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segunda-feira, 14 de março de 2016

FORTALEZA 234 ANOS: Monumento comemora aniversário dia 19

Cleber Barbosa
Editor de Turismo

Um dos maiores símbolos da identidade turística da cidade de Macapá, a Fortaleza de São José de Macapá completará aniversário no próximo sábado. Chega aos 234 anos desde que portugueses, negros e índios ergueram um monumento um tanto controverso, por jamais ter dado um tiro real, que usou mão de obra escrava em sua edificação e que até serviu de prisão política, mas que, incontestavelmente, é exuberante, imponente e bela. Algo para se orgulhar em termos de atrativo turístico e que precisa de muito mais divulgação.
Com o objetivo de levar lazer, educação e conhecimento, a Fortaleza estará promovendo durante a semana uma programação de cunho educativo e cultural. Que já inicia neste domingo, com a visita da imagem peregrina do santo que dá nome ao monumento – afinal a inauguração se deu num dia de São José. Também haverá a celebração de uma missa, seguida de visitação às suas dependências.
Turismólogo Jubi de Souza
Segundo o turismólogo Jubi de Souza, 34, que é um dos técnicos do Museu Fortaleza de São José (nome oficial atual), a programação serve para a valorização do forte, que caminha a passos largos para ganhar reconhecimento da Unesco como patrimônio cultural da humanidade. “Para mim é um orgulho muito grande trabalhar aqui, num monumento que é a cara da cidade de Macapá e que inclusive deu origem à nossa cidade”, diz o especialista.
No sábado pela manhã haverá apresentações artísticas, com artistas locais e abertura de uma exposição de artes plásticas assinadas pelo inesquecível pintor amapaense R. Peixe. À tarde, a Banda de Musica do Corpo de Bombeiros Militar fará um concerto aos visitantes e autoridades convidadas., seguida do canto dos parabéns e do corte do bolo de aniversário da Fortaleza.
O atual gerente do museu é um militar, Valdeci Sampaio Bonfim. Ele diz que só o fato da Fortaleza ter sido reaberta ao público é um grande presente para esse grande patrimônio dos amapaenses. “Mas o ideal é que aquelas pessoas que aqui nasceram ou que para cá vieram, mas que ainda não visitaram o nosso forte possam aproveitar essa data para vir aqui e saber mais a respeito dessa maravilha global que ela é”, derrete-se o administrador.
De terça-feira a domingo a Fortaleza está aberta a visitações, no horário das 8 às 18 horas. Os técnicos dizem que há um projeto de reforma e manutenção reparadora, para que ela não perca nem o charme nem a tradição de maior atração da cidade.

Uma história de muito simbolismo e estratégia
Para suceder os redutos de 1738 (Reduto do Macapá) e de 1761 (Forte do Macapá), e dar solução definitiva à fortificação da barra norte do rio Amazonas, o Governador e Capitão-general do Estado do Grão-Pará e Maranhão, Fernando da Costa de Ataíde Teive, dirigiu-se à vila de São José do Macapá, onde, a 2 de janeiro de 1764, em companhia do Sargento-mor Engenheiro Henrique Antônio Galucio, examinou o terreno e aprovou a planta geral da nova fortaleza.
Meses mais tarde, a 29 de junho nesse mesmo ano, foi lançada a pedra fundamental da fortaleza, no ângulo do baluarte sob a invocação de São Pedro, na presença do governador, do Coronel Nuno da Cunha Ataíde Varona, comandante da Praça, do Sargento-mor Galúcio, do Senado da Câmara e das demais autoridades civis e religiosas da vila.
O bispo D. Frei Caetano da Anunciação Brandão, que passou por Macapá em viagem pastoral em 23 de março de 1785, registou em seu diário de viagem a observação de que a fortaleza era "(...) regular, segura e espaçosa ao gosto moderno, que importou ao rei Dom José três milhões (...); porém acha-se mui falta de gente para defender."

A construção usou mão de obra índia e negra e demorou 18 anos para conclusão
A sua construção empregou, além de oficiais e soldados, canteiros, artífices e trabalhadores africanos e indígenas. Eram pagos 140 réis diários aos primeiros contra apenas quarenta réis para os segundos. Os trabalhos distribuíram-se entre as pedreiras da cachoeira das Pedrinhas, no rio Pedreiras, a cerca de 32 quilômetros de distância de Macapá (extração e cantariação), os fornos de cal, as olarias (tijolos e telhas), a logística (transporte fluvial e terrestre), além do próprio canteiro de obras em Macapá.
O Sargento-mor Galúcio veio a falecer de malária durante as obras, a 27 de outubro de 1769, tendo assumido a direção dos trabalhos o Capitão Henrique Wilckens, até à chegada do Sargento-mor Engenheiro Gaspar João Geraldo de Gronfeld. Comandava a praça, à época, o Mestre de Campo do 1º Terço de Infantaria Auxiliar de Belém, Marcos José Monteiro de Carvalho.
No primeiro semestre de 1771 estavam concluídos os trabalhos internos, demorando-se os acabamentos exteriores até depois de 1773. Deste período (dezembro de 1772), existe planta dada pelo Governador e Capitão General do Grão Pará, João Pereira Caldas, ao Ministro Martinho de Melo e Castro (Planta da Fortaleza de S. José de Macapá, c. 1772. Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa).
O falecimento do rei D. José (1750-1777), e a exoneração do Marquês de Pombal por D. Maria I (1777-1816), trouxeram como reflexo sérias restrições orçamentárias, fazendo com que a inauguração da fortaleza só viesse a ocorrer, com as obras complementares ainda pendentes de realização, a 19 de março de 1782, dia do seu padroeiro, São José. Estima-se que foram consumidos nas obras, três milhões de cruzados.

Curiosidades
- A Fortaleza de São José de Macapá localiza-se numa ponta de terra à margem esquerda do rio Amazonas, na antiga Província dos Tucujus, atual cidade de Macapá, no estado do Amapá, no Brasil.
- Ela é testemunha do vasto projeto de defesa da Amazônia desenvolvido pelo marquês de Pombal, as suas dimensões são comparáveis às do Real Forte Príncipe da Beira.

1764
Este foi o ano do início da construção da Fortaleza de São José de Macapá.

CARTÃO-POSTAL

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