quinta-feira, 4 de julho de 2013

BASE AÉREA REVITALIZADA - Aeródromo poderá resgatar valor histórico

A velha torre que servia para o abastecimento do famoso dirigível ainda resiste a ação do tempo e serve como um grande atrativo turístico no município de Amapá, onde foi montada uma das importantes bases aéreas da II Guerra.
CLEBER BARBOSA
EDITOR DE TURISMO

Uma das maiores atrações turísticas do interior do Estado, a Base Aérea do município de Amapá, distante cerca de 300 quilômetros de Macapá, deverá ser revitalizada. É o que prevê um pacote de medidas voltadas a valorização da aviação regional pelo país. O anúncio foi feito ontem (29) pelo superintendente do Banco do Brasil no Amapá, Rosélio Arnoldo Fürst, em entrevista a rádio Diário FM. Segundo ele, em Amapá e Oiapoque, que possuem aeródromos regionais, serão investidos R$ 74 milhões pelo Governo Federal.
O executivo do Banco do Brasil explicou que mais do que um interveniente financeiro do projeto, o Banco do Brasil é o responsável pela execução, tendo para isso celebrado parcerias com os Governos dos Estados para a execução das obras. Os contratos com a Secretaria de Aviação Civil foram celebrados no último dia 20, depois de uma criteriosa análise dos diagnósticos feitos nos dois aeródromos amapaenses, a partir do apoio da Secretaria Estadual dos Transportes (Setrap). O próprio titular da Setrap, Bruno Mineiro, acompanhou o Banco do Brasil no trabalho de levantamento das demandas e da estrutura existente nos dois aeroportos.
Bruno Mineiro e Rosélio Fürst
A expectativa agora é pela publicação dos editais para a contratação dos projetos executivos e a previsão é que até o final deste ano as primeiras obras sejam iniciadas. “Tive a oportunidade de visitar os dois aeródromos juntamente com nossa equipe técnica e fiquei realmente impressionado com a possibilidade de resgatar algo que foi tão importante para a história do país e da humanidade”, disse Rosélio Fürst, em alusão ao forte apelo histórico da velha base aérea.
O secretário estadual dos Transportes, Bruno Mineiro, salientou que além da revitalização histórica da Base Aérea, a reformulação e ampliação de dois aeroportos no interior do Estado também possibilita um incremento na aviação aérea regional, com interesse manifestado por empresas do setor em oferecer voos regulares para municípios do interior, como Amapá e Oiapoque. “É uma excelente oportunidade que o Amapá está abraçando a partir dessa parceria com o Governo Federal através do Banco do Brasil, uma nova chance para a economia e o turismo local e regional”, disse Mineiro.
Batizado oficialmente como “Programa de Investimentos em Logística: Aeroportos”, trata-se de um conjunto de medidas do governo federal para melhorar a qualidade dos serviços e da infraestrutura aeroportuária, ampliar a oferta de transporte aéreo à população brasileira.

A vida hoje na velha Base Aérea de Amapá

Situada a 9 quilômetros da cidade de Amapá, a Base Aérea constitui-se em uma das mais importantes localidades do município, devido na mesma estar localizado o aeroporto da cidade de Amapá. A população da Base Aérea atualmente é de 140 habitantes. A quase totalidade da mão-de-obra da Base Aérea encontra-se na atividade da agricultura. A agricultura é a base da economia local, destacando-se a cultura da mandioca, para o preparo exclusivamente da farinha. Podem-se citar ainda alguns cultivos em pequena escola, como milho, batata roxa, abacaxi e banana.

O estado físico do prédio destinado à educação da população da Base Aérea é excelente, possuindo duas salas de aula, dois quartos para professor, uma cozinha, um banheiro com sanitária, uma sala para funcionar a secretaria da escola, um depósito e uma área de estar pertencente à dependência do professor. Existe atualmente em média 30 alunos estudando de 1ª à quarta séries. A merenda escolar é distribuída regularmente pelo Governo do Estado. A localidade possui um posto médico com instalações físicas regulares.

Uma história cheia de simbolismos e apoio estratégico às forças aliadas

Os trabalhos de construção da Base Aérea de Amapá tiveram início em 1941, em obediência ao decreto federal 3462, de 25 de julho de 1941, autorizando a realização de operações de guerra em solo brasileiro, e ao mesmo tempo autorizando a Panair do Brasil, na época uma subsidiária da Pan American Airways, para iniciar as obras necessárias à construção de campos de aviação no Norte e Nordeste do Brasil, e com a finalidade de permitir a utilização de aeronaves de grande porte mediante as condições impostas pelo governo norte-americano. Baseada no artigo I desse decreto, a Panair do Brasil construiu e aparelhou o Aeroporto de Amapá. O governo norte-americano tinha também deveres específicos, tais como realizar benfeitorias no aeroporto, ampliando-o para além de mil metros; preparar piso de modo a suportar a compressão de grandes aeronaves; farol rotativo; luzes para assinalar os limites dos aeroportos; Holofotes para iluminar as pistas; usinas de emergências para energia elétrica.

Todos os projetos realizados na Base foram submetidos ao governo brasileiro. Entre esses constavam plantas, orçamentos e especificações técnicas. Por sua vez, o Ministério da Aeronáutica construiu os edifícios para aquartelamento dos contingentes da Força Aérea Brasileira que passaram a operar nas bases de Belém, Fortaleza, Recife e Salvador. Também foi de alçada da Aeronáutica a construção de residências para alojar o pessoal militar não só da FAB, como também da força aérea norte-americana. A desapropriação de terrenos e imóveis na área da Base Aérea, incluindo benfeitorias, foi respaldada pelos decretos nº 14.431, de 31 de dezembro de 1943.

INFORMAÇÕES

- A Base Aérea de Amapá fica distante cerca de 302 km da capital, Macapá, e 9 km da sede municipal.
- Foi construída durante a II Guerra Mundial, como base de apoio aos Aliados na luta contra o nazi-fascismo, permitindo o abastecimento de aviões norte-americanos com destino à África, que levavam ajuda aos aliados como Inglaterra e União Soviética.

1941
Este foi o ano do início da construção da velha Base Aérea do município de Amapá.

ZEPPELIM

Visitantes da ABAV 2013 terão assistência de viagem da Travel Ace

A partir desta iniciativa inédita, objetivo da entidade é garantir a segurança dos participantes durante toda a estadia em São Paulo
A 41ª ABAV – Feira de Turismo das Américas, considerada a maior e melhor feira do setor realizada em todo o continente americano, contará com uma iniciativa inédita: todos os visitantes que efetuarem a inscrição por meio do site oficial do evento (www.feiradasamericas.com.br), incluindo os estrangeiros, terão, automaticamente, a assistência de viagem oferecida pela Travel Ace Assistence.
“A cobertura é estendida a todo o período de viagem do inscrito durante o evento: desde a saída de casa até o retorno, o que inclui casos nos quais o participante precisa chegar alguns dias antes e/ou voltar alguns dias depois”, explica Roberto Roman, diretor da Travel Ace.
O benefício permite que o assegurado conte com assistência médica em caso de acidente e enfermidade, gastos com medicamentos em ambulatório, assistência odontológica de urgência e assistência de localização de bagagem, além de translado médico, viagem de regresso e repatriação por morte e sanitária, entre outros serviços.

Sobre a 41ª ABAV – Feira de Turismo das Américas
Com o slogan “Seu principal destino de negócios”, a 41ª edição do evento ABAV – Feira de Turismo das Américas será realizada, de 4 a 8 de setembro de 2013, no Anhembi, o maior Centro de Exposições da América Latina sediado na cidade de São Paulo, que é o principal pólo turístico emissivo e receptivo do País. Considerado o maior e o melhor evento internacional de negócios do setor de viagens e turismo do Continente e do Hemisfério Sul, a ABAV 2013 ocupará aérea total de 58,2 mil metros quadrados. Com a participação de mais de 60 países e dos destinos turísticos nacionais de todas as regiões do Brasilmais de 2.700 expositores estão confirmados. O evento prevê receber mais de 28 mil profissionais do setor nos dias 4, 5 e 6 de setembro, das 12h às 19h, além dos mais de 50 mil visitantes no final de semana (7 e 8 de setembro), das 13h às 20h, quando a feira ABAV estará aberta, pela primeira vez, ao público consumidor final. Entre os diferenciais da ABAV 2013, vale conferir os seguintes atrativos: Vila do SaberIlha Corporativa ABRACORP40º Encontro Comercial BraztoaCaravanas de Agentes de ViagensRodadas de NegóciosÁrea de Ski e Neve,Assistência ViagemAldeia dos SaboresArtesanatoCompradores Convidados e Espaço Empreendedor.

A 41ª ABAV – Feira de Turismo das Américas é realizada pela Associação Brasileira de Agências de Viagens (ABAV Nacional), que comemora neste ano 60 anos de serviços prestados em favor do desenvolvimento sustentável do setor. Promovido pela Promo Inteligência Turística, o evento tem parceria com a ABRACORP – Associação Brasileira de Agências de Viagens Corporativas (Ilha Corporativa) e a BRAZTOA – Associação Brasileira das Operadoras de Turismo (40º ECB). A ABAV 2013 conta, em âmbito governamental, com o patrocínio do Sebrae e CNC; apoio do Ministério do TurismoEmbraturSPturis e Anhembi. O evento também mantém e incrementa as suas parcerias internacionais, com a ITB Berlim, a maior feira de turismo do mundo, e a BTL 2013 (Portugal), além do apoio de entidades co-irmãs. São elas: Asociación Argentina de Agencias de Viajes y Turismo (AAAVYT), Asociación Boliviana de Agencias de Viajes y Turismo (ABAVYT), Asociación Chilena de Empresas de Turismo (ACHET), Asociación Colombiana de Agencias de Viajes y Turismo (ANATO), Asociación Paraguaya de Agencias de Viajes y Empresas de Turismo (ASATUR), Asociación Peruana de Agencias de Viajes y Turismo (APAVIT), Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT), Asociación Uruguaya de Agencias de Viajes (AUDAVI) e Asociación Venezolana de Agencias de Viajes y Turismo (AVAVIT). Mais informações e inscrições: www.feiradasamericas.com.br.


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segunda-feira, 1 de julho de 2013

VEM CHEGANDO O VERÃO - Estação do sol chegou na madrugada de sexta

TURISMO / O Diário do Amapá antecipa as programações do mês de julho, a estação das férias escolares, que prometem muita descontração nos balneários
Apesar de que oficialmente tem duas estações climáticas, a cidade de Macapá deverá ter predomínio de calor e muita possibilidade de banhos refrescantes nos inúmeros balneários e igarapés da região.
CLEBER BARBOSA
EDITOR DE TURISMO

Começou oficialmente às 2h04 da madrugada de sexta-feira (21) o verão no Hemisfério Norte e o inverno no Hemisfério Sul. E Macapá, que fica localizada exatamente no meio do mundo, cortada pela linha imaginária do Equador, qual será a estação climática predominante? Verão ou inverno? O Diário do Amapá foi em busca dessa informação para auxiliar os moradores e os turistas a entender melhor a cidade.
O estado do Amapá, em sua totalidade, é influenciado pelo clima equatorial superúmido, isso significa que ocorre uma grande quantidade de calor e umidade que favorece a propagação da biodiversidade. As temperaturas médias que ocorrem no Estado variam de 36°C a 20°C, a primeira ocorre principalmente no fim da tarde e o segundo acontece no alvorecer. O clima local apresenta duas estações bem definidas, denominadas de verão e inverno. Os índices pluviométricos ocorrem anualmente em média superior a 2.500 mm.
A estação ganha um colorido todo especial com os esportes de verão
Segundo o meteorologista Daniel Neves, chefe da Unidade de Hidrometeorologia do Amapá, o Amapá ainda está no período chuvoso e lembra que diferentemente de outros estados do país onde as estações climáticas (primavera, verão, outono e inverno) são bem definidas, aqui, de fato, só são identificados os períodos de estiagem de os de muita chuva, com seis meses em média para cada um deles.
No mês de maio, que é tradicionalmente bastante chuvoso, choveu mais que a média dos últimos 12 anos no Amapá e a previsão climática para o próximo trimestre, ou seja, junho, julho e agosto, ainda serão de chuvas dentro da média e até acima da média para a região. “Até o dia 21 de junho choveu 161 milímetros e a previsão é que fique bem acima da média, com o mesmo acontecendo em julho, com tudo indicando que chova mais do que no ano passado”, diz o especialista.
Daniel Neves lembra que em 2012 houve o mais ameno dos fenômenos climáticos, o ‘El niño’, mas que foi mais fraco com o habitual. “Este ano nós estamos em ano normal, sem esses fenômenos climáticos, com tendência a se formar uma ‘La niña’ que provoca sempre um pouco mais de chuva. “É o que a gente observa a partir do monitoramento dos oceanos Atlânticos e Pacífico, que influenciam o nosso clima no Amapá”, diz o meteorologista.
Por falar em turismo, outra ocorrência mais comum em Macapá é ter falta de teto operacional para pousos de aeronaves nas madrugadas, coisa que a tecnologia também já vem ajudando a amenizar.

Muitas chuvas mantém a cobertura verde do AP

O Amapá é um dos mais novos estados brasileiros e o mais preservados deles, tendo 72% dos seus 14,3 milhões de hectares destinados a Unidades de Conservação e Terras Indígenas. As dezenove Unidades de Conservação do Amapá perfazem cerca de 9,3 milhões de hectares, tornando-o o único estado da federação a destinar um percentual tão significativo de suas terras para a preservação ambiental. Os dados absolutos são de 10,5 milhões de hectares, que equivalem ao tamanho de um país como Portugal.
O relevo é pouco acidentado, em geral abaixo dos 300 metros de altitude. É um dos poucos estados que, em sua condição geográfica, permite a formação de um conjunto de ecossistemas que vão desde as formações pioneiras de mangue à floresta tropical densa, passando por campos inundáveis e cerrados. Seus principais rios são: Amazonas, Jari, Rio Oiapoque, Araguari, Calçoene e Maracá. A maior parte de seu território está contido na Bacia das Guianas (ou seja, é parte integrante do escudo das Guianas, apresentando rochas cristalinas do período Pré-Cambriano).

Suspensão das chuvas vai turbinar os eventos das férias escolares

Contrariando a previsão de que as chuvas poderão continuar julho adentro, os organizadores de eventos da estação das férias escolares apostam suas fichas que isso não deve tirar público das programações. Os municípios do interior do Amapá costumam agregar muita coisa aos tradicionais festejos, como o Festival da Gurijuba, em Amapá, o Festival do Cupuaçu em Serra do Navio e outros eventos vocacionados para ocorrer em balneários, como o Amapá Verão e o Calçoene Verão.
Em Macapá, na capital do Estado, o ponto alto será o Macapá Verão, que já chegou a ser rebatizado como Fetsa do Sol e que este ano se propõe a resgatar toda a tradição de reunir a juventude e as famílias do Amapá em torno de balneários como o Curiaú, Araxá, Cidade Nova e Fazendnha. No vizinho estado do Pará, ocorre o Festival do Camarão, na bucólica vila de Afuá, reduto de muitos paraenses radicados no Amapá e que arregimenta também muitos veranistas macapaenses para o lugar.
Em Mazagão Velho (AP) ocorre outro evento que tem forte apelo turístico e cultural, a Festa de São Tiago, que reproduz as batalhas entre Mouros e Cristãos da Mazagão africana. Mas lá também tem como locação um balneário que costuma ficar lotado a cada edição do evento, que este ano deverá ser de uma semana inteira.
Em Ferreira Gomes, acontece o Carnaguari, a maior micareta do interior do Estado, reunindo dezenas de milhares de foliões atrás de trios elétricos, mas também de muito sol e banhos deliciosos no Rio Araguari, que corta o município localizado na região centro-oeste do Amapá. “Com chuva ou sem chuva as pessoas comparecem em grande número aos eventos deste semestre que promete muita alegria e descontração”, diz Nira Brito, turismóloga do Sebrae-AP.

INFORMAÇÕES

- A classificação oficial do clima do Amapá é "tropical superúmido".
- O estado possui duas regiões climáticas principais. Uma delas é úmida (dois meses secos) e predominante sobre a maior parte do interior do estado - oeste, sul norte e toda a parte central.
- A outra é úmida (com três meses secos) e é registrada na maior parte do litoral - leste.

38ºC
Esta foi a maior temperatura climática, a chamada máxima absoluta. A mínima registrada no Amapá foi de 16º C.

Macapá Verão

EXPOSIÇÃO A CÉU ABERTO: Museu Sacaca quer expandir seus horizontes

TURISMO / O Diário do Amapá mergulha em um dos principais pontos turísticos de Macapá, um museu considerado uma vitrine das raízes amapaenses.

COM SACACA - As jovens tiram fotos na estátua do mago Sacaca, um profundo conhecedor das ervas medicinais que a natureza possui. Ele dá nome ao Museu que recebe anualmente 34 mil turistas e 17 mil estudantes em suas dependências.
CLEBER BARBOSA
EDITOR DE TURISMO

Para quem não conhece o interior do Amapá ou não anda com tempo para viajar até lá, uma boa dica é visitar o Museu Sacaca, um pedaço da floresta amazônica dentro da cidade de Macapá. São retratados em uma exposição a céu aberto os cenários da vida interiorana, sejam os ribeirinhos, os índios, os extrativistas, os negros e até os viajantes dos barcos de madeira. Mais que isso, o museu é também voltado à pesquisa científica e seu acervo dá vazão aos anos de muita dedicação e estudos dos técnicos do Iepa (Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá).
O Diário do Amapá encontrou no lugar a estudante Rayce Alfaia,17, tirando fotos ao lado da estátua de Sacaca, com a ajuda de uma amiga. Este é um dos gestos mais repetidos pelos cerca de 34 mil turistas que visitam o lugar anualmente. “Depois que ele foi reformado esta é a primeira vez que venho aqui. Está lindo. Dá vontade de convidar as pessoas de fora do Amapá para também virem visitar nosso museu”, diz a visitante.
Museóloga Simone de Jesus
E a meta no museu é ampliar esse contingente de pessoas que visitam suas dependências. É o que garante Simone de Jesus, a museóloga do Sacaca. Originária da Universidade Federal da Bahia, veio ajudar na inauguração e está de volta ao Museu desde 2011. Ela fala com muita propriedade sobre como o acervo foi sendo formado, desde os tempos do Museu Territorial, passando pelo Museu Industrial, até chegar à denominação atual dentro da proposta museológica e sua concepção pedagógica.
Ela fala com orgulho dos diversos prêmios que o Museu Sacaca já recebeu ao longo de sua trajetória, entre eles os prêmios Darci Ribeiro e Chico Mendes de Preservação Ambiental. “O Museu ficou pequeno para tanta coisa. Estamos trabalhando para que ele cresça mais e possa realizar mais pesquisas”, diz a museóloga.
O museu surgiu em 1997 com o nome de Museu do Desenvolvimento Sustentável e teve o nome de Sacaca agregado após seu falecimento, em 1999. Ele era um símbolo marcante do conhecimento popular das ervas e plantas medicinais, daí ter sido agregado ao museu reunir e retratar os saberes e os fazeres das comunidades tradicionais.
Para o futuro, os projetos de ampliação são de também retratar a saga da mineração no Amapá, para isso, o pensamento é acomodar melhor os setores técnicos da instituição, valorizando e ampliando os trabalhos de pesquisas. Entre os projetos estão a instalação de um planetário fixo e inserir o Amapá no circuito nacional de exposições.


O Amapá retratado em seus mínimos detalhes

Um dos principais destaques do projeto museológico é o circuito expositivo a céu aberto, desenvolvido em parceria com as comunidades tradicionais do Amapá e que tem por objetivo retratar os principais ambientes e formas de organização social da região amazônica. São ainda atributos do museu a realização de palestras, seminários, debates, atividades culturais, exposições temporárias, visitas guiadas e oficinas pedagógicas sobre temas como ecologia, patrimônio e identidade cultural. Destacam-se, nesse contexto, uma série de atividades de alta qualidade direcionadas ao público infantil, sendo comum a visita de caravanas escolares.
Compõem o circuito expositivo: a Casa dos Índios Waiãpi, a Casa dos Índios Palikur, o Barco Regatão, o Sítio Arqueológico do Maracá, a Praça do Pequeno Empreendedor Popular, a Praça do Sacaca, a Casa da Farinha, a Casa da Fitoterapia e a Casa dos Ribeirinhos. O rio que corta o terreno serve para a criação de peixes da região e estudos sobre recursos hídricos e potencial pesqueiro. Destaca-se também o acervo audiovisual, formado através de registros realizados pela equipe técnica do museu durante os projetos desenvolvidos pelo IEPA.

O mago das ervas naturais, Sacaca, é homenageado com o nome do museu

Embora tenha sido fundado no final dos anos 1990, seu acervo, entretanto, remonta às décadas de 1960 e 1970, quando foram criados o Museu de História Natural Ângelo Moreira da Costa Lima e o Museu de Plantas Medicinais Waldomiro de Oliveira Gomes. Os dois museus foram posteriormente fundidos e, em 10 de abril de 1997, o Museu Sacaca foi inaugurado, sob a denominação de Museu do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá (IEPA). Em 1999 o museu foi rebatizado como "Museu Sacaca de Desenvolvimento Sustentável", em homenagem a Raimundo dos Santos Souza (1926-1999), vulgo "Sacaca", curandeiro local de grande importância para a difusão da medicina natural junto à população amapaense. Em 2002, após a criação de um novo estatuto, o museu foi reinaugurado com o nome atual: "Centro de Pesquisas Museológicas Museu Sacaca".
Nos anos seguintes, o museu se estabeleceu como um dos mais importantes centros culturais e científicos do estado, bem como um importante ponto turístico da cidade de Macapá. Na condição de órgão oficial de divulgação das pesquisas e atividades do IEPA, bem como herdeiro de acervos científicos pré-existentes, o Museu Sacaca tornou-se uma referência regional em tópicos como biodiversidade, desenvolvimento sustentável, medicina natural, etnologia, organização sócio-econômica e cultura dos povos amazônicos. 
O museu também realiza pesquisas próprias sobre temas que lhe são caros e desenvolve produtos a partir de matéria-prima regional, sobretudo produtos naturopáticos, de sabonetes a pomadas para dores musculares, disponibilizados ao público por meio de uma farmácia mantida pela instituição.

CURIOSIDADES

- O museu desenvolve suas atividades em um conjunto de edificações dispersas por uma área verde banhada por um pequeno rio.
- Está localizado no bairro do Trem, na zona centro-sul de Macapá;
- O acervo do museu, bastante diversificado, reúne peças de interesse científico, abrangendo zoologia (com destaque para a coleção entomológica), botânica e microbiologia. 

12mil
Metros quadrados. Essa é a área total do Museu Sacaca, cercado de muito verde e cenários naturais.

BARCO REGATÃO



quinta-feira, 27 de junho de 2013

Manifestantes protestam pacificamente nas ruas de Macapá

Polícia estima que 3 mil pessoas tenham participado da manifestação.
Militares e guardas municipais acompanharam todo o trajeto.

Maiara PiresDo G1 AP
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Manifestantes percorreram principais vias de Macapá (Foto: Maiara Pires/G1)Manifestantes percorreram principais vias de Macapá (Foto: Maiara Pires/G1)
Cerca de 3 mil manifestantes, segundo estimativa da polícia, percorreram as ruas de Macapána tarde desta quarta-feira (26). Num percurso que durou aproximadamente 2 horas, os participantes do ato saíram da Praça da Bandeira, no centro da cidade, caminharam pelas principais vias da capital, retornando ao local de partida, por volta das 19h. Policiais militares e agentes de trânsito acompanharam todo o percurso. Nenhum ato de vandalismo foi registrado.
Com cartazes e rostos pintados, os manifestantes reivindicavam por ações de melhorias na saúde e educação, combate à corrupção e mais transparência no poder público.
Percurso durou aproximadamente 2 horas (Foto: Maiara Pires/G1)Percurso durou aproximadamente 2 horas
(Foto: Maiara Pires/G1)
Pouco antes das 17h, enquanto se concentravam na Praça da Bandeira, os participantes passaram por revistas feitas pela polícia militar. Eles foram orientados a sentar no chão, caso percebessem grupos agindo contra o patrimônio público, comércio ou residências. A medida, segundo a polícia, serviria para identificação mais imediata de vândalos.

Durante o trajeto, os manifestantes gritavam palavras de ordem, principalmente ao se aproximarem de órgãos municipais e do Executivo, além da Assembleia Legislativa doAmapá. Guiados pelo carro som, os participantes do movimento fizeram paradas estratégicas para cobrar melhorias na saúde, educação, transporte público, entre outros setores. O hino nacional foi cantado várias vezes durante a caminhada.
 
Participantes se preparando para sair às ruas (Foto: Maiara Pires/G1)Participantes se preparando para sair às ruas
(Foto: Maiara Pires/G1)
Quando os manifestantes se aproximaram do centro comercial de Macapá, a maioria dos lojistas fecharam as portas. Vários estabelecimentos comerciais e agências bancárias colocaram folhas de compensado e alumínio nas portas de vidro.
O comandante da Polícia Militar do Amapá, coronel Pedro Paulo Rezende, considerou o ato desta terça-feira um dos mais pacíficos, desde o início das manifestações há exatamente uma semana.
Ele informou que houve três autuações de condução de adolescentes portando drogas, tipo crack. Eles foram levados para o Centro Integrado de Operações em Segurança Pública (Ciosp) do Pacoval. Um estudante foi preso com uma faca.
"Apesar dessas autuações, o movimento foi muito pacífico. Não houve ocorrências graves, não houve ofensa à polícia. Se continuar assim, não teremos problemas", disse Rezende.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

“Vem aí o novo Marco Regulatório da Mineração no Brasil”.

cad4dom ENTREVISTADOfejaosoEle continua com o mesmo estilo franco, atirado para alguns, mas de qualquer forma é com contundência que o ex-deputado federal Antônio Feijão, atualmente diretor do Departamento Nacional da Produção Mineral (DNPM), chama a atenção para como as novas regras do Marco Regulatório da Mineração podem ser lesivos para o Amapá. Feijão foi ontem ao programa Conexão Brasília, pela Diário FM, ocasião em que falou a respeito das mudanças que vêm por aí se passarem do jeito que estão as propostas apresentadas esta semana pela presidente Dilma Rousseff. Acompanhe e tire suas próprias conclusões. O Diário do Amapá publica os principais trechos da entrevista concedida ontem.

Diário do Amapá – Um evento que marcou a semana em Brasília e que contou com a sua presença foi o lançamento do novo marco regulatório da mineração, lançado com pompa e circunstância pela presidente Dilma Rousseff. O que ele traz de novidades?
Antônio Feijão – A primeira é a licitação. A partir de agora não vai ser mais possível pela preferência da prioridade, ou seja, você ia ao DNPM requeria uma área e a partir daí, com esse requerimento você chegava a um decreto de lavra. O brasileiro, pessoa física, simples, poderia ser detentor de um patrimônio de bilhões de dólares. O novo marco regulatório ele cria duas figuras, a figura da licitação da concessão que se fará apenas para empresas não terá mais a pessoa física na mineração de escala, que chamamos de mineração industrial. E permanece ainda através de licenciamento a questão da areia, do seixo, do tijolo, da brita, esses permanecem. Mas agora a qualquer tempo o governo pode chamar para uma tomada pública uma área mesmo que ela não seja um bloco de área escolhida para uma concessão.

Diário – E a questão dos royalties, como fica?
Feijão – A questão dos royalties a distribuição permanece as mesmas, ou seja, 65% dos royalties vão para os municípios, 23% vão para o Estado e os 12% para completar a fatia dos 100% são divididos entre o DNPM, investimento em tecnologia, fundo de Marinha Mercante, isso permanece igual, só com uma diferença, os royalties ficarão entre 1% e 4%.

Diário – São mudanças importantes então?
Feijão – É, não são tão pontuais porque se pegarmos o caso do Amapá a Anglo [American] hoje está na regra antiga e permanecerá, mas digamos que ela resolva vender o decreto de lavra dela, pode ser até que ela tenha que ser chamada à ordem de uma licitação caso o Conselho Nacional de Mineração, que é a outra figura nova, que já existiu no passado, portanto nós teremos uma Távola do Rei Artur, formada por indicados da Presidência da República, além da nova Agência Nacional de Mineração. Então vai existir um conselho superior de mina e esse conselho terá voz, é um Conama com força de decisão específica. Enquanto o Conselho Nacional de Meio Ambiente tem força regulatória esse terá força de administração sobre decisões sobre o que vai ser licitado, o que vai ser licitado, o que pode ser aprovado, o que pode ser chamado para um licenciamento comum.

Diário – E os estados, como ficam nessas novas regras?
Feijão – Essa é outra coisa que vai ser muito importante. Pois haverá a possibilidade de descentralizar para os Estados a gestão da areia, seixo, os chamados materiais de pronto emprego para a construção civil, ou seja, em vez de ir ao DNPM para licenciar um areal você iria numa agência do Governo do Estado do Amapá, agência essa que não existe, então é tempo também da Assembleia e do Governo do Estado, através da Secretaria da Indústria e Comércio começarem a construir a Agência Estadual de Mineração para que ela possa recepcionar além de grandes impostos pode dar uma grande dinâmica muito melhor, um ordenamento muito mais rápido, uma coisa realmente muito importante.

Diário – E o papel dos municípios?
Feijão – É outra mudança. Hoje para você licenciar a extração de seixo em Porto Grande você precisa de uma autorização da Prefeitura, pois o licenciamento desses materiais como areia, seixo, brita e argila têm duplo licenciamento, do município de do DNPM. Eles vão extinguir a participação do município no processo de licenciamento.

Diário – Na sua avaliação essas mudanças são boas ou ruins para o Amapá?
Feijão – Se a bancada federal for atenta ele poderá ser menos ruim, nunca se iludam, o Governo Federal não manda um projeto de lei que seja bom para os estados e os municípios, ele só manda projeto de lei para fortalecer. O que está se reconstruindo com esse novo marco regulatório é anulando a capacidade regional descentralizada dos DNPM de conceder concessões, devolvendo para cinco engravatados da futura Agência Nacional da Mineração, que poderão ser pessoas que pouco sabem a respeito da vida no Amapá. Veja que a Agência Nacional do Petróleo fez uma licitação que o Amapá nem sabia que haveria, não fosse o promotor Moisés ter puxado isso, com todos os erros de desconhecimento da questão, mas com o mérito de ter puxado o debate.

Diário – É isso que o senhor observava anteriormente, esse distanciamento?
Feijão – Senão com a mineração vai ser do mesmo jeito. Você veja que o senador Randolfe Rodrigues fez uma audiência pública em que a Aneel [Agência Nacional de Eletricidade] só não mandou o porteiro porque ele adoeceu, quer dizer, não vem nem um diretor, não vem um especialista, mandou o assessor de não sei das quantas. Então vai ser desse jeito se a bancada não se alertar e modificar, porque o projeto tem urgência constitucional e ele vai passar em três meses nas duas casas igual a um foguete e o projeto é centralizador, ele converge tudo para Brasília, todas as decisões, os blocos de área não serão mais coisa simples.

Diário – Dê um exemplo prático diretor?
Feijão – Vamos pegar uma área entre o Rio Jari e o Rio Paru. Ali tem U$ 1 trilhão ou U$ 2 trilhões de dólares em minério. Se ele der aquilo para a Vale do Rio Doce ainda ganha a porteira fechada. O que for descobrindo é dela.

Diário – O que fazer então?
Feijão – Há que a bancada acordar, parar de falar em alegorias e fazer discurso de escolas de samba, com só barulho e harmonia, para partir para cima em uma decisão concreta. Tem que fortalecer os estados e tem que crescer a participação externa nesse Conselho Nacional de Mineração, que vai ser quem vai decidir. E se o Amapá é um estado que tem política de mineração, é um estado que sempre foi filho da mineração, uma relação que sempre foi positiva, mas lamentavelmente você não tem, outro dia quem era o representante da mineração na Secretaria Municipal de Mineração era um engenheiro florestal, se bem que está na moda engenheiro florestal... [ risos] Então é preciso criar a Agência Nacional de Mineração, você tem poucos técnicos na área de geologia, poucos técnicos na área de engenharia, isso vai ser importante, o Estado do Amapá vai ter que ter um quadro. Se ele preparar isso agora ele já recepciona isso aí, isso é muito forte para o Governo do Estado poder decidir e gerenciar as concessões de areia, seixo, brita, calcário se tiver, cascalho e todos os outros derivados que você, argila, caulim, então é muita coisa.

Diário – E o governo federal deve mobilizar as suas lideranças no Congresso para a aprovação dessa proposta do jeito que está não é?
Feijão – Está protocolado. Nós estamos tratando do PL 5807 (projeto de lei), de 2013. Segunda-feira agora o Henrique Eduardo Alves deve formar já através das indicações dos partidos a Comissão que vai tratar desse processo e o relator. A partir daí não vai dar tempo de fazer audiências públicas. O que era importante era primeiro uma lei complementar, pois o projeto tem uma casca de banana, como não é uma lei complementar não pode descentralizar, mas ele vem descentralizando para os estados. As competências da União só podem ser descentralizadas através de lei complementar.

Perfil...
Entrevistado. Antônio da Justa Feijão tem 56 anos de idade, é natural de Sobral, no Ceará, mas radicou-se no Amapá após consolidar-se como um dos mais conceituados geólogos em atuação no mercado local. Tornou-se popular e foi eleito deputado federal em 1994 (mandato de 1995 a 1999) sendo reeleito em 1998 (mandato de 1999 a 2003); depois mesmo tendo sido o sétimo mais votado em 2008, ficou na condição de suplente, tendo assumindo a titularidade entre 2009 e 2010, em substituição ao deputado Davi Alcolumbre (DE), que virou secretário municipal em Macapá. Também teve passagens como secretário de Estado do Meio Ambiente e diretor-presidente do Imap. Agora dirige o DNPM no Amapá.

Coluna Argumentos, quarta-feira, 26 de junho de 2013

Web
O deputado Evandro Milhomen (PCdoB) virou agente multiplicador da campanha da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad) que visa a prevenção do uso de drogas. O parlamentar usa sua página na web para divulgar a campanha. Uma boa.

Concurso
A propósito, vão até 10 de julho as inscrições do Concurso Nacional de Cartazes, Vídeos, Fotografias, Jingles e Monografias (25/03/2013), cujo tema é “A Educação na Prevenção do Uso de Drogas”.

Recurso
Enquanto isso a deputada Dalva Figueiredo (PT) foi ao interior do estado participar da programação de inauguração de unidade do Rurap que foi reformada a partir de recursos garantidos em emenda dela.

Prioridades
Dito pela ministra Carmen Lúcia: preparação das Eleições de 2014, recadastramento biométrico e implantação do processo judicial eletrônico são feitos vitoriosos da Justiça Eleitoral.

coluna Larissa Cantuaria
Pessoal
Colaboradores do Sebrae no Amapá se capacitam em Gestão do Conhecimento para aplicar no ambiente profissional e pessoal. Na foto a palestra da analista em Gestão do Conhecimento do Sebrae no Rio Grande do Sul, Denise Ribeiro.

Na orla
A Prefeitura de Ferreira Gomes, através da Secretaria de Cultura, já prepara os últimos detalhes para a realização da Festa Junina 2013, o I Forroguari, que acontecerá nos dias 28 e 29 de junho.

Visão
Uma entrevista do senador José Sarney (PMDB-AP), concedida ao Correio Braziliense, está sendo apontada pelo jornal como uma das mais precisas previsões a respeito do movimento que começou nas redes sociais e ganhou as ruas do país. Sarney só não imaginava que iria acontecer tão cedo.

Frase
Os jornalistas Denise Rothenburg, Leonardo Cavalcanti e Ana Dubeux lembraram de uma frase de Sarney na entrevista ao Correio. Ele disse: “A democracia representativa está em xeque. Os partidos estão enfraquecidos e não representam mais o povo. Os partidos eram fortes quando eram ideológicos, mas eles passaram a ser pragmáticos”.

Sondagem internacional revela jazida de petróleo em Macapá

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Nos próximos anos, a cidade de Macapá poderá transformar-se na mais nova Meca do petróleo. A revelação, com exclusividade para o Diário do Amapá, é do engenheiro dinamarquês Kenneth Lamsen. Natural de Copenhague, Kenneth mora no Rio de Janeiro e, há seis meses, veio ao Amapá no comando de uma equipe técnica responsável pela prospecção na costa norte do Estado.

“Pode estar adormecido sob o leito da foz do rio Amazonas, em frente à cidade de Macapá, um imenso lençol de gás natural e petróleo”, afirma Lamsen. “Para ser mais preciso, ali onde ancoram as frotas de navios mercantes à espera das manobras dos práticos locais, há um enorme potencial para exploração de hidrocarbonetos”, completa.

Kenneth informou que há seis meses ele chefia a equipe técnica responsável pelas prospecções em busca do ouro negro na costa norte do Amapá. “Tenho larga experiência na prospecção de petróleo, iniciada na Noruega, no Mar do Norte, e posteriormente na consolidação das plataformas de exploração do norte fluminense”.

Com residência fixa no estado do Rio de Janeiro, Kenneth Lamsen garantiu que “é líquida e certa” a existência de petróleo na costa norte, uma faixa litorânea que se estende do município de Amapá ao Oiapoque. “Ainda não mensuramos as jazidas de petróleo existentes no subsolo da plataforma continental do Amapá. Mas tenho certeza que o Amapá é o novo eldorado do petróleo”, enfatizou.
Entusiasmado com as descobertas, o engenheiro dinamarquês lançou no ar um desafio com ares de profecia. “O Amapá tem perspectiva para se tornar uma potência na exploração, refino e exportação de hidrocarbonetos, como aconteceu com os Emirados Árabes”, garantiu.

Mesmo confirmando as descobertas, o engenheiro dinamarquês ponderou que não poderia dar maiores detalhes, devido às cláusulas de confidencialidade do contrato firmado entre a Petrobras e a empresa para a qual Kenneth Lamsen trabalha. “Posso te garantir que os petrodólares, os eurodólares estão escondidos há milhares de anos no subsolo do gigantesco Amazonas. Agora, o progresso do Amapá é inevitável”, concluiu.

Petroleiras irão disputar mega leilão em maio
A disputa pelos blocos da Bacia da Foz do Amazonas, no extremo norte do Amapá, promete ser a mais acirrada da 11ª rodada de licitação de blocos exploratórios de óleo e gás. O leilão será promovido pelo governo federal em maio. O motivo é a descoberta, no litoral da vizinha Guiana Francesa, praticamente ao lado da bacia brasileira, de grandes reservatórios exploráveis de petróleo.

Em sigilo, as grandes petroleiras articulam sociedades para concorrer às áreas ofertadas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). De olho no súbito interesse despertado nas companhias pelas jazidas de óleo e gás presumivelmente escondidas no subsolo ma-rinho do litoral do Amapá, o governo aumentou de 172 para 289 os blocos a serem leiloados. Das 117 novas áreas, 65 estão na Bacia do Foz do Amazonas, o início da chamada margem equatorial brasileira.

A formação de consórcios para explorar a bacia tem mobilizado os executivos das petroleiras desde o ano passado. Esse processo foi acelerado pela descoberta na Guiana. A Petrobrás, com a experiência de 43 anos de fracassos na bacia, tem interesse nos blocos e finaliza parcerias com companhias internacionais empenhadas em renovar seus portfólios brasileiros.

Secretário de Petróleo, Gás Natural e Combustíveis Re-nováveis do Ministério de Minas e Energia, Marco Antônio Martins Almeida, creditou o aumento da oferta de blocos na bacia à proximidade dos campos guianenses. "Houve indicações de possíveis descobertas importantes na Guiana, a 50 quilômetros da fronteira com o Brasil. Então, a área brasileira também tem potencial para descobertas", afirmou o secretário.

Em janeiro, a 11.ª rodada, aguardada desde 2008, foi marcada para os dias 14 e 15 de maio. A Bacia da foz do rio Amazonas foi contemplada com 96 blocos, indicativo da importância que o governo vem dando à suspeita de que há óleo e gás abundantes nos campos da costa do Amapá. Os limites da bacia são a fronteira do Amapá com a Guiana Francesa e a Ilha de Marajó, no vizinho Estado do Pará.

Descoberta
O petróleo apareceu pela primeira vez na Guiana Francesa em 2011. O consórcio formado pelas companhias Tullow Oil, Total e Shell anunciou a presença, em águas profundas, no campo de Zaedyus, de um reservatório importante de óleo de boa qualidade.

Nem mesmo o fracasso da prospecção de um segundo poço no campo, no ano passado, arrefece o entusiasmo das empresas interessadas em disputar área da Foz do Amazonas no leilão da ANP. "O bloco da Guiana Francesa permanece altamente prospectivo e ainda oferece um excelente potencial para exploração com sucessos múltiplos", diz o comunicado divulgado pela britânica Tullow Oil.

A descoberta na Guiana Francesa foi saudada pelas instituições financeiras que analisam a indústria do petróleo. Para o Bank of America-Merrill Lynch, o achado "abre uma bacia totalmente nova" na América do Sul e Caribe. O Royal Bank of Scotland demonstrou otimismo com a descoberta ao comentar, em nota, que o conteúdo do reservatório de petróleo "provavelmente excede a maioria das expectativas".

O geólogo brasileiro Pedro Victor Zalán, consultor em exploração de petróleo, avalia que "a imensa faixa marítima de águas profundas (acima de 600 metros de lâmina d'água) em frente do Amapá, Pará, Maranhão e Piauí encontra-se hoje entre as áreas mais cobiçadas pela indústria petrolífera mundial".

Zalán diz que o campo da Guiana Francesa tem reservatório, de acordo com as estimativas iniciais, de cerca de 800 milhões de barris de óleo recuperáveis. "A bacia da foz do Amazonas, sua vizinha muito maior, passou a ser considerada como potencialmente portadora da mesma riqueza. A geologia do litoral da Guiana se estende para a costa do Amapá. Isso está comprovado pelas linhas sísmicas e estudos feitos. Há grande possibilidade de depósitos de petróleo ser encontrados no Amapá. As petroleiras sabem disso."

Dos 289 blocos em leilão, 123 localizam-se em terra e 166 no mar, espalhados em 11 bacias sedimentares, num total de 155 mil quilômetros quadrados, em 11 estados da união, 10 no Norte e Nordeste e 1 no Su-deste. O lance mínimo por um campo terrestre é na ordem de R$ 25 milhões e de um campo em águas profundas alcança R$ 13,5 milhões.

O Norte e Nordeste do Brasil podem se tornar grandes produtores de petróleo e gás natural, de acordo com a diretora-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Magda Chambriard. Em fevereiro ela esteve no Senado para apresentar ao então presidente José Sarney as perspectivas de exploração e produção de petróleo e gás na-tural no Brasil nas áreas não licitadas.

Campanha “O petróleo é nosso” será lançada em audiência pública
A forma sigilosa com a qual a ANP vem tratando a licitação dos blocos exploratórios de petróleo na costa do Amapá deixou em estado de alerta representantes do Ministério Público. Ontem o promotor de Justiça Moisés Rivaldo confirmou que nesta sexta-feira, 26, no auditório do Sesi, será realizada a primeira audiência pública para debater a exploração de gás natural e petróleo na costa norte amapaense.
“É muito estranho que nenhuma autoridade amapaense tenha sido convidada para discutir o assunto. Por isso durante a audiência vamos lançar a campanha ‘O Petróleo é nosso”, anunciou o promotor. “Tenho a informação de que no leilão marcado para os dias 14 e 15 de maio, 71 empresas estão inscritas para disputar a exploração do cobiçado petróleo da nossa costa norte do Amapá, por meio 97 plataformas”, acrescenta.
Segundo o promotor, o leilão da Agência Nacional de Petróleo (ANP) objetiva à construção de 97 plataformas de petróleo na costa amapaense. “Sabemos que cada empresa vai gerar em torno de 2,5 mil empregos diretos, o que representa, no cômputo global, a criação de 50 mil postos de trabalho”, calcula Moisés.
O slogan “O Petróleo é nosso!” se tornou famoso ao ser pronunciado pelo então presidente Getúlio Vargas, por ocasião da descoberta de reservas de petróleo na Bahia. Mais adiante, a frase se tornou lema da Campanha do Petróleo, patrocinada pelo Centro de Estudos e Defesa do Petróleo, promovida por nacionalistas.
A iniciativa culminou na criação da Petrobrás. Após tornar-se famosa, historiadores descobriram que a frase foi criada por Otacílio Raínho, professor e diretor do Colégio Vasco da Gama, no Rio de Janeiro, um marqueteiro casual.

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