segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Carmen Lúcia: “A Lei da Ficha Limpa veio da sociedade”

Primeira mulher a presidir o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a ministra Cármen Lúcia Antunes Rocha tem o desafio de coordenar o processo eleitoral no Brasil no primeiro ano em que a Lei da Ficha Limpa estará plenamente em vigor. À frente do TSE desde abril deste ano, ela afirma que o fato de ser mulher não diferencia a sua maneira de atuar, que deve estar embasada na Constituição. Desde 2006, quando foi indicada pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Cármen Lúcia é ministra do Supremo Tribunal Federal (STF). Ela concedeu uma esclarecedora entrevista à jornalista Renata Cristiane, que o Diário do Amapá publica a seguir, contendo muitos esclarecimentos a respeito das eleições municipais deste ano, a primeira tendo a plenitude da Lei da Ficha Limpa para coibir a participação de maus políticos no pleito.


CLEBER BARBOSA
DA REDAÇÃO


O Brasil terá no comando das eleições uma mulher, como presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Esta constatação faz alguma diferença para a senhora?
Nenhuma. As funções a serem exercidas decorrem da condição de juíza do tribunal e dizem respeito à administração das eleições, além da direção do próprio Tribunal Superior Eleitoral. Qualquer juiz põe-se na condição constitucionalmente estabelecida, independente do gênero.

A senhora atraiu atenção durante o julgamento sobre a constitucionalidade da Lei Maria da Penha, quando afirmou que o preconceito contra a mulher também atinge ministras da mais alta Corte brasileira. Como e em que momentos a senhora sofreu preconceito?
Não é exatamente um momento ou uma situação que demonstra o preconceito. A demonstração de sua ocorrência dá-se de forma sutil, às vezes. O que disse foi que qualquer mulher, em qualquer cargo, sofre o preconceito decorrente do gênero, independente do cargo ocupado.

Como a senhora lidou e lida com isso?
Trabalhando e demonstrando que as atividades devem ser desenvolvidas considerando a finalidade a que se destinam, não as condições de quem as desempenha.

A senhora acha que enfrentou mais dificuldades para chegar à presidência do TSE do que um ministro homem enfrentaria?
Não. O Supremo Tribunal Federal escolhe o juiz que integra o Tribunal Superior Eleitoral, como seu representante, por ordem de antiguidade. E, no TSE, a escolha também obedece a critério objetivo, tranquilo e inquestionável.

Em entrevista, a senhora disse que quando aceitou o cargo de ministra do STF tinha a ilusão de que poderia contribuir para que as instituições constitucionais pudessem prevalecer. Qual a percepção da senhora sobre esse assunto hoje? A senhora acha que tem conseguido contribuir?
Sim, empenho-me cem por cento no trabalho, como os demais ministros também fazem, e continuo a buscar a melhor forma de prestá-lo, a melhor prestação da justiça.

No seu discurso de posse do cargo de presidente no TSE, a senhora reconheceu a necessidade de que a Justiça seja mais rápida para ser eficiente. Como fazer isso?
Buscando alternativas legais que conduzam à possibilidade de não se eternizarem os processos, de não se permitir que os recursos sejam não direito de defesa, mas tática para impedir a finalização dos processos. Mas é preciso que haja uma grande discussão de toda a comunidade jurídica, juízes, Ministério Púbico e Ordem dos Advogados do Brasil. Somente assim teremos um sistema cujos mecanismos de defesa e de recursos não seja lesivo e deles se usem, não se abusem.

A senhora defendeu também uma maior transparência do Judiciário. Está tramitando no Congresso a Reforma do Judiciário. Qual a opinião da Senhora sobre a reforma? Ela pode trazer mais transparência a esse poder?
A reforma do Judiciário em tramitação no Congresso Nacional é uma continuidade do que se convencionou sob esse rótulo. Desde 1992, ou seja, após a promulgação da Constituição do Brasil de 1988, teve início proposta de mudança do Poder Judiciário. O ponto mais significativo da reforma sobreveio em 2004, com a Emenda Constitucional 45, mas se continua a questionar e buscar mudanças que aperfeiçoem o sistema. Tudo o que puder ser discutido e concluído no sentido de maior garantia ao cidadão para que a prestação jurisdicional por ele pedida seja assegurada com mais celeridade e clareza, melhor, será mudança bem-vinda.

Em julgamento do TSE, o Ministro Carlos Ayres Britto (atual presidente do STF) consignou que “é precisamente em período eleitoral que a sociedade civil e a verdade dos fatos mais necessitam da liberdade de imprensa e dos respectivos profissionais”. No mesmo julgamento, o Ministro Ari Pargendler (atual presidente do STJ), divergiu: “o Estado deve podar os excessos cometidos em nome da liberdade de imprensa sempre que possam comprometer o processo eleitoral”. As duas posições supostamente antagônicas resumem a polêmica em torno da atuação da imprensa no período eleitoral. Qual a sua opinião sobre o papel da imprensa neste período eleitoral?
De imperiosa necessidade. A sociedade precisa e quer ser informada, é dever do juiz garantir que a imprensa cumpra o seu papel de informar, criticar, propor ideias, permitir que os cidadãos tenham ciência das coisas para discutir e decidir pelo que lhe parece melhor.

As eleições municipais deste ano serão as primeiras com a "aplicação efetiva" da Lei da Ficha Limpa. Qual a sua expectativa? Que resultado o povo brasileiro deve aguardar?
A Lei da Ficha Limpa veio da sociedade, responde a um anseio dela, significa a sua sinalização sobre o que ela quer, precisa e lutará para obter. Portanto, a benfazeja lei terá plena aplicação nas eleições deste ano e compete ao juiz fazer com que seja plenamente eficaz jurídica e socialmente. Quem vota é o cidadão, portanto a ele a tarefa de dar plena eficácia à lei que veio de sua própria escolha e decisão.

A Lei da Ficha Limpa criou novas hipóteses de inelegibilidade e reformulou outras. A mudança deverá aumentar o número de candidaturas impugnadas. A Justiça Eleitoral está preparada para julgar este eventual aumento no número de processos, neste prazo de três meses entre o registro e a eleição?
Sim, a Justiça Eleitoral brasileira é considerada uma das mais eficientes do mundo, é modelo e exatamente porque consegue dar solução ao que lhe é demandado, independente deste aumento. Já houve momentos como esse – de mudança de legislação antes (como ocorreu em 1990) – e o Judiciário respondeu rigorosamente segundo o que a lei determinava. Desta vez não será diferente.

Recente decisão do TSE retirou a quitação eleitoral (condição de elegibilidade) dos candidatos que tiveram contas de campanha rejeitadas. Esta decisão pode ser revista até o momento do registro das candidaturas?
O Plenário do TSE é que determinará isso, se vier a ser recolocada em pauta a questão.

Em relação à evolução da justiça eleitoral no Brasil, qual seria o próximo passo a ser tomado no sentido de conseguir uma democracia mais efetiva, em que as pessoas realmente se sentissem representadas?
Conclamando os eleitores a votarem de maneira clara quanto aos seus interesses sociais, quanto ao que cada município, cada Estado e o Brasil, enfim, precisam, de modo a que a construção da nação brasileira não seja um desempenho do representante, mas do titular da cidadania.

Além de preparar e conduzir as eleições de outubro, quais são os seus principais desafios à frente do TSE, na sua opinião?
Além de realizar as eleições de 2012, de maneira correta, ética e célere, dando sequência ao aperfeiçoamento que se vem mantendo, nos últimos vinte anos, já esse ano com mais de oito milhões de votos pelo sistema de biometria (de que será modelo exatamente Curitiba), é prioridade nossa implantar o processo judicial eleitoral eletrônico, que permitirá celeridade e transparência na tramitação das ações e dos recursos, tornar plenamente eficaz a nova Lei de Acesso à Informação, garantir plenas condições de trabalho e respeito ao direito dos servidores do Judiciário eleitoral, incluídos os referentes à sua remuneração, aperfeiçoar os mecanismos de crescimento profissional pela atuação das escolas eleitorais, entre outros.

Qual é a importância de um Congresso de Direito Eleitoral como este de Curitiba?
Exatamente discutir os pontos tidos como não claros na legislação e na jurisdição eleitoral e, principalmente, ouvir o que estão a discursar sobre propostas novas de mudanças ou de reafirmação da jurisprudência de Direito Eleitoral.

Gostaríamos de saber que outras paixões e hobbies a senhora tem, além do Direito?
Agradeço muito a preocupação e até mesmo o interesse, mas a Constituição impõe a nós, servidores públicos, a impessoalidade como princípio. E o juiz deixa de lado qualquer paixão, para ser – livre delas – racional no desempenho de suas tarefas.

Perfil 

Cármen Lúcia Antunes Rocha é ministra do Supremo Tribunal Federal e presidente do Tribunal Superior Eleitoral. Nascida em Montes Claros (MG) mas criada em Espinosa, formou-se em Direito pela Faculdade Mineira de Direito da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais em 1977, da qual se tornaria professora. Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Federal de Minas Gerais e Doutora em Direito do Estado pela Universidade de São Paulo em 1983. Procuradora do Estado de Minas Gerais, ocupou o cargo de procuradora-geral do Estado no governo de Itamar Franco. Foi diretora da Revista do Instituto dos Advogados Brasileiros. Foi a segunda mulher nomeada ao cargo de ministra do Supremo Tribunal Federal em virtude a aposentadoria do ministro Nelson Jobim, em 26 de maio de 2006, sendo empossada em 21 de junho de 2006.Segundo dados recentes seu gabinete é o que se mais encontra em dia cumprindo as metas de julgamento e celeridade.

Definida a lista de vereadores eleitos e os reeleitos em Macapá

Confira o resultado da eleição municipal em Macapá


Prefeito

E EleitoRe Reeleito2ºT 2º Turno
  • Foto de RobertoRobertoPDT2ºT40,18%82.039 VOTOS
  • Foto de ClécioClécioPSOL2ºT27,89%56.947 VOTOS
  • Foto de Cristina AlmeidaCristina AlmeidaPSB16,54%33.777 VOTOS
  • Foto de Davi AlcolumbreDavi AlcolumbreDEM10,68%21.796 VOTOS
  • Foto de Genival CruzGenival CruzPSTU3,16%6.451 VOTOS
  • Foto de MilhomenMilhomenPC do B1,54%3.154 VOTOS
  • BRANCOS1,39% (2.990)
  • NULOS3,39% (7.273)
  • VOTOS VÁLIDOS 95,21% (204.164)

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Entrevista Sandro Bello: “O turismo pode ajudar a economia do Amapá”

O turismólogo Sandro Bello Barriga, técnico conceituado forjado nas academias, mas com boa bagagem acumulada no planejamento e na gestão de órgãos públicos do turismo, acaba de assumir a gestão da Secretaria Estadual de Turismo, a Setur, tendo de cara dois grandes desafios já cumpridos, um evento de gastronomia dentro da 49ª Expofeira Agropecuária e o Equinócio da Primavera. Mas seu trânsito e bom relacionamento no setor e no meio empresarial o deixam em uma condição de agregador para esse importante segmento econômico do estado. As impressões do novo secretário, o histórico da evolução do turismo e as reais chances do Amapá ter um incremento dessa atividade estão nesta entrevista concedida ao jornalista Cleber Barbosa, que o Diário do Amapá publica a seguir.

CLEBER BARBOSA

DA REDAÇÃO


Diário do Amapá - Quando surgiu o convite do governador para o senhor assumir a Secretaria de Turismo?
Sandro Bello - Na realidade esse convite foi em função da conjuntura política. Todos sabem que a Setur tem o comando do PT (Partido dos Trabalhadores), do grupo da ex-deputada federal Marcivânia (Flexa), e houve a necessidade da ex-secretária Helena Colares assumir compromissos da campanha política da professora Marcivânia, então esse convite se deu há cerca de um mês e meio.



Diário - O senhor é um técnico do setor que assumiu a Setur na condição de interinidade, mas que vem apresentando um volume de ações e uma mobilização que muita gente do meio já anda torcendo para que seja efetivado. Já percebeu isso também?

Sandro - Com certeza essa é a primeira vez que um técnico como eu assume um cargo de gestão de primeiro escalão, em especial na área do turismo. No meu ponto de vista, isso de certa forma faz a diferença porque você tem a oportunidade de empreender ações voltadas nos segmentos do turismo, ou seja, como nós sempre falamos, quem executa a atividade turística não é o Poder Público, ele é o fomentador, ele cria a infra-estrutura, os municípios trabalham na manutenção dos espaços públicos e o empreendedor e seus colaboradores que recebem o turista, que promovem a atividade turística, então seria de certa forma muito proveitosa a oportunidade de estar à frente de um órgão como esse.


Diário - O senhor compôs no primeiro escalão do prefeito Roberto Góes, em 2009, à frente dó órgão municipal de turismo, e agora forma no secretariado de Camilo Capiberibe, dois adversários políticos. Isso mostra que cargos como o seu exigem mais peso técnico do que propriamente político?

Sandro - Com certeza. Nós tivemos a oportunidade de estar compondo a Prefeitura no primeiro ano de gestão do prefeito Roberto Góes. Todos sabem que aquele foi um ano muito positivo para o município que teve a oportunidade de se transformar. Hoje se discute muito essa questão da parceria e a meu ver é importante a questão da parceria sim porque no órgão estadual de turismo promovemos as políticas de turismo, e isso de nada adiantaria. Se não tivéssemos a oportunidade de o município de Macapá ser o portal de entrada do turismo, essa política não seria implementada.


Diário - Como assim, secretário?

Sandro - Posso dar como exemplo o Congresso Brasileiro de Guias de Turismo, realizado aqui em Macapá, onde através da Secretaria Estadual de Turismo foi elaborado um questionário e distribuído a todos os cerca de 500 participantes de todos os estados brasileiros, sendo que apenas três unidades não participaram, e todos os pontos avaliados, relevantes ao município, a questão da limpeza, lixo e trânsito foi avaliado de forma muito negativa por esses turistas que estiveram presentes.


Diário - E como a Setur pode fazer deslanchar essas respostas?

Sandro - A questão de poder estar hoje no estado no meu ponto de vista também se deve a todo o trabalho que a gente vem realizando nesse setor de turismo, afinal pude entrar nesse setor em 2005, na Secretaria de Estado do Turismo e deparar-me com um quadro muito recente, muita coisa por fazer e nós tivemos a oportunidade, apesar dos pesares, de poder aplicar um pouco do nosso conhecimento na gestão pública do turismo quando naquele tempo a secretária de Estado do Turismo era a hoje deputada federal Fátima Pelaes. Nos deparávamos com um percentual de 0,01% do orçamento do Estado e mesmo assim pudemos realizar um trabalho para que milhares de pessoas que dependem dessa atividade pudessem ter um ganho maior através da gestão pública do turismo.


Diário - O senhor falou sobre o conhecimento técnico e o conhecimento científico que o senhor buscou através dos estudos, mas lá atrás, quando o turismo ainda era uma utopia muito maior do que é hoje, o que o motivou a escolher essa área profissional?

Sandro - Na realidade a questão do turismo se tornou um mote de campanhas passadas que muito chamou a atenção de jovens como eu naquele período após os conflitos bélicos ali no Golfo, com os Estados Unidos, no Oriente Médio. Após esse período o turismo despontou como primeira atividade econômica mundial e maior geradora de empregos, então em função disso me chamou muito a atenção a oportunidade de morar na Amazônia e poder através do nosso empenho e da nossa dedicação poder contribuir de alguma forma para a melhoria da qualidade de vida da população local. 


Diário - E o Amapá, como está neste contexto, afinal fala-se muito que ele tem muito potencial, mas que daí a ter produtos turísticos formatados e sendo colocados na prateleira para ser comercializados vai uma distância muito grande. Qual sua avaliação sobre isso?

Sandro - O Amapá, assim como outros lugares no mundo, acompanhou o crescimento do turismo a nível mundial. Posso dar aqui dados da Infraero, que de 2004 a 2010 houve um crescimento significativo no fluxo de pessoas aqui para o Estado do Amapá, seja no desembarque no aeroporto, seja na entrada de estrangeiros, seja na ocupação hoteleira local. Infelizmente questões de crises econômicas mundiais e questões de escândalos políticos locais fizeram com que boa parte das pessoas que vinham ao Estado do Amapá, pois basicamente o segmento que o Amapá mais recebe turistas é o segmento de negócios, essas pessoas optaram por outros destinos ao se deparar com o quadro que o Amapá se encontrava.


Diário - E hoje, como o setor reage?

Sandro - Nesse período nós registramos através das estatísticas que o Amapá volta a ganhar credibilidade junto ao cenário nacional e internacional como destino turístico, inclusive na realização de eventos. O Amapá tem possibilidades. Ele tem pontos negativos e pontos positivos do ponto de vista geográfico, nós somos praticamente um estado-ilha, que não possui acessos rodoviários com outros estados, contudo nós somos o portal de entrada da Amazônia para as grandes embarcações.


Diário - Daí o senhor apostar no chamado turismo de eventos?

Sandro - Sim, pois estamos às próximos a eventos como a Copa do Mundo e as Olimpíadas no Brasil e esse situação geográfica do Amapá é muito favorável em função até mesmo que a capacidade hoteleira do Brasil não irá comportar o público que virá para esses grandes eventos, daí o Amapá aparecer como opção neste cenário em função de que as pessoas possam adentrar na Amazônia através de navio e se hospedar embarcados mesmo. Como eu disse, o Amapá tem esse mote do turismo que são os negócios, além desse grande filé que vem crescendo no Brasil que são os eventos. O Amapá foi sede de um Congresso Brasileiro de uma categoria profissional, mas poderia ser outra categoria arquitetura, medicina, engenharia, enfim, mas foi uma categoria profissional na área do turismo. Eventos como esse segundo a Associação Brasileira de Convention Boreau existem cerca de 5 mil eventos no Brasil consolidados, que estão acima da sua décima edição e que o Amapá pode estar fazendo estudos para captar eventos de pequeno e médio porte que geram impacto em torno de R$ 1,5 milhão só na realização aqui em Macapá.


Diário - E o fato de ser o Amapá o Estado mais preservado do país, em que pode ajudar no incremento do turismo?

Sandro - Esse é outro segmento que também foi muito discutido, muito citado, muito falado, que é o segmento do ecoturismo, em função de todo o potencial de conservação que o Amapá tem, mas que também precisa de uma grande injeção de infraestrutura para que possa receber bem esse turismo e fazer com que esse empresário tenha segurança para fazer investimento nesse segmento. 


Diário - Por falar em eventos o senhor assumiu a Setur às vésperas de um grande evento e que acabou saindo em grande estilo, que foi o Equinócio da Primavera, não é mesmo?

Sandro - Com certeza, mas nós também estivemos na execução de outro grande evento anterior a esse, que foi na 49ª Expofeira, o Festival Gastronômico de Peixes do Mar, uma grande parceria com a Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes) e com a Pescap (Agência de Pesca do Amapá), no qual colocamos à disposição através do subsídio do Governo do Estado, cerca de 4 toneladas de pescado oferecendo a todas as classes, A, B, C e D a possibilidade de consumirem um prato no valor popular de R$ 5 e feitos pelos maiores chefes de cozinha do Amapá. 


Diário - E depois veio o Equinócio?

Sandro - Foi outra grande programação em que pudemos divulgar o Amapá de forma positiva para o Brasil e para o mundo através do desafio de vôlei, o Red Bull Latitude Zero, além de um mini Rally fantástico executado pelo Jeep Clube de Macapá que chamou a atenção das pessoas que passavam pelo Meio do Mundo. Vale ressaltar que infelizmente nós não pudemos divulgar esse evento em função de uma liminar judicial, mas chegamos a receber um grande público, pois chegamos a divulgar esse evento em outros estados há cerca de quatro a cinco meses.

Perfil

O entrevistado Sandro Bello Barriga nasceu em Breves (PA), região das ilhas do Pará que são vizinhas a Macapá. Mudou-se ainda criança para o Amapá onde bacharelou-se em Turismo pela Faculdade Seama (2005) e em Ciências Sociais, pela Universidade Federal do Amapá (2006); Fez pós graduação em Gestão Hoteleira pelo Iesap e em Ciências Políticas pelo IBPEX/Uninter e Mestrado em Planejamento em Desenvolvimento, pelo NAIA/UFPA. Atuou na iniciativa privada e em 2009 assumiu a Coordenadoria Municipal de Turismo de Macapá; também prestou assessoria na Secretaria Nacional de Políticas do Turismo, órgão do Ministério do Turismo; no mês passado assumiu interinamente o comando da Secretaria Estadual do Turismo.

Assembleia Legislativa realiza sessões itinerantes no Jari



Moradores de Vitória pedem o apoio dos deputados e cobram mais investimentos 

A diretora da Unidade Mista de Saúde de Vitória do Jari, no sul do Amapá, Vera Lúcia, afirmou que os profissionais trabalham em péssimas condições. Segundo a administradora faltam médicos, remédios, equipamentos e até ambulância. A declaração foi dada na audiência pública, realizada na manhã desta segunda-feira (1o) na cidade. A diretora usou a Tribuna do Povo – espaço aberto a representantes de sindicatos, associações, líderes comunitários e moradores para expressar sua insatisfação pela qual passa a unidade.
Conforme a diretora, não existe apoio e nem recurso para manter o hospital. “Não temos como proporcionar uma atendimento de qualidade, mas todos fazem o impossível para amenizar a escassez de investimentos e suprir a precariedade com a qual trabalhamos são submetidos”, lamentou. A diretora questionou a relação entre prefeitura e governo. Segundo ela, a falta de entendimento entre os dois gestores só aumenta a escassez de investimentos na região. “Faltou uma área para impossibilitou a implantação do Samur em nossa cidade”, revelou Vera Lúcia, responsabilizando o município por não ter transferido a terra para o Estado.
O deputado Eider Pena (PDT) esclareceu o problema. “A área não foi doada porque o município não tem glebas, a ausência da unidade é de responsabilidade do Estado, é o governo que detém o título das terras e a transferência deveria ter sido feita pelo IMAP”, explicou. As declarações acirraram o debate. Os populares que acompanhavam a audiência pública na quadra da escola municipal Álvaro Marques Gonçalves, passaram a questionar os pronunciamentos. O presidente da Assembleia Legislativa, Júnior Favacho, teve de intervir várias vezes para controlar os ânimos dos mais exaltados. Os moradores questionaram a falta de investimentos em outros segmentos como educação, saneamento básico, infraestrutura e agricultura.
O setor energético também foi alvo de críticas. De acordo com os populares, a cidade é castigada com o racionamento. “Todos os dias sofremos com a falta de energia elétrica em nossa cidade”, disse a moradora Zuila Pereira. “Tem dias que sofremos até três interrupções em um mesmo dia”, arrematou. O deputado Bruno Mineiro (PTdoB) saiu em defesa dos populares. “Temos que cobrar um posicionamento do governo sobre esta situação, o Estado precisa solucionar este problema da falta de energia no Vale do Jari”, complementou.
Os pronunciamentos feitos pelos populares poderão ser transformados em indicações, requerimentos ou mesmo em projetos de Lei. “Todas as reivindicações apresentadas pelos moradores de Vitória do Jari serão estudas pela secretaria legislativa para saber qual o melhor encaminhamento a ser dado, depois será encaminhado para plenário e votação. Todos os procedimentos serão repassados as pessoas desta cidade”, afirmou Júnior Favacho.

Íntegra do discurso proferido pelo Presidente da ALAP em Vitória do Jari 


Senhor Presidente, Senhores Deputados. Gostaria inicialmente de agradecer a presença das pessoas do povo, das autoridades e lideranças locais e daqueles que nos acompanham nessa jornada, sejam parlamentares, técnicos, jornalistas e os demais colaboradores da Assembleia Legislativa, que integram essa Caravana Itinerante do Poder Legislativo Estadual, que se propôs a estar mais próximo da comunidade, de norte a sul do Amapá, através dessas ações de interiorização de nossas atividades.
Hoje foi a vez de Vitória do Jari, este lugar acolhedor e tão especial, que marca a presença do povo amapaense em seu limite territorial com o vizinho Estado do Pará, elo histórico desse grandioso projeto industrial questionado tantas vezes, mas que ainda é responsável pela produção de emprego e renda para gente de cá e de lá, além de inúmeros outros brasileiros que para cá vieram emprestar seu suor, seu sangue e suas lágrimas em prol de um Jari mais forte.
Tenho a convicção que o sonho do empresário Daniel Ludwig ainda estar por ser realizado em sua plenitude. Quis o destino que ele não alcançasse em vida o esplendor desse projeto. A história ainda há de julgar seus erros e acertos, mas certamente não lhe faltaram a esperança e a vontade de que o ideário de transformar essa região num polo produtor de alimentos e também de fornecedor de matéria-prima para a indústria se concretizasse e desta forma contribuir para o progresso deste pedaço de Brasil. Hoje os desafios são outros.
A busca pelo crescimento econômico não pode atropelar os interesses da sociedade, especialmente o enorme potencial de conservação que o Amapá possui. Mas é fato também que o crescimento econômico por si só não é a solução, há que se ter também desenvolvimento social, daí a busca pela sustentabilidade dos empreendimentos e das políticas de Estado. É aí que entra o papel decisivo da Assembleia Legislativa do Amapá, um dos Poderes Constituídos que mais interage com o povo, afinal, a produção legislativa de nossos deputados e deputadas é muito demandada a partir do diálogo permanente que cada um e cada uma estabelecem com lideranças comunitárias, representantes e agentes públicos de todos os municípios e também das demais esferas de Poder que se encontram instaladas no Estado.
Quero aqui reafirmar os propósitos de vigilância permanente da Assembleia Legislativa, que está sempre mobilizada para garantir a governabilidade, o estado democrático de Direito, as leis e a ordem pública. Nossas portas estão sempre abertas ao cidadão, que diariamente acessa as dependências do Palácio Deputado Nelson Salomão, nome oficial da Sede do Poder Legislativo, mas que por designação histórica, muitos nos orgulha e também nos honra, é chamada também de A Casa do Povo do Amapá. Falo por mim e tenho certeza de que também em nome dos demais parlamentares desta Casa. Envidamos todos os esforços para manter acesa essa chama, esse vínculo, essa responsabilidade de honrar o título de sermos verdadeiramente um Parlamento Popular, acessível, aberto, plural e democrático.
Para isso, mesmo na condição de gestor interino em que me encontro, não me falta empenho e determinação para tornar esta Assembleia Legislativa cada dia mais atuante e merecedora da confiança da população amapaense. Saibam todos os moradores de Vitória do Jari e das demais comunidades que vieram prestigiar e também reivindicar nesta sessão itinerante, que o Poder Legislativo Estadual não se furtará de suas responsabilidades e jamais virará as costas para essa gente tão ordeira e trabalhadora do Jari. Pessoas simples que sabem receber muito bem quem os visita, seja com seu calor humano, seja com uma xícara de café ou um prato com o delicioso Acari que grassa neste caudaloso Rio Jari. Ratifico todos os compromissos assumidos nessa reunião, que apenas foi transferida do Plenário instalado em Macapá, afinal esta Sessão Itinerante tem todas as prerrogativas de uma sessão realizada na Capital.
As proposituras deliberadas aqui e as inúmeras contribuições apresentadas por Suas Excelências os Deputados e as Deputadas Estaduais, além das ilustres pessoas do povo que se manifestaram na Tribuna Popular serão encaminhadas a quem de direito, com o acompanhamento rigoroso por parte da Assembleia Legislativa, bem como com a referida prestação de contas de sua tramitação, pelos canais legais e através de correspondências encaminhadas a quem as demandou.
Amanhã este Colegiado estará no vizinho município de Laranjal do Jari, que também enfrenta dificuldades como todos aqui bem o sabem. Há muitos pontos convergentes e problemas comuns com aqueles que as senhoras e os senhores lidam cotidianamente, mas também temos confiança de que dias melhores ainda estão por vir, afinal os investimentos no setor elétrico que o Jari experimenta darão novo fôlego à sua indústria e com isso aos brasileiros e brasileiras que aqui labutam. Que a vitória que dá nome a este município seja de todos nós. Que Deus nos abençoe, pois a alegria de vocês será a nossa felicidade. Muito Obrigado!

Vitória do Jari se transforma na capital do parlamento estadual 


O secretario Legislativo do parlamento estadual, Paulo Melém, afirmou em entrevista a um programa da rádio Vitória FM, que a plenária itinerante de Vitória do Jari deverá ter cinco horas de duração. O tempo é semelhante ao de Oiapoque, realizado em setembro deste ano. Segundo Melém, o tempo dilatado é para que os deputados tenham condições de deliberar a pauta – com matérias somente do município – e, também, garantir aos populares o uso da tribuna para fazerem suas reivindicações.
A sessão itinerante acontece nesta segunda-feira (1o) de outubro, na quadra da escola municipal Álvaro Marques Gonçalves, a partir das 9h. A estimativa é que os 24 deputados participem da plenária. Esta será a segunda vez que o município recebe a comitiva itinerante da Assembleia Legislativa. De acordo com Melém, a plenária será um momento oportuno para que os possam explanar o que desejam melhorar na cidade. “Estamos aqui para ouvi-los, e juntos buscarmos alternativas para alcançarmos os objetivos que todos desejam que é equacionar os problemas e consequentemente proporcionar melhores condições de vida”, explicou. Para garantir o direito de voz aos populares, a Assembleia Legislativa criou a Tribuna do Povo.
O espaço será aberto a segmentos da sociedade como professores e outros profissionais, assim como para representantes de sindicatos e associações e líderes comunitários. Conforme explicações de Melém, as reivindicações apresentadas poderão ser transformadas em requerimentos ou mesmo em projetos de lei, dependendo da gravidade do assunto. “As matérias serão votadas em Macapá e os responsáveis pelas pastas serão notificados pelo Legislativo para que tomem as devidas providências e todo o procedimento adotado pelo parlamento será repassado ao autor da reivindicação, através de cartas”, garantiu o secretário. Por outro lado, Paulo Melém não revelou quantas matérias serão deliberadas. “A pauta está sendo fechada, ainda não podemos dizer com precisão o número de matérias a serem deliberadas”, afirmou.

Assembleia Legislativa do Estado do Amapá – ALAP 
Departamento de Comunicação – Marsylla Salgado 
Texto: Emerson Renon – Assessor de Comunicação 
Foto: Gerson Barbosa/Decom/ALAP

Coluna Argumentos (Diário do Amapá), terça-feira, 02 de outubro de 2012.

Fervura

Foi quente – o clima e o debate – envolvendo a sessão itinerante da Assembleia Legislativa em Vitória do Jari, no sul do estado. Bastante concorrido, o evento acabou por revelar abissais as diferenças entre os simpatizantes do atual prefeito Luiz Beirão (PSD) e sua oposição. Dono de três mandatos, ele é o grande nome político local.

Sarney

Motivos de força maior acabaram levando o senador José Sarney (PMDB-AP) a cancelar seu retorno a Macapá no fim de semana. Ele organiza fotos e documentos por aqui para sua obra bibliográfica e pretende também expor muita coisa num espaço próprio em sua residência no bairro de Santa Rita. Ele volta para votar, diz o trocadilho.

Colóquio

Será aberto no próximo dia 13 o IV Colóquio Amapaense de Fotografia, com direito a excursões e oficinas de fotografia, além de painéis de discussão e trocas de experiências envolvendo diferentes profissionais da fotografia. Programação vai até o dia 20, e representa um marco para tanta gente boa do setor.



Nos ares
A Sete Linhas Aéreas começou a operar seus voos para Macapá, ontem, com direito a uma “perna” para Monte Dourado (PA) na divisa com o município de Laranjal do Jari (AP). Aliás, placas publicitárias espalhadas na região anunciam tarifas de R$ 59 para o sul do Amapá. Uma boa, essa. 

Ao Jari


Além dos deputados estaduais que realizam sessões itinerantes no chamado Vale do Jari (Vitória e Laranjal), quem também dá o ar da graça por lá nesta terça-feira é o governador Camilo. Oficialmente vai entregar um escritório novo para a Caesa, mas também deve tentar agregar nas candidaturas de aliados por lá. O sul do Amapá na ordem do dia da política.

Salários


O Portal da Transparência do Senado Federal divulga desde ontem os subsídios dos senadores e os salários dos servidores efetivos e comissionados, de forma individualizada e nominal. A consulta aos dados remuneratórios individuais será feita a partir de listagem inicial contendo a relação de nomes ou cargos, em ordem alfabética, dos senadores e servidores ativos.

Se foi


A Rede Vida de Televisão comunicou o falecimento do arcebispo emérito, dom Antonio Maria Mucciolo, aos 91 anos, ocorrido sábado. O bispo faleceu às 13h30, na UTI do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo (SP). O religioso esteve no Amapá, em solenidade no plenário da Assembléia Legislativa, para receber o título de Cidadão Amapaense.

Afônico


Mais vermelho que o habitual e bastante rouco, o deputado federal Bala Rocha (PDT) retornou do sul do Estado ontem pela manhã e engatou agenda política em Macapá. “É a última semana antes da eleição, então estamos intensificando o corpo a corpo para ajudar nossos companheiros”, disse ele ao colunista, num rápido encontro pelo saguão do aeroporto em Macapá.


Marcos Pontes: “A profissão de professor é a mais importante”

ASTRONAURA – Marcos Pontes diz que qualquer país sério sabe valorizar a profissão do professor

Onde quer que ele ande pelo país é sempre recebido como um ídolo, uma celebridade. Na verdade o paulista Marcos Pontes é mais do que isso, é um verdadeiro herói e um “bom moço”. Isso mesmo, toda a sua trajetória para virar o primeiro astronauta brasileiro já virou livros, filmes, documentários e formatam uma palestra que é tida como uma das mais requisitadas para quem quer investir em si próprio, na busca pela excelência profissional e pessoal, e acaba de chegar a Macapá. Mas ele pretende fazer mais pelo Amapá. Ele pilota um projeto de sustentabilidade na Amazônia, em Roraima, que poderá transformar-se num modelo que o Amapá tem tudo para copiar e até aperfeiçoar. O astronauta brasileiro falou ao jornalista Cleber Barbosa pelas ondas da Rádio Diário FM e os principais trechos o Diário do Amapá pública a seguir.



CLEBER BARBOSA
DA REDAÇÃO


Diário do Amapá - (Por telefone) - Alô alô astronauta Marcos Pontes, Terra chamando, bom dia!
Marcos Pontes - Oi! [risos] Bom dia a todos vocês, é um prazer poder participar.

Diário - Seja bem vindo à Capital do Meio do Mundo, o senhor que é astronauta e sabe valorizar muito bem a nossa localização geográfica privilegiada a do Amapá, não é?
Marcos - É excelente, realmente um lugar bastante especial, principalmente se você pensar em termos de lançamento de foguetes, de espaçonaves para a órbita equatorial.

Diário - Se o senhor pudesse explicar didaticamente essa vantagem, tem a ver com pressão atmosférica ou alguma coisa assim, como funciona isso na Linha do Equador?
Marcos - É com relação à velocidade para se permanecer em órbita, a posição próxima do Equador sempre favorece isso devido ao raio maior da Terra o que acaba gerando uma velocidade inicial maior e você consegue atingir órbitas com menos uso de combustível, então isso significa uma economia considerável de combustível para lançamentos próximos ao Equador.

Diário - Daí então o motivo dos nossos irmãos da Guiana Francesa decidirem construir uma base de lançamento de foguetes lá em Kourou, o senhor conhece essa base?
Marcos - Eu conheço sim, assim como a base brasileira de Alcântara, onde tem um centro de lançamento e também tem essa característica que é a proximidade da Linha do Equador, que favorece bastante para lançamentos e agora com o aumento do uso comercial do espaço isso é bastante interessante para o Programa Espacial Brasileiro, a utilização de Alcântara como centro de lançamento para cargas brasileiras e de fora também.

Diário - Já que o senhor falou de Alcântara que infelizmente registrou uma tragédia, com perdas de cientistas brasileiros, sabe-se lá quanto tempo será necessário para o Brasil repor esses quadros que o governo brasileiro perdeu?
Marcos - É, esse foi um acidente ocorrido em 2003, quer dizer, já faz bastante tempo e essa questão de recursos humanos é um problema do Programa Espacial Brasileiro, sem dúvida nenhuma. Dentro do próprio Instituto de Aeronáutica e Espaço já foram perdidos vários profissionais por falta de reposição. O que eu quero dizer é que precisa ter concurso público para as diversas carreiras de pesquisadores e técnicos engenheiros dentro do Programa Espacial.

Diário - Existe alguma ação neste sentido?
Marcos - Essa é uma das coisa que a agência espacial brasileira tem trabalhado, mas lógico que existe a necessidade da interferência, digamos assim, de superiores para que a gente consiga realmente repor esses quadros e atender de forma satisfatória as demandas do Brasil dentro do Programa Espacial Brasileiro em suas atividades espaciais, pois para um país como o nosso isso é extremamente importante.

Diário - O fato dessa primazia do senhor, de ser o primeiro e o único astronauta brasileiro, o transformou num palestrante muito requisitado e até disputado, digamos assim. Mesmo assim o senhor arrumou uma brecha na agenda e veio a Macapá com mensagens até de autoajuda, como é isso?
Marcos - Sim, também é uma das minhas atividades. Eu gosto muito deste setor de palestras e cursos. Eu e minha equipe, eu não trabalho sozinho, a gente atende empresas, instituições, em cursos e palestras tanto na área motivacional, que também é minha área pois sou "coach", trabalho com desenvolvimento de pessoas, como também nas áreas técnicas. Na área de gerenciamento de projetos, gestão de riscos e também segurança operacional. Então a gente tem uma gama bastante interessante de cursos e palestras que a gente trabalha e que tento trazer profissionais que trabalham comigo, a minha experiência profissional, a minha experiência de vida para ajudar a empresas e instituições para aumentar a probabilidade de sucesso e formar melhor seus recursos humanos.

Diário - Atualmente qual é o sonho de consumo dos países que investem em pesquisas espaciais já que nos anos 60 e 70 tinha a rivalidade entre Estados Unidos e União Soviética, sendo que um enviou primeiro um astronauta ao espaço e o outro a pisar na lua. O que se quer hoje?
Marcos - Olha, dentro dessa área espacial, eu que fico em Houston à disposição do Programa Espacial Brasileiro, eu moro lá, e também em outras missões, inclusive eu espero em breve ser escalado para a segunda missão, mas isso para dizer que a gente vive um momento bastante interessante porque a pesquisa especial tem sido tocada há muito tempo pelo setor privado, então a maioria dos países inclusiva no Brasil, os Estados Unidos também, são entidades civis, isso é importante ressaltar, não tem nenhuma atividade militar ou bélica, tanto que a carreira de astronauta também é civil. Mas agora também tem sido tocado pelo setor público, nesse momento o setor privado tem crescido nessa área, com isso você vê o surgimento de empresas grandes nos Estados Unidos e em outros países, entrando nesse mercado, ou seja, a utilização mais comercial do espaço e lá a gente consegue o desenvolvimento de remédios, de novos produtos, aliás, o tempo todo a gente utiliza esse produtos, por exemplo, agora eu estou utilizando um telefone e falando por satélite aí com você.

Diário - O que mais?
Marcos - A observação da Terra é um fator extremamente importante para um país como o Brasil e se falando de região amazônica principalmente, também no sentido de preservação do meio ambiente e no sentido de controle de fronteiras, no sentido de melhorias na produção agrícola, enfim, a utilização de satélites é extremamente importante, tanto que aqui no Brasil, o Impe, uma instituição que trabalha com satélites, nós temos o único laboratório de observação dessa categoria na América Latina toda, então é uma coisa que o Brasil tem investido bastante e o país precisa investir ainda muito mais. O setor ainda sofre assim como outros, além de investimentos maiores interesses políticos e públicos dentro do nosso Programa Espacial, pois o Brasil participa dessa corrida espacial digamos assim, no sentido de se dar melhor qualidade de vida no planeta Terra.

Diário - O senhor também é professor, por que doar parte do seu tempo para essa atividade?
Marcos - Eu faço isso porque considero a profissão de professor a profissão mais importante que existe. Em qualquer país sério, o professor é o profissional que prepara todas as outras profissões, então não existiria qualquer profissão se não existissem bons professores.

Diário - O senhor recebeu inclusive em Macapá uma comenda da Assembleia Legislativa do Amapá, a Medalha do Mérito Educacional Comandante Annibal Barcellos. Como foi receber essa homenagem de iniciativa do presidente do Parlamento Estadual, o deputado Júnior Favacho?
Marcos - Ah, claro, foi muito emocionante para mim, com certeza, daí minha esperança de poder realizar um trabalho mais duradouro por aqui a partir dessa experiência com o Estado de Roraima. Entendo que os conceitos e projetos levantados lá poderão se encaixar na realidade daqui, afinal são dois estados praticamente vizinhos. Quero ajudar o Amapá a ser sustentável, com certeza.

Diário - E a medalha, vai guardar em casa?
Marcos - Na verdade eu lá levei para meu escritório e mostro com muito orgulho para as pessoas que me visitam diariamente. Tenho uma gratidão e um sentimento especial pelo Amapá desde essas duas últimas visitas.

Diário - O senhor viaja o mundo inteiro e até o espaço, claro, mas que características da sua Bauru o senhor não se desvincula, poderia ser o sanduíche inspirado no nome de sua cidade natal?
Marcos - [risos] É, pois é eu gosto muito de enfatizar a importâncias das raízes, você tem que ter orgulho delas, de onde você veio, quem você é realmente, pois o restante das coisas, o que você tem materialmente, o que você faz, títulos, o que as pessoas falam de você, essas coisas mudam ao longo da vida, então é importante que a gente não se identifica com essas coisas que são transitórias, mas sim com as nossas raízes, isso sim permanece dentro da gente. Eu tenho um carinho muito grande sim por Bauru, vou com frequência para lá, pois tenho irmãos que moram lá, assim como meus amigos de infância que eu costumo visitar sempre, é muito bom você ter esse senso de casa e eu acho que o carinho é retribuído pelo pessoal de lá da região, o que é muito bom você ter esse sentimento.

Perfil


O tenente-coronel aviador da reserva Marcos César Pontes nasceu em Bauru, interior paulista, em 11 de março de 1963. Torcedor do Santos, Pontes é filho do funcionário do Instituto Brasileiro do Café, Vergílio de Pontes e da funcionária da Rede Ferroviária Federal, Zuleika Navarro Pontes e casado com a potiguar Francisca de Fátima Cavalcanti e tem dois filhos. Ingressou na Academia da Força Aérea (AFA) e se tornou piloto de caça; depois decidiu prestar concurso público para o ITA (Instituto de Tecnologia de Aeronáutica), graduando-se engenheiro; fez Mestrado e Doutorado e acabou selecionado para o Programa Espacial Brasileiro, num consórcio com outros países. Foi lançado ao espaço em 2006 para trabalhar na Estação Especial Internacional. Ele permanece no programa e espera voltar ao espaço em muito breve.

Coluna Argumentos (Diário do Amapá), domingo e segunda-feira, 30.09.12 e 01.10.2012.


Servidores

O senador Sarney pediu agilidade para aprovação da PEC111 da deputada Dalva Figueiredo na Câmara dos Deputados. O pedido formal ao presidente da Câmara Federal, Marco Maia, solicita atenção especial para inclusão na pauta de votações em plenário ainda neste ano e beneficia servidores civis e militares que atuaram no Território..

Espanha

Por falar em Sarney, ele recebeu convite de honra para participar da abertura do 8º Foro Interparlamentar Ibero-Americano em Cádis, no próximo dia 25 de outubro, em Madri. Na ocasião serão comemorados os 200 anos da Constituição espanhola de Cádis que, por um dia, foi a Constituição do Brasil– fato ocorrido em 1821. Marcou a história.

Endurecer

O relator do processo do mensalão, Joaquim Barbosa, vai impor penas mais duras a três figuras centrais do escândalo: o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, o “mentor” do esquema de pagamento de parlamentares, o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, considerado o “organizador”, e o empresário Marcos Valério.

Simpatia

A notícia de que dois jovens chilenos decidiram cruzar o continente pilotando um motor-home certamente remete a dois hipongas cabeludos e malucos, não é? Mas o casal Santiago e Anita, apesar do visual despojado, é sensível e inteligente. Na foto com o colunista no rádio, ontem.

Zé da Avicap

Um dos mais experientes pilotos Off-Road do Amapá, José Maria Esteves, completa 60 anos de vida - e bote intensa vida. Ele já foi uma espécie de legionário, servindo em Angola. Natural de Valongo (Portugal), chegou ao Brasil em 1975 e mudou-se para o Amapá em 1984. Atuou com o dendê e depois criou a Avicap, em 1983, empreendimento que lidera o mercado.

Pitoresco

Os dois aventureiros chilenos que visitam o Amapá neste fim de semana disseram ontem que três fatores os motivaram a incluir Macapá na rota da viagem que está cruzando as américas: o rio Amazonas, o Meio do Mundo e o isolamento. Isso mesmo, o fato de estarmos isolados do restante do país, que sabe muito pouco a nosso respeito, nos torna um destino.

Menos mal

Havia uma preocupação das autoridades de segurança pública a respeito da coincidência das duas candidaturas à PMM programarem caminhadas por Macapá na manhã de ontem. Os amarelos do 40 e os azuis do 12 realizaram seus eventos, com muita gente, bandeiras, som e descontração. Felizmente nada de violência foi registrada. Bate-boca até rolou. Nada grave.

No rádio

Hoje será a vez de um inédito embate entre os prefeituráveis de Macapá. Um debate entre os postulantes ao Palácio Laurindo Banha, sede do Poder Executivo Municipal. Cristina Almeida (PSB), Clécio Luís (Psol), Davi Alcolumbre (DEM), Evandro Milhomen (PCdoB), Genival Cruz (PSTU) e Roberto Góes (PDT) confirmaram presença. Macapá vai parar para ouvi-los.

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