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Marcos Drago. O gerente da Eletronorte passa a limpo o setor elétrico do Amapá em esclarecedora entrevista no rádio. |
O programa Conexão Brasília, da Diário FM, lança um novo serviço ao eleitor amapaense, passando a limpo os mais diversos temas que estarão em debate nas eleições deste ano. O quadro “Eleições 2014 – Cenários” ontem se debruçou nos problemas e nas soluções encaminhadas para o setor elétrico. Um dos convidados do programa foi o engenheiro Marcos Drago, gerente regional da Eletronorte no Amapá. Técnico com mais de 30 anos de experiência no setor, repassou importantes e esclarecedoras informações a respeito do setor, considerado estratégico e que o próximo governador, assim como as bancadas estadual e federal terá papel decisivo para receber os investimentos necessários. Um resumo do que ele disse o Diário do Amapá publica a seguir.
Cleber Barbosa
Da Redação
Diário do Amapá – A proposta é apresentar um pouco essa estatal que o senhor representa aqui no Amapá. Como é a Eletronorte?Marcos Drago –
Ela é uma empresa de geração e transmissão de energia. Foi criada há 41
anos. E a finalidade dela quando de sua fundação era justamente fazer a
geração e transmissão de energia na região norte do país. Depois disso
ampliou e passou a fazer essa geração e transmissão também na Amazônia
Legal. De 2004 pra cá o cenário do setor elétrico mudou, acabaram-se as
exclusividades das empresas estatais, e hoje esse é um mercado aberto.
Temos participações bastante grandes das empresas privadas também.
Diário – E qual o papel da Eletronorte hoje?Marcos –
Com todos esses anos atuando na região amazônica ela tem um know-how
para vencer grandes distâncias e fazer esse serviço de geração e
transmissão de energia no Brasil inteiro. É isso que estamos fazendo
hoje. O Amapá muito em breve estará interligado ao Sistema Nacional de
Energia, fazendo com que a energia que a Eletronorte possa produzir aqui
ou produzir em outra usina chegue ao Amapá ou saia do estado.
Diário – Sobre a usina hidrelétrica do Paredão, a
história conta que a Icomi teve papel decisivo junto ao antigo
território do Amapá para a construção da hidrelétrica. Como a
Eletronorte assumiu o controle da Coaracy Nunes?Marcos –
A região amazônica só tinha sistemas isolados de energia, as usinas
térmicas, e aqui a Icomi realmente pesou bastante para a construção da
hidrelétrica de Coaracy Nunes. Mas em 1974, quando a Eletronorte foi
criada, logo ela assumiu essa função de concluir a obra que tinha sido
iniciada com Companhia de Eletricidade do Amapá, a CEA.
Diário – A Eletronorte então ressarciu a CEA pelos investimentos que já haviam sido feitos na construção?Marcos –
Sim. Foi feito um ajuste de contas por parte da Eletronorte para poder
ter esse direito para terminar essa obra e assumir a geração. Tanto é
que nós temos todos os documentos que mostram esses pagamentos,
inclusive a área, o custo da área física, do terreno, está tudo em
cartório.
Diário – E com a interligação ao sistema nacional, como isso vai ser repassado?Marcos –
Pois é, as futuras subestações que hoje são da Eletronorte, que fazem a
distribuição, que é uma obrigação da Companhia de Eletricidade do
Amapá, a Eletronorte vai ter que repassar essas unidades para a CEA e aí
vai haver novamente novo ajuste de contas.
Diário – E os servidores da Eletronorte lotados aqui no
Amapá. Qual a situação trabalhista deles, do ponto de vista do vínculo e
regime de contratação?Marcos – Todos são
concursados, ou seja, ingressaram por meio de concurso público em nossos
quadros, sejam eles administrativos ou técnicos.
Diário – O cargo que o senhor exerce, de gerente regional, é privativo de técnicos de carreira da estatal?Marcos –
É. Essa é uma condição que a empresa coloca, que todo cargo em nível de
gerência, nível G1, que a gente chama na empresa, tem nível de
superintendência e só pode ser ocupado por funcionários da empresa. Nós
não temos aqui, nem na sede em Brasília, onde está concentrado o maior
número de funcionários, terceirizados ou não concursados. Somente os
membros da diretoria não são funcionários, são indicados pela
Eletrobrás.
Diário – Seu antecessor, o engenheiro Antônio Pardawill,
deixou o Amapá para assumir a Eletronorte em Tucuruí, onde a usina é
muito maior, foi uma promoção, digamos assim?Marcos –
Na verdade a nível gerencial ele continua no mesmo patamar, gerente de
uma regional, agora, a hidrelétrica do Tucuruí é uma senhora
hidrelétrica... [risos] É a maior hidrelétrica genuinamente brasileira,
com 4,2 mil megawatts gerando continuamente, gerando até 7 mil
megawatts.
Diário – E aqui, na Coaracy Nunes, geramos quanto de energia?Marcos – Aqui geramos 78 megawatts... É uma diferença bem grande.
Diário – O senhor tem uma vida na Eletronorte do Amapá,
gerenciando esses anos a única usina hidrelétrica local, então vê como
esses novos investimentos e a chegada de três usinas novas ao Amapá, as
de Santo Antônio, Ferreira Gomes e agora Caldeirão?Marcos –
Olha, isso é muito bom para o desenvolvimento do Estado, é necessário, e
saber explorar o potencial hidrelétrico do Rio Araguari é muito bom.
Diário – Com isso teremos três usinas no mesmo rio, Coaracy, Ferreira Gomes e Caldeirão, não é?Marcos –
Sim, em cascata. A água que vai passar na primeira usina, que é
Caldeirão, gerando energia, é a mesmo que vai passar em Coaracy Nunes e a
mesma que vai gerar energia na usina Ferreira Gomes. Então se essa água
gerar 100 megawatts na primeira, tem condições de gerar 100 megawatts
em Coaracy Nunes e mais 100 na usina Ferreira Gomes. Aí serão 300
megawatts de uma vez só com a mesma água, o que é muito importante. Isso
é oferta de emprego para o estado, o que contribui bastante.
Diário – Com a federalização da CEA houve a quitação da dívida que a companhia amapaense tinha com a Eletronorte?Marcos – Bom, primeiro que ainda não aconteceu a federalização. O que houve foi uma gestão compartilhada.
Diário – Estamos em processo de federalização, é isso?Marcos –
Não diria nem isso. A proposta foi fazer uma gestão compartilhada entre
a Eletrobrás e o Governo do Estado, onde a Eletrobrás indicou o
presidente e um diretor técnico. O Governo do Estado indicou mais dois
diretores. Para que a Eletrobrás pudesse auxiliar na gestão da CEA houve
essas negociações culminando principalmente com a quitação da dívida.
Diário – Isso ficou consignado no acordo?Marcos – Sim, a dívida foi parcelada em três parcelas, já foram pagas duas e ano que vem, em janeiro, deve ser paga a terceira.
Diário – O valor total ficou em quanto? Houve a amortização dos juros?Marcos –
Na negociação houve o perdão dos juros e multas, então a dívida que
estava em torno de R$ 1,1 bilhão caiu para R$ 750 milhões, parcelados,
como disse, em três parcelas iguais.
Diário – A energia do Linhão do Tucuruí já está em Macapá?Marcos – Olha, segundo o Canal Energia, que é o órgão de divulgação do setor elétrico, essa energia já chegou a Macapá.
Diário – E com ela a fibra ótica?Marcos – Exatamente.
Diário – E a internet também?Marcos –
A possibilidade da banda larga também. A gente tem ouvido notícias de
que as empresas que trabalham com a internet estão fazendo o cabeamento
na cidade com fibra ótica para justamente atender essa demanda.
Diário – Pelo que se sabe falta apenas a conclusão das
obras de duas subestações abaixadoras de energia, isso está em curso não
é?Marcos – Pelas informações que temos da
Companhia de Eletricidade do Amapá são obras que estão se desenvolvendo
e logo logo vão estar disponíveis para receber a energia de Tucuruí.
Perfil
Entrevistado. Marcos da Silva Drago nasceu em Belém do Pará e tem 55 anos de idade. É casado com Magna Lemos Drago e possui dois filhos amapaenses. Sua primeira formação profissional foi em Técnico em Telecomunicações, tendo atuado na Petrobrás nessa área, quando morava em Belém. Depois buscou a graduação em nível superior. É formado em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal do Pará (UFPA), com Mestrado em Engenharia de Potência, pela tradicional Universidade de Brasília (UnB). Trabalha na Eletrobrás (Centrais Elétricas Brasileiras S.A.) desde o dia 29 de abril de 1985. A partir de 2003 assumiu o posto de gerente regional da Eletronorte, com sede em Macapá, cargo para técnicos de carreira.