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segunda-feira, 27 de junho de 2016

ECONOMIA | As chances do Amapá produzir seus próprios alimentos

A chegada de investimentos no setor do chamado agronegócio, reacende as esperanças de produtores locais em abastecer o mercado consumidor amapaense
PIONEIRISMO - No campo amapaense, os produtores de soja fazem planos para abastecer mercados interno e externo
Por Cleber Barbosa
Para a Revista Diário

O Amapá desponta como uma nova fronteira agrícola na região Norte do Brasil, segundo investimentos no setor e com generosas repercussões na mídia nacional. Matérias do Valor Econômico e, mais recentemente, do jornal O Estado de São Paulo, destacam as boas condições climáticas e solo fértil do Cerrado amapaense, o que tem despertado o interesse de pequenos e médios produtores e até de grandes grupos vindos de regiões tradicionais do chamado agronegócio, como o Mato Grosso.
Mas só escoar a produção de grãos de terceiros não basta. O estado faz planos para também aumentar a produção interna. Os primeiros plantios de soja na região foram em 2001 e envolviam apenas 200 hectares. A chegada de produtores com capacidade de investimento e tecnologia há quatro anos mudou o cenário. De 2012 para 2013, a área plantada com grãos passou de 2,4 mil para 10 mil hectares, enquanto a produção de grãos passou de 7,6 mil toneladas para 25 mil toneladas no período, segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Considerando apenas a soja, a área saiu de 1,6 mil hectares em 2012 para 6 mil hectares ano passado – a produção avançou de 4,2 mil toneladas para 15 mil toneladas no mesmo período. Ainda que tenha sido um marco para o Estado, é quase nada quando se pensa na área e na produção do Brasil.

NÚMEROS
A Embrapa estima que a área plantada com grãos possa chegar a 20 mil hectares. Projeções para daqui a 20 anos mostram que a área deve atingir o potencial máximo, com 200 mil hectares. Hoje, as áreas de Cerrado aptas a cultivos correspondem a 932 mil hectares ou 6,5% do território do Amapá. “Desses quase um milhão, temos que descontar 50% de áreas de preservação permanente e 140 mil que pertencem a uma empresa japonesa que planta eucalipto”, explica o analista da Embrapa Amapá, Gustavo Spadotti Castro. O potencial limitado, contudo, não tem sido um fator inibidor. Um levantamento realizado pela Embrapa com 15 dos principais produtores do Estado revela que 47% têm mais de 30 anos de experiência no setor.

Legalização das terras será fundamental, diz Aprosoja-AP
Presidente da Aprosoja, Daniel Sebben diz que terras da União irão incrementar o setor agrícola do Amapá.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) estima para 2016 produção recorde de soja no Amapá. O último Levantamento Sistemático da Produção Agrícola do IBGE, segundo estatístico Raul Tabajara, prevê aumento de 253,96% na produção do grão, o equivalente a 45,6 mil toneladas acima da safra passada, que foi de 12,9 mil.
Estatístico Raul Tabajara,
do IBGE, diz que as projeções
são de um crescimento da
produção de alimentos
A Aprosoja-AP considera que a transferência das terras do Amapá para o Estado, representa o início de um processo importante para o desenvolvimento econômico e social da região devido aos benefícios proporcionados aos mais diferentes setores da sociedade amapaense, sobretudo ao setor produtivo agrícola. “Consideramos decisiva para a efetivação da transferência das terras de posse da União ao Amapá a participação política de todas as bancadas de deputados federais e senadores eleitos pelo estado que, embora em momentos diferentes, não mediram esforços e lutaram incansavelmente para a concretização da mesma, além do Governo do Estado do Amapá que sempre realizou gestão junto ao executivo brasileiro por compreender o domínio das terras amapaenses como significativo aos grandes avanços sociais e econômicos do estado na proporção em que seus desdobramentos representam o surgimento de novos horizontes de negócios e o vislumbre da elevação da qualidade de vida para todo o povo”, diz Daniel Sebben, que preside a entidade dos produtores locais de grãos.
Os múltiplos impactos econômicos positivamente ocorridos como consequência desta conquista, a exemplo do setor imobiliário, se estendem à área agrícola com avanços na criação de 3 novos assentamentos ampliando para 53 no Amapá, destinados aos micro-produtores rurais que realizam a agricultura familiar voltada à subsistência de 14.748 famílias, segundo o IBGE.

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