Página do jornalista amapaense Cleber Barbosa, voltada a difundir notícias, pensamentos, reflexões e atualidades sobre turismo, comportamento, economia, cultura e política.

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quarta-feira, 22 de março de 2017

TCE inicia levantamento sobre 'qualidade' dos gastos das administrações municipais

A comissão responsável pelo levantamento do Índice de Efetividade da Gestão Municipal (IEGM), já iniciou a apuração dos indicadores nos 16 municípios do Estado, com a apresentação dos resultados do ano anterior e entrega dos questionários para o preenchimento dos gestores.
O IEGM está em seu segundo ano de apuração de indicadores finalísticos, com objetivo de evidenciar a correspondência entre as ações dos governos e as exigências da sociedade. Ele apura a qualidade dos gastos públicos e dos investimentos realizados, a efetividade das políticas públicas e faz a mensuração dos serviços prestados ao cidadão.
Os técnicos do Tribunal de Contas do Estado do Amapá (TCE/AP) se deslocaram durante o mês de fevereiro aos municípios, que além de reunir com os gestores, também fizeram visitas as Unidades Básicas de Saúde (UBS) e Escolas municipais. “Esse ano iniciamos de forma diferente, já estivemos verificando “in loco” a situação da saúde e educação, que será nosso foco principal neste levantamento. A educação é o que mais nos preocupou, a maioria das escolas estão em estado crítico”, explica a inspetora Fátima Botelho, que após a validação dos dados serão encaminhados aos conselheiros, um relatório apresentando um retrato nas duas áreas.
Segundo o analista de controle externo Tiago Marques, a situação das escolas são precárias principalmente na infraestrutura. “Nas UBS´s encontramos medicamentos vencidos e falta de medicação básica”, apontou o técnico.
Os gestores têm até sexta-feira (24), para a entrega dos questionários preenchidos. A comissão inicia a fase de validação das informações a partir do dia 2 de abril, em seguida os dados serão encaminhados para o Tribunal de Contas de São Paulo, que fará tabulação. “Nossa expectativa é que ainda nesse primeiro semestre tenhamos o resultado final do índice”, conclui a inspetora.
Em 2016, o Estado do Amapá ficou com a nota “C – Baixa adequação”, os sete indicadores.

IEGM
O levantamento vai avaliar a efetividade das políticas e atividades públicas desenvolvidas pelos gestores em 2016, em sete indicadores: educação, saúde, planejamento, gestão fiscal, meio ambiente, proteção ao cidadão e governança da tecnologia da informação.

ARTIGO | "Regularização Fundiária do Amapá à vista", por Juan Monteiro

Governo do Amapá e Exército Brasileiro assinam convênio, nesta quinta-feira, 23 de março, no Palácio do Setentrião, para dar início ao processo de regularização fundiária, diante da eminente necessidade de viabilizar a produção agropecuária como forma de desenvolver a economia amapaense.

Desde 1988, quando passou de Território Federal para Estado, o Amapá enfrenta a problemática da transferência de 95% das suas terras ainda sob tutela da União, e este quadro somente sofreu mudanças significativas em 15 de abril de 2016, quando a então Presidente Dilma Rousseff assinou o decreto que regulamentou a Lei 11.949, de 2009, que consolida a transferência.
Nestes 29 anos de espera, o Brasil se configura como a maior potência mundial na produção de alimentos, ao passo em o Amapá importa quase tudo aquilo que consome, inclusive os produtos mais básicos, como farinha.

Este entrave, criado pela falta da regularização fundiária, transformou o Amapá em uma sociedade dependente das transferências da União, recebendo 370% a mais do que arrecada para a mesma, produzindo índices que nos colocaram por anos com um IDH abaixo da média nacional e o estado com a pior capital brasileira, este último segundo estudos da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Atualmente, possuímos uma máquina estatal deficitária que não consegue dar vazão às altas demandas de saúde, educação, infraestrutura e segurança pública que impactam diretamente na garantia de direitos do cidadão. Conforme estudos do Instituto Fiscal Independente do Senado – IFI, o estado do Amapá conseguirá estabilizar suas finanças apenas em 2015, fator que afeta diretamente ao mercado de trabalho e ao consumo, visto que o setor público é o maior empregador e gerador de serviços afetando, por consequência, o comércio que desempregou 18,1% de sua mão de obra em 2016, os mais altos índices de desemprego de todo o país.

A regularização fundiária e a segurança jurídica que ela traz para a produção pecuária e agrícola, se constitui no principal fator de um cenário que se desenha positivamente para o Amapá, seja pelo fortalecimento do agronegócio, seja pela perspectiva de financiamento da produção amapaense ou seja simples valorização imobiliária de grandes, médias e pequenas propriedades. Se soma a estes elementos a tão próxima saída do Amapá como área de risco pela Febre Aftosa, aspecto restritivo para o comércio de laticínios e carne da região possuidora de uma das melhores qualidades genéticas de bubalinos do mundo.

Os detalhes deste novo cenário, a partir da regularização das terras pelo Estado, são extremamente animadores, indicando uma profunda mudança na economia e na sociedade amapaenses. A produção de soja, por exemplo, a qual atingiu 5% de seu potencial em 2016, mas pode chegar a 400.000 Ha e gerar aproximadamente 32 mil empregos, além de R$ 3,5 bilhões, representando um terço de nosso PIB.

A carne e laticínios devem ganhar novo fôlego com a regularização das terras é receber investimentos privados para que produtos, se aproveitando da ponte binacional e acordos comerciais, cheguem às Guianas e Suriname. Sobretudo deve atender com maior qualidade o mercado interno com produtos de valor agregado. O Amapá já possui uma grande agroindústria de laticínios (leite, iogurte, queijo e outros) instalada na região do Matapi pronta para atingir estes mercados e um projeto frigorífico com investimento na ordem de R$ 38 milhões começa a ser organizado no Distrito Industrial de Santana.

O convênio do GEA com o Exército Brasileiro cristaliza o que se configura na mais importante ação econômica e social da história do Estado Amapá, a regularização fundiária, capaz de possibilitar o pleno desenvolvimento de suas aptidões econômicas e, por consequente, a geração e distribuição de riqueza, trabalho, arrecadação tributária, investimentos públicos e privados, e a ampliação de direitos sociais e qualidades de vida.


Juan Monteiro, 
Administrador e Jornalista

terça-feira, 21 de março de 2017

UM SONHO REALIZADO: A saga do piloto amapaense Jorge Mareco, da Latam

Para um piloto como Jorge Mareco, as paradas para descanso possibilitam conhecer seu país e alguns dos mais charmosos destinos do mundo, como nestas fotos no sul da França ou numa estação de esqui na Suíça

CLEBER BARBOSA
Editor de Turismo

“Estamos deixando Belém do Grão-Pará em direção ao Principado de Macapá”. Esta frase é do piloto de aviação Jorge Mareco, um amapaense que costuma cativar desde seus tripulantes como também seus passageiros sempre que pega o microfone da cabine de comando dos jatos da TAM Linhas Aéreas pelo país. Claro que sempre que o colocam na rota para o Amapá ele se derrete ainda mais e declara seu amor por sua terra, sua gente e sua cidade-natal, a bucólica Serra do Navio. E foi a depois de um voo para Macapá, onde moram seus pais, que ele recebeu o Diário do Amapá para falar mais da profissão, da carreira e dos prazeres proporcionados por uma das mais glamorosas profissões, ser um comandante de avião.
A maneira descontraída com que se reporta aos passageiros pelo sistema de som das aeronaves chama a atenção e não é raro alguém lhe perguntar se ele não é um radialista frustrado. “Muitos dizem que estou na profissão errada, que tenho dom para radialista, mas não tenho essa pretensão. Faço isso de vez em quando só para descontrair mesmo e quebrar um pouco o gelo, para ajudar a relaxar as pessoas”, diz, descontraído.

Começo - Ele conta que a aviação passou a fazer parte de sua vida desde a infância, quando observava as aeronaves cruzando os céus e sonhava ser piloto. Na juventude, depois de tentativas prestando vestibular para medicina e odontologia, acabou investindo mesmo na velha vontade de ser aviador. “A aviação me contaminou aos dezoito anos de idade, foi o aerococus, o vírus da aviação, e desde 1995 sou formado como piloto e estou há oito anos na TAM”, relembra.
Ele trilhou o caminho mais trabalhoso – e também o mais charmoso – começando seus estudos em clubes de aviação, como o Aero Clube do Pará. Lá fez a parte teórica e também acumulou as horas de voo até tirar o prevê de piloto privado. Depois foi para Belém Novo, no Rio Grande do Sul. “Lá eu me formei piloto comercial, instrumento, multimotor, enfim, toda a formação final foi lá”, diz Mareco, que explica hoje existir o curso superior de Ciências Aeronáuticas, com os aeroclubes ainda servindo para as aulas práticas dos acadêmicos.
Com uma política de valorizar as localidades onde os comandantes possuem seus familiares, a atual empresa de Jorge Mareco sempre o escala para operar voos para Macapá, para alegria de seus pais, que moram na cidade.

As estatísticas atestam a segurança do avião

A carreira de piloto é, de longe, uma das mais charmosas que existem, afinal poder conhecer seu país inteiro e até vários países pelo planeta não é para qualquer um, mas a pergunta que não quer calar é: e os riscos dessa profissão? Sim pois em caso de algum problema nos voos os resultados poderão ser terríveis, já que de acidentes aéreos pouca gente sobrevive, não é mesmo?
Não para o piloto Jorge Mareco. Ele diz que hoje a aviação está num patamar de segurança absurdo. “A tecnologia embarcada é de outro mundo. Foi-se o tempo que voar era perigoso, pois hoje em dia é muito mais seguro você sair daqui para Belém em uma aeronave de grande porte do que ir daqui até a Praça Zagury de carro, quando pode sofrer um acidente de trânsito”, compara o profissional.
Ele diz ainda que toda essa tecnologia empregada diminui drasticamente a possibilidade de falha humana. “O computador está ali para ajudar a gente, mas claro que na hora em que ele falha, tem lá um ser humanos para controlar, daí eu dizer que a gente não pilota os aviões, a gente os gerencia”, completa Mareco.

Orgulho de ser do Amapá, puxando o bordão da empresa que ele serve


Quem já voou pela TAM sabe do bordão que os comissários repetem sempre, ‘uma companhia que tem orgulho de ser brasileira’. E foi pegando carona nela que o Comandante Mareco certamente se inspira para falar do orgulho de ser amapaense. “Para mim é um orgulho total. A gente saiu daqui, querendo ou não moramos na região norte, longe dos grandes centros do país, portanto com mais dificuldades para a gente sair daqui e se fixar nesses lugares maiores, daí eu falar sempre se boca cheia do orgulho de ser daqui”, diz o piloto.
Ele também usa de muito bom humor para reportar as informações aos passageiros em suas aeronaves. Recentemente foi ‘flagrado’ depois de um pouso que não foi um dos mais suaves em Macapá, quando pegou o microfone de disse, bem a vontade: “Só para avisar que quem pousou o avião foi o copiloto”, para risos de quem estava a bordo. Ele também é espirituoso quando fala da segurança deste tipo de transporte. “Está mais do que comprovado que o avião é o meio de transporte mais seguro que existe, só perde para o elevador...”, diz.
Ele também rende homenagens a várias gerações de pilotos que já voarem e ainda voam no Amapá. Entre seus contemporâneos estão Daniel Oliveira e Felipe Lima,este último inclusive colega de companhia e que já operou voos ao seu lado para Macapá. “Fico muito feliz com essa oportunidade de falar da nossa profissão e de ser do Amapá, pois não é fácil chegar até aqui, foi muita ralação, muito estudo, muito não pela frente e a gente investe alto nisso, porque querendo ou não é um investimento alto a carreira de piloto e a gente sua muito a camisa e todo reconhecimento nos deixa muito feliz, de verdade. Jorge Mareco hoje mora em Florianópolis (SC).

NÚMEROS

- A carreira de Jorge Mareco foi iniciada no Aeroclube do Pará, onde fez as primeiras aulas teóricas e também as aulas práticas;

- Ele diz que o avião é o meio de transporte mais seguro que existe, só perdendo para o elevador;

- Para ajudar a quebrar a tensão dos passageiros, sempre que pode ele usa de bom humor no microfone do sistema de som das aeronaves.

8.000h.
Este é o número de horas de voo de Jorge Mareco.

Notas da coluna ARGUMENTOS desta terça-feira, dia 21 de março de 2017.

Texto
Em seu artigo semanal que o Diário do Amapá publicou no domingo, o ex presidente e senador José Sarney falou sobre as históricas relações do Brasil com a França. Tendo a ponte binacional como pano de fundo, listou fatos e a influência cultural e diplomática deles.

Pimenta
No texto de Sarney, intitulado “A França e a malagueta”, ele viaja na intelectualidade para falar como o idioma foi perdendo força para o inglês e dá sugestões para o incremento do turismo regional com a ponte.

Caçambas
A Polícia Federal foi acionada a respeito do transporte irregular de minério de manganês pela rodovia BR 210. Além de não comprovar a propriedade da carga, transporte também deteriora a velha estrada.

Aviação
Enquanto isso, no Hangar do Governo é grande a expectativa em torno da volta de uma lenda. Trata-se do avião Bandeirante que está retornando a Macapá nos próximos dias depois de completa revisão em SP.

Batente
A coluna ouviu o atual diretor do Detraer, Carlos Lima, o conhecido Comandante Carlão, que confirmou a notícia e faz planos para que no máximo em 20 dias o avião esteja pronto para voltar ao batente.

Fronteira
Embora ainda não tenha sido a inauguração oficial da ponte, a festa do fim de semana em Oiapoque foi cheia de simbolismos e já é considerada um evento histórico. Dizer o que dessa imagem das autoridades brasileiras e francesas de braços dados percorrendo o leito da ponte?

Proposta
Tramita na Câmara dos Deputados um projeto que altera a diretriz da BR 156 no Plano Nacional de Viação. O objetivo é prolongar o traçado que atualmente corta apenas o Amapá, desde a Cachoeira de Santo Antônio, no município de Laranjal do Jari, até a fronteira com a Guiana Francesa.

Unidade
A proposta sugere a extensão da BR 156 de Laranjal do Jari até o município de Alenquer, no estado do Pará, coincidindo com a rodovia estadual PA 254. Assim, a rodovia passaria a ter um total de 1.294 quilômetros, com trajeto previsto desde Alenquer até à fronteira com a Guiana. Argumento é a integraçã regional.

Região
De autoria dos deputados Vinícius Gurgel (PR-AP), Remídio Monai (PR/RR) e Lúcio Vale (PR/PA), a proposta une duas regiões com grande potencial de crescimento, o que amplia as possibilidades de integração de importantes rodovias de escoamento do setor produtivo.

Mais de 150 cartões já foram apreendidos por fraudes ao benefício da meia-passagem

Desde o início do cadastramento da meia-passagem, o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Amapá (Setap) já detectou declarações escolares que podem ter sido adulteradas e cartões de meia-passagem falsos.

No entanto, o maior volume de apreensões foi de utilização indevida, quando o cartão é utilizado por outra pessoa, que não seja o beneficiário. O Setap estima que a utilização indevida é a maiorfraude. Um de cada quatro estudantes, compartilham o cartão com algum parente, o que não é permitido por lei. De acordo com Renivaldo Costa, relações públicas do sindicato, quando afraude é detectada, o estudante perde automaticamente direito ao benefício. "Desde 6 de março já apreendemos mais de 150 cartões na mão de terceiros".

O cadastro de meia-passagem a estudantes das redes pública e particular de ensino iniciou esta semana. Já o recadastramento do benefício iniciou no dia 6 de março. O prazo para os procedimentos será até o dia 28 de abril em Macapá e Santana.

Cerca de 50 mil estudantes deverão fazer o procedimento. Os postos de atendimento em 2017 para o cadastro será na sede do sindicato, localizado na Avenida Padre Júlio, Centro de Macapá, no horário de 8h às 16h. Já o recadastro será em um shopping localizado na Rodovia JK, na Zona Sul da capital, de 10h às 18h, além do terminal rodoviário de Santana.

Os documentos necessários para o cadastro são cópia do comprovante de endereço, declaração escolar ou atestado de matrícula e cópia de documento de identidade. É necessário que o aluno esteja presente para que seja feita a fotografia do cadastro.

A taxa custa R$ 8 para recadastro e R$ 15 para novos cadastros. Caso o estudante tenha perdido o cartão, para pedir a segunda via deve ser feito um boletim de ocorrência e levar junto aos demais documentos.

O estudante poderá obter o formulário de cadastro e recadastro no posto de atendimento ou pelo site www.vtsetap.com.br. Após a conclusão do cadastro, quem não se regularizou terá o cartão bloqueado.

Notas da coluna ARGUMENTOS, domingo e segunda-feira, 19 e 20 de março

Finalmente
O trânsito está finalmente liberado sobre a ponte binacional sobre o rio Oiapoque, na divisa do Brasil com a Guiana Francesa. Inicialmente apenas para carros de passeio, faltando normatizar o transporte de cargas e passageiros por essa histórica ligação rodoviária.

História
Foi um evento cheio de simbolismos, e forte apelo histórico. As delegações de cada país caminharam pela ponte até um encontro no meio, exatamente na divisão geopolítica entre Brasil e Guiana Francesa.

Diplomacia
Pouco depois uma banda de música de uma escola de Oiapoque executou os hinos nacionais do Brasil e da França, seguido do descerramento da fita inaugural e os cumprimentos entre as duas delegações.

‘Gentleman’
Aliás, sobre os hinos, vale aqui um registro bem curioso. Trata-se da iniciativa do senador Randolfe (Rede-AP) em cantar a plenos pulmões a famosa ‘Marselhesa’, que é o hino nacional da França.

'Fair play’
Os franceses, a título de cortesia, franquearam que o Hino do Brasil fosse executado primeiro. Já nos discursos, coube a eles falar por último, em uma reciprocidade que deverá nortear as relações por lá.

À francesa
A ministra do meio ambiente e transporte da França, Ségolène Royal (foto), retornou a Paris na véspera da inauguração da ponte de Oiapoque, embora sua agenda oficial divulgada dias antes confirmasse sua presença. Segundo a coluna apurou, o motivo foi a ausência de um ministro brasileiro.

Visual
Diferente de outras inaugurações, a ponte entregue ontem não parecia algo novinho em folha. Ao contrário, já mostra necessitar de serviços de limpeza e manutenção. O concreto tem limo em vários pontos e a pintura da sinalização está bem apagada. De fato, o cronograma de entrega sofreu (muito) atraso.

Trocas
Martin Jaeger, representante do governo francês, roubou a cena, ao discursar com forte carga de espiritualidade e bom humor (como que homenageando os brasileiros). Disse que a aproximação entre Amapá e Guiana Francesa possibilita que compartilhem a calabresa brasileira com o pão e o perfume francês.

Grandeza
Outro marco da festa de ontem foi a decisão do governador Waldez em franquear seu espaço do pronunciamento de encerramento para os parlamentares brasileiros. Ele cedeu parte de seu tempo, possibilitando a fala de Randolfe, Capiberibe, Davi, Cabuçu e da prefeita Orlanda.


segunda-feira, 20 de março de 2017

TURISMO | Capital dos apaixonados, Paris também é um lugar incrível para os solteiros

Concierges dos hotéis Le Burgundy Paris e Le Cinq Codet listam opções de diversão para quem visita a cidade em versão solo ou na companhia de amigos
 
Paris é considerada a capital do romantismo e, por isso, nunca sai de moda entre os casais, sejam eles namorados de pouco tempo, em lua de mel ou que estão há vários anos juntos. Mas a capital francesa também é um destino incrível para os solteiros, que, além de conhecer os tantos símbolos turísticos da cidade, também conseguem incluir uma porção de agitos em sua programação, como happy hours em bares bacanas, um festival de música ou uma balada mais animada. Para agradar essa turma, os antenados concierges dos hotéis Le Burgundy Paris e Le Cinq Codet, François Dequaire e Bastien Bonvarlet, nunca deixam de “investigar” as novidades noturnas que surgem na Cidade Luz nem de indicar alguns lugares que, entra ano, sai ano continuam a fazer sucesso entre quem quer curtir a noite.

Para aproveitar a night sem precisar ir longe do Le Burgundy Paris – afinal, depois de um dia de andanças, só os baladeiros de carteirinha terão pique para sair de novo e ficar até tarde na rua –, uma sugestão é o novo e criativo Le 153 (153 rue Saint-Martin), misto de cocktail bar, salão de chá, bar de vinhos e cerveja e muito mais. O estabelecimento está disposto em três andares, cada qual com uma ambientação própria: o térreo, por exemplo, mescla o uso de madeira com mobiliário industrial e é dominado pela linda prateleira iluminada que exibe as bebidas. Também há uma adega envolta por pedras, que dão um certo ar medieval a esse espaço, e um agradável terraço. Com tal variedade de ambientes, o bar reúne um público diversificado, que além de bebericar coquetéis que primam pelo visual – e pelo sabor, claro –, encontram ali performances, exposições, workshops para experimentar perfumes e especiarias, palestras e projeções, sem contar as aulas de mixologia e degustações temáticas.

Outra sugestão é o descontraído Le Fubar (5, rue Saint-Sulpice), que, próximo à Igreja de Saint-Sulpice, ostenta a típica atmosfera de um pub, com paredes e balcão revestidos de madeira, luz baixa e muito burburinho no momento do happy hour ou durante as partidas de futebol, rugby e outros esportes transmitidos num telão. A casa também é famosa pelas noites temáticas, como a dedicada ao mojito ou a que tem a promoção “compre uma bebida, ganhe outra”.

Já no pequenino El Urbano (3, rue Crespin du Gast), o visitante sentirá, assim que entrar, o quão alto-astral é o lugar, seja por conta do ultracolorido mural que domina uma das paredes, do atendimento receptivo dado pelo staff do bar, que faz questão de demonstrar o amor pela cultura latina, ou ainda porque ecoam pelas caixas de som uma mistura de ritmos calientes como reggaeton, bachata, salsa, merengue e cumbia, além de hip hop. Um clima que combina muito bem com a vizinhança, já que o El Urbano fica numa travessa próxima à rue Oberkampf, um fervilhante reduto de bares, baladas, restaurantes e casas de shows. À parte a grande variedade de vinhos (tanto franceses como chilenos e argentinos), cervejas e bebidas criadas pelo estabelecimento – incluindo o recomendadíssimo Bauzà Pisco, a marca da casa –, o visitante encontra no cardápio diversas comidinhas típicas de Colômbia, Peru, Chile e Argentina, como as suculentas empanadas de carne e de queijo.

Independentemente do ritmo festeiro que o viajante tiver, uma coisa é certa: a programação em Paris também tem de incluir a ida a alguma das grandes exposições que a cidade organiza todos os anos – e, em 2017, elas não são poucas. Para homenagear o centenário de morte do escultor Auguste Rodin, as Galeries Nationales du Grand Palais recebem, até 31 de julho, a mostra Rodin: Exposição do Centenário, que reúne cerca de 200 peças de autoria desse gênio das artes, além de esculturas e desenhos de artistas que foram influenciados por Rodin, a exemplo de Picasso, Matisse e Giacometti.  

No Museu do Louvre, o destaque é a exibição Vermeer e os Mestres da Pintura de Gênero, em cartaz até 22 de maio, a qual junta as obras-primas desse mestre holandês do século 17 às de outros artistas de seu tempo. E o Museu d’Orsay oferece ao público, até 25 de junho, a mostra Além das Estrelas – A Paisagem Mística de Monet a Kandinsky. O mote da exposição  é o uso da “experiência mística” como inspiração para os trabalhos de pintores justamente como Monet e Kandinsky, que, em reação aos artistas simbolistas (os quais cultuavam a ciência e o mundo prático), evocavam a emoção e os mistérios da existência em suas obras. Assim, seja na seara cultural ou na diversão pura e simples, Paris é sempre uma festa.

Quem quiser aproveitar as atrações dos próprios hotéis pode participar dos chás da tarde no Le Cinq Codet e Le Burgundy Paris, gratuito para os hóspedes todos os dias, ou o Saturday Night Jazz, que agita o Le Cinq Codet nas noites de sábado. Os pequenos eventos são próprios para promover a interação entre os clientes e garantir que a experiência de hospedagem em Paris seja tão boa para os solteiros quanto é para casais apaixonados. No Le Burgundy Paris, a imersão no Spa by Sothys ou um drinque no bar Le Baudelaire provam que, com boas atividades para preencher, não é preciso mais nada.

A Key Partners é representante dos hotéis Le Cinq Codet e Le Burgundy Paris no Brasil. Saiba mais em www.le5codet.com e www.leburgundy.com.

“A abertura provisória da ponte pressiona positivamente que o Brasil conclua suas obras”

O governador do Amapá teve a honrosa missão de chefiar a delegação brasileira que foi a Oiapoque ontem para a cerimônia de abertura da ponte binacional entre o Brasil e a Guiana Francesa. Mas Waldez Góes, ao seu estilo, foi de extrema generosidade com as demais lideranças políticas que estiveram lá, franqueando a palavra a todos e demonstrando que a experiência de estar no terceiro mandato à frente do Setentrião pode ser empregada a favor da diplomacia e da mobilização. E essa será a tônica para que as forças públicas locais continuem envidando esforços para a conclusão das etapas que faltam para a inauguração oficial, marcada para o final do ano, após a conclusão do processo eleitoral da França, que impediram agora a vinda do presidente Fraçois Holand e, consequentemente, do colega Michel Temer.

Cleber Barbosa
Da Redação

Diário do Amapá – Coube ao senhor representar o Governo do Brasil no evento de inauguração da ponte binacional. Como foi isso governador?
Waldez Góes – É, foi uma solicitação do Governo Federal para que eu representasse o estado brasileiro, chefiando a delegação oficial do nosso país, composta por nossos deputados federais e senadores, deputados da Assembleia Legislativa, representantes do Poder Judiciário, enfim, de nossas instituições e do povo nessa solenidade de abertura provisória da ponte.
Diário – Então ainda não é a inauguração oficial, mas a abertura para o tráfego é isso?
Waldez – Sim, o que é muito importante, afinal são mais de duas décadas de tratativas para que nós chegássemos a esse ponto, de abrir inicialmente para o tráfego de carros de passeio. É um momento histórico, apesar de ser uma abertura parcial, pois isso vai ser feito em várias etapas, com a próxima sendo a abertura para veículos de turismo e em seguida de transporte de cargas. As obras começaram em 2007 e agora é que estão sendo concluídas, então é uma longa trajetória que não podia ser diferente, afinal são dois países diferentes, de continentes distantes, de moedas diferentes, de legislação eleitoral e sistema de governos diferentes, de legislações de licitações também, idioma, enfim, isso tudo para dizer que construir um acordo e chegar a esse momento requer muito trabalho.
Diário – E que passaram pelas mãos de oito presidentes da república diferentes, quatro de cada lado, não é mesmo?
Waldez – Sim, e é por isso que tudo tem que ser tratado como programa de estado e não de governo; governos têm prazo para começar e terminar, mas o estado não, ele é permanente como a população também é permanente, daí nós estarmos comemorando bastante hoje esse primeiro passo que vai ser muito importante para o Amapá especialmente.
Diário – Em que sentido governador?
Waldez – Olha, para a abertura deste sábado, mesmo que provisória, três acordos tiveram que ser aprovados pelo Parlamento Francês e pelo Congresso Nacional do Brasil, com as respectivas sanções pelos presidentes da França e do Brasil. Os acordos dizem respeito à comercialização de produtos de subsistência, não só alimentação, o que significa que na região compreendida entre a Guiana Francesa e o Oiapoque nós vamos ter uma área de livre comércio para um número significativo de produtos. Outro acordo versa sobre transporte internacional, para justificar exatamente o transporte de cargas e de passageiros, bem como um acordo de assistência civil, que prevê o emprego da defesa civil dos dois países, representados pela Guiana Francesa e pelo Amapá, com suas equipes altamente preparadas, inclusive já tendo realizado diversas simulações para dar toda a segurança necessária na área da ponte.
Diário – Mas ainda existe muita coisa a ser feita, não é mesmo? 
Waldez – Sim, são muitas etapas, que são vencidas uma a uma a cada momento, mas tenho certeza de que nós vamos vence-las. Eu reafirmo aqui que estarei permanentemente nessa mobilização da nossa bancada federal, dos nossos prefeitos, dos nossos parlamentares estaduais, das nossas instituições federais, estaduais e municipais, sobretudo a comunidade de Oiapoque, vereadores, prefeita, empreendedores, enfim, que serão os primeiros a receber de nós a atenção, afinal é a porta de entrada, daí nós estarmos com diversos projetos já articulados e cobrando do governo brasileiro também uma maior atenção de investimentos uma vez que Oiapoque como cartão de entrada do Brasil precisa ser melhor cuidado, com um bom projeto de mobilidade urbana, um bom projeto habitacional também, preparar a orla e garantir realmente as condições de políticas públicas para Oiapoque primeiro, pois estando bom para Oiapoque e seus moradores o turista que visitar a cidade certamente irá se sentir bem.
Diário -  Entre essas demandas está a necessidade de concluir a pavimentação da BR 156, que deveria estar pronta para a inauguração da ponte. Mas a abertura provisória da ponte o senhor entende que pode acelerar esse processo?
Waldez – Exatamente, assim como também falta concluir a obra da Aduana do lado brasileiro. Nós sabemos que durante os doze meses do ano no Amapá chove oito meses, portanto são só quatro meses de verão e em condições de trabalhar, daí em minhas administrações anteriores termos avançado construindo pontes de concreto no inverno e asfalto no verão. Então a abertura provisória da ponte pressiona positivamente para que o Brasil conclua suas obras. Obviamente foi mais fácil para a Guiana fazer a sua parte porque de Saint George até Caiena são 200 quilômetros, enquanto de Macapá a Oiapoque são 600 quilômetros, portanto três vezes mais, então era óbvio que demorasse um pouco mais para o Brasil fazer a sua parte.
Diário – E qual será a estratégia para isso governador?
Waldez – Ela já está em curso. Agora no dia 27 de março mesmo o diretor nacional do DNIT, doutor Walter, virá ao Amapá assinar a ordem de serviço para a construção dos últimos 112 quilômetros que faltam ser pavimentados na BR 156. Então a abertura por etapa também pressiona todos nós agentes públicos a realizarmos aquilo que ainda falta do lado brasileiro. É verdade que ainda falta o pátio aduaneiro, mas quem chega a Oiapoque hoje vê obra para todo lado, sinalização sendo feita, enfim, os prédios estão prontos, as equipes da polícia federal, da receita federal da vigilância sanitária e a polícia rodoviária federal já estão mobilizadas, prontas para dar toda a assistência. Nossa expectativa é que até o final do ano tudo esteja pronto e uma terceira etapa, do lado comercial, relacionada ao transporte de cargas e de passageiros também.
Diário – E com relação à possibilidade dos empreendedores brasileiros, através do Amapá, claro, poderem realizar trocas comerciais com a Guiana Francesa, onde, sabidamente pouco ou quase nada é produzido já que o abastecimento se dá através da França continental?
Waldez – Os acordos que citei anteriormente versam sobre isso também, apesar de ainda não ter sido muito bem repercutido junto à classe dos agentes públicos, dos agentes políticos, dos empreendedores, como também junto à imprensa. A abertura da ponte antecipou a aprovação de alguns acordos como a comercialização de produtos de subsistência, o que significa que não são produtos apenas de alimentação, mas de subsistência na região. Se você chega em Oiapoque, mesmo com o país em crise, vê um comércio aquecido, pois é a única fronteira com moeda invertida, ou seja, onde a nossa moeda vale menos que a do outro lado, o que aparentemente poderia ser uma desvantagem, comercialmente é uma vantagem pois esse acordo prevê que alguns milhares de produtos de subsistência irão receber incentivos, como uma área de livre comércio. Então a tendência é ter uma maior frequência de franceses comprando do lado brasileiro, aquecendo o mercado de Oiapoque.
Diário – Para fechar governador, o que fica de tanto trabalho e investimentos ao longo das últimas décadas para se chegar a este dia que se propõe ser histórico entre o Amapá e a Guiana Francesa?
Waldez – Que o Amapá e a Guiana Francesa já possuem relações sociais, culturais, comerciais a muitos anos. O que o Brasil e a França estão buscando é correr atrás, pois os povos dessa região já estabeleceram essa cooperação, de usos e costumes, com brasileiros casando com franceses, francesas casadas com brasileiros, indígenas que passam um período estão do ano do lado brasileiro e depois do lado francês, então não tem fronteira entre povos, os governos é que fazem suas fronteiras, isso a gente vê em toda a história da humanidade. Então os governos precisam se adaptar a essa realidade e ter um maior controle sobre isso e não tem maior controle sem presença.

Perfil
Entrevistado. Antônio Waldez Góes da Silva exerce pela terceira vez um mandato de governador do Amapá, tendo ao longo da carreira apenas uma filiação partidária, o PDT. Foi deputado estadual constituinte, tendo chegado ao Parlamento Estadual com forte apelo popular ao ter sido o mais votado, vindo do serviço público como extensionista rural, uma de suas maiores vocações. O destaque como legislador o projetou a disputar o Executivo, inicialmente tentando virar prefeito de Macapá e depois concorrendo ao Governo do Estado por duas vezes, sendo eleito na terceira. Seus dois mandatos anteriores foram marcados por ter sido o que mais avançou na pavimentação da BR 156, a principal rodovia federal do Amapá. 

Turistas franceses dizem que irão continuar usando as catraias para contemplar natureza

A Ponte Binacional não fará muita diferença para quem gosta de vir fazer turismo no município fronteiriço de Oiapoque. Esta é a opinião de um grupo de turistas franceses que se encontram hospedados numa chácara do bairro Planalto, que também funciona como restaurante.
“Será mais uma ponte. Mas, não fará diferença pra nós que gostamos de apreciar a fauna e a flora da Amazônia. Vamos continuar usando as catraias para ver as belezas naturais. Pois, elas fazem parte do nosso passeio turístico”, assegurou o gendarme Magnier Pascal, 49 anos, que mora em Caiena, capital da Guiana Francesa. A esposa dele, Magnier Delphine, 47 anos, fez coro com o marido e disse que se vier a Oiapoque pela ponte, não conseguirá ver animais como o bicho preguiça.
Mas, não é só a fauna e a flora que atraem os franceses. A culinária e os produtos também chamam a atenção dos turistas. A própria Delphine e a amiga Szynkowiak Marie Line, 52 anos, nunca saem de mãos vazias quando vêm à fronteira. “A gente sempre compra as sandálias brasileiras que são muito confortáveis”, destaca Marie Line, que sempre acompanha o marido Szynkowiak Pascal, 54 anos, o qual, também é gendarme.
Szynkowiak, aliás, faz questão de enfatizar que a exuberância da Amazônia é que o fascina. “Isso nós não temos na França”, comentou o francês. Ele mora um pouco mais longe que o amigo, Magnier, numa região parisiense no Leste da França. Mas, sempre que pode vem passear no município de Oiapoque e, também, rever os amigos na cidade de Saint George. Entre as comidas preferidas do grupo de turistas está a feijoada e o churrasco, além de bebidas como a ‘caipirinha’.
Para Genival da Silva Campos, 43 anos, que administra junto com a irmã Lilma, 40 anos, a chácara onde os referidos turistas costumam se hospedar, o consumo de produtos e serviços no município é um ganho para os empreendedores locais. Natural de Oiapoque, Genival Campos é entusiasta da qualificação dos empresários oiapoquenses para que todos ofereçam qualidade no atendimento da clientela. Ainda mais agora, com a abertura da Ponte Binacional.
“Eu acredito que daqui pra frente Oiapoque só vai crescer. Mas, ainda falta os empresários acordarem e decidirem melhorar seus estabelecimentos. Penso que a abertura da ponte é uma porta da Europa que está se abrindo. É a Europa olhando para o Brasil e o Brasil olhando pra ela. Não podemos ficar parados sem fazer nada. Temos condições de vender muitos dos nossos produtos para os estrangeiros. E eles têm condições de comprar. O bom disso é que temos o mercado. Se temos o mercado, pra que ficarmos parados?”, questionou o empreendedor em tom de apelo para que este olhar seja de todos os segmentos que geram emprego e renda na cidade fronteiriça.
Só o estabelecimento dele injeta todo mês, uma média de R$ 180 mil, na economia de Oiapoque. Desse montante, R$ 10 mil é só para o pagamento de funcionários.  Para chegar a este faturamento, Genival e a irmã buscaram qualificação nas entidades que apoiam o desenvolvimento dos negócios. “Eu e a Lilma fizemos o Empretec, que é um instrumento que nos dá o ‘caminho das pedras’. Gostaria que todos os empresários locais tivessem essa mesma busca por crescimento a partir do conhecimento”, sugeriu.

Texto: Maiara Pires/Secom/GEA

Ponte Binacional estimula alternativas de desenvolvimento econômico na fronteira, diz GEA

Concebida dentro de um entendimento de cooperação entre Brasil e França, a Ponte Binacional, construída no Rio Oiapoque, traz desafios e chama para a flexibilidade as pessoas com pensamento unilateral de que a nova rota não trará desenvolvimento. A abertura da única rota terrestre que ligará o Brasil à União Europeia criou sonhos e despertou novos olhares para a consolidação de um projeto que melhore o bem-estar de quem nasceu ou escolheu a fronteira do Amapá com a Guiana Francesa para viver.
Genival da Silva Campos, 43 anos, nasceu em Oiapoque e, junto com a irmã Lilma, 40 anos, toca uma chácara que também funciona como restaurante no bairro do Planalto. Ele acredita que o município viverá novos tempos muito em breve. Visionária, a família se preparou e continua se preparando para grandes conquistas. “A minha irmã é uma guerreira de acreditar nesse empreendimento, levantando com muito esforço. É um sonho que se tornou realidade graças à persistência dela. E a gente acredita no desenvolvimento de Oiapoque. Por isso, buscamos qualificar os nossos serviços e o atendimento dos nossos clientes”, comentou.
Sonhos, como o da família de Genival, são compartilhados por outras entidades no município transfronteiriço, as quais enxergaram o potencial da cidade dada a sua localização estratégica. É o caso do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL), Junta Comercial do Amapá (Jucap), Corpo de Bombeiros Militar (CBM/AP) e Associação Comercial do Oiapoque (Acoi). Juntos, eles inauguraram há 9 meses, o Centro Empresarial de Oiapoque. Tudo para facilitar o atendimento de empreendedores locais, minimizando o deslocamento até a capital em busca de serviços.
Há 20 anos, por exemplo, o Sebrae visualizou esse potencial e se instalou em Oiapoque para prestar apoio aos empresários. Com a junção da CDL, Jucap, CBM/AP e Acoi, o trabalho ganhou um novo ânimo. “Já existia essa proposta de reunir estes órgãos numa só estrutura. Mas, ainda não havia sido possível colocar em prática. Agora, estamos com mais força para prestar a orientação necessária aos empreendedores locais”, enfatizou a gerente do Centro Empresarial de Oiapoque, Elenice Menezes.
Outro que vislumbrou o crescimento de Oiapoque foi o Governo do Amapá. Entre outras iniciativas, o Executivo firmou parceria com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) para orientar os empresários de pequeno e médio porte sobre oportunidades de mercado e exortação de produtos.
Numa das palestras ministradas pelo analista do MDIC, Afonso Celso, há seis meses, ele destacou a proximidade do Amapá com a União Europeia, a partir da abertura da Ponte Binacional. “Sem dúvidas, a abertura da ponte que liga o Brasil à Guiana Francesa será ponto crucial para o desenvolvimento do comércio exterior no Brasil. O MDIC tem todo o interesse em ver o Estado se desenvolver e aumentar, cada vez mais, o número de empresas exportadoras”, ressaltou à época.
Mais recentemente, o governador Waldez Góes reafirmou parcerias com a prefeitura de Oiapoque para construir um ambiente favorável de desenvolvimento e bem-estar da população. Ele garantiu convênios estaduais, principalmente, de limpeza e coleta de lixo, além da continuidade em obras como a Praça Ecildo Crescêncio, construção da orla e de uma escola em Tempo Integral. O município também foi contemplado com o Plano de Mobilidade Urbana, que prevê 17 km de pavimentação com asfalto, drenagem, calçamento e meio-fio.
“A abertura da ponte binacional força toda a sociedade civil organizada a buscar, na criatividade, novas formas de desenvolver a geração de renda, a cultura, a educação, o social. E, também, a adaptação a uma nova realidade, além de fortalecer a cooperação internacional em diversas áreas do conhecimento”, destacou o governador Waldez Góes.
Centro comercial da cidade de Oiapoque, onde é grande a expectativa para aquecer as vendas

Franceses e brasileiros abrem oficialmente a Ponte Binacional sobre o Rio Oiapoque

Cerimônia simbólica no meio da ponte marcará o evento que vai integrar o Amapá ao Platô das Guianas.

Por Maiara Pires, do GEA

Oiapoque (AP) – O Amapá será integrado oficialmente ao Platô das Guianas neste sábado, 18. Uma cerimônia simbólica marca a abertura da Ponte Binacional do Rio Oiapoque, na fronteira com a Guiana Francesa.
A programação conta com saída da delegação francesa de Cayenne para Saint George, recepção dos convidados na ponte, chegada dos demais membros da delegação francesa em avião militar no aeródromo de Oiapoque, encontro com as autoridades brasileiras no meio da ponte, apresentação da fanfarra brasileira pela Escola Joaquim Caetano da Silva com a execução dos hinos brasileiro e francês.
Tem ainda o corte da fita oficial, a foto oficial, festividade e coquetel tradicional, dança indígena, dança tradicional guianense e dança brasileira e discursos de autoridades. A abertura oficial da Ponte Binacional será feita pelo prefeito da Guiana Francesa, Martan Jaguer, e pelo governador do Amapá, Waldez Góes. Com início às 7h30, a programação está prevista para encerrar por volta de 13h.

A obra
A ponte é um dos símbolos dentro do projeto de cooperação celebrado entre os dois países, por meio do Acordo de Cooperação Brasil-França, assinado em maio de 1996, com o objetivo de garantir o desenvolvimento econômico na região de fronteira franco-brasileira.
Com a inauguração, o Amapá romperá definitivamente o seu isolamento via terrestre e passará a ser o único Estado Brasileiro ligado à União Europeia, o que permite novas rotas de exportação e importação de mercadorias e o aquecimento na economia local.
A Ponte Binacional será aberta, inicialmente, para carros de passeio. Porém, dois outros tratados entre Brasil e França já estão em análise para finalizar as questões de operações comerciais e de transportes de mercadorias e valores de seguro.
Nesse primeiro momento, é obrigatório para os carros brasileiros, o seguro em valores que variam de 250 euros (R$ 850) a 450 euros (R$ 1,5 mil), dependendo do carro. Os viajantes do Brasil precisarão tirar o visto de viagem e portar carteira internacional de motorista.
Há, também, acordos de subsistência e assistência civil, todos promulgados em janeiro de 2017. Por isso, que abertura da ponte se dará por etapas.  Outra pendência é a conclusão do pátio aduaneiro, que está em fase de construção pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transpores (Dnit).

Faturamento do turismo nacional no último trimestre de 2016 supera em 37% estimativas do setor

Ministro do turismo, Marx Beltrão, comemora a boa notícia de reação do setor
O faturamento alcançado pelo setor turístico brasileiro como um todo no último trimestre de 2016 superou em 37% as estimativas previamente projetadas pelo setor. Na mesma linha, o nível de emprego efetivamente observado nos três últimos meses do ano passado superou em 38% o que representantes da área tinham como prognóstico.  

Os números estão no Boletim de Desempenho Econômico do Turismo, publicação trimestral realizada pelo Ministério do Turismo, por meio da Fundação Getulio Vargas (FGV). Foram ouvidas 918 empresas, que representam 71.498 postos de trabalho e apresentaram um faturamento no trimestre de R$ 7,8 bilhões. Elas integram sete setores: Transporte Aéreo, Parques e Atrações, Agências de Viagens, Meios de Hospedagem, Turismo Receptivo, Organizadores de Eventos e Operadoras de Turismo. O levantamento foi realizado entre 2 e 31 de janeiro de 2017.

“Os números mostram que o empresariado do turismo aposta no setor e acredita na recuperação econômica do país. Do ponto de vista do MTur precisamos manter a parceria e assegurar os investimentos na melhoria da infraestrutura turística para fazer com que o turismo seja reconhecido como uma importante atividade econômica no país”, afirmou o ministro Marx Beltrão. 

Em outra frente, o percentual do faturamento das empresas previsto para ser usado como investimento no primeiro trimestre de 2017 supera 11% para 67% dos entrevistados. Levando em conta todos os profissionais ouvidos, o percentual médio de investimento é de 7,5% do faturamento. As principais áreas/atividades citadas para serem beneficiadas são as de compra de materiais e equipamentos, marketing e promoção de vendas, infraestrutura de instalações e tecnologia da informação.  

Em uma comparação com o terceiro trimestre de 2016, o resultado do faturamento em outubro, novembro e dezembro do consolidado das atividades do turismo revela aumento em 61% dos entrevistados, estabilidade em 15% e queda em 24%. Os segmentos com saldo mais elevado foram transporte aéreo e parques e atrações turísticas. Meios de hospedagem, operadoras de turismo e agências de viagem se mostraram estáveis. Turismo receptivo e organizadores de evento apresentaram baixa. 

O mercado de turismo no Brasil mobiliza anualmente cerca de 60 milhões de viajantes nacionais e emprega 3,14% da população economicamente ativa. Em 2016, mais de 6,5 milhões de estrangeiros visitaram o país, e deixaram aqui mais de US$ 6 bilhões. 

sábado, 18 de março de 2017

Ministra francesa não fica para inauguração da ponte em Oiapoque e retorna a Paris

P.-Y.C. & C.J.
Ségolène Royal, ministra do Meio Ambiente e Transporte da França voou de volta na sexta-feira (17), e não ficou para inaugurar a ponte sobre o Rio Oiapoque. A razão oficial é que não haverá nenhum ministro brasileiro na cerimônia, portanto, uma questão protocolar, relacionada à soberania dos países.
A visita da representante do Palácio do Eliseu em Caiena foi muito conturbada desde sua chegada à capital da Guiana Francesa. Sua agenda incluía a inauguração da ponte binacional, conforme a programação oficial divulgada no meio da semana. A ponte teve que ser inaugurada pelo prefeito da Guiana e o governador do Amapá.
Ségolène Royal voltou à Paris com vinte e quatro horas de antecedência.Havia todo um aparato de segurança em St. George, na divisa com o Brasil, com muitos policiais mobilizados, ocupando pontos estratégicos em terra, no rio e até no ar. Mas ainda no final da manhã de sexta-feira foram acionados a volta pela estrada para Caiena.

Protestos
Desde a chegada da ministra do Meio Ambiente à Guiana, houve registros de manifestações pela cidade e nos prédios públicos onde ela tinha que ir, o que obrigou-a a adiar algumas agendas, como a participação na programação plurianual e as convenções para os Territórios de energia positiva para o crescimento verde. Mas ela marcou presença destacada num evento que Caiena sedia pela primeira vez, com um auditório tomado por mais de 500 delegados participantes da Convenção de Cartagena, que reúne representantes dos países da região do Platô das Guianas e Caribe.

Com informações do Portal France-Guyanne

quarta-feira, 15 de março de 2017

TURISMO | Viagem em uma moto: turismo radical de cara pro vento

A promoção “Minha Viagem Inesquecível” está de volta e conta hoje a trajetória de um autêntico aventureiro dos tempos modernos. Trata-se do engenheiro Mivaldo Paz, 50, que trabalhava em uma mineradora em Santana quando decidiu partir para essa aventura, em 2010. Conversamos com ele na semana em que ele retornou de sua programação preferida nas férias: viajar de moto. Esta foi sua oitava viagem de longo trajeto, saindo desta vez de Belo Horizonte em direção a Macapá, com parada em Belém, é claro, de onde a moto seguiu de balsa até o Porto de Santana.
Nosso personagem deste final de semana escolheu uma rota que aumentou o percurso, mas garantiu conhecer as mais belas praias do país, já que visitou uma a uma as capitais dos estados da região Nordeste do Brasil. “Tudo bem que entre as maiores dificuldades estão a falta de fiscalização e de educação de alguns motoristas, mas sem dúvida que esse tipo de viagem é uma aventura inesquecível”, derrete-se Mivaldo.
Porque a moto
Entre as principais vantagens deste tipo de aventura, diz o engenheiro, está o contato com outras culturas. “Viajar de moto desperta a curiosidade das pessoas e existe um apoio natural de outros motociclistas, já que existem clubes de moto em quase todo o país”, esclarece Mivaldo. Mas o grande “barato” mesmo está em superar seus próprios limites, segundo o viajante, pois a cada um dos 500 quilômetros diários que faz em média, permitiram muita reflexão. “Você se encontra com si próprio, pois sem falar com ninguém por tantas horas nos faz viajar rumo ao próprio interior”, filosofa o engenheiro-aventureito.
No currículo de viagens de moto de Mivaldo Paz, constam ainda duas aventuras internacionais, sendo uma pela região Sul do Brasil até chegar à Argentina e outra pela Costa Leste dos Estados Unidos. No Brasil, fez duas vezes o Nordeste inteiro, além de outras duas pela região Sudeste, entre o Espírito Santo e Santa Catarina.
Passeio tucuju
Depois de morar em 13 estados diferentes, Mivaldo está atualmente morando no Amapá, onde já faz planos para quando a BR-156 estiver totalmente pavimentada. Ele marcou viagem até Ferreira Gomes e Calçoene. “Mas quero ir ao Oiapoque e de lá visitar a Guiana Francesa e, quem sabe, ir mais longe, afinal com a construção da ponte a gente vai querer chegar mais longe, como o Caribe, por exemplo”, conclui o turista.

  “Viajar de moto desperta a curiosidade das pessoas e existe um apoio natural de outros motociclistas”. 
(Mivaldo Paz, piloto de moto)





 Nosso personagem deste final de semana escolheu uma rota que aumentou o percurso, mas garantiu conhecer as mais belas praias do país, já que visitou uma a uma as capitais dos estados da região Nordeste do Brasil. “Tudo bem que entre as maiores dificuldades estão a falta de fiscalização e de educação de alguns motoristas”, diz o piloto.




As melhores rotas no país e até no exterior
Para quem pensa em viajar de moto, vai aqui uma dica de Mivaldo Paz, um “treicheiro” com muita experiência. Não se pode relaxar nos cuidados com segurança, pois foi exatamente num fim de tarde, quando resolveu tirar o casaco de couro que acabou caindo da moto após um choque com um grupo de vacas na estrada. “Guardo esse ensinamento e uma cicatriz no braço”, diz o piloto, que nunca mais deixou de usar capacete, botas e a roupa de couro em suas longas e prazerosas viagens de moto.
Por onde ir
Em suas andanças pelo país e até pelo exterior, Mivaldo Paz só viaja durante o dia, sem nunca deixar de checar o itinerário no computador por-tátil que carrega na mochila. Ele baixou um programa de rotas e mapas de todas as estradas brasileiras e equipou sua Honra Varadeiro com bauletos, para abrigar sua bagagem.
Um dos roteiros que o engenheiro guarda boas lembranças foi uma viagem batizada por ele como sendo “De ilha a ilha”, já que ele saiu na ilha de São Luís (MA) até a ilha de Florianópolis (SC). “Foi uma viagem para conhecer o interior do país”, diz ele.








“Entre as maiores dificuldades estão a falta de fiscalização e de educação de alguns motoristas, infelizmente”.
(Mivaldo Paz, aventureiro)

Dicas de segurança para fazer uma boa viagem pilotando uma motocicleta
Revisão geral: antes de pegar a estrada é preciso levar a moto a um mecânico de confiança para que ele faça uma revisão completa, conferindo o estado dos pneus, bateria, faróis, correntes, lubrificação, freios e outros itens. Equipamento de segurança: na estrada, motociclistas devem usar o traje completo com luva, casaco, calça (ou macacão), botas e, principalmente, capacete. Essas peças podem até ser “estilosas”, mas a principal função delas é proteger, evitando fraturas, machucados e até mesmo salvar vidas. Uma dica é procurar os modelos reflexivos ou mesmo adesivos que refletem a luz na moto, para que os outros motoristas vejam seu o veículo nos dias de baixa visibilidade. Lembre-se também de levar consigo capa de chuva, lanterna, kit de ferramentas e de primeiros socorros.
Bagagem: como as motos possuem pouco espaço para bagagem, os motociclistas precisam utilizar baús ou mochilas. No caso dos baús, tome o cuidado de equilibrar o peso da moto, ler o manual de instruções dos dois e evitar colocá-lo encostado no escapamento ou atrapalhando o esterçamento do guidão. Já com a mochila, prefira os modelos com cinta abdominal e presilha peitoral nas alças, e regule a mochila para que ela fique apoiada no banco e alivie a carga nos ombros. Para evitar transtornos certifique-se de amarrar bem toda sua bagagem e guardar itens como roupas e comida em sacos plásticos – para evitar problemas no caso de chuva.
Curvas: preste atenção na sinalização para antecipar seus movimentos em todas as curvas. Se por acaso você entrar rápido demais em uma curva, utilize somente o freio traseiro para corrigir isso, lembre-se que o freio dianteiro pode mudar a direção da moto, por isso não serve para curvas. Fora das curvas o ideal é utilizar os dois freios ao mesmo tempo.

Harley







* Fonte: Andarilhar.com