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quarta-feira, 26 de abril de 2017

Nem minério ou madeira. Primeira indústria da Zona Franca Verde do Amapá produzirá sorvete

Foto: Cleber Barbosa | Área destinada à instalação da Zona Franca Verde, em Santana (AP)

Quando Eike Batista atuava no Amapá, com a MMX Mineração, havia a expectativa de que poderia ser o carro-chefe da recém criada Zona Franca Verde do Estado. Mas ele foi embora e a sucessora do negócio, a Anglo American, também foi. O setor madeireiro – uma vocação de décadas – também entrou em crise, fazendo com que uma sorveteria seja o primeiro empreendimento oficialmente habilitado a usufruir dos incentivos fiscais que a Zona Franca já disponibiliza.


Foto: Maksuel Martins | Diretores da Sorveteria Macapá

A empresa
A Sorveteria Macapá, empresa amapaense que atua desde 1975 na produção de sorvetes e picolés com frutas típicas da região, será a primeira indústria local a ser beneficiada pelo o novo ambiente econômico proporcionado pela Zona Franca Verde. A partir de agora, os produtos produzidos com a marca Q-Sabor serão contemplados com isenção do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI), que, de acordo com a Lei de regulamentação, é o incentivo concedido para produtos cuja matéria-prima seja originária da Amazônia.  
Hoje, a sorveteria produz cerca 23 mil litros de sorvetes e picolés, por mês, com potencial de expansão. Pois, o número, representa apenas 40% do potencial da pequena fábrica. Com os sabores típicos da região amazônica e os incentivos da Zona Franca Verde, os sócios estudam a possibilidade transformar o negócio em franquia que levará os sabores do cupuaçú, bacuri e taperebá para o resto do Brasil e até para fora do país.
“É uma honra receber a chancela da Suframa [Superintendência da Zona Franca de Manaus] para industrializar nossos produtos com os incentivos da Zona Franca Verde. Nós que somos empresa genuinamente amapaense, há 41 anos no mercado e, há mais de 20, lutando para nos inserir em outros mercados de fora do Amapá e, até mesmo, fora do país. É uma conquista muito grande, não só para nós enquanto empresa, mas também para toda a população amapaense”, comemorou Sandro Ferreira, sócio da Sorveteria Macapá, que prevê nesta nova fase, a agregação de valor ao seu produto para facilitar a conquista de novos mercados.
De acordo com o sócio José Carlos Ferreira, o açaí é o sabor líder em vendas e, pela alta demanda, ele e o filho criaram variações bem peculiares como açaí com a castanha-do-brasil e, o mais curioso: feito de açaí com a goma de tapioca e camarão cozido, cuja combinação pode causar estranheza a quem vem de fora do Estado, mas é um sabor bem comum em terras tucujus.
Foto: Maksuel Martins

Novos Postos de Emprego
José Carlos conta que, mesmo com o processo de industrialização dos produtos, a matéria-prima utilizada para a fabricação dos picolés e sorvetes carece, necessariamente, do trabalho humano, o que vai permitir à empresa abrir 150 novos postos de trabalho diretos.
Para o diretor-presidente da Agência de Desenvolvimento Econômico do Amapá (Agência Amapá), Eliezir Viterbino, a instalação das duas primeiras empresas certificadas pelo Conselho de Administração da Suframa marca o início de uma era de desenvolvimento para o Amapá, o que comprova que ações estratégicas para alavancar a economia estão no caminho certo.
“Não tenho dúvidas de que focar no setor econômico como eixo principal para desenvolver, economicamente, o Estado foi a melhor escolha do governador Waldez Góes. Ver esse processo iniciando nos dá muito orgulho, primeiro porque estamos valorizando os nossos investidores locais e os que vêm de fora, como no caso do Thiago Verçosa que vai produzir ração animal. E, para finalizar a terceira frente de trabalho, em breve, teremos uma fábrica de cimentos e, assim, muitos outros virão” destacou o diretor-presidente.
Ainda de acordo com ele, outros 15 empreendedores já estão com documentos em tramitação na Agência Amapá, para o processo de instalação no Estado do Amapá, com os incentivos da Zona Franca Verde.

Colaborou: Lidiane Lamarão/Agência Amapá

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