domingo, 14 de agosto de 2011

“Estrada é sinônimo de desenvolvimento”


BRUNO MINEIRO - Além de deputado, é engenheiro e traça raio-x das estradas do Amapá

Ele nasceu no meio da política, afinal o pai foi prefeito de Tartarugalzinho, mas buscou a formação técnica como engenheiro e consolidou a carreira na iniciativa privada. Até que contagiou-se com o serviço público e decidiu disputar sua primeira eleição, no ano passado, sendo um dos mais votados candidatos a deputado estadual. Bruno Mineiro hoje um atuante parlamentar de primeiro mandato, uniu o conhecimento acadêmico e a experiência empreendedora para presidir a Comissão de Obras da Assembleia Legislativa e, a pedido do Diário do Amapá, traça um raio-x das estradas que cortam o Estado, sejam elas federais, estaduais ou mesmo vicinais, ramais e outros caminhos por onde muita gente sofre no dia a dia de artérias mal conservadas ou a espera de asfalto. Acompanhe a seguir os principais trechos da entrevista concedida ao jornalista Cleber Barbosa.

"A gente tem discutido muito tudo isso para que essas obras sejam executadas o mais rápido possível, pois estrada é sinônimo de desenvolvimento e para que diminua o sofrimento do pessoal que mora nesses interiores"


Por Cleber Barbosa
Para o Diário do Amapá


Diário do Amapá - Deputado o senhor acaba de retornar do recesso parlamentar do mês de julho então é sempre uma boa hora para olhar para trás e fazer um balanço do período que terminou. Como foi seu primeiro semestre como deputado estadual?

Bruno Mineiro - Foi de experiência, de observação para junto com os colegas colhermos algumas informações e discutirmos muitos assuntos importantes, o que nos leva a acreditar num segundo semestre bastante produtivo ainda, pois a Assembleia já foi produtiva através dessa nova roupagem que o presidente Moisés Souza deu para a Casa. As Comissões estão trabalhando, estão ocorrendo audiências públicas, o público também compareceu às sessões, enfim , foi muito importante este período.

Diário - E para o segundo período, o senhor diria que o melhor ainda está por vir?

Bruno - Ah, com certeza, iremos estar muito mais atuantes e discutindo temas ainda mais importantes, como a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias), assim como a Lei Orçamentária do Estado, conforme as discussões do PPA (Plano Plurianual) do qual eu estive representando a Casa juntamente com outros colegas em vários municípios pelo interior junto com o Governo do Estado.

Diário - Como essa experiência pode ajudar nessa outra etapa de definição do orçamento?

Bruno - Como estivemos in loco, vendo de perto os problemas, fica melhor para discutirmos as soluções também, daí meu otimismo em achar que este segundo semestre será melhor ainda.

Diário - Deputado, o senhor também por ser engenheiro preside a Comissão de Obras da Assembleia, então agora que as chuvas começam a parar qual a sua avaliação sobre o estado de conservação das rodovias estaduais e federais que cortam o Amapá?

Bruno - Olha, a gente tem que trabalhar sempre com planejamento, então eu que ando sempre por essas estradas, sejam elas federais ou estaduais, assim como os pequenos ramais também que a gente tem andado, os assentamentos, então o que nos tem deixado preocupados e até nos levando a conversar muito com o secretário de Transportes, Sérgio La Roque, é exatamente para trabalhar agora no verão uma manutenção para que no inverno não chegue ao ponto que ficou nesse inverno passado, com muitas dificuldades para quem foi ao Jari ou para a região do Oiapoque e até para Itaubal do Piririm.

Diário - O senhor não falou na Perimetral Norte, que liga a Capital a municípios como Pedra Branca do Amapari e Serra do Navio, como está a situação de lá?

Bruno - Esse foi o trecho que estava em melhor estado porque teve uma manutenção constante garantida através de recursos federais repassados a uma empresa que executou esses trabalhos de modo que graças a Deus não teve nenhum problema.

Diário - Com relação à pavimentação do trecho Norte da BR-156 isso pelo menos está sendo garantido, não é?

Bruno - Pois é, eu inclusive estive agora em julho no lançamento da retomada dessa obra, em seu primeiro lote, que é a CR Almeida que está executando, gerando mais de 500 empregos diretos, o que nos deixa muito feliz. A preocupação é com os dois outros lotes que estão em conversação para ver se reinicia ainda neste semestre para aproveitar o verão. Na verdade é preciso ter o Plano Rodoviário Estadual, onde há um recurso do BNDES para ser liberado para o asfaltamento da rodovia estadual AP-070, que liga a Itaubal e Cutias, assim como o ramal do Pracuúba, os dois ramais do Amapá, além da estrada entre Mazagão Novo e Mazagão Velho.

Diário - Isso tudo é acompanhado pela Comissão de Obras da Assembleia?

Bruno - Sim, a gente tem discutido muito tudo isso para que essas obras sejam executadas o mais rápido possível, pois estrada é sinônimo de desenvolvimento e para que diminua o sofrimento do pessoal que mora nesses interiores.

Diário - Muita gente diz que o trecho que falta ser pavimentado da BR-156 até Oiapoque é o mais acidentado, ou seja, com mais montanhas e elevação, então para o senhor que é técnico dessa área há motivos para preocupações adicionais?

Bruno - Não diria uma preocupação, na verdade ficou um pouco mais caro sim esse trecho, mas isso já está planejado dentro do orçamento, não há nenhum problema. O único senão que temos é com relação ao último trecho, chegando ao Oiapoque, pois corta terras indígenas e eles, com toda naturalidade, estão buscando e reivindicando compensações para a estrada passar dentro de suas áreas, então eles têm todo o direito de requerer isso.

Diário - Mas as coisas estão avançando nessas negociações com eles?

Bruno - O secretário La Roque, o próprio governador Camilo têm conversado bastante sobre isso, eu mesmo já participei inclusive em Brasília com eles em uma reunião com o ministro dos Transportes, juntamente com o Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), onde ficou definido que haveriam essas compensações para que os índios não tivessem nenhum problema com suas reservas e a estrada pudesse passar.

Diário - E os recentes problemas no Dnit, deputado, isso não atrapalhou em nada?

Bruno - Sim, essa turbulência toda provocou alguns entraves, mas já se está discutindo com os novos diretores que estão assumindo a pasta, então acredito que brevemente isso estará sendo resolvido e não haverá nenhum problema para a execução da obra.

Diário - Ainda sobre a região do Oiapoque, no acordo transfronteiriço do Brasil com a França eles precisaram abrir uma estrada entre Régina e Saint George dentro de um conceito de estrada-parque, ecologicamente mais correta, mas que devido às limitações de tonelada por eixo diferente da legislação brasileira poderá inviabilizar o transporte de cargas pela ponte binacional. O que o senhor acha disso?

Bruno - Eu já estive em Caiena no último mês de maio juntamente com a Comissão de Relações Exteriores, com os deputados Paulo José, Valdeco Vieira, Manoel Brasil e a deputada Sandra Ohana, fomos de carro e pudemos ver essa estrada a que você se refere e realmente existe essa preocupação. É uma estrada diferenciada, não existe acostamento, só os sete metros da pista de rolamento...

Diário - E algumas pontes dão passagem apenas a um carro por vez, não é?

Bruno - Justamente, são pontes de estrutura metálica que dá passagem só para um carro e dependendo também da condição da largura do veículo pode atrapalhar para um caminhão maior. Nós vamos discutir isso também durante o Encontro Internacional em Caiena, nos dias 15 e 16 de setembro, onde os nossos parlamentares estaduais e federais estão atuantes nessa questão, como Paulo José e Bala Rocha, assim como o senador Randolfe também, de modo a que possamos avançar nesse e em outros temas sensíveis e importantes para os interesses do Amapá e do Brasil.

Diário - O senhor possui bases familiares num município do interior, que é Tartarugalzinho, às margens da BR-156, então sabe muito bem a importância que tem uma estrada pavimentada não é mesmo?

Bruno - Com certeza, nem se fala. Antigamente para se chegar a Tartarugalzinho, que fica a 230 quilômetros de Macapá, a gente gastava até dez horas de carro e hoje dá para fazer a viagem em até duas horas, tranqüilo. Mas não é só isso, verificamos lá um crescimento em todos os níveis na região depois do asfaltamento, pois as empresas começam a investir, começam vários negócios, pois a geração de empregos deve vir mesmo é da iniciativa privada e não devemos mais ficar nessa dependência de governo e prefeituras estarem bancando essa questão de empregos, agora o que nós enquanto poder público devemos fazer é dar todas as condições para que o setor privado possa investir, com energia de qualidade, com estradas boas, enfim, a infraestrura. Então Tartarugalzinho já mudou bastante e até Calçoene, onde o asfaltamento da BR também já alcançou.

Perfil

O deputado estadual Bruno Manoel Resende tem 31 anos de idade, é casado e pai de uma filha. É engenheiro civil formado pela Fundação Mineira de Educação e Cultura (FUMEC), em Belo Horizonte, no ano de 2002. Atuou na área da construção civil, tornando-se um importante empresário do setor, tocando obras públicas e privadas na região, mas sempre com o olhar voltado para a cidade onde cresceu na companhia do pai, que foi prefeito de Tartarugalzinho, Altamir Resende. Incentivado por ele disputou no ano passado sua primeira eleição, obtendo 4.999 votos e elegendo-se deputado estadual. Hoje preside a Comissão de Obras e é membro das Comissões de Meio Ambiente e de Políticas Públicas da AL.

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