sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Coluna Argumentos, sexta-feira, 03 de janeiro de 2014.

Dureza

Parte dos fornecedores da mineradora Zamin Ferrous passou a virada de ano sem ver a cor do dinheiro. Segundo um empresário em mensagem à coluna, é grande a preocupação sobre o futuro dos empregados, desde que a Anglo American passou o negócio.
Dúvidas

Em Santana, não foi possível ouvir a direção da Zamin, mas informações extraoficiais dão conta de que a empresa já está embarcando minérios. Pelo menos dois navios já teriam exportado minério de ferro.

Embarque

Para fechar sobre a Zamin, a empresa decidiu manter boa parte do ‘staff’ da antecessora inglesa e também as soluções para dar conta dos contratos de venda de minério. Barcaças estão ajudando no embarque da carga.

Valeu

Parlamentares que sacrificaram o próprio Réveillon para permanecer em Brasília no apagar das luzes de 2013 contabilizaram sucesso na liberação de recursos federais.

Garantia

Entre os que ficaram em Brasília, Fátima e Milhomen dizem ter conseguido o tal ‘empenho’ que é uma espécie de reserva de que aquele recurso será liberado pelo governo federal. Uma boa.

No rádio
coluna 01
Não foi só em Macapá que Sarney fez um ‘tour’ por órgãos de imprensa. Em sua terra-natal ele também tem atendido jornalistas, como mostra a imagem de ontem, em São Luís (MA).

Endurecimento

Autoridades brasileiras dizem ter motivos para ‘comemorar’ as mortes no trânsito no fim de ano nas estradas federais. Explico. É que morreram menos pessoas do que no mesmo período do ano anterior. Mais ainda assim são muitas mortes, gente! Campanhas educativas já não resolvem mais.

Prazo

O Congresso Nacional analisa a Medida Provisória (MP) 632/13, que prorroga por sete meses o prazo de funcionamento da Comissão Nacional da Verdade. A Lei 12.528/11, que criou a comissão, para esclarecer as violações de direitos humanos durante a ditadura militar no Brasil, previa a conclusão das atividades em maio de 2014. Vem barulho por aí.

“As mudanças vêm em médio prazo, e em 2014 a população vai sentir o impacto”

CAMILO CAPIBERIBE. Governador faz balanço da gestão e diz estar reagindo na aceitação popular de seu governo.
Ele esteve no olho do furacão, por assim dizer, depois que o resultado de uma pesquisa do Ibope e da CNI demonstrou índices preocupantes de desaprovação de sua gestão. Mesmo assim o governador Camilo Capiberibe (PSB) decidiu falar sobre o tema, com resignação e até coragem. Para ele, todos os governantes foram atingidos pelo movimento ‘Vem pra Rua’, e que sua situação era pior em virtude de como encontrou os cofres públicos do Amapá. Falando ao Diário do Amapá, ele disse que já existem indicativos de que seu governo está reagindo e que a partir do próximo ano a população vai perceber as mudanças que ele se propôs a conduzir quando decidiu se candidatar ao governo do estado.

Cleber Barbosa
Da redação

Diário do Amapá – Qual o balanço que o senhor faz de sua relação com Brasília e do que foi possível conseguir em termos de recursos federais para o Amapá?
Camilo Capiberibe – Olha, 2013 desse ponto de vista foi um ano excepcional. Só para citar um exemplo, o lançamento das obras do Hospital de Clínicas Alberto Lima foi viabilizado com recursos de uma emenda parlamentar que tinha sido colocada no orçamento em 2007 e que infelizmente por falta de capacidade de gestão esse recurso não estava sendo aplicado, então nós fizemos o projeto, licitamos a obra e lançamos a duplicação do maior e mais importante hospital que o Amapá tem. São R$ 13 milhões em recursos federais. Conseguimos também a implantação da radioterapia com quase R$ 4 milhões de recursos federais também para implantar no HCal. Estamos em vias de assinar mais 5 mil moradias dentro do programa Minha Casa Minha Vida, com o Conjunto Miracema e vamos entregar agora no início de 2014 mais 4.366 moradias, do Macapaba, ou seja, o Amapá nunca conseguiu buscar tanto recurso federal como busca no meu governo. E para 2014 a tendência é só melhorar.

Diário – E vieram recursos para a pavimentação da BR-156?
Camilo – Nós assinamos agora o termo de delegação do Trecho Sul da BR-156 que estarão sendo depositados R$ 54 milhões para a gente começar a obra.

Diário – O seu partido formava na base de sustentação do governo Dilma no Congresso, mas recentemente acabou deixando por lançar uma liderança do PSB como pré-candidato a Presidente da República. Mudou alguma coisa no relacionamento institucional com o governo federal?
Camilo – Não percebo nenhum tipo de mudança até agora do ponto de vista da gestão administrativa. Está exatamente da mesma maneira como era anteriormente. Eu acho que isso só muda ali a partir do mês de julho porque o PSB vai ter uma candidatura a presidente. A presidenta Dilma legitimamente disputa a reeleição e isso certamente no momento da eleição vai trazer algum tipo de estremecimento, mas isso é normal na democracia. Mas do ponto de vista da gestão isso não vai interferir em nada porque todo o recurso que a gente precisava já conseguimos e já vai estar tudo licitado. Acabou a eleição, os palanques já vão estar desarmados.

Diário – Por falar em desarmar palanques, 2013 foi marcado por uma reaproximação do senhor com o Psol do senador Randolfe e do prefeito Clécio. Qual a avaliação que o senhor faz sobre o que foi possível avançar na ajuda à capital?
Camilo – Para começo de conversa eu votei no prefeito Clécio. Demos um apoio que imagino ter sido decisivo no segundo turno da eleição dele. Isso eu fiz por ter um compromisso com a nossa cidade de Macapá e por compreender que seria vergonhoso para nós termos a continuidade daquele projeto. O recurso não viria e eu também tinha dificuldade de trabalhar com o prefeito anterior porque ele fazia um palanque político dessa relação governo e prefeitura e isso é muito ruim.

Diário – Com Clécio é diferente?
Camilo – O prefeito Clécio tem uma visão mais autônoma com relação ao governo municipal, ele puxa a responsabilidade para ele e ele assume. No início do ano nós tivemos algumas rusgas porque tinha uma questão de tapa-buraco, que tinha que fazer. Eu logo em seguida assumi um compromisso bastante decidido e disse claramente que iria fazer 20 quilômetros de asfalto quando o verão chegasse e estou fazendo, estou concluindo agora no mês de janeiro, aliviando a vida do prefeito. Ajudei na pavimentação do conjunto Mestre Oscar e coloquei à disposição dele R$ 6 milhões para a reforma das Unidades Básicas de Saúde 24 horas para que elas possam ter mais condições de infraestrutura para atender a população, porque sem a saúde municipal funcionar eu termino pagando um preço muito alto no Pronto Socorro, no PAI e no Hospital da Mulher. Estou com os recursos disponíveis e aguardo apenas que o prefeito apresente os projetos.

Diário – Na chamada parceria, é isso?
Camilo – Veja, eu acredito na parceria e vou continuar trabalhando. Do ponto de vista da pavimentação nós vamos avançar muito mais e temos vários caminhos para avançar conjuntamente. Eu acredito que o prefeito também. Veja no Passe Social Estudantil, o governo do estado é que paga a maior parte, pagamos 70%, mas a prefeitura entra com 30%, e 10 mil estudantes vão ser beneficiados.

Diário – Na posse de alguns deputados como seus secretários de governo o senhor disse que eles estariam vindo para melhorar a capacidade do Governo se articular politicamente. Foi uma espécie de ‘mea culpa’ e deu resultado?
Camilo – Ah, sem dúvida. No relacionamento com a Assembleia Legislativa, por exemplo, a mudança foi da água para o vinho. Eu aprovei todos os meus projetos, inclusive projetos fundamentais para o momento que o Amapá está vivendo. Todo o processo de federalização da CEA e todos os investimentos do BNDES, de R$ 1,4 bilhão vieram em decorrência dessa guinada mais política do Governo. Por outro lado o Governo do estado ganhou muito com isso, pois tivemos, por exemplo, o deputado Bruno Mineiro que é político e é técnico e que está fazendo um excelente trabalho na Setrap, assim com a deputada Cristina Almeida no setor produtivo e o deputado Agnaldo Balieiro que tem uma sensibilidade política muito grande também. E agora tem a vereadora Neuzinha também.

Diário – No campo da cooperação internacional, especialmente com a Guiana Francesa, a gente sabe que a competência é da União, mas o Amapá também se mexeu e até defendeu a aprovação do acordo para o campo ambiental, o que estaria impedindo a liberação da ponte binacional. Agora vai?
Camilo – Na verdade foi um gesto. Essa é uma relação complexa entre um país da América Latina com um país Europeu. É o único caso que existe em todo o nosso Continente. Só o Brasil, só o Amapá faz fronteira com a França e a União Europeia. A aprovação do acordo de combate ao garimpo ilegal foi um gesto que o Brasil fez em relação a uma demanda que era muito forte do lado francês e que ficou aí engavetada durante muitos anos. Eu percebi que para nós avançarmos em concessões do lado de lá também teríamos que fazer do lado daqui.

Diário – Os seus críticos dizem que o senhor administra olhando pelo retrovisor. Por que é tão difícil deixar de observar os erros de seus antecessores e tocar a gestão?
Camilo – É só você olhar, por exemplo, o problema da CEA. Eu era deputado e cobrava uma solução. Em 2006 foi assinado um compromisso, um pacto do Amapá, pelos Poderes. Naquela época custaria para o Estado em torno de R$ 200 milhões e isso não foi feito. Hoje custa, não para o governador, mas para o povo R$ 1,4 bilhão. Então esse tipo de irresponsabilidade não pode ser esquecido. Assim como não se pode esquecer que os recursos que deveriam ter sido investidos em educação foram roubados, o que trouxe um prejuízo para nossa educação gigantesco. Outro exemplo são as consignações dos servidores públicos, R$ 74 milhões foram descontados da folha e deveriam ter sido repassados aos bancos e para os planos de saúde, que deixaram de atender as pessoas. Isso não é uma questão de olhar para o retrovisor, é mostrar que a dificuldade do presente é consequência da falta de responsabilidade no passado.

Diário – O senhor falou recentemente sobre o resultado da pesquisa do Ibope que rendeu índices de desaprovação de seu governo. O que está sendo feito a partir desses indicativos?
Camilo – Evidente que os números foram divulgados e estão aí. Mas nós temos também pesquisas internas que apontam para um processo de recuperação. A partir de junho, com aquele movimento do ‘vem pra rua’ todo mundo foi atingido duramente. Se você olhar a pesquisa do Ibope só três governadores são aprovados acima de 50% da população. Todos os governadores estão numa situação difícil. É claro que a minha situação em comparação com a dos outros ela é um pouco mais difícil, eu reconheço. Mas minha situação já esteve pior. Nós estamos num momento de avanço. Eu peguei um estado numa situação pré-falimentar e não tinha recursos para pagar suas contas. Tinha uma empresa falida que era a CEA, não executava recursos federais, tudo isso me impôs a tomar medidas difíceis, duras, que a população não espera ver o governador tomando. As mudanças vêm em médio prazo e em 2014 a população vai sentir o impacto.

Perfil

Entrevistado. Carlos Camilo Góes Capiberibe nasceu em Santiago do Chile, no dia 23 de maio de 1972. Filho dos também políticos João Capiberibe e Janete Capiberibe, nasceu fora do Brasil em virtude do exílio político dos pais. É Bacharel em Direito pela PUC de Campinas (SP) é casado com Claudia Camargo Capiberibe, com quem tem dois filhos. Filiado ao PSB, elege-se deputado estadual no Amapá em 2006, tendo sido considerado muito atuante e uma voz forte na oposição. Em 2008 foi candidato a prefeito de Macapá, mas foi derrotado por Roberto Góes no segundo turno. Em 2010 foi eleito governador do Amapá, vencendo a disputa em todos os municípios do Estado. É ainda considerado o mais jovem governador do Brasil.

O GIGANTESCO ‘RIO-MAR’: Rio Amazonas pode incrementar o turismo

TURISMO / Motivo de orgulho para os brasileiros que vivem no Amapá, o maior rio do mundo também costuma sensibilizar os turistas com o encontram pela primeira vez

A paisagem urbana da cidade de Macapá ganha o adorno do maior rio do mundo, que diariamente banha sua orla e serve de inspiração para quem vê do nascer ao pôr do sol na única capital banhada pelo Amazonas.
Cleber Barbosa
Editor de Turismo

Embora Macapá tenha vários atrativos turísticos feitos pela mão do homem, como o Marco Zero do Equador, é da mãe natureza a responsabilidade do maior patrimônio visual do lugar, o Rio Amazonas. Grande em tudo, extensão e volume de água, este rio-mar exerce um grande poder nas pessoas, especialmente as mais sensíveis. Não é raro ver turistas de outros estados enxugando as lágrimas quando do primeiro encontro com o rio, cuja única capital brasileira a ser banhada por ele é a do Amapá.
Num debate na Rádio Diário FM, a turismóloga Nira Brito, o presidente do Sindicato das Empresas de Turismo (Sindetur) Edir Pacheco e o coordenador da Bancada Federal, deputado Evandro Milhomen, concluíram que apesar de belo e majestoso, o rio Amazonas precisa de mais atenção, algo que agregue valor ao enorme potencial turístico que ele empresta a Macapá. “Sinto falta de um barco à disposição das pessoas na orla da cidade para fazer um passeio pelo rio até Santana e voltar, por exemplo”, diz o deputado Milhomen.
O empresário Edir Pacheco diz que as pessoas precisam ter uma relação mais próxima com o rio, como banhos e práticas de esportes em suas margens. “No próximo mês de outubro estarei participando de um evento em Miami (Estados Unidos) quando a possibilidade de atrair a passagem de navios de cruzeiro por Macapá estará em debate e a presença do Rio Amazonas certamente tem um peso muito grande para convencer os operadores a vir até aqui”, diz ele.
Pacheco também diz estar confiante de que as obras do novo píer do Santa Inês possa dar um incremento nessa atividade, com o anúncio da retomada da construção. “Acredito que até o fim do ano a gente possa ter esse píer concluído, que poderá receber não apenas os turistas da cidade como aqueles que desembarcarem dos grandes navios de cruzeiro que ficarem fundeado em frente à cidade”, diz Edir Pacheco.
A bacharel em turismo Nira Brito disse que há muito se ouve falar no potencial turístico do Amapá e de sua capital Macapá, com atrativos naturais e também outros pontos turísticos, mas o que precisa ser alavancado é o turismo receptivo. “Isso a gente chama de produto turístico, aquilo que ganha um formato e pode ser comercializado, com previsão de transportes, acomodação, acessos, enfim, os serviços turísticos”, diz Nira.
Nesse contexto, a ideia de um barquinho para passeios pelo Rio Amazonas é mais do que apropriada. É a proposta de integrar o turista com a cidade. E vice-versa.

Os números magníficos deste gigante das águas

O rio Amazonas, localizado na América do Sul, é o segundo rio mais extenso do mundo com 6.992,06 km e mais de mil afluentes sendo de longe o com maior fluxo de água por vazão, com uma média superior que a dos próximos sete maiores rios combinados (não incluindo Madeira e rio Negro, que são afluentes do Amazonas). A Amazônia, que tem a maior bacia de drenagem do mundo, com cerca de 7.050.000 quilômetros quadrados, responsável por cerca de um quinto do fluxo pluvial total do mundo.

O Amazonas tem sua origem na nascente do rio Apurímac (alto da parte ocidental da cordilheira dos Andes), no sul do Peru, e deságua no Oceano Atlântico junto ao rio Tocantins no Delta do Amazonas, no norte brasileiro. Ao longo de seu percurso recebe, ainda no Peru, os nomes de Carhuasanta, Lloqueta, Apurímac, rio Ene, rio Tambo, Ucayali e Amazonas (Peru). Entra em território brasileiro com o nome de rio Solimões e finalmente, em Manaus, após a junção com o rio Negro, recebe o nome de Amazonas e como tal segue até a sua foz no oceano Atlântico.

A generosidade da mãe natureza com o maior rio do planeta

Centro da maior bacia hidrográfica do mundo, ultrapassando os 7 milhões de km², a maior parte do rio está inserida na planície sedimentar Amazônica, embora a nascente em sua totalidade seja acidentada e de grande altitude. Marginalmente, a vegetação ribeirinha é, em sua maioria exuberante, predominando as florestas equatoriais da Amazônia.12 A área coberta por água no rio Amazonas e seus afluentes mais do que triplica durante as estações do ano. Em média, na estação seca, 110 000 km² estão submersos, enquanto que na estação das chuvas essa área chega a ser de 350 000 km². No seu ponto mais largo atinge na época seca 11 km de largura, que se transformam em 50 km durante as chuvas.
História - Durante o que muitos arqueólogos chamam de período formativo, as sociedades indígenas amazônicas estiveram profundamente envolvidas na emergência dos sistemas agrários das terras altas da América do Sul, e possivelmente contribuíram diretamente para o panorama sócio-religioso que constituiu as civilizações andinas. Em 1500 o explorador espanhol Vicente Yáñez Pinzón e a tripulação liderada por ele foram os primeiros europeus a navegar no rio.13 Pinzón chamou o rio de Río Santa María del Mar Dulce, o que posteriormente foi reduzido para Mar Dulce (literalmente "Mar Doce"), devido à quantidade de água doce impulsionada pela correnteza do rio para dentro do oceano Atlântico. Por 350 anos após a descoberta do Amazonas pelos europeus, a parte portuguesa da bacia do rio permaneceu um cenário abandonado, servindo exclusivamente como fonte de alimentos obtidos através da coleta e da agricultura pelos povos indígenas que haviam sobrevivido à chegada das doenças trazidas pelos europeus.

CURIOSIDADES

-  O Rio Amazonas tem um comprimento de 6.992,06 km e mais de mil afluentes.

- O Amazonas é de longe o rio mais caudaloso do mundo, com um volume de água cerca de 60 vezes o do rio Nilo.

- A quantidade de água doce lançada pelo rio no Atlântico é gigantesca: cerca de 209 000 m³/s.

6.992 KM
Esta é a extensão do Rio Amazonas, desde a sua nescente até a Foz que fica em Macapá.

RIO AMAZONAS

Polícia Civil do amapá vai ganhar helicóptero, garante Sejusp

cidade 4 - helicoptero
O modelo definido em licitação do Estado é igual a este da imagem
O processo de licitação, na modalidade pregão presencial, internacional, para compra de um helicóptero para a área da segurança pública do Estado foi realizado na sala de reuniões da Secretaria de Estado da Justiça e Segurança Pública (Sejusp).

A empresa americana Tradewinds Aircraft Sales INC, com representação no Brasil, foi à vencedora do certame e está licenciada para a venda do helicóptero ao Governo do Amapá.

As especificações exigidas no edital é a aquisição de um helicóptero asa rotativa, com biturbina, que possa operar em situações de emergência, tendo multimissão apta para operação policial e de UTI de emergência. A Tradewinds Aircraft Sales INC colocou as propostas à mesa julgadora composta por membros do Grupo Tático Aéreo (GTA), Comissão Permanente de Licitação da Sejusp (CPL) e para o setor de planejamento da secretaria.

O pregão, coordenado pelo pregoeiro da Sejusp, Mauro de Lima Souza, iniciou com o valor indicado pela empresa de U$ 2.962.000,00 dólares americanos, um montante em real de R$ 6.938.781,20. Em negociação, a equipe da CPL da Sejusp conseguiu em comum acordo com a empresa o valor de U$ 2.765.647,14 dólares americanos, convertidos em real para R$ 6.478.805,00, portanto, uma diminuição de R$ 459.976,20.
O recurso esta devidamente reservado no orçamento do Estado, sendo proveniente parte do Governo do Amapá e parte do Governo Federal, por meio da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp).

Segundo o secretário de Estado da Justiça e Segurança Pública, Marcos Roberto Marques, a compra da aeronave partiu da determinação política do governador do Estado Camilo Capiberibe, que não mediu esforços para conquistar este bem ao Amapá, cumprindo o que prometeu à população. Este é o primeiro processo para a aquisição do helicóptero, que se deu cercado de cuidados necessários, dentro do processo legal, de acordo com que determina a legislação brasileira.

"A partir de agora, com o valor orçado, iremos contratar uma auditoria especializada em avaliação deste tipo de aeronave e montaremos uma equipe com pilotos e mecânicos para realizar a perícia do helicóptero apresentado pela empresa. Vamos adotar todos os proce-dimentos necessários para que a aeronave chegue ao Estado em perfeitas condições", destacou.

O pagamento do helicóptero será feito em três parcelas com prazos e datas estabelecidos no edital, ou seja, 50% do valor quando ocorrer à assinatura do contrato, que se dará após a vistoria técnica, 30% na customização e translado e os 20% restantes na entrega. O edital prevê o prazo de entrega da aeronave em 120 dias, após o contrato estar devidamente assinado.

Festa na virada do ano na Beira-Rio celebra a chegada de 2014

festa
Aspecto da festa de Reveillon na orla de Macapá, no último dia 31
"Marcas de um ano que se foi. Sonhos que vamos ter...". Com esses versos de uma das canções mais populares de fim de ano, o povo amapaense prestigiou a virada do ano na Beira-Rio. Um show pirotécnico iluminou o céu de Macapá à meia-noite, saudando a chegada de 2014 e encantando crianças, pais e famílias inteiras.
Quando o locutor anunciou os dez segundos finais de 2013 para chegada do Ano Novo, um grande coro de mais de cem mil pessoas o acompanhou. Uma explosão de fogos teve início no Rio Amazonas, deslumbrando a todos. Um show inigualável organizado pela união de esforços entre Governo do Estado e Prefeitura de Macapá.
A festa, organizada pelo Governo do Amapá, por meio da Secult, Concult, além da parceria da Amcap, iniciou às 19h com a rodada de música de cantores locais consagrados, entre eles, Zé Miguel, Amadeu Cavalcante, Ivo Canutti, com participação de grupos folclóricos de Marabaixo, escolas de samba da capital e bandas regionais, culminando com roda de samba.
O povo acompanhava tudo de pé, sentado ao chão, em cadeiras e até mesmo em locais improvisados. O clima era de festa, mas com tranquilidade. Crianças em carrinhos, mães amamentando filhos, casais enamorados, pessoas se abraçando, pais empinando papagaios, mesa farta, inclusive no chão, era um pedaço da casa de cada um na orla de Macapá.
De acordo com o comando da Polícia Militar, cerca de cem mil pessoas estiveram na extensão da orla, participando da festa da virada, com a garantia de que voltariam para casa em segurança. Isso foi possível com o policiamento preventivo e ostensivo, além de que a prefeitura organizou o acesso dos transportes de passageiros para viabilizar a celeridade da ida de muitos para as suas casas.
Vários grupos de afrodescendentes e simpatizantes de religiões africanas fizeram homenagens à divindade Yemanjá, no sincretismo religioso a mãe das águas e protetora da vida. Eles pediram dinheiro, saúde e paz para todos. Outros grupos religiosos tocavam, ao som de violão, músicas proféticas com mensagens sobre a vida, a preparação e o amor de Deus para às famílias do Amapá e do Brasil. Eram crianças, jovens e adultos cantando o amor de Jesus para os amapaenses como fonte da salvação e amor à vida.
Após a eclosão dos fogos, a festa continuou ali mesmo, na grama, na praça, no rio e no passeio público, que ficou lotado e colorido até o sol raiar.

BANHO PRA TODO GOSTO: O Amapá está repleto de opções de lazer

TURISMO | O Diário do Amapá lista alguns dos principais balneários do Amapá, desde o maior deles, o Rio Amazonas, até cachoeiras, corredeiras e igarapés da região amazônica
Os balneários que o Amapá possui garantem lazer e muita diversão aos banhistas e veranistas que a cada fim de semana buscam uma nova alternativa de lazer. De rios a igarapés, como também cachoeiras.

Cleber Barbosa
Editor de Turismo

Parte integrante e muito importante da maior bacia hidrográfica do planeta, o Amapá possui água para todos os lados, o que torna o estado um importante destino turístico para quem quer se refrescar banhando-se em rios, igarapés e até no Oceano Atlântico, pois a costa deste estado além de abrigar grandes reservas camaroeiras e pesqueiras, também possui praias, a mais famosa delas chamada de Goiabal, no município de Calçoene.

E se o negócio do turista for mesmo tomar banho para matar o calor essa é a época do ano mais propícia, quando as chuvas diminuem e o sol fica ainda mais forte. “É a combinação perfeita, encarar o calor caindo na água em um balneário qualquer, dos muitos que o Amapá possui”, diz a veranista Rúbia Balieiro Guedes, 29, que disse ter conhecido na semana passada o balneário Portal do Sol, em Porto Grande.

Gilberto Carvalho, 46, disse que prefere qualquer um dos balneários de Serra do Navio, cidade onde ele nasceu. “Lá tem a Lagoa Azul, a Canhoeira Véu de Noiva, a Pedra Preta, o Cachaço, a Canhoeira do Fernando e o Água Fria, só para o turista começar a pensar em um e escolher”, diz ele.

No Sul do Estado, se encontra o que pode ser um dos maiores símbolos da generosidade da natureza com este estado, a Canhoeira de Santo Antônio, no Rio Jari. “Ela não deixa a desejar em nada em comparação com as cataratas do Iguaçu. Só falta é ter acessos regulares e uma estrutura como passarelas, do mesmo jeito que tem lá em Foz [do Iguaçu]”, diz a programadora Helem Azevedo, 32, que já esteve nas duas canheiras, a amapaense e a paranaense.

O Amapá também verdadeiras cidades-balneários, como a bucólica Ferreira Gomes, banhada pelo belíssimo Rio Araguari, um dos mais decantados por poetas e compositores musicais. A cidade sedia inclusive a maior micareta do interior do Amapá, o Carnaguari, que acontece em setembro.

Em Macapá, já existem iniciativas para incentivar a comunidade a ter mais relação com o maior rio do mundo, o Amazonas, que banha a cidade, mas que ainda é pouco acessado por banhistas. A ideia é abrir mais opções de banho para os habitantes da Capital, pois atualmente as opções existentes utilizam os famosos muros de arrimo, que acabam mais afastando do que propriamente atraindo banhistas.

Cenário até de filme, Santana tem atrativos

A segunda maior cidade do Amapá é Santana, com mais de 100 mil habitantes. Trata-se de um município portuário, que vive um momento especial com o resgate dessa vocação de modo a resgatar sua tradição industrial. É que lé funcionou o maior projeto mineral da Amazônia em sua época, a exploração de manganês pela Icomi. Mas não é só de porto que Santana vive. Recentemente a Ilha de Santana, localizada em frente ao porto local, serviu de cenário para a última edição da saga da pequena índia Tainá, um dos grandes sucessos do cinema nacional.

Lá está localizado o balneário Recanto da Aldeia, que possui areia e muitas árvores frutíferas. Ainda em Santana, existe o distrito do Igarapé do Lago, que além de banhos abriga uma forte tradição com o Marabaixo e o Batuque. Ainda naquela região, existe outra comunidade que abriga uma atração diferente, as “Louceiras do Maruanum”, que comercializam a preços acessíveis verdadeiras jóias em termos de utensílios artesanais para o lar. Como não poderia deixar de ser, por lá também há rios e igarapés para banhos que podem durar um dia inteiro.

Outros motivos para se visitar ou mergulhar na cidade de Macapá

Macapá não possui interligação por rodovias, por isso, para se chegar aqui, ou você vem de avião, ou de navio. No primeiro caso existem vôos diários praticamente de todo o Brasil, com uma breve escala em Belém do Pará. No segundo, o navio parte de Belém, geralmente duas vezes por semana, e cruza o arquipélago do Marajó, um dos maiores do mundo, a viagem dura mais ou menos 24 horas e é muito agradável, os navios são confortáveis, inclusive com serviço de bar, restaurante e música ao vivo.

A população de Macapá, de cerca de 400 mil habitantes, é a quinta cidade mais populosa da região norte do país. Foi fundada em 1758, e o nome Macapá é de origem tupi, uma variação de “Macapaba”, que quer dizer lugar de muitas bacabas, uma palmeira nativa da região. A história de formação da cidade esta ligada a defesa do território colonial contra as invasões de estrangeiros, motivo pelo qual foi construída a fortaleza São José de Macapá, hoje uma das sete maravilhas do Brasil, escolhida em um concurso da Revista Caras. O monumento foi inaugurado em 1782, e apesar de ser um dos maiores do Brasil, nunca foi usado em alguma batalha.

É cortada pela linha do equador, daí o monumento do Marco Zero, local onde a linha imaginária do equador divide a terra em dois hemisférios, norte e sul. No local existe um relógio do sol, o que permite assistir ao fenômeno do equinócio, uma manifestação em que os raios do sol incidem diretamente sobre a linha do equador, nesse período os dias e as noites tem a mesma duração, acontece duas vezes ao ano, a primeira em março, denominado equinócio de outono e outra em setembro, o equinócio da primavera.

CURIOSIDADES

- O rio Amazonas foi descoberto em 1500, por Vicente Yañez Pinzón, que lhe deu o nome de Mar Dulce. Em 1532, Francisco Orellana, homem que fez a primeira descida no rio, trocou o nome para Amazonas.
- Nasce na Cordilheira dos Andes, junto ao vulcão Misti (Peru), 4.000 metros acima do nível do mar.
- Essa nascente só foi descoberta em 1971, e é conhecida como Laguna McIntyre.

1.500
Ano da descoberta do glorioso Rio Amazonas.

CAIA NA ÁGUA!

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Coluna Argumentos, 31 de dezembro de 2013.

Espaço

O deputado federal Vinícius Gurgel (PR) chutou o balde e confirmou saída da base de Camilo. “Mas não tenho nada pessoal contra o governador. Vou em busca de novos espaços”, disse. Agora se empenha na pré-candidatura de Aline Gurgel para disputar Setentrião.
Saindo

Secretário Bruno Mineiro (Setrap) diz que mais tardar 4 de abril deixa de formar no primeiro escalão do governador. Volta a ser deputado e cumpre prazo legal para a desincompatibilização, como manda o TRE.

Quer

Reitor da Unifap, Tavares, não esconde de ninguém desejo de candidatura a deputado federal. Seu segundo mandato à frente da Reitoria termina dia 16 de setembro de 2014. Filiado ele é ao PC do B.

Justo

Ainda sobre o reitor, ele costuma reconhecer os esforços da bancada federal. As emendas ao orçamento que viraram obras, ganharam placa alusiva ao apoio dado.

Campana

A deputada Fátima Pelaes dava plantão ontem em Brasília. Estava no Ministério da Saúde, que está mobilizado com técnico e servidores para atender as demandas dos estados até dia 31.

Filantropia
Argumentos1
Os diretores da Icomi, Dennis Chung e Vladimir Fernandes foram à Casa da Hospitalidade em Santana levar donativos. A coordenadora da SIMS, Yolanda Souza, foi conferir e agradecer, claro.

Mãe coruja

A ex-Miss Amapá e deputada Sandra Ohana (PP) não esconde de ninguém o orgulho da beleza da filha Alessandra. Perguntada se deixaria ela ser modelo, desconversa. Já sobre entrar para a política é enfática. “Ela é muito estudiosa e já disse que quer ser médica”, diz a zelosa mãe. Sucesso!

Um alô

O ex-comandante do 34º BIS, coronel Allan Fernando Quint, envia mensagem à coluna, de onde extraímos este trecho: “Aqueles que nos são mais caros, nunca esquecemos, independente de tempo e de distância. Saudade das nossas conversas, das nossas entrevistas, do Clube dos Jeepeiros, de Macapá, do Amapá e de sua gente”, diz. Obrigado comandante e sucesso.

“Vejo com felicidade esse país extraordinário com liberdade em todos os cantos”

José Sarney. Senador relembra fatos importantes de sua trajetória como presidente da República e parlamentar.
Fim de ano é sempre uma boa ocasião pra se fazer reflexões a respeito do que passou. E foi nesse sentido que o ex-presidente da República, José Sarney (PMDB-AP), atual senador pelo Amapá, falou ao programa Luiz Melo Entrevista na última sexta-feira, 20, um dia depois de recepcionar a imprensa e amigos em seu jantar de confraternização. Sarney relembrou os avanços e conquistas desde sua passagem pelo Planalto e também as realizações de seus mandatos como parlamentar pelo estado. Falou de tudo um pouco, como Mandela, reeleição, energia, proteção ao meio ambiente e outros temas. Os principais trechos da entrevista o Diário do Amapá publica a seguir. Acompanhe.

Pergunta- A Universidade Federal do Amapá foi criada pelo senhor, quando ainda era Presidente da República, não é?
Sarney – Por mim, sim. Tive a oportunidade de assinar o decreto criando a Universidade, que também tem prestado um grande trabalho há tantos anos à juventude do Amapá, que antes para se formar ia para Belém e outros lugares. Os que aqui ficaram ajudaram a Unifap a crescer e a se transformar. Ela vem se modificando com mais oferta de cursos e hoje tem presença importantíssima na cidade, formando os jovens amapaenses, com boa qualidade.

Pergunta – É verdade que essa obra do Linhão do Tucuruí pelo projeto original não deveria passar pelo Amapá?
Sarney – É verdade, quando foi projetado se fazer o Linhão do Tucuruí era para atender Manaus, que era uma grande zona industrial e que consumia muita energia e essa energia era produzida por motores a óleo a um preço exorbitante, muito grande. Então o governo federal decidiu fazer a obra, o que significava que dentro de três anos o custo seria pago com a diferença do custo de energia que deixariam de pagar. Quando eu vi o projeto observei que passaria pela margem direita do rio Amazonas, então falei com a então ministra Dilma Rousseff e disse-lhe que nós deveríamos atravessar o rio Amazonas e pela margem direita trazer energia para o Amapá, também, num ramal da linha que seguiria para Manaus. O argumento dos técnicos era de que nós não tínhamos consumo nenhum que justificasse aquilo que consideravam um gasto extraordinário e sem retorno.

Diário – E como o senhor conseguiu convencê-la do contrário?
Sarney – Eu disse a ela que o Amapá iria crescer muito ainda, pois já tínhamos conseguido a Área de Livre Comércio e que tínhamos aprovado a Zona Franca Verde e que o Amapá também iria ter um grande parque mineral. Mas que para isso era preciso que o Amapá tivesse energia. Ela, contra todos os pareceres e opiniões dos técnicos, decidiu autorizar a modificação do projeto original. Hoje a energia de Tucuruí já está aqui em Macapá. Só não está sendo distribuída porque não temos concluída a estação abaixadora, porque ela vem em 230 kva e precisamos abaixar para 12,8 kva, que é o padrão aqui da cidade.

Pergunta – O senhor acredita que a partir daí a Zona Franca Verde deslancha, então?
Sarney – Sem dúvida. O Amapá agora está preparado para ser um grande estado, com infraestrutura e eu fico feliz porque idealizei isso, pensei nisso desde que cheguei aqui, quando trouxe o porto que era em Belém e construímos em Santana um terminal de contêineres e fizemos a Área de Livre Comércio. Agora estamos trabalhando para regulamentar a Zona Franca Verde e tocar a Zona de Processamento de Exportação, a ZPE, trazendo fábricas, inspirando confiança para atrair o capital brasileiro como também o estrangeiro, pois assim poderemos atender as outras demandas diárias que afetam o povo. Essa é a grande tarefa para garantir o futuro.

Pergunta – Daí a importância na formação da nossa mão de obra.
Sarney – Sim, pois além da universidade, lá atrás, nós também tivemos o apoio do presidente Lula para trazer a Escola Técnica, hoje chamada de Instituto Federal, o Ifap. Já temos um aqui na zona norte, em Macapá, outro do Jari e já estão começando o de Santana e o de Porto Grande. Além disso, temos ainda as usinas hidrelétricas saindo, a de Ferreira Gomes, a de Caldeirão, em Porto Grande, ou seja, no Amapá as coisas estão acontecendo, com as empresas de mineração aí, com outras chegando e nós vamos melhorar esse porto, enfim, são tarefas grandes que precisam ser feitas para se dar trabalho para o povo.

Pergunta – Fim do ano é sempre um momento pra essas avaliações, não é mesmo?
Sarney – Esse tempo do Natal é também para se homenagear o povo amapaense, especialmente as mulheres do Amapá, pois nesse mês a figura central é o menino Jesus que através do Presépio lembramos de Maria, que representa todas as mães, pois cada um de nós que vem ao mundo é só através de uma mulher, pois elas é que são o verdadeiro fundamento de uma família.

Pergunta – Foi num 19 de dezembro, só que em 1985 que o senhor como Presidente da República proibiu a caça às baleias no Brasil. Lembra disso?
Sarney – Lembro sim. Havia um movimento feito pelas crianças do Brasil e que me tocava muito. Eu sempre fui um homem tocado pelas questões ambientais, tanto que o primeiro discurso feito no Congresso dentro da visão científica da necessidade de preservarmos a natureza foi feito por mim, em 1972, quando se realizava a Conferência de Estocolmo. Como Presidente da República criei o programa Nossa Natureza, o Ibama e todo esse conjunto de leis que protegem hoje o meio ambiente. Mas, quanto às baleias, nós não podíamos permitir que continuassem com aquela crueldade com as baleias que passavam pelo Atlântico na costa do Brasil. Eles argumentavam que Cabedelo vivia da pesca da baleia, mas eu resolvi proibir e felizmente desapareceu isso do Brasil, pois quase que acabam com as baleias do mundo.

Pergunta – O senhor participou recentemente nos funerais do ex-presidente Nelson Mandela, na África do Sul, em meio a uma comoção mundial e com a curiosa participação de ex-presidentes do Brasil. Como foi isso?
Sarney – Foi uma solenidade tão comovente em que nós devolvíamos ao solo da África do Sul a relíquia do corpo de Mandela, que era um símbolo acima de tudo, que não foi um homem de luta, ele foi um homem de paz, porque ele trouxe a paz para o seu país, quando todos pensavam que em seu coração crescia a vingança, na verdade crescia o amor. É esse o exemplo que ele dá para a humanidade e foi assim que ele fez a África do Sul continuar sendo um grande país, que inclusive hoje faz parte dos Bricks, os países emergentes, que são o Brasil, Índia, China e África do Sul.

Pergunta – O senhor quando presidente foi quem criou a chamada Abertura Democrática e iniciou a transição do Regime Militar para a Democracia. O Brasil de hoje, com manifestações de rua, violência nas ruas e nos estádios de futebol, isso assusta o senhor ou é o preço que devemos pagar para termos uma democracia plena?
Sarney – É o preço que nós temos que pagar pela liberdade que nós devolvemos ao povo brasileiro, os ventos da liberdade varrendo. Agora muitos usam da liberdade para cometer excessos. O que nós temos é que tomar providências com cada vez mais energia evitar que a violência seja uma deformação da liberdade. A democracia é o caminho do desenvolvimento, é o melhor caminho que pode ter. É o regime do autogoverno que nós pregamos e que eu tive realmente a oportunidade de presidir a transição democrática do Brasil e vejo hoje com grande felicidade esse país extraordinário com liberdade em todos os cantos e desapareceu qualquer tentativa de golpe e passou a ser um país muito mais justo, muito mais humano e com grande participação social.

Pergunta – Obrigado pela entrevista.
Sarney – Eu que agradeço, quero deixar o meu abraço a todos e desejar um Natal e o Ano-Novo muito bom.

Pergunta – Úma última pergunta. O senhor vai se candidatar à reeleição?
Sarney – Eu acho cedo ainda para tratar disso, mas vai depender de muitas coisas, inclusive até mesmo as minhas condições físicas. Que atualmente eu acho muito boas... [risos] Graças a Deus!

Perfil...


Entrevistado. José de Ribamar Sarney Costa tem 83 anos de idade, é advogado, jornalista e escritor. Começou a vida política ainda estudante do Colégio Liceu, em São Luís (MA), tendo depois chegado a suplente de deputado federal, até vencer uma eleição para a Câmara Federal e depois elegeu-se governador do Maranhão e depois senador. Nos anos 1980 engajou-se na campanha pelas eleições diretas e pouco depois compôs como vice a chapa vitoriosa do Presidente Tancredo Neves, que faleceu antes da posse. Sarney assumiu as rédeas do país e conduziu o período da redemocratização, da Constituinte e da volta das eleições diretas para Presidente. Depois foi eleito senador pelo Amapá e está no terceiro mandato, portanto há quase 24 anos.

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