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domingo, 24 de abril de 2016

“Empreender não é só montar negócios, é ter atitude, uma perspectiva diferente”.

Um dos nomes mais respeitados atualmente no mercado dos grandes palestrantes é João Kepler. Uma curiosidade sobre ele, que veio a Macapá recentemente a convite do Sebrae para proferir palestra sobre sua especialista, a inovação, é que é amapaense. Hoje um cidadão do mundo, pois estudou e morou nos Estados Unidos, fez carreira no Nordeste (hoje mora em Maceió), retornou a Macapá uma semana depois da palestra, ocasião em que falou ao jornalista Cleber Barbosa sobre sua visão empreendedora, a carreira e os desafios que a crise econômica está propondo aos homens e mulheres de negócio. Também explica como radicalizou ao cortar a mesada dos próprios filhos, só para incutir noções de empreendedorismo nos garotos, que seguiram seu exemplo e hoje também são sucesso nos negócios.

Cleber Barbosa
Da Redação

Diário do Amapá – Depois de muitos anos você retornou a Macapá para mais uma de suas palestras, como foi esse reencontro com a cidade onde você nasceu antes de ganhar o mundo João?
João Kepler – Pois é, foi um enorme prazer retornar, bater um papo com as pessoas e falar sobre inovação, que é a minha especialidade, então oportunidade para atualizar todo mundo dessa terra bonita que aliás fazia tempo que eu não vinha aqui.

Diário – Pois é, foi a primeira vez que você retornou a Macapá depois dessa fase profissional em que virou palestrante?
João – Foi. Depois de adulto foi sim. Eu nasci em Macapá e a primeira coisa que disse nessa volta foi que o bom filho à casa torna... [risos]

Diário – E como foi essa experiência, da volta?
João – Foi muito bom, inclusive porque alguns parentes meus foram lá no evento do Sebrae para me ver, foi rápido demais então tive que voltar outra vez logo em seguida. Agora eu pretendo voltar mais vezes, com certeza.

Diário – E sobre falar em inovação, o que essa palavra representa nos dias atuais de dificuldades na economia e em diversas áreas?
João – Na verdade inovação não é tecnologia, pois essa é a primeira coisa que vem à cabeça das pessoas quando ouvem falar em inovação. Elas dizem “ah isso é aplicativo, é para celular, sites, sistemas”. Não, não é nada disso. É também, né? Inovação é uma atitude, é você fazer a mesma coisa que você já faz só que de forma diferente. Quando você inova num processo, quando você inova na sua empresa, numa loja, por exemplo, você atinge um objetivo que é o encantamento do seu cliente e das pessoas que se relacionam com você. Então inovar é você fazer algo que você não faz e passa a fazer, ou seja, você faz uma mudança que pode ser inovadora ao ponto das pessoas dizerem “uau!”, ou ainda “nunca pensei nisso”, “que bacana”, entende? Isso realmente faz toda a diferença.

Diário – Daí se aplicar ao pacote de enfrentamento da crise?
João – Para mim inovação é a única ferramenta que nós temos, tirando investimento, dinheiro e outras coisas que a gente pode fazer em nossos estabelecimentos, em nossas empresas que pode mudar e ajudar nesse momento tão complicado que a gente está passando na economia brasileira, nas empresas e nos negócios.

Diário – Guardadas as questões de natureza ética, qual o case que você poderia exemplificar sobre alguém que decidiu inovar e o resultado foi satisfatório?
João – Posso dizer duas coisas sobre inovação que podem ajudar. Primeiro é a questão da perspectiva em relação aos modelos de negócio. Falando em turismo você tem o site “Airbnb.com”, que é o maior sistema, o maior negócio hoje de aluguel de quartos no mundo. Ele compete diretamente com os maiores hotéis, já se aluga mais quartos nesse site, que é mundial, vale bilhões. Para se ter uma ideia da importância desse modelo de negócio, chamado de pessoa para pessoa, onde não existe intermediário, não existe nenhuma estrutura mobilizada, apenas os quartos ou até a casa inteira das pessoas dispostas a alugar. Isso é um modelo de negócio inovador. Assim como o aplicativo UBER, que compete com os táxis tradicionais, pois são pessoas dirigindo para pessoas, com seu carro próprio. São modelos de negócios totalmente inovadores e que estão valendo bilhões no mercado e que não têm capital tangível, aquele que se pega, sabe? Mesa, cadeira, imóvel, patrimônio. Esses modelos só têm capital intangível, o chamado capital intelectual, que qualquer jovem, qualquer pessoa hoje pode montar um negócio do nada e fazer muito dinheiro. Não requer grandes estruturas, grandes investimentos e por isso tantos jovens estão fazendo aplicativos, por exemplo.

Diário – E na sua própria família você já conseguiu motivar seus filhos a serem empreendedores, não é?
João – Sim, eu tenho um filho de 14 anos que desenvolveu uma solução de venda de material escolar online que intermedia com os pais, eles não precisam buscar material escolar em várias papelarias. Ele entra no site do meu filho e é só botar a idade, a série e a escola que automaticamente a lista inteira aparece na tela. E ainda se pode pagar em dez vezes...

Diário – É o que se chama hoje de startup é isso?
João – Exatamente, é uma startup, uma empresa inovadora.

Diário – Pois é, a mídia chegou a explorar essa sua relação com seus filhos, dizendo que ao cortar a mesada deles você os induziu a serem empreendedores, buscarem sua própria renda, que pudessem conquistar as coisas. Como foi isso?
João – Eu desde muito cedo criei um ambiente empreendedor dentro da minha casa. Tenho uma menina de 11 anos que faz brigadeiros, bolinhos, cupcakes e vende na escola para suas amiguinhas, faz encomendas, enfim, busca o dinheirinho dela. O meu do meio, que se chama Davi, de 14 anos, foi o que criou essa startup de material escolar e o mais velho de 16 tem uma empresa de venda de ingressos. Por que que eles decidiram abrir seus próprios negócios? Porque eu nunca dei nada a eles além das datas tradicionais comemorativas, então a televisão, o computador, tudo o que o Davi tem no quarto ele comprou com o dinheiro dele. Então são conceitos de empreendedorismo que eu estou implantando na minha casa desde cedo, porque empreender também não é só montar negócios, é ter atitude. Empreender é ter uma perspectiva diferente sobre tudo, é olhar inovação por outro aspecto, por outros olhos.

Diário – Isso teria sido repassado a você por seu próprio pai, só que de um conhecimento empírico, é isso?
João – Verdade. Do jeito dele, né? Ele não sabia muito bem o que estava fazendo e nunca me deu nada, como carro, roupa bonita, nada. Ele dizia apenas “te vira moleque”, ou então “o rio é ali pegue uma tal de vara”. O que eu fiz foi dizer “te vira moleque, o rio é ali, pegue uma tal de vara e coloque uma isca, você tem que ter habilidade, resiliência, paciência”. Ou seja, eu fui um pouco mais além do que meu pai, que não sabia o que precisava ser feito. Hoje é muito mais fácil você dar os caminhos e se tornar um mentor e não um professor. O mentor e o cara que pergunta e o professor é o cara que ensina.

Diário – Nada contra educação tradicional, né?
João – Não, é que tudo o que eu incentivei eles a lerem, pesquisarem sobre empreendedorismo, funcionou como uma educação complementar, porque a educação tradicional apesar de ser muito importante, e é, ainda é muito focada na decoreba ainda né? O meu mais velho diz assim “eu não quero decorar, quero aprender”. Você só aprende quando você exercita.

Diário – O Amapá viveu há alguns dias o paradigma de realizar ou não a Expofeira Agropecuária, o maior evento sobre o que o estado produz. Feiras estão ultrapassadas ou ainda são importantes?
João – Primeiro que o turismo de eventos é fortíssimo no mundo todo. É o turismo que mais cresce. As pessoas vão a eventos como esse porque precisam se relacionar de pessoas para pessoas, pois as oportunidades vão aparecendo. As agências de viagem viviam no passado só da venda de bilhetes, hoje elas vivem da venda de serviços turísticos, pois as pessoas vão na internet e compram online. Então quando as pessoas têm a chance de se encontrar num evento como esse as oportunidades aparecem.

Perfil

Entrevistado. João Kepler Braga é um   Empreendedor Serial; Especialista em Comércio Eletrônico, Marketing Digital, Empreendedorismo e Vendas; Investidor Anjo, membro da AnjosDoBrasil; Finalista do prêmio Spark Awards como Investidor Anjo do Ano; Conselheiro da GCSM Global Council of Sales Marketing; Associado e Mentor na @SeedInvestimentos; Cotista e Mentor na Aceleradora StartYouUp; CEO na Plataforma B2B de Internet Ticketing ShowDeIngressos; Blogueiro e Colunista de diversos Portais no Brasil; Palestrante internacional; Escritor e autor de Livros e DVD´s, como: “Vendas 3.0″, “O vendedor na Era Digital” e “Vendas & Atendi-mento”; Incentivador do ecossistema empreendedor no Brasil e espalhador de Ideias.

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