazagão Velho, que originou aquela comunidade.

CARTÃO-POSTAL