Página do jornalista amapaense Cleber Barbosa, voltada a difundir notícias, pensamentos, reflexões e atualidades sobre turismo, comportamento, economia, cultura e política.

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Notas da COLUNA ARGUMENTOS, sexta-feira, 24 de junho de 2016

Porto

Vinícius Gurgel anuncia uma solução para a falta de um terminal portuário para passageiros e cargas de pequeno porte em Santana. Entrada do DNIT deverá resultar em um cais organizado por lá. Obra teve edital de licitação publicado anteontem no Diário Oficial.

Visita

O parlamentar também diz ter formulado convite para que o novo ministro dos transportes, Maurício Quintella, venha para inauguração da duplicação da BR 210, em Macapá. Trecho urbano até o Km 9.

Eleitoral

O juiz Marconi Pimenta se despediu do Tribunal Regional Eleitoral. Ele encerrou seu mandato, no Biênio 2014/2016, onde ocupou vaga da magistratura estadual na Corte, quando substituiu o juiz Ernesto Colares.

Juíza

Presidente do TRE, desembargador Carlos Tork, fez uma justa homenagem a Marconi Pimenta em sua despedida. E anunciou substituta, Eleusa da Silva Muniz, indicada pelo Tribunal de Justiça do Amapá.

Brasília

Depois de Fátima Pelaes, tem outro amapaense sendo cotado para assumir posto relevante no governo Temer. Trata-se de Agenor Pires, servidor de carreira do INCRA, que pode ser guidado a diretor.

Paranoá
Além do programa de rádio, Conexão Brasília também é o nome de um Blog que o colunista mantém na web. Uma nova seção, traz curiosidades sobre a capital do país. Brasília é cercada de água. De onde vem? Você sabe? Então passe lá e acesse as respostas. Digite Blog Conexão Basília!

Dureza

O futebol brasileiro perdeu a moral mesmo. A identidade, a autoridade, vai! Só isso para explicar a tv aberta anunciar com pompa e circunstância a final europeia de seleções. E o novo técnico da seleção brasileira ir aos EUA assistir jogo de seleções velhas freguesas, como Chile x Colômbia.

Hi-tech

TRE desenvolveu um aplicativo denominado “Agenda JE”. A ferramenta, disponível para aparelhos celulares, traz todas as ações fixadas no Calendário Eleitoral e Transparência da Justiça. O objetivo é auxiliar eleitores e servidores no acompanhamento dos eventos previstos para as eleições municipais.

Mercado

Uma ex comissária de bordo que virou empresária. Mais que isso, a representante local da maior companhia aérea brasileira da atualidade. Ângela Sousa estará amanhã em nosso Conexão Brasília, falando também da fusão TAM&LAN, que deu origem à latino-americana LATAM

REPORTAGEM | Tormento do brasileiro vai muito além do feijão

IBGE mostra que dezenas de produtos que abastecem as mesas das famílias acumulam reajustes superiores a 20% em 12 meses, obrigando os consumidores a fazerem malabarismos com o orçamento. Não há alívio à vista tão cedo



Marcelo Ferreira/CB/D.A Press


A carestia que atormenta os consumidores vai muito além do feijão, cujos preços subiram 58,6% nos últimos 12 meses. Segundo o Instituto Brasileiros de Geografia e Estatísticas (IBGE), há uma lista enorme de grãos, frutas, verduras e legumes que acumulam reajustes superiores a 20% e estão estragando o cardápio de muitas famílias. A ordem entre as donas de casa é tirar tudo o que está caro da lista do supermercado.

“Definitivamente, o feijão não é o único problema para os consumidores”, disse o militar Jorge Luís Dias, 50 anos. A sensação dele e da mulher, a enfermeira Valéria, 45, é de que os aumentos estão disseminados e não darão sossego tão cedo. O governo garante que, a partir de agora, a inflação será mais amena. Mas quem vai às compras não acredita. “Estamos adquirindo cada vez menos e substituindo produtos mais caros pelos mais baratos”, ressaltou Valéria.

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Os dados do IBGE dão a exata noção do que disse o casal Dias. O mamão, por exemplo, ficou 85,9% mais caro em 12 meses, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15). Já o preço da batata-inglesa teve reajuste de 61,4%. A manga subiu 62,6% e o alho, 62,8%. “A nossa opção está sendo por levar para casa apenas o que for essencial”, ressaltou Jorge. “Se não for assim, a conta não fecha”, emendou.

Jorge foi enfático. “Trocamos o feijão-carioca pelo preto, e estamos comprando o arroz mais barato”. Outra mudança foi no período das compras. Em vez de mensal, a ida ao supermercado passou a ser semanal, para proveitar as promoções. “Mesmo assim, não saímos mais com o carrinho cheio. Acompanhamos promoções em diversos mercados e compramos nos dias que há o melhor preço”, afirmou Valéria. “Mas nem as ofertas não são mais as mesmas.”





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Tags: despensa feijão compras carestia economia

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Coluna Argumentos, quinta-feira, dia 23 de junho de 2016.

Amolação

Passageiros que tentavam embarcar na madrugada de ontem em Macapá encontraram o aeroporto fechado para pousos e decolagens. Problema era neblina densa que cobria a cidade. Foram horas de espera e muito café caro na única lanchonete na sala de embarque.

Massa

Aí muita gente diz estranhar uma cerração em plena Macapá, às margens do Amazonas. Mas técnicos em aeronáutica dizem que isso é muito comum nessa virada da estação das chuvas para o verão.

De novo

Aliás, nas últimas semanas tem sido um problema recorrente o adiamento e até o cancelamento de voos saindo de Macapá na madrugada. Transtornos são enormes e compromissos são perdidos. A quem recorrer?

Vermelho

Quem estava no aeroporto ontem era o empresário Glauco Cei, que preside o Sindicato da Construção Civil. Falando à coluna, contabilizou prejuízos que os associados tiveram com a saída da Zamin.

Madrasta

Glauco Cei diz que é preciso colocar nessa discussão não a duvidosa indiana Zamin, mas a poderosa inglesa Anglo American, que foi a responsável por vender (supostamente) o Sistema Amapá a eles.

Amizade
O ex presidente Sarney enviou esta foto ao jornalista Evandro Luiz, que fez uma de suas últimas entrevistas em Macapá ao deixar o Senado. Na foto está também o repórter-cinematográfico Albenir Souza, que também goza da amizade do ‘colega’ Sarney, que também é jornalista.

Capital

A coluna fez uma rápida passagem por Brasília ontem e encontrou um Congresso Nacional quase deserto. Era o chamado “recesso branco” puxado pela bancada do Nordeste. É que São João é quase um feriado religioso na terra de Luiz Gonzaga e região. Na próxima semana tem “esforço concentrado”.

Por onde

Da bancada do Amapá encontramos apenas Abdon, Vinícius, Davi e Jozy na capital. Roberto estava em Belém, Marcivânia em Santana, Marcos e Cabuçu em Macapá e Janete não teve a agenda divulgada. O coordenador da bancada, inclusive, falou à coluna sobre como acelerar convênios antes de julho.

Há vaga



O ex senador Gilvam Borges é tido e havido como o candidato de Waldez à sucessão municipal. Com isso, gente do PDT que fazia planos para postular candidatura, terá que adiar o projeto. Compor como vice está fora de cogitação, conforme revela o Delegado Ericlaudio.

Destinos internacionais lideram lista de mais buscados pelos brasileiros para férias de julho

Pesquisa realizada pelo Skyscanner mostra que dos dez locais mais procurados, sete são para o exterior

Nas últimas semanas, a moeda americana passou por muitas oscilações em comparação com meses anteriores de grande alta, o que acabou despertando ainda mais o interesse dos brasileiros para viagens fora do país.

Pensando nisso, o Skyscanner, líder global de busca de passagens aéreas, hospedagem e aluguel de carros, realizou levantamento para saber quais são, até o momento, os destinos mais buscados para o mês de julho. De acordo com a pesquisa, 70% das buscas foram para destinos internacionais.

Lisboa, desponta como segundo lugar mais procurado pelos brasileiros para curtir as férias escolares do meio do ano. No comparativo com 2015, a capital portuguesa registrou um crescimento de 68% na procura. “Portugal é um país europeu relativamente barato, sendo porta de entrada para outros lugares do Continente. Além disso, possui voos diretos saindo do Brasil, o que facilita a viagem”, comenta Tahiana Rodrigues, gerente de comunicação do Skyscanner.

Outro destaque foi que, diferentemente dos anos anteriores, quando chegava a ficar entre os tops da lista, Miami registrou uma queda de 72% nas buscas para o período e hoje ocupa o sexto lugar. Nova York aparece em seguida, registrando um aumento de 10% em comparação com 2015.
                                                                                                                        
A pesquisa também aponta um crescimento nas buscas para Santiago (46%), Fortaleza (24%), Madri (20%) e Londres (15%). São Paulo ainda mantém o primeiro lugar, logo atrás, a cidade maravilhosa, Rio de Janeiro, ocupa o terceiro lugar e Paris aparece como o penúltimo destino da lista.

Destinos mais buscados para as férias de Julho 2016 pelos viajantes brasileiros:

Destinos mais buscados
Buscas - Comparativo 2015/2016
São Paulo
16%
Lisboa
68%
Rio de Janeiro
13%
Santiago
46%
Fortaleza
24%
Miami
-72%
Nova York
10%
Londres
15%
Paris
5%
Madri
20%

* O levantamento analisou e comparou as buscas feitas no Skyscanner para viagens em julho de 2015 e 2016.

Murillo OliveiraZENO GROUP

Coluna Argumentos, quarta-feira, dia 22 de junho de 2016.

Manganês

O Pleno do TJAP julga nesta quarta-feira recurso da mineradora Icomi contra decisão do juízo da Comarca de Serra do Navio, que deu posse da área da mineradora à embroncada Ecometals. Enquanto essa novela rola, o minério segue parado e Serra do Navio à míngua.

Uma boa

 Senai inicia curso de produção de sacolas ecológicas.  Casa da Indústria reuniu 40 mulheres beneficiárias do Economia Solidária. Parceira é a Secretaria Estadual de Trabalho e Empreendedorismo (Sete).

Recicladas

Sacolas serão confeccionadas com lonas e banners que seriam descartados. Ao fim do curso, as costureiras estarão aptas a produzir com qualidade. A ideia é que o produto seja comercializado nas feiras do produtor.

Teoria

Entrevistado no domingo pelo Diário, professor universitário Alberto Tostes disse, nos bastidores: “Alguns políticos não suportam pesquisadores. É que nós não trabalhamos com o ‘achômetro’ que eles usam”.

Dureza

Reflexo da crise ou de incerteza sobre Joelma sem Calypso, ou vice-versa, o show que a cantora fez no interior do Maranhão no fim de semana foi um fiasco de público. E olha que custava apenas R$ 20.

Parceiros
Momento da assinatura do Acordo de Cooperação Técnica entre a Secretaria Estadual de Educação (Seed), Instituto de Desenvolvimento Rural do Amapá (Rurap) e o Sebrae objetiva a implantação do Projeto de Desenvolvimento Econômico e Sustentável do Amapá.

Emprego

Tá procurando um destino turístico? Saiba que o Grupo diRoma, o maior grupo hoteleiro do Centro-oeste, acaba de anunciar a inauguração de sua quinta unidade, agora em Caldas Novas (GO). Além disso, há outro aspecto, serão 48 novos postos de trabalho aberto. Turismo é atividade econômica.

Ao banco

Cerca de 1,6 milhão de trabalhadores ainda não sacaram o abono salarial do PIS/Pasep este ano. O prazo para resgatar o benefício, que corresponde a um salário mínimo (R$ 880), termina em 30 de junho, quinta-feira da próxima semana. E tanta gente precisando de uma renda extra, não é? Tem que se ligar!

Mulheres

Duas deputadas que, ao seu estilo, mostram-se eficientes no mandato. Raimunda Beirão, acaba de ter aprovado projeto de uma pequena gratificação de interiorização para servidores. Maria Góes, mira a reforma da estação rodoviária de Macapá, que, de fato, está largada.

ARTIGO: "Moradores de rua", por Célio Pezza

Um dia destes assisti a um filme chamado ‘O Solista’, sobre um músico talentoso que era morador de rua por problemas mentais. No final, falaram sobre a existência de 90 mil moradores de rua na cidade de Los Angeles. Não existem estatísticas seguras em lugar nenhum do mundo e, no Brasil, o IBGE não consegue chegar a um número correto, pois alega que os moradores de rua não possuem endereço fixo.
Os números aproximados mostram que nos Estados Unidos existem mais de 350 mil moradores de rua. Na Inglaterra são mais de 300 mil. Em Moscou, sabe-se que morrem mais de 400 pessoas nas ruas devido ao extremo frio durante cada inverno, mas não se tem um número certo de quantos são no total.
No Brasil, de acordo com um levantamento do Ministério do Desenvolvimento Social, estima-se que perto de 1,5 milhões de brasileiros vivam nas ruas. São pessoas excluídas do sistema por problemas como alcoolismo, drogas, doenças mentais, desavenças com familiares, desemprego, desilusão com a vida e outros. Este é o nosso mundo real, não aquele da Copa do Mundo e das Olimpíadas.
Também é muito triste saber que, enquanto escrevo este artigo, no aconchego do meu lar, existem pessoas preocupadas em ter um jornal para se cobrir e tentar sobreviver ao frio da noite, muitas vezes de estomago vazio. Uma pesquisa feita pelo Ministério Social e Combate a Fome entre 32 mil moradores de rua mostrou outro dado surpreendente: 74% sabem ler e escrever, 48% terminaram o ensino fundamental e 2% completaram o curso superior e falam outros idiomas.
Em São Paulo, a prefeitura instalou rampas contra estes indesejáveis inquilinos, nas áreas sob diversos viadutos, com um piso áspero e incômodo, para evitar que durmam lá, pois não é adequado mostrar uma cidade cheia de moradores de rua. A prefeitura também quer acabar com a distribuição gratuita de sopa aos moradores de rua, que é feita por instituições de caridade, a não ser que ela ocorra nos albergues da prefeitura, e enquadrar criminalmente aqueles que insistirem nesta prática de solidariedade humana.

As instituições alegam que isto é uma criminalização da caridade e no meio dessa polêmica, lembro que perguntaram a um morador das ruas de São Paulo, sobre o que há de pior em viver nas ruas. Ele coçou a barba, olhou para o vazio, e respondeu:
− O pior... O pior é a chuva!
Enquanto eu escrevo esta crônica, cai uma chuva fina lá fora.

*Célio Pezza é colunista, escritor e autor de diversos livros, entre eles: As Sete Portas, Ariane, A Palavra Perdida e o seu mais recente A Tumba do Apóstolo. Saiba mais em www.facebook.com/celio.pezza

Sobre Célio Pezza


O escritor Célio Pezza, 64 anos, iniciou a carreira de escritor em 1999, movido pela vontade de levar as pessoas a repensarem o modelo de vida atual dos seres humanos. Seus livros misturam realidade e suspense, e Celio já tem 8 livros publicados, inclusive no exterior, e é colunista colaborador de dezenas de jornais e revistas por todo o país. Saiba mais em: www.facebook.com/celio.pezza

Coluna Argumentos, terça-feira, dia 21 de junho de 2016.

Corridas

A pista de Kart Indoor do Amapá Garden Shopping tem revelado alguns talentos na pilotagem. Aí tem uma preleção, um minicurso e tudo mais. Só que na hora de colocar o capacete não tem quem não se sinta o próprio Ayrton. Amigo, é um tal de passa pra cá, corta ali, show!

Serviço

Também é preciso reconhecer que foi uma decisão acertada a instalação de uma linha de ônibus turística, que atende aos shopping centers e mais aeroporto e rodoviária. O ruído inicial passou. Desnecessário.

Servidor

A deputada Raimunda Beirão, que mora no Jari, acertou em cheio com um projeto de lei aprovado por unanimidade na semana passada, no Parlamento Estadual. Versa sobre gratificações de interiorização.

Custo

Em conversa com a parlamentar, a coluna apurou que a motivação do projeto de beirão tem a ver com o custo adicional de quem mora no interior, especialmente na hora de se deslocar a Macapá.

Parcerias

O presidente do Jeep Clube de Macapá, empresário Manoel Mandi, e o comandante do 34º BIS, coronel Robson Mattos, terão um almoço de trabalho amanhã, em pleno rancho do quartel. Projetos saindo do forno.

Empatia
Vinícius Gurgel ficou tão afeito à causa dos Bombeiros que tem destinado emendas que garantem obras importantes, como quarteis e até piscinas de treinamento. Na foto, ele, a esposa Luciana e os militares Bispo e Calandrini. Detalhe é a farda de Gurgel, com identificação e tudo.

Alcance


A Comissão de Integração Nacional e da Amazônia aprovou projeto do deputado Cabuçu Borges que cria a Área de Livre Comércio do Estado do Amapá (Alcea), englobando os municípios de Macapá, Santana, Ferreira Gomes, Cutias do Araguari, Itaubal do Piririm, Porto Grande e Mazagão.

Incentivos

O texto determina também que a isenção IPI, prevista para as áreas de livre comércio na Lei 11.898/09, atingirá os produtos industrializados que utilizam predominantemente matérias-primas de origem animal, vegetal, mineral (com as exceções legais) ou agrossilvopastoril originadas da Amazônia Legal.

Caminho


A proposta tramita apensada ao PL 1429/15, também de autoria do deputado Cabuçu, e recebeu parecer favorável.  Tramita em caráter conclusivo e ainda será analisado em outras comissões de Desenvolvimento Econômico; Finanças e Tributação; e famosa CCJ.

domingo, 19 de junho de 2016

POR DENTRO DA AVIAÇÃO: Azul abre as portas e recebe jornalistas de todo o país

TURISMO / O Blog viaja até São Paulo para participar do I Workshop de Aviação para Jornalistas, treinamento que atualiza os profissionais sobre este setor 
ACADEMIA: Os jornalistas foram ao centro de treinamento da Azul Linhas Aéreas em Campinas, no interior de São Paulo, onde a companhia forma todo o seu pessoal, desde pilotos, tripulantes, mecânicos e agentes de terra.

Por Cleber Barbosa
Editor de Turismo 

Durante dois dias bem movimentados, jornalistas de todas as regiões do Brasil puderam percorrer as instalações de uma das principais companhias aéreas do país, a Azul Linhas Aéreas. Foi por ocasião do I Workshop de Aviação para Jornalistas, realizado em duas etapas, a primeira em Barueri, na Grande São Paulo (onde fica a Sede da Azul), e a segunda em Campinas, onde a empresa instalou a UniAzul, um completo centro acadêmico usado na formação de seus funcionários, tripulantes, pilotos, mecânicos, agentes de carga e de segurança, como as demais funções.
Segundo o vice-presidente de Clientes, Sami Foguel, o objetivo era proporcionar aos profissionais de imprensa uma gama de conhecimentos a respeito do setor da aviação comercial, de modo a dar subsídios para reportagens, análises e outras produções midiáticas a respeito do setor e o mercado. Entre esses jornalistas, editores de turismo e de economia, repórteres, produtores e blogueiros.
O presidente da Azul, Antonoaldo Neves, e o editor do Blog, jornalista Cleber Barbosa
Complexo
O próprio presidente da Azul, Antonoaldo Neves, deu as boas vindas aos jornalistas, com um almoço de recepção. Muito à vontade e demonstrando simpatia, chegou a ajudar na distribuição de sobremesa e na hora de dar entrevistas, preferiu um bate-papo que se mostrou esclarecedor. Mas fez questão de evidenciar o quão difícil é o momento da conjuntura econômica do país. “A aviação é a terceira atividade mais complexa do mundo, empatada com a hospitalar, então é preciso muito estudo e profissionalismo para dar conta do enorme desafio de manter-se no mercado”, disse o executivo da Azul. A propósito, as duas primeiras atividades são as guerras e a indústria aeroespacial.
A programação do treinamento aos jornalistas contou com as palestras de Elisabete Antunes (diretora de Aeroportos), Izabel Reis (gerente-geral de Cargas), Marcelo Bento (diretor de Planejamento e Alianças), Ivan Carvalho (diretor de Qualidade e Segurança Operacional) e Carla Cruz (Gerente-geral da UniAzul). Fabio Davidsohn Abud, que é o coordenador de Relações com a Imprensa, disse que a Azul opera atualmente mais de 100 aeroportos pelo país, tendo investido na aquisição de novas aeronaves para as operações internacionais (já opera Europa e EUA), bem como nos modernos jatos Embraer e, mais recentemente, no modelo Airbus A320, que estão entrando em operações nos voos domésticos. “Este foi o primeiro de outros momentos que a empresa quer ter com os profissionais jornalistas”, disse o coordenador.
A Azul opera dois voos diário para Macapá.

Porque o avião ainda é o meio de transporte mais seguro
Ivan Carvalho, Comandante de aviação, diretor de qualidade e segurança da Azul
“Comandante, turbulência derruba avião?” Essa foi apenas uma das perguntas feitas por jornalistas que participaram do treinamento em São Paulo. A resposta foi dada por um dos mais experientes comandantes em aviação da Azul, Ivan Carvalho, que ratificou a liderança do avião entre os meios de transporte mais seguros. Para ele, isso vem de muito planejamento e regras rígidas de segurança, que inclui paradas para manutenções das aeronaves a cada aeroporto, antes das demais programadas para se fazer em oficinas. “Cada peça de um avião tem uma ficha de controle, então sabemos exatamente a hora de trocar cada uma delas”, disse o piloto, que atualmente é diretor de segurança.
Para se ter uma ideia, até mesmo a previsão do tempo é específica para aviação, que possui meteorologia própria. Ele também assegura que atualmente todo o território nacional é coberto pelo sinal de radar, nas várias unidades de controle do tráfego. O único senão é a comunicação por rádio, pois ainda existem pontos cegos, o que é minimizado por novas tecnologias e o velho “jeitinho” de usar as chamadas “pontes”, com aeronaves repassando mensagens de outras, para as autoridades de controle do espaço aéreo.

Trajetória arrojada de uma companhia que veio para entrar na briga pelo mercado
Na UniAzul, são oferecidos os cursos de formação de pilotos, mecânicos e tripulantes
Seu nome oficial é Azul Linhas Aéreas Brasileiras S.A. É uma companhia aérea brasileira fundada e homologada em 2008 por David Neeleman. É a terceira maior companhia do Brasil em número de passageiros, a segunda maior em frota de aeronaves e a maior em número de destinos oferecidos, operando em mais de 100 aeroportos no território brasileiro e em 5 destinos internacionais. Em 2015, a Azul teve uma participação de mercado de 17,00% do total de assentos oferecidos em voos domésticos e é a companhia que mais cresce em termos de passageiros por quilometro voado. Em 2014 tornou-se uma companhia aérea de bandeira do Brasil (Flag Carrier) ao começar rotas internacionais.
Seus principais centros de operações são os aeroportos de Viracopos em Campinas e Confins em Belo Horizonte. A sede administrativa da companhia fica no bairro de Alphaville na região da Grande São Paulo. A Azul registrou aproximadamente 11.000 funcionários em 2014, é a única operadora brasileira a utilizar os E-Jets da Embraer e sua frota é formada basicamente por ATR-72, Embraer 190, Embraer 195 e Airbus A330, utilizados apenas em rotas longas e internacionais. A empresa também possui contratos com a Airbus para a compra de 35 aviões Airbus A320neo para rotas domésticas e Airbus A350 para rotas internacionais.
David Neeleman, brasileiro criado nos Estados Unidos que também foi o cofundador da WestJet e da Morris Air após sofrer afastamento da presidência da companhia que ele mesmo fundou, a JetBlue Airways, começou a anunciar em março de 2008 seus planos de fundar uma nova companhia aérea Low-cost no Brasil. Mesmo sem nome definido a empresa já tinha uma encomenda de 36 aeronaves do tipo E-195 da Embraer com opção de 40 unidades em um contrato de US$ 3 bilhões.

Curiosidades
Aspecto do Workshop para Jornalistas, da Sede da Azul, em Barueri, na Grande São Paulo
- A Azul é a companhia aérea que mais cresceu no Brasil desde que iniciou suas operações em dezembro de 2008, contando atualmente com a maior malha aérea do país atendendo mais de 100 destinos com 864 decolagens diárias.
- Hoje, com aproximadamente um terço do mercado brasileiro de aviação civil em termos de decolagens, a Azul consolida-se como a terceira maior companhia aérea do País.
- Neste período, a empresa atingiu recordes mundiais e conquistou alguns dos melhores índices do setor de aviação brasileira.

22 milhões
Total de passageiros que a Azul transportou em 2015.

AIRBUS A330
A chegada dos gigantes A330 reforçam a frota para as operações internacionais da companhia

Notas da Coluna Argumentos, domingo, dia 19 de junho de 2016.

Resposta

Sarney falou à coluna, em Brasília. Claro que encontramos o ex presidente amolado com o que ele define “absurdos” contra sua biografia, pelo suposto delator Machado. Sobre respostas, diz que o está processando. E desabafa em artigo que o Diário do Amapá publica hoje.

Álibi

O curioso é ver agora contradições sobre o que andou dizendo o ex presidente da Transpetro. Num dos diálogos que gravou, Sarney diz: - Nunca tive envolvimento com isso! E ele: - Com certeza, nunca!

Positivo

Servidores públicos dos três Poderes, com a ajuda de militares e agentes comunitários saíram às ruas da zona norte de Macapá ontem num mutirão de combate ao mosquito transmissor de doenças como a dengue.

Humor

E o feijão, hein? Pois é a alta do preço do pretinho nosso de cada dia está custando um absurdo e virou meme nas redes sociais. Anel para a noiva? Adornado com caroços de feijão – uma semi-joia.

Aviação

Ex comandante Ivan Carvalho, com passagens pelas principais companhias aéreas do país, foi um dos palestrantes em Sampa, no workshop para jornalistas. Diz que a Amazônia já não está às escuras, tem radar.

Reação
O mercado de automóveis não vive seus melhores dias, então o jeito é usar de criatividade e fazer ações de promoção e marketing. Ontem, a Amauto e a Grand Cité, das bandeiras Mitsubishi e Renaut, se uniram e oferecem café da manhã aos clientes. Sábado tem mais.

Ralo

Pesquisador da Unifap, professor-doutor Alberto Tostes, faz uma revelação bombástica: prefeituras do Amapá perderam na última década nada menos do que R$ 1 bilhão de recursos federais. Todos os detalhes estão na entrevista de domingo que o Diário do Amapá publica hoje.

Em casa

Numa rápida passagem por Brasília, ontem, observava-se as filas de torcedores de Flamengo e São Paulo na capital federal – mais do Fla na verdade – para o  jogo entre as duas equipes neste domingo. São verdadeiras operações caça-níquel, especialmente pelo clube carioca, que não tem o Maracanã para jogar.

Elogios

Ainda sobre o Fla, o zagueiro Rever (ex-Galo) chegou ao clube com moral, tendo inclusive ganho aquela força do novo integrante da comissão técnica, o ex jogador Mozer. O ídolo do passado vê em Rever todas as chances para marcar época lá. Virar ídolo é outro passo.

ENTREVISTA | “As prefeituras do Amapá perderam R$ 1 bilhão na última década”

Alberto Tostes. O pesquisador da Unifap dá dicas valiosas sobre os problemas dos municípios e prefeituras.
Um dos mais respeitados pesquisadores da Universidade Federal do Amapá (Unifap), o professor Alberto Tostes faz um alerta a respeito da necessidade do eleitor amapaense estar atento não apenas às promessas, mas aos projetos exequíveis que os candidatos a prefeito apresentação na campanha eleitoral deste ano. Ele aponta diversos gargalos provocados pela falta de planejamento e de uma gestão eficiente, o que está fazendo com que as prefeituras percam a capacidade de dar respostas às demandas dos munícipes. Essas e outras valiosas dicas com base científica, mas também com o olhar e o senso crítico de um cidadão, foram apresentados em entrevista que Tostes concedeu ontem ao programa Conexão Brasília, da Rádio Diário FM. Acompanhe a seguir os principais trechos da conversa.

Por Cleber Barbosa
para o Diário do Amapá

Diário do Amapá – O senhor além de arquiteto e urbanista fez pós-doutorado em Estudos Urbanos, tendo prestado um trabalho relevante para alguns municípios aprovarem seus planos diretores então pode dizer o porquê de tantos problemas nas administrações de prefeituras e o fato de prefeitos deixarem a gestão com tantos problemas com os organismos de controle e a justiça?
Alberto Tostes – Para se ter uma ideia, na última década, chegando a quase quinze anos, quando você vai levantar os recursos que são aplicados pelas prefeituras, além de serem aplicados mal, são mal gastos e os municípios acabam perdendo com esse propósito. Essa investigação aponta para uma perda volumosa de recursos, seja por licitações mal feitas, fiscalizações de obras feitas de forma inadequada, quebra de encargos em relação a esses materiais, enfim, diversas situações que comprometem a boa qualidade da aplicação dos recursos.

Diário – Dê um exemplo concreto professor?
Alberto – Um município como Amapá, por exemplo, ficou até dez anos sem receber recursos federais, o que mostra a gravidade de todo esse processo. Um município como Oiapoque, na fronteira, aonde você tem uma gama de recursos em várias fontes para ser destinados através de projetos, tem grande dificuldade de materialização de todo esse processo. Minha pesquisa apresentada em nosso estágio de pós-doutorado foi publicada e está disponível também na internet e mostra um pouco desse universo dessa dificuldade institucional.

Diário – Bem apropriado se discutir essas soluções da municipalidade, exatamente agora que vivemos em um ano de eleições para as prefeituras, não é mesmo professor?
Alberto – Sim, é preciso estar atento para essa preocupação com o planejamento e a gestão para que não comprometa o município em relação a obter financiamentos em relação às diversas instâncias.  Nosso maior problema hoje está relacionado às questões estruturais das administrações municipais. A sociedade civil organizada e todos os seus setores devem observar tudo isso para que o recurso público, por ele ser mal gasto, desviado, acaba implicando na crise que o Brasil atravessa hoje em dia.

Diário – Nesse levantamento que o senhor fez foi possível levantar o total de recursos federais que o Amapá perdeu através dessas administrações de prefeituras?
Alberto – Se nós ampliarmos isso para um universo de quinze anos, a perspectiva de R$ 900 milhões até R$ 1 bilhão de reais. Ora, se você considerar que nós estamos num estado pobre, que depende exclusivamente de transferência de recursos federais, seja do Fundo de Participação dos Estados, dos Municípios e de verbas extra orçamentárias, isso é muito grave e mostra que o problema da falta de planejamento e gestão não é de agora, já atravessa mais de uma década. E o pior disso tudo é nós não termos a clareza de que isso deva ser ajustado e corrigido para o futuro.

Diário – Nas campanhas os candidatos e suas equipes se debruçam nos problemas urbanos, nas melhores soluções, mas depois as administrações acabam se afastando do planejamento macro e se perdem em demandas pontuais. Onde estaria o maior gargalo professor?
Alberto – Uma das grandes dificuldades que nós já mapeamos cientificamente é o fato de que as políticas são voltadas de forma fragmentada. A política habitacional, por exemplo, dissociada da questão ambiental, de mobilidade, de acessibilidade, da própria essência daqueles municípios que têm plano diretor, dos seus projetos setoriais, enfim, quando você vai olhar o conjunto das políticas públicas observa que elas são desintegradoras.

Diário -  Fala-se também das dificuldades das prefeituras reunirem meios necessários a garantir essas respostas, como um corpo técnico. Isso é fato, não é?
Alberto – Sim, como também o pouco investimento tecnológico, que as prefeituras também não dispõem e com isso se repetem erros históricos em relação a uma série de fatores. Nós temos dezesseis municípios e apenas três têm planos diretores e desses três pouco dos planos são aplicados. Os planos diretores vão resolver? Não, mas eles são a base de um instrumento de política pública integrado com as demais. Enquanto isso não ocorrer vamos pagar o preço dessas fraturas.

Diário – Como assim professor?
Alberto – Em todo o Brasil tem ocorrido um fator que o Ministério Público é quem vem assumindo um protagonismo de ter que ficar à frente de situações que é o poder público o responsável por isso.

Diário – Com tantos problemas o que dizer ao eleitor, ao cidadão que tem que resolver seus problemas pessoais e ainda assim é instado a ir às urnas escolher seus representantes e os gestores municipais. O que dizer a ele professor?
Alberto – Olha, o Brasil tem passado nesses últimos tempos por um processo de revitalização das questões de natureza ética e moral, no sentido de fazer valer que a sociedade também tem que ser cumpridora da sua responsabilidades. E uma das questões importantes para isso é o empoderamento social. Hoje você faz uma opção por um candidato, vota nele, mais ao longo de um período de mandato não procura saber que projetos essa pessoa elaborou, se contribuiu, se participou, então você não se apropria do trajeto da construção daquele candidato em prol do desenvolvimento da sociedade. Hoje é preciso ver quem é o candidato, onde ele está agregado, qual é a história dele, o que ele produziu, quais são os efeitos que isso resultou para a sociedade, nós precisamos acabar com essa coisa do é dando que se recebe. Dessa coisa dos grupos que colocam os níveis de favorecimento.

Diário – Isso é um problema...
Alberto – Veja só, quem vai te dar alguma coisa vai te cobrar depois. E vai te cobrar da pior forma possível e isso tem preço para a sociedade. E o preço é exatamente mandatos esdrúxulos, mandatos sem planejamento, sem gestão, sem o comprometimento. Mas pior do que os representantes políticos, é a sociedade que deixa de fazer a sua parte, através das associações, das organizações e isso contribui para todos os outros fatores adversos dos problemas que nós vivenciamos.  Ao eleitor, a mensagem de que ele também precisa ser um cidadão responsável, uma pessoa comprometida com o conjunto da sociedade. Nós temos uma péssima mania de achar que são só os políticos os culpados, mas os políticos foram referendados pela sociedade, então se nós não exercermos essa prerrogativa de estar à frente e assumir esse protagonismo evidentemente que os problemas só terão a aumentar.

Diário – Para fechar professor, dê uma dica de leitura para nossa comunidade.
Alberto – Eu posso indicar até aos nossos leitores um livro muito importante que até é bem apropriado para esse momento, já que nos próximos meses teremos uma eleição, com a campanha, a fala dos candidatos, enfim, que é o livro de um autor espanhol chamado Fernando Savater, cujo título é “A importância da escolha”. Olha, nós todos temos o direito de escolha e pagamos um preço se nós escolhermos errado, então esse livro de alguma maneira te mostra os caminhos pelos quais você é responsável pela sua escolha.

Perfil

Entrevistado. O professor José Alberto Tostes possui graduação em Arquitetura pela Universidade Federal do Pará (1988), mestrado em Historia e Teoria da Arquitetura pelo Instituto Superior de Artes (2000) e doutorado em Doutorado em Historia e Teoria da Arquitetura pelo Instituto Superior de Artes (2003). Atualmente é pesquisador do Instituto Superior de Artes e professor Associado II da Universidade Federal do Amapá. Teve o livro com sua dissertação de pós-doutorado publicado lpela Universidade de Coimbra (Protigal) com o título “Transformações Urbanas de pequenas cidades na faixa de fronteira setentrional”. Também fez Estágio de Pós doutorado em Arquitetura pela Universidade do Porto nos anos de 2011 e 2012.

ENTREVISTA | “Na verdade a União nunca quis fazer essa transposição dos servidores”

Luciano Neto. O procurador estadual fala da experiência de Rondônia e como ajudar servidores do Amapá.
De uns anos para cá, desde a edição de uma Emenda Constitucional que prevê vantagens e garantias a servidores públicos que foram contratados por estados recém transformados de Território Federal para Unidades Federadas autônomas, que um mundo de dúvidas pairam sobre as cabeças de homens e mulheres do Amapá. Para responder a essas e muitas outras dúvidas, a Assembleia Legislativa do Estado, com a mobilização de vários sindicatos de classe, trouxe a Macapá o procurador do estado de Rondônia, Luciano Alves de Souza Neto, para falar da experiência vivenciada lá, cinco anos antes do Amapá. Ele esteve ontem no rádio, falando ao programa Conexão Brasília, da Diário FM. Os principais trechos da entrevista concedida ao jornalista Cleber Barbosa, o Blog publica a seguir.

Cleber Barbosa
Para o Diário do Amapá

Diário do Amapá – Os servidores do Amapá dizem que o senhor pode ensinar a acelerar o processo de transposição para os quadros da União. Em Rondônia foi uma boa experiência?
Luciano Neto – Primeiro queria dizer que não vim para ensinar não... [risos] Vim aqui para trocar ideias, experiências, só isso. Como também elogiar o presidente Elias e o Leite [do Simpol] pela iniciativa [de fazer a audiência pública], pois estivemos ontem [sexta] lá na Assembleia Legislativa com a deputada Roseli Matos e me parece que as coisas saíram muito bem e devem andar com outro ritmo a partir de agora.

Diário – Estas situações dos servidores dos ex-Territórios Federais passarem para os quadros da União começou por Rondônia?
Luciano – Sim começou por lá.

Diário – Mas antes teve o caso do estado da Guanabara, quando o Rio de Janeiro foi a capital do país, não é?
Luciano – É, passou, mas a muito tempo atrás. Mas o que aconteceu com Rondônia veio com a Emenda Constitucional 60, que é anterior a de Amapá e Roraima, pois é de 2009, enquanto a Emenda Constitucional 79 é de 2014, por isso nós começamos antes essa transposição. Mas foram muitos percalços também, especialmente porque no começo, é bom deixar claro isso, a União também nunca quis fazer essa transposição dos servidores.

Diário – Ela literalmente empurrou com a barriga esse processo?
Luciano – Ah, sem dúvida. Na verdade essa foi uma decisão que foi imposta pelo próprio Parlamento, afinal já havia essa obrigatoriedade, uma vez que a própria Constituição já previa que os Territórios deveriam ser sustentados por um tempo pela própria União, pois transformar os Territórios em Estados para andar com suas próprias pernas não é algo fácil. Isso ocorreu aqui, todos lembram, foi necessário formar a Assembleia Legislativa, o Tribunal de Justiça, enfim, pois nos Territórios Federais só havia um Poder, que era o Executivo e tinha um governador nomeado pelo presidente da República e a Justiça toda pertencia a Brasília, assim como o Ministério Público. Então de uma hora para outra você vira estado, tem que dar um amparo, né?

Diário – E o processo de vocês, servidores de Rondônia, como foi?
Luciano – Nós tivemos que nos adaptar também, porque não é fácil, são documentos e mais documentos. E outra coisa, o mais difícil é levar a realidade do Norte lá para os gabinetes em Brasília, onde é outra realidade. Aqui no Amapá, assim como em Rondônia, nós tivemos vários pioneiros que vieram de longe para cá juntamente com os brasileiros que nasceram aqui, juntos desbravaram isso aqui em tempos difíceis. O que passou-se na Amazônia ninguém imagina. Se hoje se fala em Amazônia as pessoas citam as dificuldades, imagina isso a trinta, quarenta anos atrás. Então lá em Rondônia as dificuldades eram tantas que encontramos contratos preenchidos a lápis... [mais risos] Então o nosso trabalho inicial foi levar à Brasília essa realidade.

Diário – Quando essa possibilidade de passar para a União surgiu e até hoje muitos servidores ainda têm dúvidas sobre as vantagens dessa mudança. O que dizer a eles?
Luciano – O que acontece é que lá em Rondônia houve uma grande divulgação por parte do Governo do Estado, que abraçou isso como uma salvação, isso há tempos atrás, quando já se vislumbrava essa possibilidade. A transposição, além de favorecer o servidor, favorece em muito as contas do estado. Mas lá também houve muitas dificuldades no começo, mas posso dizer do alto da experiência de trinta anos no serviço público, que a pior coisa é o ciúmes de homem... É ciúmes das pessoas crescerem, pois acontece muito no serviço público de as pessoas que não têm direito acharem que podem atrapalhar aqueles que têm direito.

Diário – As dúvidas maiores são em relação as vantagens monetárias. É melhor mesmo?
Luciano – Pois é, lá em Rondônia nós fizemos uma comissão formada por servidores e técnicos de apoio à transposição, na verdade apoio ao servidor, orientando, mostrando como que era, qual é o salário, enfim, com isso trouxemos o servidor, que ficou muito interessado, enfim, uma boa participação que me parece aqui também vai ocorrer, depois da iniciativa na sexta-feira da deputada Roseli Matos de trazer os sindicatos, que são entidades extremamente importantes nesse processo pelo contato que tem com os servidores, os governos não têm. Então o trabalho conjunto entre estados e sindicatos é muito importante.

Diário – Sobre o diálogo na Assembleia Legislativa, foi uma oportunidade de esclarecer dúvidas, não é?
Luciano – As dúvidas maiores que eu ouvi lá diziam respeito se isso envolve todos os Poderes, e digo que sim, mesmo com a União interpretando que envolve apenas o Executivo. A própria Emenda Constitucional fala em “estado” e desde os bancos escolares nós aprendemos que o estado é formado por três poderes, não tem como ser diferente. Então envolve os poderes, eles têm direito e como buscar esse direito? Através de medidas judiciais. Isso vale para todos, o Poder Judiciário, o Poder Legislativo e as instituições como Tribunal de Contas e Ministério Público do Estado. Lá em Rondônia os sindicatos dessas instituições já ajuizaram ações e já temos algumas decisões favoráveis em nível de primeiro grau.

Diário – E os servidores aposentados, procurador, também são alcançados pela Emenda Constitucional?
Luciano – Sim, da mesma forma, eles também tem direito. É fácil explicar. Se você foi contratado entre 1988 a 1993 e por alguma circunstância você teve que se aposentar em 2010, por exemplo, ora, você preenche os requisitos e a aposentadoria é um evento que não tem como atrapalhar isso. E os pensionistas da mesma forma.

Diário – Obrigado pela entrevista.
Luciano – Eu agradeço pela oportunidade, estou à disposição. Fiquei apaixonado aqui pelo Amapá, em especial pela cidade de Macapá, uma bela de uma cidade, tanto que estou correndo lá pela orla desde que cheguei... Sem contar o peixe daqui que é maravilhoso!

Perfil

Entrevistado. O advogado Luciano Alves de Souza Neto tem 56 anos de idade, é natural de Presidente Prudente (SP). Formado em Direito pela FMU (Faculdades Metropolitanas Unidas), na cidade de São Paulo (SP), em 1984; possui pós-graduação em Direito Público pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais); ingressou por concurso público na carreira de Procurador do Estado de Rondônia, onde é o decano da instituição, já tendo exercido algumas vezes alternadamente o cargo de procurador geral adjunto (1990/1991 e 2007/2010) como também de procurador-geral (1994/1995 e 1998/2000). Atualmente é diretor do Centro de Estudos da Procuradoria Geral do Estado (PGE) e coordenador da Comissão de Transposição dos Servidores para os Quadros da União.