domingo, 14 de agosto de 2011
Efetivamente Barcellos
O ex-governador do Amapá, Annibal Barcellos, me fez acordar mais cedo neste domingo do Dia dos Pais. Antes das sete da manhã chegou no celular a mensagem da colega Ziulana Melo, a respeito do falecimento do "Barcelinhos", como o povão o tratava. Ziulana é irmã do Márlio Melo, casado com a filha do coronel Estoesse, amigo e eterno assessor militar do Comandante e ficou sabendo do ocorrido logo que ele partiu, na madrugada, quando dormia.
Como muitos jovens amapaenses também tive que sair daqui para estudar fora mas a gente sempre acompanhou o trabalho e as polêmicas em torno do Comandante, vira e mexe imitando o jeito de ele falar e dar entrevistas, cuja maior identidade era o que depois viríamos a saber indentificar como um "micromarcador" de sua retórica, a expressão "efetivamente".
Como profissional de imprensa não posso negar que a obra de Barcellos ficará eternizada entre a população mais pobre, gente que ganhou uma casa, um emprego, uma passagem, uma cadeira de rodas ou simplesmente a visita do velho lobo do mar em casa. Era popular, carismático e empreendedor. Isso é o que fica. As contestações até políticos que lhe fizeram oposição depois admitiram ter travado com ele um bom combate.
A família Barcellos nossa solidariedade e votos de que o legado dele, de amor por esta terra que o recebe para sempre na terça-feira, sirva de insentivo e força.
Cleber Barbosa
Editor
Coluna Argumentos deste domingo
Avanço
Uma delegação da Guiana Francesa desembarca em Macapá na próxima segunda-feira com a missão de debater com autoridades locais a implantação do serviço de “visa” para brasileiros entrarem em Caiena. O visto deverá ser expedido por aqui através do cônsul honorário da França no Amapá, Jean-François Le Cornet. Uma boa notícia essa.
Bala na agulha
Está solto o secretário-executivo do Ministério do Tu-rismo, Frederico Costa e Silva, preso na última terça-feira durante operação da Polícia Federal que investiga desvio de milhões na pasta. Ele deixou o Iapen na noite de sexta-feira, segundo fonte do governo federal, depois de pagar fiança de R$ 109 mil arbitrada pelo juiz Guilherme Mendonça
Imunização
O presidente do Rotary Club Macapá, Evandro Valente, acompanhou ontem de perto mais uma etapa da campanha nacional de vacinação, contra a paralisia infantil, em Macapá. Ele lembrou que foi devido à doença ter acometido o filho de um Rotaryano, noa Estados Unidos, que as campanhas de vacinação começaram.
AeronaveO deputado Paulo José, presidente da Comissão de Relações Exteriores, informou que a bancada federal do Amapá enviou documento ao comandante da Aeronáutica, Brigadeiro Juniti Saito, solicitando a disponibilização de uma aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB) para o transporte de cerca de 80 pessoas que irão ao Encontro Transfronteiriço em Caiena, mês que vem.
Energia
O deputado estadual Júnior Favacho (PMDB-AP) foi ontem para a região da Perimetral Norte, que compreende os municípios de Pedra Branca do Amapari e Serra do Navio. Ele foi verificar pessoalmente a situação descrita pelo presidente da Câmara de Pedra Branca, que apelou para a instalação urgente de uma usina termelétrica por lá devido ao risco de apagão.
Emendas
O senador Randolfe Rodrigues abriu um processo de discussão sobre a destinação de suas emendas parlamentares para o próximo ano. Uma coisa ele já decidiu: quer destinar 50% dos recursos para o setor da saúde pública. Ele reuniu ontem com médicos e enfermeiros dirigentes de classe para ter uma noção de como anda os serviços. Depois ouve o poder público.
Servidores
O presidente da Assembleia Legislativa do Amapá, Moisés Souza (PSC), está mesmo focado nessa política de resgate da autoestima tanto de parlamentares quanto de servidores da AL. Nos próximos dias ele deverá anunciar a construção de uma sede campestre para os funcionários da Casa, a partir da aquisição de um terreno e do projeto para edificar ponto de lazer social.
Atletismo
A atleta amapaense Teresa Ipólito, foi ao rádio ontem e se disse triste com a saída daquela que poderia ser sua maior adversária das pistas e dos circuitos de rua. Mas Érica, é de fato, sua amiga e resolveu dar um tempo das competições, por falta de apoio, ou patrocínio, como queiram. Teresa falou da campanha “Adote um atleta”, para empresas. Quem se habilita?
“Estrada é sinônimo de desenvolvimento”
BRUNO MINEIRO - Além de deputado, é engenheiro e traça raio-x das estradas do Amapá
Ele nasceu no meio da política, afinal o pai foi prefeito de Tartarugalzinho, mas buscou a formação técnica como engenheiro e consolidou a carreira na iniciativa privada. Até que contagiou-se com o serviço público e decidiu disputar sua primeira eleição, no ano passado, sendo um dos mais votados candidatos a deputado estadual. Bruno Mineiro hoje um atuante parlamentar de primeiro mandato, uniu o conhecimento acadêmico e a experiência empreendedora para presidir a Comissão de Obras da Assembleia Legislativa e, a pedido do Diário do Amapá, traça um raio-x das estradas que cortam o Estado, sejam elas federais, estaduais ou mesmo vicinais, ramais e outros caminhos por onde muita gente sofre no dia a dia de artérias mal conservadas ou a espera de asfalto. Acompanhe a seguir os principais trechos da entrevista concedida ao jornalista Cleber Barbosa.
"A gente tem discutido muito tudo isso para que essas obras sejam executadas o mais rápido possível, pois estrada é sinônimo de desenvolvimento e para que diminua o sofrimento do pessoal que mora nesses interiores"
Por Cleber Barbosa
Para o Diário do Amapá
Diário do Amapá - Deputado o senhor acaba de retornar do recesso parlamentar do mês de julho então é sempre uma boa hora para olhar para trás e fazer um balanço do período que terminou. Como foi seu primeiro semestre como deputado estadual?
Bruno Mineiro - Foi de experiência, de observação para junto com os colegas colhermos algumas informações e discutirmos muitos assuntos importantes, o que nos leva a acreditar num segundo semestre bastante produtivo ainda, pois a Assembleia já foi produtiva através dessa nova roupagem que o presidente Moisés Souza deu para a Casa. As Comissões estão trabalhando, estão ocorrendo audiências públicas, o público também compareceu às sessões, enfim , foi muito importante este período.
Diário - E para o segundo período, o senhor diria que o melhor ainda está por vir?
Bruno - Ah, com certeza, iremos estar muito mais atuantes e discutindo temas ainda mais importantes, como a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias), assim como a Lei Orçamentária do Estado, conforme as discussões do PPA (Plano Plurianual) do qual eu estive representando a Casa juntamente com outros colegas em vários municípios pelo interior junto com o Governo do Estado.
Diário - Como essa experiência pode ajudar nessa outra etapa de definição do orçamento?
Bruno - Como estivemos in loco, vendo de perto os problemas, fica melhor para discutirmos as soluções também, daí meu otimismo em achar que este segundo semestre será melhor ainda.
Diário - Deputado, o senhor também por ser engenheiro preside a Comissão de Obras da Assembleia, então agora que as chuvas começam a parar qual a sua avaliação sobre o estado de conservação das rodovias estaduais e federais que cortam o Amapá?
Bruno - Olha, a gente tem que trabalhar sempre com planejamento, então eu que ando sempre por essas estradas, sejam elas federais ou estaduais, assim como os pequenos ramais também que a gente tem andado, os assentamentos, então o que nos tem deixado preocupados e até nos levando a conversar muito com o secretário de Transportes, Sérgio La Roque, é exatamente para trabalhar agora no verão uma manutenção para que no inverno não chegue ao ponto que ficou nesse inverno passado, com muitas dificuldades para quem foi ao Jari ou para a região do Oiapoque e até para Itaubal do Piririm.
Diário - O senhor não falou na Perimetral Norte, que liga a Capital a municípios como Pedra Branca do Amapari e Serra do Navio, como está a situação de lá?
Bruno - Esse foi o trecho que estava em melhor estado porque teve uma manutenção constante garantida através de recursos federais repassados a uma empresa que executou esses trabalhos de modo que graças a Deus não teve nenhum problema.
Diário - Com relação à pavimentação do trecho Norte da BR-156 isso pelo menos está sendo garantido, não é?
Bruno - Pois é, eu inclusive estive agora em julho no lançamento da retomada dessa obra, em seu primeiro lote, que é a CR Almeida que está executando, gerando mais de 500 empregos diretos, o que nos deixa muito feliz. A preocupação é com os dois outros lotes que estão em conversação para ver se reinicia ainda neste semestre para aproveitar o verão. Na verdade é preciso ter o Plano Rodoviário Estadual, onde há um recurso do BNDES para ser liberado para o asfaltamento da rodovia estadual AP-070, que liga a Itaubal e Cutias, assim como o ramal do Pracuúba, os dois ramais do Amapá, além da estrada entre Mazagão Novo e Mazagão Velho.
Diário - Isso tudo é acompanhado pela Comissão de Obras da Assembleia?
Bruno - Sim, a gente tem discutido muito tudo isso para que essas obras sejam executadas o mais rápido possível, pois estrada é sinônimo de desenvolvimento e para que diminua o sofrimento do pessoal que mora nesses interiores.
Diário - Muita gente diz que o trecho que falta ser pavimentado da BR-156 até Oiapoque é o mais acidentado, ou seja, com mais montanhas e elevação, então para o senhor que é técnico dessa área há motivos para preocupações adicionais?
Bruno - Não diria uma preocupação, na verdade ficou um pouco mais caro sim esse trecho, mas isso já está planejado dentro do orçamento, não há nenhum problema. O único senão que temos é com relação ao último trecho, chegando ao Oiapoque, pois corta terras indígenas e eles, com toda naturalidade, estão buscando e reivindicando compensações para a estrada passar dentro de suas áreas, então eles têm todo o direito de requerer isso.
Diário - Mas as coisas estão avançando nessas negociações com eles?
Bruno - O secretário La Roque, o próprio governador Camilo têm conversado bastante sobre isso, eu mesmo já participei inclusive em Brasília com eles em uma reunião com o ministro dos Transportes, juntamente com o Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), onde ficou definido que haveriam essas compensações para que os índios não tivessem nenhum problema com suas reservas e a estrada pudesse passar.
Diário - E os recentes problemas no Dnit, deputado, isso não atrapalhou em nada?
Bruno - Sim, essa turbulência toda provocou alguns entraves, mas já se está discutindo com os novos diretores que estão assumindo a pasta, então acredito que brevemente isso estará sendo resolvido e não haverá nenhum problema para a execução da obra.
Diário - Ainda sobre a região do Oiapoque, no acordo transfronteiriço do Brasil com a França eles precisaram abrir uma estrada entre Régina e Saint George dentro de um conceito de estrada-parque, ecologicamente mais correta, mas que devido às limitações de tonelada por eixo diferente da legislação brasileira poderá inviabilizar o transporte de cargas pela ponte binacional. O que o senhor acha disso?
Bruno - Eu já estive em Caiena no último mês de maio juntamente com a Comissão de Relações Exteriores, com os deputados Paulo José, Valdeco Vieira, Manoel Brasil e a deputada Sandra Ohana, fomos de carro e pudemos ver essa estrada a que você se refere e realmente existe essa preocupação. É uma estrada diferenciada, não existe acostamento, só os sete metros da pista de rolamento...
Diário - E algumas pontes dão passagem apenas a um carro por vez, não é?
Bruno - Justamente, são pontes de estrutura metálica que dá passagem só para um carro e dependendo também da condição da largura do veículo pode atrapalhar para um caminhão maior. Nós vamos discutir isso também durante o Encontro Internacional em Caiena, nos dias 15 e 16 de setembro, onde os nossos parlamentares estaduais e federais estão atuantes nessa questão, como Paulo José e Bala Rocha, assim como o senador Randolfe também, de modo a que possamos avançar nesse e em outros temas sensíveis e importantes para os interesses do Amapá e do Brasil.
Diário - O senhor possui bases familiares num município do interior, que é Tartarugalzinho, às margens da BR-156, então sabe muito bem a importância que tem uma estrada pavimentada não é mesmo?
Bruno - Com certeza, nem se fala. Antigamente para se chegar a Tartarugalzinho, que fica a 230 quilômetros de Macapá, a gente gastava até dez horas de carro e hoje dá para fazer a viagem em até duas horas, tranqüilo. Mas não é só isso, verificamos lá um crescimento em todos os níveis na região depois do asfaltamento, pois as empresas começam a investir, começam vários negócios, pois a geração de empregos deve vir mesmo é da iniciativa privada e não devemos mais ficar nessa dependência de governo e prefeituras estarem bancando essa questão de empregos, agora o que nós enquanto poder público devemos fazer é dar todas as condições para que o setor privado possa investir, com energia de qualidade, com estradas boas, enfim, a infraestrura. Então Tartarugalzinho já mudou bastante e até Calçoene, onde o asfaltamento da BR também já alcançou.
Perfil
O deputado estadual Bruno Manoel Resende tem 31 anos de idade, é casado e pai de uma filha. É engenheiro civil formado pela Fundação Mineira de Educação e Cultura (FUMEC), em Belo Horizonte, no ano de 2002. Atuou na área da construção civil, tornando-se um importante empresário do setor, tocando obras públicas e privadas na região, mas sempre com o olhar voltado para a cidade onde cresceu na companhia do pai, que foi prefeito de Tartarugalzinho, Altamir Resende. Incentivado por ele disputou no ano passado sua primeira eleição, obtendo 4.999 votos e elegendo-se deputado estadual. Hoje preside a Comissão de Obras e é membro das Comissões de Meio Ambiente e de Políticas Públicas da AL.
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
Coluna Argumentos
Sortuda
Ficou para a última hora ontem se conhecer o grande vencedor da promoção “Pit Stop Gol”, no Posto Padre Júlio, de onde foi transmitida ao vivo pelo jornalístico Conexão Brasília, cá da Diário FM. A vencedora da passagem Macapá-Brasil-Macapá foi a cliente Clara dos Santos, que abasteceu vinte reais pela manhã e mais vinte ao meio-dia. Sortuda!
Vazamento
O Setrap bem que tem se esforçado para acelerar o ri-tmo das obras de urbanização do canteiro central da avenida Tancredo Neves, que muita gente acha que já pertence à BR-210. O Governo do Estado quer muito entregar essa obra,mas sempre tem problema. Ontem havia vazamento enorme de tubulação.
Folia
A Prefeitura de Macapá conseguiu marcar este último final de semana das férias com um reforço de peso para a programação do Macapá Verão. A carreta da Skol abarrotada de chopp deu o que falar na estréia, sexta-feira à noite, em frente ao Bar do Abreu. Testada em outras grandes cidades, a mega adega aprovou.
Pinga fogoO senador Randolfe Rodrigues (P-Sol/AP) concedeu entrevista ontem ao programa Conexão Brasília, da Diário FM, ocasião e que fez um balanço de seu primeiro semestre no Congresso Nacional. Ele também encarou um “pinga-fogo” com perguntas diretas sobre temas impactantes, como relacionamento com Camilo, Roberto, Lucas e, claro sobre seu futuro político.
Nova data
Por falar em Randolfe, o senador esclareceu depois do programa Conexão Brasília, que ouviu errado a pergunta se a parceria com Lucas Barreto havia sido “rompida”. Ele diz ter entendido estar “mantida”, daí sua resposta surpreendeu muita gente, quando afirmou “com certeza”. O parlamentar admitiu o bom momento, não descartou concorrer à PMM, assim como Clécio Luiz.
Missão
Depois de ter sido adiada semana passada, está confirmada uma visita de integrantes do Comitê Organizador do Amapá do II Encontro Internacional Transfronteiriço.
A delegação chefiada pelo deputado estadual Paulo José (PR) vai nesta segunda-feira, 1, até Caiena e de lá segue a Paramaribo e Georgetown.
Corpos
Notícias vindas de Caiena dão conta de que existem pelo menos 16 corpos de brasileiros junto a autoridades legistas da Guiana Francesa a espera de identificação. Esta informação cai como uma bomba sobre as cabeças de inúmeras famílias que há tempos reclamam a falta de informações sobre parentes que foram tentar a sorte na região do Platô das Guianas.
Desuso
A instalação de um posto da Polícia Técnico-Cientifica do Amapá, em Oiapoque, poderia ser muito importante para o contexto da segurança pública. Enquanto isso, em Santana, o prédio onde funcionava um posto da Politec estaria sendo retomado pelo Judiciário Amapaense, em virtude da quase obsoleta utilização do imóvel, localizado em bairro nobre de Vila Amazonas.
"O ideal é que as pessoas não adoeçam"
ANA PIRES - A medicina natural zela pela prevenção e não remediação da saúde
Mais uma amapaense que buscou qualificação fora dos domínios do Estado, mas que não foge às suas origens. Pelo contrário, assume características de “mulher amazônida”. Mais que isso,do interior da floresta, de uma aldeia kumarumã, onde seus avós têm origem. Trata-se da especialista em medicina natural Ana Pires, que desde a adolescência experimentou a vida naturalista, de alimentação vegetariana e do equilíbrio. Ela passa dias em Macapá depois de oito anos trabalhando em Curitiba (PR) e vi-sitando outros estados e, também, alguns países europeus, onde se disse entristecida ao constatar a enorme facilidade com que ervas da Amazônia são comercializadas livremente, enquanto que em sua Macapá, o Museu Sacaca, que deveria congregar o melhor da fitoterapia, dá sinais de abandono. O Diário do Amapá conversou com Ana Pires e o resultado está descrito a seguir.
Diário do Amapá - Como foi para a senhora voltar ao Amapá depois de tanto tempo lá fora estudando para ser hoje uma especialista em medicina natural?
Ana Pires - Nós vamos passar um período de trinta dias no estado, quando vamos tentar implantar aqui alguns projetos que já acontecem no Brasil, inclusive projetos que nós já estivemos na Itália defendendo e que estão sendo absorvidos pela Europa.
Diário - Não bate uma saudade de sua terra-natal?
Ana - Meu coração está aqui no Amapá, na Amazônia. Então eu tenho que vir aqui, sei da necessidade do nosso povo. A nossa proposta para o estado leva em consideração que se os melhores hospitais, os melhores médicos fossem um exemplo de saúde, então por que os Estados Unidos com tanta tecnologia, são campeões em AVC, de câncer do intestino, campeões de diabetes e de obesidade mórbida nem se fala, já virou epidemia a obesidade infantil?
Diário - Então qual é o segredo da saúde?
Ana - É uma atitude. Para você ter qualidade de vida é preciso ter uma atitude de saúde, pois somos uma máquina viva e toda máquina precisa de combustível e o nosso combustível é tudo o que consu-mimos de minerais, de vitaminas, os nutrientes do organismo, estes são os combustíveis do corpo humano. A maioria das doenças vem da deficiência nutricional, da deficiência de vitaminas e outras coisas mais.
Diário - Qual a relação da medicina natural que a senhora pesquisa e defende, com aquela tradicional medicina chinesa?
Ana - Existem dois tipos de medicina natural, a oriental e a ocidental. A do oriente é aquela que diz assim "toma esse chazinho de camomila que ele vai te energizar, vai te trazer bons fluídos", enfim, vai mais por esse lado energético que não é a nossa proposta. A nossa proposta com a medicina ocidental que diz "toma esse chá de camomila que ele tem um princípio ativo, que tem efeito calmante", enfim, explica cientificamente esse benefício.
Diário - Baseada em estudos e não em experiências, é isso?
Ana - É uma medicina mais responsável, mais profissionalizante e que nós estamos tentando tra-zer para o estado, inclusive com uma proposta de curso de pós-graduação em medicina natural, para o qual estamos tentando fazer algumas parcerias. Mas também estamos tentando alguns cursos livres de naturopatia, porque enquanto não se profissionalizar os nossos agentes de saúde do estado, nós vamos ter um prejuízo sempre muito grande.
Diário - Estamos em desvantagem, então, em relação a muitos outros lugares?
Ana - Sim, eu fiquei inclusive muito triste quando estive na Itália e vi as nossas ervas da Amazônia sendo vendidas livremente, sem nenhum encaminhamento médico, nada mesmo. Enquanto isso, aqui visitei o Museu Sacaca e fiquei arrasada ao saber que aquilo tudo praticamente acabou. Achei que foi um passo atrás na evolução da medicina natural no Estado.
Diário - A senhora diria que ainda existe preconceito com relação à medicina natural?
Ana - Sim, infelizmente. Preconceito vem da falta de conhecimento e enquanto isso existir o prejuízo é gigante na área da medicina natural para o Amapá e para o Brasil. Para dar um exemplo, um dia na Clínica Oásis [em Curitiba] conferi dezesseis nacionalidades diferentes aproveitando aqui no Brasil o me-lhor da medicina natural, enquanto nós brasileiros ,infelizmente por falta de conhecimento, ficamos a ver navios, literalmente.
Diário - Seria correto afirmar que a medicina tradicional atua mais na remediação do que na prevenção à saúde? Essa é uma diferença importante em relação à medicina natural?
Ana - É, a nossa proposta é a prevenção. O ideal é que as pessoas não adoeçam. Se você for ver, toda a natureza foi criada para se render ao ser humano, tudo que existe na natureza, nada é à toa. Cada fruta, cada planta, cura determinada doença, então o que nós precisamos fazer é usufruir da mãe natureza, da água que nós temos, que é uma água maravilhosa, temos que usufruir da Amazônia em si, dos tratamentos que ela pode proporcionar, além do nosso ar, uma coisa que não tem explicação, mas é dife-rente, não sei se as pessoas sabem disso, mas lá para o Sul pessoas como eu, que sou daqui, é muito mais difícil respirar.
Diário - É esse diferencial que a fizeram voltar ao Amapá para iniciar esse trabalho?
Ana - Também, pois aqui nós temos toda uma gama de boas condições favoráveis para termos boa saúde aqui no estado e muitas vezes as pessoas pensam que ter saúde é ter um bom plano de saúde, que muitas vezes quando você precisa, ele não satisfaz suas necessidades.
Diário - Voltando a falar sobre a medicina natural oriental existem muitos médicos que estão se rendendo a ela e até se aperfeiçoando mesmo. Na medicina natural que a senhora defende, como é a relação com os médicos?
Ana - Dentro da Clínica Oásis, onde atuei, a proposta é juntar a medicina alopata com a medicina natural, de uma forma responsável para cuidar da vida do ser humano, que é o nosso foco mais importante, mais especial. Enquanto tem gente querendo salvar as baleias, os macacos e outros animais, nós estamos preocupados com o ser humano que pode praticamente entrar em extinção se continuar se destruindo assim.
Diário - Esse é um problema mundial, a senhora diria?
Ana - Hoje a humanidade toda está morrendo com o tanto de epidemias e outras doenças que estão aí, muitas delas poderiam ter sido prevenidas. Tem como você fazer a prevenção através de alimentos, pois se você tem um problema de gastrite, para se dar um exemplo, você procura o seu médico que vai lhe passar os remédios alopatas. Mas se você continuar comendo frituras, você continuar exagerando nos líquidos nas refeições, exagerando nos doces, o seu problema vai continuar.
Diário - Ana, você que guarda traços amazônidas no rosto, como o fato de ter nascido aqui. Isso contribuiu para a opção de formação profissional que buscou lá fora?
Ana - Eu enfrentei a vida inteira o preconceito, minha mãe nasceu em Oiapoque, minha avó era descendente de índios. Na minha infância e na adolescência convivi muito com isso, vim com doze anos para a cidade, então estava muitas vezes na escola com sapato rosa, saia vermelha e blusa verde e para mim estava tudo bem... [risos] Mas para as meninas da minha idade não estava. Convivi ávida toda com isso, sendo chamada de índia como se isso fosse me diminuir, portanto não é fácil você sair de sua terra e conseguir a formação, o trabalho que alcançamos lá no Paraná, onde existe um preconceito muito grande. Ao mesmo tempo também existem braços abertos por nós sermos da Amazônia, é uma gangorra mesmo.
Diário - Pensou em desistir alguma vez?
Ana - Não, podia ficar retraída um pouco, mas falei assim "sou índia sim, e daí?". Então quem qui-ser ser meu amigo vai ser do jeito que sou, uma índia, não tem jeito, acabamos deixando isso latente na nossa maneira de agir, com o carinho que temos pela natureza, coisa que não tem como explicar. Então quando vi a Itália, assim como a Suíça, a França, mas eu jamais teria coragem de trocar o meu país por um deles. Lá fora eu descobri que o nosso maior patrimônio, na verdade não é a Amazônia, são os brasileiros, os seres humanos daqui, o carinho que o nosso povo tem, principalmente aqui do Amapá.
Perfil
A amapaense Ana Lúcia de Oliveira Pires Cometti Dias, tem 40 anos de idade, nasceu em Macapá e tem três filhas. É casada com um brasileiro de origem italiana. É especialista em Medicina Natural e em Técnicas de Reabilitação em Dependência Química, pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Atuou por oito anos na Clínica Oásis, na cidade de Almirante Tamandaré (PR), onde tornou-se uma especialista e também rendendo-lhe convites para participar de eventos fora do país, como patestrante e painelista. Suas origens no Amapá já foram com a expeciência naturalista, tanto que na juventude viu-se vegetariana. Também atuou como uma premiada artista plástica, relações públicas e pesquisadora.
Mais uma amapaense que buscou qualificação fora dos domínios do Estado, mas que não foge às suas origens. Pelo contrário, assume características de “mulher amazônida”. Mais que isso,do interior da floresta, de uma aldeia kumarumã, onde seus avós têm origem. Trata-se da especialista em medicina natural Ana Pires, que desde a adolescência experimentou a vida naturalista, de alimentação vegetariana e do equilíbrio. Ela passa dias em Macapá depois de oito anos trabalhando em Curitiba (PR) e vi-sitando outros estados e, também, alguns países europeus, onde se disse entristecida ao constatar a enorme facilidade com que ervas da Amazônia são comercializadas livremente, enquanto que em sua Macapá, o Museu Sacaca, que deveria congregar o melhor da fitoterapia, dá sinais de abandono. O Diário do Amapá conversou com Ana Pires e o resultado está descrito a seguir.
Diário do Amapá - Como foi para a senhora voltar ao Amapá depois de tanto tempo lá fora estudando para ser hoje uma especialista em medicina natural?
Ana Pires - Nós vamos passar um período de trinta dias no estado, quando vamos tentar implantar aqui alguns projetos que já acontecem no Brasil, inclusive projetos que nós já estivemos na Itália defendendo e que estão sendo absorvidos pela Europa.
Diário - Não bate uma saudade de sua terra-natal?
Ana - Meu coração está aqui no Amapá, na Amazônia. Então eu tenho que vir aqui, sei da necessidade do nosso povo. A nossa proposta para o estado leva em consideração que se os melhores hospitais, os melhores médicos fossem um exemplo de saúde, então por que os Estados Unidos com tanta tecnologia, são campeões em AVC, de câncer do intestino, campeões de diabetes e de obesidade mórbida nem se fala, já virou epidemia a obesidade infantil?
Diário - Então qual é o segredo da saúde?
Ana - É uma atitude. Para você ter qualidade de vida é preciso ter uma atitude de saúde, pois somos uma máquina viva e toda máquina precisa de combustível e o nosso combustível é tudo o que consu-mimos de minerais, de vitaminas, os nutrientes do organismo, estes são os combustíveis do corpo humano. A maioria das doenças vem da deficiência nutricional, da deficiência de vitaminas e outras coisas mais.
Diário - Qual a relação da medicina natural que a senhora pesquisa e defende, com aquela tradicional medicina chinesa?
Ana - Existem dois tipos de medicina natural, a oriental e a ocidental. A do oriente é aquela que diz assim "toma esse chazinho de camomila que ele vai te energizar, vai te trazer bons fluídos", enfim, vai mais por esse lado energético que não é a nossa proposta. A nossa proposta com a medicina ocidental que diz "toma esse chá de camomila que ele tem um princípio ativo, que tem efeito calmante", enfim, explica cientificamente esse benefício.
Diário - Baseada em estudos e não em experiências, é isso?
Ana - É uma medicina mais responsável, mais profissionalizante e que nós estamos tentando tra-zer para o estado, inclusive com uma proposta de curso de pós-graduação em medicina natural, para o qual estamos tentando fazer algumas parcerias. Mas também estamos tentando alguns cursos livres de naturopatia, porque enquanto não se profissionalizar os nossos agentes de saúde do estado, nós vamos ter um prejuízo sempre muito grande.
Diário - Estamos em desvantagem, então, em relação a muitos outros lugares?
Ana - Sim, eu fiquei inclusive muito triste quando estive na Itália e vi as nossas ervas da Amazônia sendo vendidas livremente, sem nenhum encaminhamento médico, nada mesmo. Enquanto isso, aqui visitei o Museu Sacaca e fiquei arrasada ao saber que aquilo tudo praticamente acabou. Achei que foi um passo atrás na evolução da medicina natural no Estado.
Diário - A senhora diria que ainda existe preconceito com relação à medicina natural?
Ana - Sim, infelizmente. Preconceito vem da falta de conhecimento e enquanto isso existir o prejuízo é gigante na área da medicina natural para o Amapá e para o Brasil. Para dar um exemplo, um dia na Clínica Oásis [em Curitiba] conferi dezesseis nacionalidades diferentes aproveitando aqui no Brasil o me-lhor da medicina natural, enquanto nós brasileiros ,infelizmente por falta de conhecimento, ficamos a ver navios, literalmente.
Diário - Seria correto afirmar que a medicina tradicional atua mais na remediação do que na prevenção à saúde? Essa é uma diferença importante em relação à medicina natural?
Ana - É, a nossa proposta é a prevenção. O ideal é que as pessoas não adoeçam. Se você for ver, toda a natureza foi criada para se render ao ser humano, tudo que existe na natureza, nada é à toa. Cada fruta, cada planta, cura determinada doença, então o que nós precisamos fazer é usufruir da mãe natureza, da água que nós temos, que é uma água maravilhosa, temos que usufruir da Amazônia em si, dos tratamentos que ela pode proporcionar, além do nosso ar, uma coisa que não tem explicação, mas é dife-rente, não sei se as pessoas sabem disso, mas lá para o Sul pessoas como eu, que sou daqui, é muito mais difícil respirar.
Diário - É esse diferencial que a fizeram voltar ao Amapá para iniciar esse trabalho?
Ana - Também, pois aqui nós temos toda uma gama de boas condições favoráveis para termos boa saúde aqui no estado e muitas vezes as pessoas pensam que ter saúde é ter um bom plano de saúde, que muitas vezes quando você precisa, ele não satisfaz suas necessidades.
Diário - Voltando a falar sobre a medicina natural oriental existem muitos médicos que estão se rendendo a ela e até se aperfeiçoando mesmo. Na medicina natural que a senhora defende, como é a relação com os médicos?
Ana - Dentro da Clínica Oásis, onde atuei, a proposta é juntar a medicina alopata com a medicina natural, de uma forma responsável para cuidar da vida do ser humano, que é o nosso foco mais importante, mais especial. Enquanto tem gente querendo salvar as baleias, os macacos e outros animais, nós estamos preocupados com o ser humano que pode praticamente entrar em extinção se continuar se destruindo assim.
Diário - Esse é um problema mundial, a senhora diria?
Ana - Hoje a humanidade toda está morrendo com o tanto de epidemias e outras doenças que estão aí, muitas delas poderiam ter sido prevenidas. Tem como você fazer a prevenção através de alimentos, pois se você tem um problema de gastrite, para se dar um exemplo, você procura o seu médico que vai lhe passar os remédios alopatas. Mas se você continuar comendo frituras, você continuar exagerando nos líquidos nas refeições, exagerando nos doces, o seu problema vai continuar.
Diário - Ana, você que guarda traços amazônidas no rosto, como o fato de ter nascido aqui. Isso contribuiu para a opção de formação profissional que buscou lá fora?
Ana - Eu enfrentei a vida inteira o preconceito, minha mãe nasceu em Oiapoque, minha avó era descendente de índios. Na minha infância e na adolescência convivi muito com isso, vim com doze anos para a cidade, então estava muitas vezes na escola com sapato rosa, saia vermelha e blusa verde e para mim estava tudo bem... [risos] Mas para as meninas da minha idade não estava. Convivi ávida toda com isso, sendo chamada de índia como se isso fosse me diminuir, portanto não é fácil você sair de sua terra e conseguir a formação, o trabalho que alcançamos lá no Paraná, onde existe um preconceito muito grande. Ao mesmo tempo também existem braços abertos por nós sermos da Amazônia, é uma gangorra mesmo.
Diário - Pensou em desistir alguma vez?
Ana - Não, podia ficar retraída um pouco, mas falei assim "sou índia sim, e daí?". Então quem qui-ser ser meu amigo vai ser do jeito que sou, uma índia, não tem jeito, acabamos deixando isso latente na nossa maneira de agir, com o carinho que temos pela natureza, coisa que não tem como explicar. Então quando vi a Itália, assim como a Suíça, a França, mas eu jamais teria coragem de trocar o meu país por um deles. Lá fora eu descobri que o nosso maior patrimônio, na verdade não é a Amazônia, são os brasileiros, os seres humanos daqui, o carinho que o nosso povo tem, principalmente aqui do Amapá.
Perfil
A amapaense Ana Lúcia de Oliveira Pires Cometti Dias, tem 40 anos de idade, nasceu em Macapá e tem três filhas. É casada com um brasileiro de origem italiana. É especialista em Medicina Natural e em Técnicas de Reabilitação em Dependência Química, pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Atuou por oito anos na Clínica Oásis, na cidade de Almirante Tamandaré (PR), onde tornou-se uma especialista e também rendendo-lhe convites para participar de eventos fora do país, como patestrante e painelista. Suas origens no Amapá já foram com a expeciência naturalista, tanto que na juventude viu-se vegetariana. Também atuou como uma premiada artista plástica, relações públicas e pesquisadora.
sábado, 9 de julho de 2011
Notas deste sábado
Verão dividido
Não houve acordo mesmo entre Governo e Prefeitura para apoio ao Macapá Verão 2011. Pelo contrário, inicia hoje o projeto “Equador Verão”, com uma programação cultural e esportiva, na praça do Parque do Forte, e encerra no último dia do mês. O evento será realizado por órgãos do Governo, sob a coordenação da Secretaria da Cultura (Secult).
A posse
Lembra que no apagar das luzes do governo Pedro Paulo ocorreu um concurso público? Pois é, as coisas se enca-minharam bem e o atual governo dará posse aos aprovados. Será na terça-feira, às 9 horas, no auditório do Centro de Difusão Azevedo Picanço. Atuarão na Secretaria de Estado da Inclusão e Mobilização Social (SIMS).
Apelou
Por falar em concurso público, a vice-prefeita de Macapá, Helena Guerra (DEM), que também é secretária municipal de Educação, soltou nota ontem afirmando ter ratificado pedido ao prefeito Roberto Góes (PDT) e realizar um concurso para o setor que ela administra. Quer 1.907 vagas urgentemente, diz.
RondonDesembarca neste sábado em Macapá o Brigadeiro-do-Ar Rogério Luís Veríssimo Cruz (foto), coordenador nacional do Projeto Rondon, que surgiu em 1966 para proporcionar à juventu-de universitária o conhecer sobre a a realidade de nosso país, com características continentais e com multiculturas. No Amapá a edição deste ano beneficia 13 municípios.
Correio eletrônico
O presidente do Tribunal de Justiça do Amapá, desembargador Mário Gurtyev, assina na segunda-feira um convênio com o Instituto de Admi-nistração Penitenciária (Iapen) para a implantação de um sistema moderno de troca de correspondência oficial, com o uso do meio eletrônico. Com isso, menos papel e pessoal, com ganho de tempo e segurança. Uma boa.
O fato
A prefeita de Calçoene, Maaria Lucimar, terá entre os veranistas que estão lotando a Praia do Goiabal - única do Amapá a ser banhada pelo Atlântico - um grupo de parlamentares esta-duais e federais. O grupo segue de carro na manhã deste sábado para aquela região, aproveitando o recesso de julho para estar mais próximo de suas bases, como costumam dizer.
Objetivando
Na 19ª escuta popular do Plano Plurianual Participativo (PPA), que o governo do estado realizou ontem, em Oiapoque, os moradores da cidade fronteiriça só reforçaram aquilo que todo mundo já sabia, ou seja, elegeram como prioridade a conclusão da pavimentação da BR-156, que nunca esteve tão próximo de ser uma realidade. Dos 600, faltam 160 quilômetros.
Na dúvida
Ainda sobre Oiapoque, quem também pediu para falar e se fizeram ou vir foram os catraieiros que fazem a travessia de passageiros para Saint George, na Guiana Francesa. Ameaçados de desemprego devido à construção da ponte binacional, ouviram do governador a promessa de que a Agência de Fomento estude alternativas. Transporte escolar seria uma delas.
Peixe popular
Nos dias 29, 30 e 31 de julho a venda do peixe para a população ao valor acessível será colocada em prática. O nome e a data para a realização da comercialização do produto ficaram decididos em uma reunião que aconteceu nesta terça-feira, 5, entre a Agência de Pesca do Amapá (Pescap) e parceiros.
Sarney analisa Governo Dilma
Personagem da política brasileira desde o último governo de Getúlio Vargas, o presidente do Senado, José Sarney, aos 81 anos, editou mais um decreto: “A democracia representativa está em xeque. Os partidos estão enfraquecidos e não representam mais o povo”, disse, vislumbrando uma nova ordem em que o cidadão comum, a partir do próprio computador, fará as escolhas que hoje deixa a cargo de representantes no Parlamento. “Quem não perceber isso ficará preso no tempo.” Sarney recebeu a reportagem do Correio em duas ocasiões. O primeiro encontro ocorreu na manhã da sexta-feira da semana passada, no gabinete do 6º andar do anexo I do Senado; o segundo, no início da noite da última terça-feira, na sala da Presidência da Casa. Sarney vaticinou a desestrutura do PT sem Lula, elogiou Dilma Rousseff, disse ser vítima de injustiças de adversários na política nacional e maranhense, e fotografou, com lente própria, a passagem pelo Planalto. Na primeira conversa, falou sobre a demissão de Antonio Palocci. Ao fim da entrevista, o senador apontou para a mesa onde estão os santos de devoção. Ali, repousava uma medalha de irmã Dulce. “Depois que transmiti a faixa presidencial, preparei-me para descer a rampa e ser vaiado por partidários de Collor e de Lula. Na saída, toquei na medalha de irmã Dulce que carregava no bolso, peguei um lenço branco que estava junto e acenei para o povo. Fui aplaudido. Para mim, aquele foi o primeiro milagre”, lembrou, rindo. No segundo encontro com a reportagem, um dia antes da queda de Alfredo Nascimento no Ministério dos Transportes, Sarney disse que, se o agora ex-integrante do primeiro escalão de Dilma conseguisse se explicar, poderia permanecer no governo. Não conseguiu.
Por
Ana Dubeux
Denise Rothenburg
Leonardo Cavalcanti
(Correio Brasiliense)
Como é estar sempre no topo do poder?
Sempre estive apanhando. Quando era estudante, fui preso pela ditadura Vargas. Fui contra o Getúlio. Depois procurei, dentro da UDN, ser de um grupo renovador. Também combati o Juscelino e até hoje me arrependo. Na época, era vice-líder da UDN, vice-líder do Carlos Lacerda. Estava na linha de frente do combate ao Juscelino. Eu era muito jovem. Fui contra o João Goulart. Tive tempo de oposição, eu tive tempo de luta dura. Não é esse mar de rosas que todo mundo pode pensar que é. O que significa estar no topo? Significa que você está exposto e disposto à luta.
Qual foi o período mais cruel da política para o senhor?
Muitas vezes, fui submetido a um período de injustiças muito grande. E de crueldade. São feridas que não cicatrizam. E que a política deixa na gente. Foi com grande amargura que eu atravessei aquele período no Senado (com as denúncias de atos secretos e privilégios na Casa ao longo do ano de 2009) e acho que foi uma das coisas mais injustas que vivi. Um pastel de vento que fizeram exclusivamente por motivos da guerra política para liquidar a pessoa que é tida como adversária. Eu serei sincero em dizer que não cicatrizou.
E quem são os adversários?
Quanto menos eu falar desse passado, melhor me sinto.
Sarney guarda ódio na geladeira?
Eu tenho absoluta incapacidade de ter ódio. Nunca tive inimigos. Nunca considerei as pessoas como adversárias. Não há um gesto meu, nem que eu tenha sido acusado, de eu ter erguido uma estátua à vingança. O ressentimento é contra a própria pessoa, porque ele cresce e a pessoa vive infeliz.
A Academia Brasileira de Letras é mais importante do que a política?
Olha, a Academia me deu mais alegria do que a Presidência. Minha vocação era a literatura. A política, para mim, foi um destino.
E o que seria o Sarney sem a política?
Eu teria feito uma melhor obra do que escrevi. A política me prejudicou muito nisso, na minha vocação. A política é uma atividade bem diferente da atividade literária, não é? A política lida com a realidade, a literatura, com abstrações. É muito difícil essa convivência entre o político e o intelectual. Mas a política também me deu oportunidade de trabalhar pelo meu país, me sentir útil para o meu estado.
O senhor acha que fez tudo pelo seu estado?
Acho que nada que existe no Maranhão deixou de ter a minha mão, dos últimos 50 anos para cá. Porque, quando eu fui governador do Maranhão e entrei na política, o estado tinha um ginásio, no qual eu estudei. Fiz 74 ginásios. Meu programa era uma escola por dia, um ginásio por mês, uma faculdade por ano. Consegui, com o governo federal, fundar a universidade federal. Fiz a universidade estadual. Mantive o ramal da estrada de ferro de São Luís ligando até o Piauí. Fiz a São Luís-Teresina asfaltada. Como presidente, fiz de São Luís ao sul do estado, a Norte-Sul. Fiz também de São Luís ao Pará.
Mas são os indicadores sociais mais baixos do país, um estado paupérrimo...
Há um erro muito grande quando dizem que o Maranhão é o estado mais pobre do Brasil. Pelo PIB, o Maranhão é o 14º estado do Brasil. Estamos na frente de Mato Grosso do Sul. Agora, a pobreza que dizem, os índices que dão do Maranhão, é pelo IDH. O Brasil é a sétima economia do mundo e o IDH brasileiro é o 81°. Se formos considerar por isso, o Brasil é menor. O IBGE tem 2 mil índices e, então três, quatro, são piores no Maranhão. Mas se formos buscar na periferia de São Paulo, na Baixada Fluminense, encontramos índices piores do que os do Maranhão. É o segundo porto do Brasil. Tem a maior fábrica de alumínio do mundo. Estamos com uma frente agrícola de soja muito grande, já exportando cerca de 3 milhões de toneladas. O estado foi coberto de estradas asfaltadas, energia, a ligação do sistema da Chesf com o de Tucuruí foi feita por mim ainda como presidente. A Roseana fez escolas no estado inteiro. O Maranhão cresceu 47% na última década e São Paulo cresceu 3%.
Por que tantas críticas, então?
Tivemos um governo (do Jackson Lago, governador de 2007 a 2009, morto em abril deste ano) que foi contra e que achava que, para poder destruir o José Sarney, tinha que destruir o Maranhão. Então, ele investiu em destruir a imagem do Maranhão. E começou a divulgar esses índices todos a nível nacional. Foi uma campanha institucional. Aqui em Brasília, tivemos uma coisa inacreditável. Quando votamos o empréstimo do BID para o Maranhão, vimos outdoors dizendo: “Maranhão, o estado mais miserável do Brasil”. Foram feitos em Brasília. Foi uma campanha institucional e você não tem condições de resistir a isso. A realidade é outra. Quando fui governador, o Maranhão só tinha energia em São Luís e com quatro motores puxados à lenha. Era um racionamento completo. Hoje, todas as cidades têm energia elétrica. Não escolhi todos os governadores que me sucederam. Fui governador há 40 anos. Fizemos um planejamento que, bem ou mal, aconteceu. Fizemos o porto de Itaqui, o segundo do Brasil. A Vale do Rio Doce tem uma fábrica lá. Nossos índices sociais são determinados por um fator simples: é o único estado do Brasil em que 40% da população vive no campo. Isso não é contado na economia, o que é um mal, mas também é um bem, porque essa gente que vive no interior tem uma condição de vida pobre, mas sem miséria, tem a agricultura de subsistência.
Isso não é um patriarcado?
Essa imagem que foi vendida foi uma imagem para uma campanha institucional financiada pelo governo do Maranhão, que gastou milhões, contratou firma de publicidade para destruir o estado, achando que, para me destruir, tinha que destruir o estado. Então, prestou um desserviço ao Maranhão. E para isso pegou quatro, cinco índices, inclusive o IDH, que é um índice novo e que não representa em grande parte a riqueza do Brasil, vamos repetir: sétima economia, 81º lugar.
A política é amarga...
Não digo amarga, eu digo cruel. Tem um lado cruel, porque depois que o Lenine (Vladimir Ilitch Lenin ou Lenine, líder revolucionário russo, 1870 a 1924) disse que à política deveria se aplicar as artes da guerra, isso passou a predominar. A política passou a ser a arte de liquidar o adversário. A política deixou de ser a arte do diálogo, de encontrar meios de conciliação, na qual o interesse público sobrepujasse tudo.
O apoio ao Lula foi oportunismo?
Eu apoiei o Lula porque achava que era um avanço para o país. E fiquei feliz de, mesmo mais velho, ter a oportunidade de ver essa transformação pela qual o Brasil passou, de ver um operário na Presidência. E nós chegamos aos 100 anos com um operário no poder. Não poderia deixar de dar uma ajuda. E acho que fui fundamental naquele problema da eleição do Lula. Ele disse que duas coisas foram muito importantes para ele durante o período eleitoral: Alencar ter sido aceito como vice-presidente e o meu apoio, que eu tinha dado abertamente. Mas fiz. Pode ser interpretado diferentemente, mas fiz, aliás, com muita felicidade, porque achei um grande avanço para o país. Muita gente acha que fui um conservador, mas sempre tentei ser um inovador. Agora mesmo, não estou mais pensando no lápis com que comecei a escrever nem nas memórias. Estou pensando na internet, nos blogs.
Ainda é possível fazer política fora do mundo virtual?
A internet é uma civilização que começa. Ela vai levar a um processo político que é a democracia direta.
O senhor se refere ao enfraquecimento dos partidos?
O partido político é uma instituição que está em decadência, assim como a democracia representativa
Por quê?
Porque a internet fez com que se distribuísse por meio do cidadão um poder para ele opinar diretamente, sem intermediários. O partido é uma filiação que foi feita justamente para intermediar o povo e o governo. Eu estava lendo o jornal El País sobre o movimento Indignai-vos. Na Europa inteira, há um processo de liquidação do Estado social e de direito. Todo mundo está voltando às fórmulas ortodoxas e cortando empregos para ver se supera a crise. Na Espanha, os jovens estão acampados. E perguntaram a eles: “O que precisa acabar?”. “Os partidos”, disseram.
O modelo fracassou?
Os partidos eram fortes quando eles eram ideológicos, mas passaram a ser pragmáticos. Os parlamentos assim envelhecem com uma rapidez muito grande. Passam a funcionar sem uma visão construtiva. Estamos marchando para as democracias diretas. Esse sistema de democracia representativa cumpriu com a sua finalidade. E não estou dizendo que ele é certo ou errado. Estou constatando que os tempos estão mudando.
Os partidos vão acabar?
No dia em que todo mundo tiver computador (se isso vai acontecer daqui a 300, 500 anos, não sei), cada um vai votar diretamente. O cidadão chega e diz: “Eu penso assim”. E o instrumento que vai ter é a revolução tecnológica. O povo não vai precisar de intermediários para votar em quem quiser. Estou especulando, mas vai ser um processo de mudança e quem não olhar isso vai ficar preso. O que é o apelo ao referendo, por exemplo? Já é um início de democracia direta. Todo mundo agora quer fazer referendo. Na Bolívia, na Europa. Os EUA já fazem isso. Isso já é uma tentativa de democracia direta, que significa a inconformidade com o sistema de partidos.
O senhor já avisou tudo isso ao PMDB? O que o partido pensa disso?
Eu não discuti isso com o PMDB.
Hoje, há algum risco de o PMDB virar um apêndice do PT, assim como o antigo PFL foi um apêndice do PSDB?
No sistema atual, na atual realidade, o PMDB é o maior partido do país.
Maior do que o PT?
O PT está no governo e tem os instrumentos de governo, mas o PMDB é o partido da estabilidade nacional, pois não tem líderes. Não tem nenhum líder messiânico. Se tirar o Lula do PT, o partido se fragmenta, até porque é uma confederação de tendências.
Além de ter feito oposição a JK, qual outro arrependimento?
O Juscelino foi um dos presidentes que assumiu para ser deposto, não tinha base política, não tinha base militar. Mas o Juscelino conseguiu. Primeiro ele fez como dom João VI, que fugiu de Portugal para o Rio devido às tropas napoleônicas. E o Juscelino saiu do Rio para Brasília. E fundou Brasília, inverteu o jogo e mudou a mentalidade nacional. Na minha paixão política, acabei sendo injusto com ele. Depois, ele já cassado, eu governador do Maranhão, fui recebê-lo no estado. Ele disse que em Minas tinham recomendado a ele entrar pelos fundos do Palácio da Liberdade. E que chegava ao Maranhão e um adversário o recebia. No dia seguinte, viajamos juntos. Eu fiquei em Pernambuco, ele foi para o Rio, veio o AI-5 e ele acabou preso.
Não se arrepende de ter apoiado a ditadura?
Eu fui o único governador que protestou contra o AI-5. Protestei não, não apoiei. O único governador do Brasil. Cinco dias depois da revolução, todo mundo desertou com medo. Eu fui para a tribuna e disse que ninguém cassaria mandato se não fosse da forma prevista pelas leis e pela Constituição do país. E dentro do período militar, nunca fui confortavelmente aceito pelos militares. A minha biografia que a Regina Echeverria fez levantou muitas coisas que nem eu sabia. Os diários do Geisel, que o Heitor de Aquino deu à Regina, mostram como eles me consideravam um homem liberal, um democrata que estava querendo sempre, dentro do Congresso, organizar um grupo para evitar que a democracia caísse no estilo Pinochet no Chile. E isso nós conseguimos, nós chegamos a fazer um sacrocolégio. Eu, Ulysses Guimarães, Tancredo Neves, Roberto Freire, Fernando Santana, homens de diversas tendências. A ideia era que, se deixasse esse cabo de guerra, ele arrebentaria. Conseguimos uma coisa que nenhum país conseguiu: uma ditadura composta por militares que eram eleitos de quatro em quatro anos. Nós evitamos que tivesse um ditador aqui, o que, na realidade, era o que a linha-dura queria. Há pessoas que dão importância muito grande aos heróis, aos mártires. Mas há aqueles que não deixam de ter o mesmo valor procurando construir dentro de soluções. Sempre gostei de ser o homem do diálogo.
O senhor poderia ter tido uma participação muito mais efetiva contra um governo ditatorial.
Eu aceitei a realidade, mas sempre achando que isso era um caminho para voltarmos à plenitude democrática. Quando senti que isso era impossível, rompi com eles e renunciei ao PDS, porque, naquele momento, senti que nosso esforço tinha sido em vão. Eu julgava que o Brasil entraria numa convulsão. E aí me aliei a outros para possibilitarmos uma transição democrática pacífica. Nisso, prestei um grande serviço ao país. O próprio Tancredo Neves disse que, sem a minha renúncia, seria impossível a transição.
A capacidade de diálogo faz com que o PMDB sempre esteja ligado ao poder?
O PMDB não esteve sempre ligado ao poder. O PMDB sempre foi muito contra o poder, foi o partido da resistência. Foi do PMDB que saíram todos os outros partidos, e é por isso que permanece uma alma popular na figura do PMDB. Ele faz parte do imaginário como o partido da luta, que enfrentou a ditadura e sustentou a transição democrática. Eu pertenço ao PMDB há mais de 25 anos. E não vou sair do PMDB. Só com a morte.
Acha que a história será generosa com o senhor?
Eu acho que sim, porque quando se desaparecem as paixões, o que vai aparecer é o homem que sempre, nos momentos decisivos, optou por melhorar o país. Foi assim quando renunciei à Presidência do PDS, quando ajudei a transição democrática e entrei como presidente para ser deposto. Não tinha partido político que me apoiasse, vinha de uma dissidência, não conhecia o ministério que recebi, não tinha participado dos planos de governo, não tinha sustentação partidária dentro do Congresso. E os militares me olhavam com muita desconfiança, achando que tinha sido um homem que os tinha traído, passando para o outro lado. Mas consegui fazer a Constituinte, tive a coragem de fazer o Plano Cruzado, fiz o congelamento de preços e o congelamento do câmbio, que significou a primeira grande redistribuição de renda do país. O povo passou a sentir que fazia parte das decisões quando chamei todo mundo a ser fiscal do Sarney. Só posso esperar que o julgamento da história seja verdadeiro. E ainda teve a Constituinte, que foi um legado, porque o legado da Constituinte é a Constituição, que foi feita naquele tempo. E foi muito difícil. O brasileiro começou a exercer o seu direito de democracia. Tínhamos uma sociedade elitista. E passamos a ter uma sociedade democrática.
O senhor chegou a dizer no passado que essa Constituição deixaria o país ingovernável.
A Constituição tem dois pontos. Sob o ponto de vista dos direitos sociais e dos direitos individuais, são dois capítulos excelentes. Agora, ela é parlamentarista e é presidencialista. Eles estavam pensando que iam fazer uma Constituição parlamentarista e acabaram aprovando o presidencialismo. Há um desequilíbrio. Em termos de governo, ela é difícil. Tanto é verdade que tivemos, dentro do Congresso, 3 mil emendas. Atualmente, estamos com 1.500 emendas tramitando. A Constituição já tem quase 70 emendas promulgadas, com mais artigos do que a própria Constituição. Com relação a direitos sociais e individuais, a base da cidadania, a Constituição é perfeita, não se pode pedir melhor.
Mas o seu governo terminou com 80% de inflação.
Ora, a inflação com correção monetária não é inflação. Eu mandei calcular em dólar, como se calcula o PIB, quanto foi a inflação no meu tempo. Foi de 17,4%. Qual foi a menor taxa de desemprego da história do Brasil? Foi no meu tempo. Tá aqui (apresenta livro com tabela de números). Alguns vão se surpreender. Taxa de desemprego: 3,92%. O que significa isso? Significa que os operários passaram a ter força, porque na hora em que não há desemprego, isso é quase pleno, eles passam a ter força. E essa força fez com que se criassem os sindicatos e fez com que Lula fosse candidato a presidente da República. Foi um período em que floresceu a política, deu para que o país criasse as condições. E se não fossem essas condições do Cruzado, nós não teríamos condições de fazer a Constituinte. Isso tudo se esqueceu por quê? Porque o Sarney não tinha partido. Tinha oito candidatos à Presidência da República, todos falando mal de mim na televisão, não tinha um que me defendesse.
O senhor pensa em se aposentar?
A gente não tem domínio sobre o corpo, então tenho que ser realista. Tenho de ter a noção de que já estou na parte final. Ninguém pensa que pode ser imortal. Só os da Academia Brasileira de Letras. Mas este será meu último mandato. Não mais concorrerei a uma eleição.
Por que dizem que o Sarney vive de cargos?
Olhe, eu não pedi um cargo à Presidência atual. E nos governos anteriores, nunca tive uma indicação pessoal para colocar um amigo num lugar. Eu sou apenas um homem de partido. E como homem de partido, sempre gostam de dizer que é o Sarney. É uma forma de denegrir a minha imagem. Eu fiz uma vida política sem ser clientelista de cargos. Em lugar nenhum.
Por que é a favor do sigilo dos documentos?
Daqui a 50 anos, até a palavra sigilo já terá desaparecido. O que eu apoiei desde o princípio foi o projeto que veio para o Congresso. E esse projeto diz que os documentos históricos podem ter uma prorrogação de 25 anos mais 25. Isso foi feito pelo projeto do Fernando Henrique Cardoso. É uma lei dele.
Ele, Fernando Henrique, disse que assinou, mas não leu.
É até capaz que ele me convença dos argumentos.
Por que precisa de um sigilo?
Não estou dizendo que precisa de um sigilo. Há certos documentos de natureza histórica que devem ser preservados. O país, a Constituição é quem manda. Não sou eu que está dizendo. Pelo projeto, tem uma comissão que sabe quais documentos devem ter o sigilo, não eu. Os Estados Unidos até hoje liberam os documentos, mas eles têm uma tarja sobre as partes sensíveis que podem atingir o direito individual.
O senhor foi presidente da República. Teme algo?
Não temo documento nenhum. Os meus estão liberados, são 15 anos. Os meus não têm sigilo. Já estão abertos. E acho que não se deve esconder documento de governo nenhum. Eles devem ser abertos. Agora, essa comissão deve ter tempo de julgar aqueles que são sensíveis à segurança nacional e em relação a eles ninguém vai divulgar os códigos secretos das embaixadas, por exemplo. Eu acho que ninguém vai divulgar a nossa criptografia, ninguém vai divulgar os nossos projetos sensíveis de defesa e soberania. Os documentos que dizem que fulano fez tortura, esses devem ser liberados. Mas eu, como homem de Estado, que fui presidente da República e encontrei um país com suas fronteiras delimitadas e organizadas, não sou eu quem vai dizer o que é sigiloso. Porque serei cobrado amanhã pelo que liberei.
Qual é a avaliação desses primeiros meses do governo Dilma?
O governo Dilma, desse caminho histórico do país, é um outro avanço. No momento em que temos um operário no poder como um grande avanço, temos uma mulher. Essa é uma coisa impensada, se pensarmos que, em 1930, a mulher ainda não votava no Brasil. Evidentemente que cada presidente tem seu estilo. Ela não é uma líder carismática, todos nós sabemos disso. Agora, é uma mulher que conhece a administração pública. Ela é, pelo menos durante o tempo em que fui testemunha, uma espécie de sacerdotisa do serviço público.
Ela fez bem em afastar o Palocci? Resolveu?
No caso de Palocci, foi uma crise contingente e ela demonstrou que está apta a gerir crises. Geriu e superou-a. Agora, governo sempre tem problema.
Que conselho o senhor daria a Dilma?
Para presidente não se dá conselho, porque o presidente tem uma visão maior do que todos nós. E conselho e água benta só se dão a quem pede. Ela nunca me pediu.
O senhor, entretanto, é um aliado importante. Não é consultado nunca?
Quando sou consultado, dou a minha opinião, não dou conselho.
O Código Florestal sairá do Senado do jeito que o governo quer, ao contrário da Câmara?
Há questões que extrapolam os governos para serem questões de consciência. Nessas questões de consciência, o governo não tem a obrigação de impor. O Código não é uma questão de governo. É uma ideia sobre meio ambiente. Não acredito que o governo tenha perdido nesse assunto na Câmara.
Em relação à decisão de prorrogar o prazo das emendas...
O presidente da República sempre faz o que acha melhor naquele momento. Dilma está lidando com a realidade. A realidade dela, que é a de fazer um orçamento equilibrado, sem esquecer que os deputados fazem a sua política, representam os municípios, as regiões. Diante dessa realidade, ela é obrigada a fazer a arte do possível.
É verdade que o senhor, durante o velório de Itamar Franco, colocou um bóton do Senado no terno dele?
Eu não uso o bóton. Estava o senador Magno Malta, que tirou o bóton, e eu disse: “Ele (Itamar) tem que ir com o bóton”. Itamar gostava do Senado. Sempre teve um grande amor por esta Casa. Desde que aqui chegou, como senador, ele aqui fez nome, trabalhou. E nós moramos 12 anos na mesma prumada. Fomos bons vizinhos.
Mas a relação de vocês não foi sempre assim. Não foi contra o seu governo que ele tentou fazer a CPI da corrupção? Vocês superaram as diferenças?
Os jornais criaram esse nome, CPI da Corrupção, mas tratava-se das irregularidades administrativas que teriam sido feitas naquele tempo. De minha parte, verificou-se apenas que eu tinha aumentado o funcionalismo militar e civil sem cobertura orçamentária, quando, na realidade, era o próprio Congresso que tinha votado os créditos extraordinários. Naquela época, o Itamar não foi agressivo, com a minha pessoa, nunca foi.
O senhor acha que agora se fez justiça, o país reconheceu Itamar?
Foram muito bons para ele os quatro meses aqui, porque ele voltou ao Senado e, ao mesmo tempo, estava ressentido porque muitas das coisas que ele fez foram expropriadas dele. Aqui, ele teve a oportunidade de ser muito vigilante, com os oradores e tudo mais, em relação às coisas que ele tinha realizado como presidente da República. Isso fez com que resgatasse essas coisas.
Em relação aos royalties, está nas mãos do senhor colocar em pauta o veto ao projeto.
Com a comissão de prefeitos e governadores que aqui estiveram, comprometi-me a dar um prazo de 60 dias para que eles fizessem um acordo sobre um projeto que tramita na Câmara, no qual estabelecem uma norma que atenderia as reivindicações dos estados. Como até agora eles não se movimentaram, dentro de 60 dias, contados a partir de 1° de julho, vou marcar a votação do veto. Em 1º de setembro, submeto o veto, se eles não entrarem em acordo. Se tiverem outra solução, vão votar antes disso.
Nos últimos tempos, Brasília ficou imersa em denúncias de corrupção…
Fui o primeiro deputado que se mudou para cá. Gosto muito daqui. Em Brasília, temos uma sociedade que foi criada, a da construção. E temos a sociedade que é a elite da administração nacional. E há um vácuo dentro disso. E é esse vácuo que transforma Brasília nesse redemoinho, essa desorganização e até mesmo essa imagem que se cria, que vem da mentalidade da construção, da aventura, dos tempos heroicos. Essa mentalidade ficou. Isso leva tempo. Ficaram essas duas pontas: a civilização da fronteira e a da administração.
E aquele momento tão difícil no ano passado, justamente nos 50 anos, o que representa?
Representa que Brasília nunca conseguiu criar realmente uma classe política como o Rio criou, baseada no DF.
Por quê?
Porque essa classe política nasceu da filosofia da construção, da aventura.
O senhor está falando de alguns aliados, como o ex-governador Roriz?
A política vive com realidades. O Roriz era prefeito de Goiânia, dessa área daqui, e foi um bom governador de Brasília, não tenha dúvida.
Seus inimigos são implacáveis?
Tenho que aceitar, faz parte do meu ofício. A política passou a ser uma guerra. O pessoal quer exterminar.
Quando os inimigos atacam os filhos...
O ataque aos filhos é pior do que os ataques contra você mesmo.
O senhor se refere aos ataques contra Roseana, em 2002, quando ela ensaiou candidatura à Presidência?
Isso foi uma injustiça que fizeram com ela, uma armação tremenda, para não dizer uma crueldade.
O senhor fez as pazes com Serra? Na festa de FHC o senhor se sentou ao lado de Serra e ficou com os braços cruzados, em sinal de desconforto...
Não tenho ódio das pessoas. Não reparei… Mas o corpo da gente deve ter algumas expressões, sim.
Por
Ana Dubeux
Denise Rothenburg
Leonardo Cavalcanti
(Correio Brasiliense)
Como é estar sempre no topo do poder?
Sempre estive apanhando. Quando era estudante, fui preso pela ditadura Vargas. Fui contra o Getúlio. Depois procurei, dentro da UDN, ser de um grupo renovador. Também combati o Juscelino e até hoje me arrependo. Na época, era vice-líder da UDN, vice-líder do Carlos Lacerda. Estava na linha de frente do combate ao Juscelino. Eu era muito jovem. Fui contra o João Goulart. Tive tempo de oposição, eu tive tempo de luta dura. Não é esse mar de rosas que todo mundo pode pensar que é. O que significa estar no topo? Significa que você está exposto e disposto à luta.
Qual foi o período mais cruel da política para o senhor?
Muitas vezes, fui submetido a um período de injustiças muito grande. E de crueldade. São feridas que não cicatrizam. E que a política deixa na gente. Foi com grande amargura que eu atravessei aquele período no Senado (com as denúncias de atos secretos e privilégios na Casa ao longo do ano de 2009) e acho que foi uma das coisas mais injustas que vivi. Um pastel de vento que fizeram exclusivamente por motivos da guerra política para liquidar a pessoa que é tida como adversária. Eu serei sincero em dizer que não cicatrizou.
E quem são os adversários?
Quanto menos eu falar desse passado, melhor me sinto.
Sarney guarda ódio na geladeira?
Eu tenho absoluta incapacidade de ter ódio. Nunca tive inimigos. Nunca considerei as pessoas como adversárias. Não há um gesto meu, nem que eu tenha sido acusado, de eu ter erguido uma estátua à vingança. O ressentimento é contra a própria pessoa, porque ele cresce e a pessoa vive infeliz.
A Academia Brasileira de Letras é mais importante do que a política?
Olha, a Academia me deu mais alegria do que a Presidência. Minha vocação era a literatura. A política, para mim, foi um destino.
E o que seria o Sarney sem a política?
Eu teria feito uma melhor obra do que escrevi. A política me prejudicou muito nisso, na minha vocação. A política é uma atividade bem diferente da atividade literária, não é? A política lida com a realidade, a literatura, com abstrações. É muito difícil essa convivência entre o político e o intelectual. Mas a política também me deu oportunidade de trabalhar pelo meu país, me sentir útil para o meu estado.
O senhor acha que fez tudo pelo seu estado?
Acho que nada que existe no Maranhão deixou de ter a minha mão, dos últimos 50 anos para cá. Porque, quando eu fui governador do Maranhão e entrei na política, o estado tinha um ginásio, no qual eu estudei. Fiz 74 ginásios. Meu programa era uma escola por dia, um ginásio por mês, uma faculdade por ano. Consegui, com o governo federal, fundar a universidade federal. Fiz a universidade estadual. Mantive o ramal da estrada de ferro de São Luís ligando até o Piauí. Fiz a São Luís-Teresina asfaltada. Como presidente, fiz de São Luís ao sul do estado, a Norte-Sul. Fiz também de São Luís ao Pará.
Mas são os indicadores sociais mais baixos do país, um estado paupérrimo...
Há um erro muito grande quando dizem que o Maranhão é o estado mais pobre do Brasil. Pelo PIB, o Maranhão é o 14º estado do Brasil. Estamos na frente de Mato Grosso do Sul. Agora, a pobreza que dizem, os índices que dão do Maranhão, é pelo IDH. O Brasil é a sétima economia do mundo e o IDH brasileiro é o 81°. Se formos considerar por isso, o Brasil é menor. O IBGE tem 2 mil índices e, então três, quatro, são piores no Maranhão. Mas se formos buscar na periferia de São Paulo, na Baixada Fluminense, encontramos índices piores do que os do Maranhão. É o segundo porto do Brasil. Tem a maior fábrica de alumínio do mundo. Estamos com uma frente agrícola de soja muito grande, já exportando cerca de 3 milhões de toneladas. O estado foi coberto de estradas asfaltadas, energia, a ligação do sistema da Chesf com o de Tucuruí foi feita por mim ainda como presidente. A Roseana fez escolas no estado inteiro. O Maranhão cresceu 47% na última década e São Paulo cresceu 3%.
Por que tantas críticas, então?
Tivemos um governo (do Jackson Lago, governador de 2007 a 2009, morto em abril deste ano) que foi contra e que achava que, para poder destruir o José Sarney, tinha que destruir o Maranhão. Então, ele investiu em destruir a imagem do Maranhão. E começou a divulgar esses índices todos a nível nacional. Foi uma campanha institucional. Aqui em Brasília, tivemos uma coisa inacreditável. Quando votamos o empréstimo do BID para o Maranhão, vimos outdoors dizendo: “Maranhão, o estado mais miserável do Brasil”. Foram feitos em Brasília. Foi uma campanha institucional e você não tem condições de resistir a isso. A realidade é outra. Quando fui governador, o Maranhão só tinha energia em São Luís e com quatro motores puxados à lenha. Era um racionamento completo. Hoje, todas as cidades têm energia elétrica. Não escolhi todos os governadores que me sucederam. Fui governador há 40 anos. Fizemos um planejamento que, bem ou mal, aconteceu. Fizemos o porto de Itaqui, o segundo do Brasil. A Vale do Rio Doce tem uma fábrica lá. Nossos índices sociais são determinados por um fator simples: é o único estado do Brasil em que 40% da população vive no campo. Isso não é contado na economia, o que é um mal, mas também é um bem, porque essa gente que vive no interior tem uma condição de vida pobre, mas sem miséria, tem a agricultura de subsistência.
Isso não é um patriarcado?
Essa imagem que foi vendida foi uma imagem para uma campanha institucional financiada pelo governo do Maranhão, que gastou milhões, contratou firma de publicidade para destruir o estado, achando que, para me destruir, tinha que destruir o estado. Então, prestou um desserviço ao Maranhão. E para isso pegou quatro, cinco índices, inclusive o IDH, que é um índice novo e que não representa em grande parte a riqueza do Brasil, vamos repetir: sétima economia, 81º lugar.
A política é amarga...
Não digo amarga, eu digo cruel. Tem um lado cruel, porque depois que o Lenine (Vladimir Ilitch Lenin ou Lenine, líder revolucionário russo, 1870 a 1924) disse que à política deveria se aplicar as artes da guerra, isso passou a predominar. A política passou a ser a arte de liquidar o adversário. A política deixou de ser a arte do diálogo, de encontrar meios de conciliação, na qual o interesse público sobrepujasse tudo.
O apoio ao Lula foi oportunismo?
Eu apoiei o Lula porque achava que era um avanço para o país. E fiquei feliz de, mesmo mais velho, ter a oportunidade de ver essa transformação pela qual o Brasil passou, de ver um operário na Presidência. E nós chegamos aos 100 anos com um operário no poder. Não poderia deixar de dar uma ajuda. E acho que fui fundamental naquele problema da eleição do Lula. Ele disse que duas coisas foram muito importantes para ele durante o período eleitoral: Alencar ter sido aceito como vice-presidente e o meu apoio, que eu tinha dado abertamente. Mas fiz. Pode ser interpretado diferentemente, mas fiz, aliás, com muita felicidade, porque achei um grande avanço para o país. Muita gente acha que fui um conservador, mas sempre tentei ser um inovador. Agora mesmo, não estou mais pensando no lápis com que comecei a escrever nem nas memórias. Estou pensando na internet, nos blogs.
Ainda é possível fazer política fora do mundo virtual?
A internet é uma civilização que começa. Ela vai levar a um processo político que é a democracia direta.
O senhor se refere ao enfraquecimento dos partidos?
O partido político é uma instituição que está em decadência, assim como a democracia representativa
Por quê?
Porque a internet fez com que se distribuísse por meio do cidadão um poder para ele opinar diretamente, sem intermediários. O partido é uma filiação que foi feita justamente para intermediar o povo e o governo. Eu estava lendo o jornal El País sobre o movimento Indignai-vos. Na Europa inteira, há um processo de liquidação do Estado social e de direito. Todo mundo está voltando às fórmulas ortodoxas e cortando empregos para ver se supera a crise. Na Espanha, os jovens estão acampados. E perguntaram a eles: “O que precisa acabar?”. “Os partidos”, disseram.
O modelo fracassou?
Os partidos eram fortes quando eles eram ideológicos, mas passaram a ser pragmáticos. Os parlamentos assim envelhecem com uma rapidez muito grande. Passam a funcionar sem uma visão construtiva. Estamos marchando para as democracias diretas. Esse sistema de democracia representativa cumpriu com a sua finalidade. E não estou dizendo que ele é certo ou errado. Estou constatando que os tempos estão mudando.
Os partidos vão acabar?
No dia em que todo mundo tiver computador (se isso vai acontecer daqui a 300, 500 anos, não sei), cada um vai votar diretamente. O cidadão chega e diz: “Eu penso assim”. E o instrumento que vai ter é a revolução tecnológica. O povo não vai precisar de intermediários para votar em quem quiser. Estou especulando, mas vai ser um processo de mudança e quem não olhar isso vai ficar preso. O que é o apelo ao referendo, por exemplo? Já é um início de democracia direta. Todo mundo agora quer fazer referendo. Na Bolívia, na Europa. Os EUA já fazem isso. Isso já é uma tentativa de democracia direta, que significa a inconformidade com o sistema de partidos.
O senhor já avisou tudo isso ao PMDB? O que o partido pensa disso?
Eu não discuti isso com o PMDB.
Hoje, há algum risco de o PMDB virar um apêndice do PT, assim como o antigo PFL foi um apêndice do PSDB?
No sistema atual, na atual realidade, o PMDB é o maior partido do país.
Maior do que o PT?
O PT está no governo e tem os instrumentos de governo, mas o PMDB é o partido da estabilidade nacional, pois não tem líderes. Não tem nenhum líder messiânico. Se tirar o Lula do PT, o partido se fragmenta, até porque é uma confederação de tendências.
Além de ter feito oposição a JK, qual outro arrependimento?
O Juscelino foi um dos presidentes que assumiu para ser deposto, não tinha base política, não tinha base militar. Mas o Juscelino conseguiu. Primeiro ele fez como dom João VI, que fugiu de Portugal para o Rio devido às tropas napoleônicas. E o Juscelino saiu do Rio para Brasília. E fundou Brasília, inverteu o jogo e mudou a mentalidade nacional. Na minha paixão política, acabei sendo injusto com ele. Depois, ele já cassado, eu governador do Maranhão, fui recebê-lo no estado. Ele disse que em Minas tinham recomendado a ele entrar pelos fundos do Palácio da Liberdade. E que chegava ao Maranhão e um adversário o recebia. No dia seguinte, viajamos juntos. Eu fiquei em Pernambuco, ele foi para o Rio, veio o AI-5 e ele acabou preso.
Não se arrepende de ter apoiado a ditadura?
Eu fui o único governador que protestou contra o AI-5. Protestei não, não apoiei. O único governador do Brasil. Cinco dias depois da revolução, todo mundo desertou com medo. Eu fui para a tribuna e disse que ninguém cassaria mandato se não fosse da forma prevista pelas leis e pela Constituição do país. E dentro do período militar, nunca fui confortavelmente aceito pelos militares. A minha biografia que a Regina Echeverria fez levantou muitas coisas que nem eu sabia. Os diários do Geisel, que o Heitor de Aquino deu à Regina, mostram como eles me consideravam um homem liberal, um democrata que estava querendo sempre, dentro do Congresso, organizar um grupo para evitar que a democracia caísse no estilo Pinochet no Chile. E isso nós conseguimos, nós chegamos a fazer um sacrocolégio. Eu, Ulysses Guimarães, Tancredo Neves, Roberto Freire, Fernando Santana, homens de diversas tendências. A ideia era que, se deixasse esse cabo de guerra, ele arrebentaria. Conseguimos uma coisa que nenhum país conseguiu: uma ditadura composta por militares que eram eleitos de quatro em quatro anos. Nós evitamos que tivesse um ditador aqui, o que, na realidade, era o que a linha-dura queria. Há pessoas que dão importância muito grande aos heróis, aos mártires. Mas há aqueles que não deixam de ter o mesmo valor procurando construir dentro de soluções. Sempre gostei de ser o homem do diálogo.
O senhor poderia ter tido uma participação muito mais efetiva contra um governo ditatorial.
Eu aceitei a realidade, mas sempre achando que isso era um caminho para voltarmos à plenitude democrática. Quando senti que isso era impossível, rompi com eles e renunciei ao PDS, porque, naquele momento, senti que nosso esforço tinha sido em vão. Eu julgava que o Brasil entraria numa convulsão. E aí me aliei a outros para possibilitarmos uma transição democrática pacífica. Nisso, prestei um grande serviço ao país. O próprio Tancredo Neves disse que, sem a minha renúncia, seria impossível a transição.
A capacidade de diálogo faz com que o PMDB sempre esteja ligado ao poder?
O PMDB não esteve sempre ligado ao poder. O PMDB sempre foi muito contra o poder, foi o partido da resistência. Foi do PMDB que saíram todos os outros partidos, e é por isso que permanece uma alma popular na figura do PMDB. Ele faz parte do imaginário como o partido da luta, que enfrentou a ditadura e sustentou a transição democrática. Eu pertenço ao PMDB há mais de 25 anos. E não vou sair do PMDB. Só com a morte.
Acha que a história será generosa com o senhor?
Eu acho que sim, porque quando se desaparecem as paixões, o que vai aparecer é o homem que sempre, nos momentos decisivos, optou por melhorar o país. Foi assim quando renunciei à Presidência do PDS, quando ajudei a transição democrática e entrei como presidente para ser deposto. Não tinha partido político que me apoiasse, vinha de uma dissidência, não conhecia o ministério que recebi, não tinha participado dos planos de governo, não tinha sustentação partidária dentro do Congresso. E os militares me olhavam com muita desconfiança, achando que tinha sido um homem que os tinha traído, passando para o outro lado. Mas consegui fazer a Constituinte, tive a coragem de fazer o Plano Cruzado, fiz o congelamento de preços e o congelamento do câmbio, que significou a primeira grande redistribuição de renda do país. O povo passou a sentir que fazia parte das decisões quando chamei todo mundo a ser fiscal do Sarney. Só posso esperar que o julgamento da história seja verdadeiro. E ainda teve a Constituinte, que foi um legado, porque o legado da Constituinte é a Constituição, que foi feita naquele tempo. E foi muito difícil. O brasileiro começou a exercer o seu direito de democracia. Tínhamos uma sociedade elitista. E passamos a ter uma sociedade democrática.
O senhor chegou a dizer no passado que essa Constituição deixaria o país ingovernável.
A Constituição tem dois pontos. Sob o ponto de vista dos direitos sociais e dos direitos individuais, são dois capítulos excelentes. Agora, ela é parlamentarista e é presidencialista. Eles estavam pensando que iam fazer uma Constituição parlamentarista e acabaram aprovando o presidencialismo. Há um desequilíbrio. Em termos de governo, ela é difícil. Tanto é verdade que tivemos, dentro do Congresso, 3 mil emendas. Atualmente, estamos com 1.500 emendas tramitando. A Constituição já tem quase 70 emendas promulgadas, com mais artigos do que a própria Constituição. Com relação a direitos sociais e individuais, a base da cidadania, a Constituição é perfeita, não se pode pedir melhor.
Mas o seu governo terminou com 80% de inflação.
Ora, a inflação com correção monetária não é inflação. Eu mandei calcular em dólar, como se calcula o PIB, quanto foi a inflação no meu tempo. Foi de 17,4%. Qual foi a menor taxa de desemprego da história do Brasil? Foi no meu tempo. Tá aqui (apresenta livro com tabela de números). Alguns vão se surpreender. Taxa de desemprego: 3,92%. O que significa isso? Significa que os operários passaram a ter força, porque na hora em que não há desemprego, isso é quase pleno, eles passam a ter força. E essa força fez com que se criassem os sindicatos e fez com que Lula fosse candidato a presidente da República. Foi um período em que floresceu a política, deu para que o país criasse as condições. E se não fossem essas condições do Cruzado, nós não teríamos condições de fazer a Constituinte. Isso tudo se esqueceu por quê? Porque o Sarney não tinha partido. Tinha oito candidatos à Presidência da República, todos falando mal de mim na televisão, não tinha um que me defendesse.
O senhor pensa em se aposentar?
A gente não tem domínio sobre o corpo, então tenho que ser realista. Tenho de ter a noção de que já estou na parte final. Ninguém pensa que pode ser imortal. Só os da Academia Brasileira de Letras. Mas este será meu último mandato. Não mais concorrerei a uma eleição.
Por que dizem que o Sarney vive de cargos?
Olhe, eu não pedi um cargo à Presidência atual. E nos governos anteriores, nunca tive uma indicação pessoal para colocar um amigo num lugar. Eu sou apenas um homem de partido. E como homem de partido, sempre gostam de dizer que é o Sarney. É uma forma de denegrir a minha imagem. Eu fiz uma vida política sem ser clientelista de cargos. Em lugar nenhum.
Por que é a favor do sigilo dos documentos?
Daqui a 50 anos, até a palavra sigilo já terá desaparecido. O que eu apoiei desde o princípio foi o projeto que veio para o Congresso. E esse projeto diz que os documentos históricos podem ter uma prorrogação de 25 anos mais 25. Isso foi feito pelo projeto do Fernando Henrique Cardoso. É uma lei dele.
Ele, Fernando Henrique, disse que assinou, mas não leu.
É até capaz que ele me convença dos argumentos.
Por que precisa de um sigilo?
Não estou dizendo que precisa de um sigilo. Há certos documentos de natureza histórica que devem ser preservados. O país, a Constituição é quem manda. Não sou eu que está dizendo. Pelo projeto, tem uma comissão que sabe quais documentos devem ter o sigilo, não eu. Os Estados Unidos até hoje liberam os documentos, mas eles têm uma tarja sobre as partes sensíveis que podem atingir o direito individual.
O senhor foi presidente da República. Teme algo?
Não temo documento nenhum. Os meus estão liberados, são 15 anos. Os meus não têm sigilo. Já estão abertos. E acho que não se deve esconder documento de governo nenhum. Eles devem ser abertos. Agora, essa comissão deve ter tempo de julgar aqueles que são sensíveis à segurança nacional e em relação a eles ninguém vai divulgar os códigos secretos das embaixadas, por exemplo. Eu acho que ninguém vai divulgar a nossa criptografia, ninguém vai divulgar os nossos projetos sensíveis de defesa e soberania. Os documentos que dizem que fulano fez tortura, esses devem ser liberados. Mas eu, como homem de Estado, que fui presidente da República e encontrei um país com suas fronteiras delimitadas e organizadas, não sou eu quem vai dizer o que é sigiloso. Porque serei cobrado amanhã pelo que liberei.
Qual é a avaliação desses primeiros meses do governo Dilma?
O governo Dilma, desse caminho histórico do país, é um outro avanço. No momento em que temos um operário no poder como um grande avanço, temos uma mulher. Essa é uma coisa impensada, se pensarmos que, em 1930, a mulher ainda não votava no Brasil. Evidentemente que cada presidente tem seu estilo. Ela não é uma líder carismática, todos nós sabemos disso. Agora, é uma mulher que conhece a administração pública. Ela é, pelo menos durante o tempo em que fui testemunha, uma espécie de sacerdotisa do serviço público.
Ela fez bem em afastar o Palocci? Resolveu?
No caso de Palocci, foi uma crise contingente e ela demonstrou que está apta a gerir crises. Geriu e superou-a. Agora, governo sempre tem problema.
Que conselho o senhor daria a Dilma?
Para presidente não se dá conselho, porque o presidente tem uma visão maior do que todos nós. E conselho e água benta só se dão a quem pede. Ela nunca me pediu.
O senhor, entretanto, é um aliado importante. Não é consultado nunca?
Quando sou consultado, dou a minha opinião, não dou conselho.
O Código Florestal sairá do Senado do jeito que o governo quer, ao contrário da Câmara?
Há questões que extrapolam os governos para serem questões de consciência. Nessas questões de consciência, o governo não tem a obrigação de impor. O Código não é uma questão de governo. É uma ideia sobre meio ambiente. Não acredito que o governo tenha perdido nesse assunto na Câmara.
Em relação à decisão de prorrogar o prazo das emendas...
O presidente da República sempre faz o que acha melhor naquele momento. Dilma está lidando com a realidade. A realidade dela, que é a de fazer um orçamento equilibrado, sem esquecer que os deputados fazem a sua política, representam os municípios, as regiões. Diante dessa realidade, ela é obrigada a fazer a arte do possível.
É verdade que o senhor, durante o velório de Itamar Franco, colocou um bóton do Senado no terno dele?
Eu não uso o bóton. Estava o senador Magno Malta, que tirou o bóton, e eu disse: “Ele (Itamar) tem que ir com o bóton”. Itamar gostava do Senado. Sempre teve um grande amor por esta Casa. Desde que aqui chegou, como senador, ele aqui fez nome, trabalhou. E nós moramos 12 anos na mesma prumada. Fomos bons vizinhos.
Mas a relação de vocês não foi sempre assim. Não foi contra o seu governo que ele tentou fazer a CPI da corrupção? Vocês superaram as diferenças?
Os jornais criaram esse nome, CPI da Corrupção, mas tratava-se das irregularidades administrativas que teriam sido feitas naquele tempo. De minha parte, verificou-se apenas que eu tinha aumentado o funcionalismo militar e civil sem cobertura orçamentária, quando, na realidade, era o próprio Congresso que tinha votado os créditos extraordinários. Naquela época, o Itamar não foi agressivo, com a minha pessoa, nunca foi.
O senhor acha que agora se fez justiça, o país reconheceu Itamar?
Foram muito bons para ele os quatro meses aqui, porque ele voltou ao Senado e, ao mesmo tempo, estava ressentido porque muitas das coisas que ele fez foram expropriadas dele. Aqui, ele teve a oportunidade de ser muito vigilante, com os oradores e tudo mais, em relação às coisas que ele tinha realizado como presidente da República. Isso fez com que resgatasse essas coisas.
Em relação aos royalties, está nas mãos do senhor colocar em pauta o veto ao projeto.
Com a comissão de prefeitos e governadores que aqui estiveram, comprometi-me a dar um prazo de 60 dias para que eles fizessem um acordo sobre um projeto que tramita na Câmara, no qual estabelecem uma norma que atenderia as reivindicações dos estados. Como até agora eles não se movimentaram, dentro de 60 dias, contados a partir de 1° de julho, vou marcar a votação do veto. Em 1º de setembro, submeto o veto, se eles não entrarem em acordo. Se tiverem outra solução, vão votar antes disso.
Nos últimos tempos, Brasília ficou imersa em denúncias de corrupção…
Fui o primeiro deputado que se mudou para cá. Gosto muito daqui. Em Brasília, temos uma sociedade que foi criada, a da construção. E temos a sociedade que é a elite da administração nacional. E há um vácuo dentro disso. E é esse vácuo que transforma Brasília nesse redemoinho, essa desorganização e até mesmo essa imagem que se cria, que vem da mentalidade da construção, da aventura, dos tempos heroicos. Essa mentalidade ficou. Isso leva tempo. Ficaram essas duas pontas: a civilização da fronteira e a da administração.
E aquele momento tão difícil no ano passado, justamente nos 50 anos, o que representa?
Representa que Brasília nunca conseguiu criar realmente uma classe política como o Rio criou, baseada no DF.
Por quê?
Porque essa classe política nasceu da filosofia da construção, da aventura.
O senhor está falando de alguns aliados, como o ex-governador Roriz?
A política vive com realidades. O Roriz era prefeito de Goiânia, dessa área daqui, e foi um bom governador de Brasília, não tenha dúvida.
Seus inimigos são implacáveis?
Tenho que aceitar, faz parte do meu ofício. A política passou a ser uma guerra. O pessoal quer exterminar.
Quando os inimigos atacam os filhos...
O ataque aos filhos é pior do que os ataques contra você mesmo.
O senhor se refere aos ataques contra Roseana, em 2002, quando ela ensaiou candidatura à Presidência?
Isso foi uma injustiça que fizeram com ela, uma armação tremenda, para não dizer uma crueldade.
O senhor fez as pazes com Serra? Na festa de FHC o senhor se sentou ao lado de Serra e ficou com os braços cruzados, em sinal de desconforto...
Não tenho ódio das pessoas. Não reparei… Mas o corpo da gente deve ter algumas expressões, sim.
quarta-feira, 29 de junho de 2011
Randolfe é eleito presidente da CPI do Ecad
Na sessão de instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito do Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad), nesta terça-feira (28), o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) foi eleito presidente do colegiado, e o senador Ciro Nogueira (PP-PI), vice-presidente. Por sugestão do senador Demóstenes Torres (DEM-GO), que lembrou o consenso em torno dos dois nomes, a aprovação foi feita por votação simbólica. Randolfe Rodrigues, autor do requerimento de instalação da CPI, designou o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) como relator. A primeira sessão da CPI foi marcada para terça-feira, 5 de julho, às 14h. A CPI se destina a investigar, no prazo de 180 dias, denúncias de irregularidades que teriam sido praticadas pelo Ecad na arrecadação e distribuição de recursos de direitos autorais. A comissão de inquérito também investigará denúncias de abuso da ordem econômica e prática de cartel, além de debater o modelo de gestão da entidade e discutir o aprimoramento da Lei 9.610/98, que rege o direito autoral no Brasil.
- Salta à atenção o modelo de direito autoral no Brasil ser um dos poucos no mundo em que não existe nenhum tipo de fiscalização sobre os recursos que são arrecadados pela entidade central. Não tenho dúvida que esse é um aspecto que deve ser objeto de debate na CPI - comentou Randolfe.
Paulo Cezar Barreto / Agência Senado
Sebrae leva ação social ao Abrigo São José
O Sebrae no Amapá, por meio do Projeto Beleza Empreendedora em Macapá e Santana, realiza ação de beleza na Casa de Longa Permanência Abrigo São José, nesta quinta-feira, 30, às 14h. Os atendimentos aos idosos acontecem durante o arraial de São João do abrigo. Na ocasião estarão disponíveis os serviços de cortes de cabelo, maquiagem, unhas decoradas, sobrancelha e fazer a barba dos senhores idosos. A ação será realizada em parceria com a Associação dos Empresários de Salão de Beleza de Macapá e Santana (Assebel) que também participará do evento.
Segundo a gestora do Projeto Beleza Empreendedora, Denise Nunes, o objetivo é contribuir com a responsabilidade social. “Estarão presentes na ação 15 voluntários, profissionais de empresas ligadas ao projeto para promover mais um Dia de Beleza, mas dessa vez atendendo aos idosos”, completa a gestora do Sebrae, Denise Nunes.
O Abrigo São José, fundado em 18 de março de 1965, é uma Instituição de Longa Permanência, vinculada a Secretaria de Estado da Inclusão e Mobilização Social, tendo como mantenedor o Governo do Estado do Amapá. A instituição tem por finalidade abrigar pessoas idosas, com idade igual ou superior a 60 (sessenta) anos, em situação de vulnerabilidade social, carentes de recursos sócio-econômicos e ou sem vínculo familiar, através das modalidades de Longa Permanência, Centro-Dia e Grupo de Convivência, contribuindo assim, com a implementação e o fortalecimento da Política Nacional e Estadual do Idoso - PNI.
Serviço:
Sebrae no Amapá:
Unidade de Marketing e Comunicação: (96) 3312-2832
Call Center: 0800 570 0800
Agência de Notícias: www.ap.agenciasebrae.com.br
(29/06/2011)
Sesi lança o Sarau do Choro
A Federação das Indústrias do Estado do Amapá (FIEAP) e o Serviço Social da Indústria (SESI), em parceria com a Escola de Música Walkíria Lima e o Centro Musical Aiapi, realizam O Sarau do Choro, nesta quinta-feira, 30, no Teatro Leonor Barreto Franco, a partir das 19 horas.
O objetivo do show é valorizar e difundir a cultura do choro. No sarau será apresentado um rico repertório musical do gênero. O evento vai reunir grandes nomes da música amapaense nessa vertente, entre eles, Lolito do Bandolim, Benjamim do Clarinete, Beto Oscar, Paulo Bastos, entre outros. A entrada será franca.
O Choro - O choro, como jazz americano, é mais uma forma de tocar do que uma
camisa de força para compor. Consolidado no Rio de Janeiro, em fins do século passado, seduziu ao longo do século XX os nomes mais importantes da música brasileira. Atraídos por suas infinitas possibilidades harmônicas e contrapontísticas, foi o meio de expressão predileto de Ernesto Nazareth, Chiquinha Gonzaga, João Pernambuco, Anacleto de Medeiros e Pinxiguinha; a importância do choro pode ser medida pela atenção que mereceu de Villa-Lobos e Tom Jombim, que tem,
aliás, uma de suas criações incluídas no seu trabalho.
SESI – Provendo Soluções para a Indústria.
COMUNICAÇÃO SISTEMA FIEAP
3084-8944
O objetivo do show é valorizar e difundir a cultura do choro. No sarau será apresentado um rico repertório musical do gênero. O evento vai reunir grandes nomes da música amapaense nessa vertente, entre eles, Lolito do Bandolim, Benjamim do Clarinete, Beto Oscar, Paulo Bastos, entre outros. A entrada será franca.
O Choro - O choro, como jazz americano, é mais uma forma de tocar do que uma
camisa de força para compor. Consolidado no Rio de Janeiro, em fins do século passado, seduziu ao longo do século XX os nomes mais importantes da música brasileira. Atraídos por suas infinitas possibilidades harmônicas e contrapontísticas, foi o meio de expressão predileto de Ernesto Nazareth, Chiquinha Gonzaga, João Pernambuco, Anacleto de Medeiros e Pinxiguinha; a importância do choro pode ser medida pela atenção que mereceu de Villa-Lobos e Tom Jombim, que tem,
aliás, uma de suas criações incluídas no seu trabalho.
SESI – Provendo Soluções para a Indústria.
COMUNICAÇÃO SISTEMA FIEAP
3084-8944
Floresta Nacional do Amapá é discutida em fórum
Palestras, mostra de vídeo, teatro e exibição de curtas-metragens, será em clima de comemoração que acontece nesta quinta-feira (30/06), o evento VIVA FLONA 2011, no Centro Comunitário do município de Porto Grande (AP). O VIVA FLONA será um momento de integração entre os gestores dos projetos que envolvem essa unidade de conservação e a população do município que é vizinho à Floresta Nacional (FLONA) do Amapá. O Programa de Apoio à Implementação da FLONA do Amapá é resultado de uma parceria entre o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a Conservação Internacional (CI-Brasil), o Instituto Walmart e a agência americana USAID. O programa tem por finalidade contribuir para o desenvolvimento local sustentável a partir da implementação da FLONA do Amapá. “Nos primeiros anos do projeto estávamos voltados a melhoria da gestão da unidade através de infraestrutura, capacitação dos conselheiros e da elaboração do Plano de Manejo, documento que vai orientar todas as atividades a serem desenvolvidas na unidade, agora estamos voltamos também para atividades em parceria com a comunidade, educação ambiental e planos de negócios de atividades sustentáveis”, explica Patrícia Baião, diretora do programa Amazonia da Conservação Internacional.
Nos meses anteriores ao VIVA FLONA, foram realizadas reuniões para discutir a Floresta Nacional do Amapá como um vetor de desenvolvimento para os municípios na área de influência da projeto. Participaram gestores municipais de Porto Grande, Ferreira Gomes, Pedra Branca do Amapari e Serra do Navio. No início de abril, o projeto apoiou a realização de um seminário sobre políticas públicas que teve participação dos conselheiros da FLONA do Amapá,e de instituitições e organizações que agora devem aderir ao Conselho Gestor da Unidade de Conservação. Em seguida, aconteceu o Curso de Capacitação de Projetos de Temas Ambientais, que reuniu 20 professores de Porto Grande, durante o mês de maio.
Na programação desta quinta, palestras sobre a unidade de conservação, além de depoimentos de comunitários envolvidos no projeto e autoridades municipais. “O VIVA FLONA deve ser o primeiro de diversos eventos que realizaremos visando integrar a população dos municípios próximos a FLONA do Amapá ao nosso projeto. A expectativa é de grande participação da população de Porto Grande. O conceito do evento será de usar outras linguagens para atingir o público que estamos esperando. Assim o projeto pode ser melhor entendido por todos” explica Cesar Hagg, coordenador de políticas ambientais da CI-Brasil.
Cultura – Durante o evento, acontecerá a apresentação do grupo de teatro Grande Porte, formado por atores do município de Porto Grande, que vai mostrar de maneira divertidas alguns dos conceitos das unidades de conservação. Outra atração será a exibição de curtas-metragens, com destaque para MATINTA, filme do Pará inspirado na lenda da matintapereira, vencedor de dois prêmios no último Festival de Cinema de Brasília.
Programa de Apoio a Implementação da Flona do Amapá – Os objetivos do projeto são tornar, ao longo de cinco anos, a Floresta Nacional do Amapá um modelo de gestão e uso sustentável dos recursos na Amazônia brasileira. O foco das atividades na área está divido em três frentes: infraestrutura física e de pessoal para a gestão da unidade; confecção do Plano de Manejo e implantação dos programas previstos; e implantação atividades sustentáveis, como a exploração sustentável de recursos florestais madeireiros e não-madeireiros, educação ambiental, turismo e pesquisa.
O projeto prevê o apoio ao desenvolvimento local nos municípios da região da FLONA do Amapá, integrando ações junto aos principais projetos de desenvolvimento da região.
FLONA do Amapá - A Floresta Nacional do Amapá, criada em 1989, foi a primeira Unidade de Conservação de Uso Sustentável do estado. Tem uma área de 412 mil hectares de floresta tropical e é a quinta maior unidade de conservação do Amapá. Ocupa um importante espaço dentro quase 11 milhões de hectares do Corredor da Biodiversidade do Amapá, que faz parte do Escudo das Guianas, o maior conjunto de áreas protegidas de florestas tropicais do mundo. A Floresta densa de terra firme é a vegetação mais predominante, com uma parcela significativa de florestas de várzea. Nos levantamentos realizados, verificou-se que em seus rios existe uma grande diversidade de peixes e crustáceos. Foram registradas no local um alto número de espécies de anfíbios, lagartos, jacarés, quelônios e serpentes, indicando que esta UC possui uma das mais altas diversidades registradas na Amazônia Brasileira.
VIVA FLONA 2011
Data: 30/06/2011
Hora: de 16h00 as 18h30
Local: Centro Comunitário de Porto Grande
Av. Mario Cruz, bairro centro, 620 – Porto Grande (AP)
Contatos:
Fernando Segtowick - Coordenador de Comunicação – Programa Amazônia – Conservação Internacional
Telfax: (91) 3225-3848 - Ramal 13 - Celular: (91) 8135.6644
E-mail: f.cardoso@conservacao.org
www.conservacao.org
AL debate drogas em audiência pública
Às 9 horas da manhã desta quinta-feira (30), ocorrerá no plenário da Assembleia Legislativa (AL), audiência pública que irá tratar sobre a problemática das Drogas do Estado do Amapá.
Promovida pelo deputado estadual Manoel Brasil (PRB), a audiência pública irá possibilitar uma ampla discussão sobre as drogas, consequências, riscos e tráfico. O objetivo da audiência é promover políticas públicas para o tratamento de dependentes, orientação socioeducativa e coibição de uso de tráfico de entorpecentes no Estado.
A audiência pública contará com a presença dos parlamentares federais membros da Comissão Nacional de Combate as Drogas, Evandro Milhomem e Fátima Pelaes, demais autoridades, órgãos públicos e privados ligados ao combate às drogas e entidades que desempenham trabalhos sociais de recuperação.
Texto: Sabryna Miranda/ASCOM Dep. Manoel Brasil
Foto: Jaciguara Cruz/ASCOM/ALAP
ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO AMAPÁ – ASCOM/ALAP
DEPARTAMENTO DE COMUNICAÇÃO
(96) 3212-8311 – assembleialegislativa.ap@gmail.com(96) 8125-1116 – randolphscooth@yahoo.com.br
Promovida pelo deputado estadual Manoel Brasil (PRB), a audiência pública irá possibilitar uma ampla discussão sobre as drogas, consequências, riscos e tráfico. O objetivo da audiência é promover políticas públicas para o tratamento de dependentes, orientação socioeducativa e coibição de uso de tráfico de entorpecentes no Estado.
A audiência pública contará com a presença dos parlamentares federais membros da Comissão Nacional de Combate as Drogas, Evandro Milhomem e Fátima Pelaes, demais autoridades, órgãos públicos e privados ligados ao combate às drogas e entidades que desempenham trabalhos sociais de recuperação.
Texto: Sabryna Miranda/ASCOM Dep. Manoel Brasil
Foto: Jaciguara Cruz/ASCOM/ALAP
ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO AMAPÁ – ASCOM/ALAP
DEPARTAMENTO DE COMUNICAÇÃO
(96) 3212-8311 – assembleialegislativa.ap@gmail.com(96) 8125-1116 – randolphscooth@yahoo.com.br
Conciliação é debatida em São Paulo
O corregedor geral da Justiça do Amapá, desembargador Gilberto Pinheiro; o coordenador da Secretaria de Gestão Processual Eletrônica (SGPE), juiz Luciano de Assis, e a juíza Stella Simonne Ramos participam em São Paulo do "Seminário sobre Conciliação e Mediação -Estruturação da Política Judiciária Nacional" realizado pelo Conselho Nacional de Justiça, que se iniciou nesta terça-feira (28/06).
O objetivo do CNJ é debater a estrutura da política nacional para o setor em relação ao tratamento adequado dos conflitos de interesses no âmbito do Poder Judiciário, a partir da Resolução 125/CNJ.
Na busca por formas alternativas da solução de conflitos para reduzir o acúmulo de processos judiciais e, ao mesmo tempo, proporcionar o exercício da cidadania, oportunizando com assistência formal e real que elas próprias resolvam seus litígios e inovando na resolução dos conflitos familiares, prevenindo conflitos futuros o Tribunal de Justiça do Amapá instalou no dia 1º de agosto de 2005 a Vara de Mediação e Conciliação da qual a juíza Stella Simonne Ramos é titular. A Vara foi a primeira do gênero em todo País a ser criada, resultado da experiência anterior praticada como uma Central de Conciliação que atendia somente as Varas de Família.
A Vara de Mediação e Conciliação desempenha com êxito a prestação jurisdicional. Todos os processos distribuídos para as varas cíveis, incluindo família, passíveis de acordo entre as partes, são primeiramente encaminhados para a Vara de Mediação e Conciliação, onde conciliadores treinados pelo Tribunal de Justiça, sob supervisão do juiz, atuam como "facilitadores" buscando sempre a solução negociada do conflito. Em casos de desistência ou acordos parciais que não impliquem no término do processo, o juiz profere decisão homologatória da parte consensual, remetendo os autos com as defesas das partes controvertidas à Vara Titular.
A abertura do Seminário de Conciliação e Mediação foi feita pelo presidente do CNJ e do Supremo Tribunal Federal, ministro Cezar Peluso, que ressaltou a importância de se discutir práticas para a conciliação e mediação de conflitos, com vistas à estruturação da política judiciária nacional.
O discurso de abertura do ministro Cezar Peluso e a palestra da jurista Paula Costa e Silva, de Portugal, foram transmitidas ao vivo pela TV Justiça. O esforço do CNJ é para disseminar, no âmbito do Judiciário brasileiro, a cultura da pacificação de conflitos por meio da ampliação do número de conciliadores e núcleos técnicos nos estados e, dessa forma, estimular a criação de mais campanhas e mutirões de conciliação.
No evento participaram os ministros Gilmar Mendes e Ellen Gracie e a corregedora nacional de Justiça, ministra Eliana Calmon, também participa dos debates. Outros painéis programados discutirão a resolução alternativa de disputas no modelo americano de pacificação de conflitos.
Na tarde de ontem, magistrados e especialistas na área, dentre os quais o juiz auxiliar do CNJ José Guilherme Wasi Werner; Rachel Anne Wohl; Kazuo Watanabe; Ada Pelegrini; Andre Gomma; Valéria Lagrasta; Adriana Sena e Mariella Ferraz, bem como, a juíza e ex-conselheira do Conselho Andrea Pachá, participam dos debates e realizam palestras.
As mesas de discussão foram conduzidas pela corregedora nacional de Justiça, ministra Eliana Calmon, e os conselheiros Jorge Hélio Chaves de Oliveira e Paulo Tamburini. A cerimônia de encerramento será coordenada pela conselheira Morgana Richa, atual coordenadora do movimento pela conciliação do CNJ.
O Seminário acontece na Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), no bairro de Higienópolis, e reúne juízes e gestores dos Tribunais de todo o país, representantes de entidades como Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e presidentes de grandes empresas nacionais.
Ascom/Tjap
Deputada discute convenção internacional do trabalho
Deputada Federal Fátima Pelaes entre, Marli Bertoli (secretária da Confederação dos Servidores Públicos do Brasil) e Fernando Cascavel (presidente do Sindicato dos Servidores Públicos do Rio de Janeiro)
Passado mais de um ano e ratificado pelo Congresso Nacional, a Convenção 151 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), o governo federal ainda não regulamentou a medida. A pedido das centrais sindicais dos trabalhadores, a deputada federal Fátima Pelaes (PMDB-AP) aprovou nessa quarta-feira, 29, na Comissão de Trabalho uma audiência para discutir o tema. “É uma matéria muito importante porque vai regulamentar o direito de organização sindical dos servidores públicos. Hoje o modelo utilizado se baseia na iniciativa privada e os dois modelos são bem distintos”, disse a deputada Fátima Pelaes.
Ela explicou que o Governo Federal instituiu dois grupos de trabalho para discutir a matéria: um no Ministério do Planejamento e outro no Ministério do Trabalho. No planejamento, apenas a Central Única dos Trabalhadores (CUT) foi convidada a representar os trabalhadores. “O que nós buscamos é a união de todos para que possamos regulamentar logo a medida”, declara a parlamentar Fátima Pelaes.
Para a segunda secretária da Confederação dos Servidores Públicos do Brasil, Marly Bertolino, a audiência pública será importante para subsidiar os grupos de trabalho. “Vamos unificar a discussão e criar uma única proposta que represente os servidores públicos”, interpelou a secretária Marly.
O presidente do Sindicato dos Servidores Públicos do Rio de Janeiro, Fernando Cascavel, cobrou a urgência da regulamentação da medida que irá garantir a todos os servidores públicos o direito a organização sindical. “Temos mais de cinco mil municípios e cada um tem uma regra própria. Um trabalhador do Sul que exerce a mesma função de um do Norte tem que ter os mesmo direitos”.
Serviço:
Deputada Federal/Amapá: Fátima Pelaes
Twitter:@depfatimapelaes
Facebook:/fatima-pelaes
Assessoria de Imprensa:
Denyse Quintas
denyse-quintas@bol.com.br
Twitter:@DenyseQuintas
Facebook:/denyse.quintas
Texto: Andreia Araújo
Foto: Carola Ribeiro
Passado mais de um ano e ratificado pelo Congresso Nacional, a Convenção 151 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), o governo federal ainda não regulamentou a medida. A pedido das centrais sindicais dos trabalhadores, a deputada federal Fátima Pelaes (PMDB-AP) aprovou nessa quarta-feira, 29, na Comissão de Trabalho uma audiência para discutir o tema. “É uma matéria muito importante porque vai regulamentar o direito de organização sindical dos servidores públicos. Hoje o modelo utilizado se baseia na iniciativa privada e os dois modelos são bem distintos”, disse a deputada Fátima Pelaes.
Ela explicou que o Governo Federal instituiu dois grupos de trabalho para discutir a matéria: um no Ministério do Planejamento e outro no Ministério do Trabalho. No planejamento, apenas a Central Única dos Trabalhadores (CUT) foi convidada a representar os trabalhadores. “O que nós buscamos é a união de todos para que possamos regulamentar logo a medida”, declara a parlamentar Fátima Pelaes.
Para a segunda secretária da Confederação dos Servidores Públicos do Brasil, Marly Bertolino, a audiência pública será importante para subsidiar os grupos de trabalho. “Vamos unificar a discussão e criar uma única proposta que represente os servidores públicos”, interpelou a secretária Marly.
O presidente do Sindicato dos Servidores Públicos do Rio de Janeiro, Fernando Cascavel, cobrou a urgência da regulamentação da medida que irá garantir a todos os servidores públicos o direito a organização sindical. “Temos mais de cinco mil municípios e cada um tem uma regra própria. Um trabalhador do Sul que exerce a mesma função de um do Norte tem que ter os mesmo direitos”.
Serviço:
Deputada Federal/Amapá: Fátima Pelaes
Twitter:@depfatimapelaes
Facebook:/fatima-pelaes
Assessoria de Imprensa:
Denyse Quintas
denyse-quintas@bol.com.br
Twitter:@DenyseQuintas
Facebook:/denyse.quintas
Texto: Andreia Araújo
Foto: Carola Ribeiro
Notas da Coluna Argumentos
Recesso
Deputados estaduais realizam hoje a última sessão ordinária do semestre. Amanhã a Assembleia Legislativa ainda realiza uma audiência pública, mas a reunião não tem caráter deliberativo. Havia dúvida se os parlamentares estariam impedidos de tirar as férias de julho sem votar a LDO, mas a legislação permite que fique para a volta.
Acontecimento
Por falar na AL, a sessão de ontem foi marcada pela repercussão do pedido de exoneração do agora ex-secretário da Saúde, Evandro Gama. Deputados da oposição e da situação se pronunciaram a respeito da saída de Gama, que foi candidato a deputado federal no ano passado pelo PT (e não a senador, conforme dito pelo colunista ontem).
Levando
O deputado Edinho Duarte (PP) deixou o falso pudor e decidiu falar abertamente sobre o apelido dado a Evandro Gama, mas defendeu uma tese de que tudo tenha sido objeto do que definiu como fogo amigo. “Foi o próprio PSB quem inventou esse apelido, para queimar o próprio aliado”, disparou Edinho.
Inusitado
Representante do maior grupo de oposição ao PSB no Amapá, o senador Geovani Borges ocupou a tribuna ontem para cobrar exatamente o principal objeto de campanha dos Capiberibe, o Portal da Transparência, maior trunfo do algoz João Alberto. Para o peemedebista, o Governo do Amapá, na gestão PSB, não cumpre a Lei da Transparência e omite dados.
Embrapa
Os empregados da Embrapa decidiram, por maioria, entrar em greve por tempo indeterminado desde ontem. Cabe lembrar que 28 das 31 unidades aderiram ao movimento. “Em nossa unidade o número de companheiros que aderem à greve cresce a cada dia”, diz uma nora distribuída à imprensa ontem pelo Comando de Greve em Macapá.
Ministra
Depois de não conseguir virar ministra do Turismo, no começo do ano, agora a deputada federal Fátima Pelaes (PMDB-AP) aspira ser ministra do Tribunal de Contas da União (TCU). Segundo a assessoria da parlamentar o nome dela aparece cotado para vaga de titular do TCU, na vaga aberta com a aposentadoria em julho do ministro Ubiratan Aguiar. E se colar?
Deu Amapá
Em cerimônia realizada na Sala de Audiência da presidência da Casa, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP) instalou a primeira ouvidoria do Senado Brasileira em seus 187 anos de história. Este é mais um instrumento que busca ampliar a transparência das ações da Casa, que desde 2009 também conta com o Portal da Transparência.
Erramos
Os atletas do time Master da Associação dos Magistrados do Amapá (Amaap) enviam correção de informação postada ontem pela coluna a respeito do título conquistado por eles na última edição da Copa Norte de Futebol para Magistrados. O último título foi em 2001 e não em 2007 conforme dissemos ontem. Isso só aumenta a importância do feito. Parabéns!
Em Macapá
O governador do Amapá, Camilo Capiberibe, participou, nesta segunda-feira, 27, na Escola Estadual Mariam Meriam, localizada na zona Norte de Macapá, da 15° escuta pública do Plano Plurianual Participativo (PPA). Por meio de plenária, a caravana popular, composta por secretários de Estado, identificou demandas da cidade e de comunidades que compõem o município.
"É preciso deixar a história do quanto pior melhor"
ROBERTO GÓES - Prefeito de Macapá reclama falta de apoio do Governo do Estado
Nem mesmo a rumorosa detenção por quase 60 dias em Brasília tirou o entusiasmo e o otimismo do prefeito de Macapá, Roberto Góes, que está de volta à cena política ao admitir que um dos maiores gargalos de sua administração, os buracos da cidade, carecem de uma reengenharia e para isso pretende acelerar o ritmo dos serviços, mesmo sem o apoio do Governo do Estado, que ele aponta como sendo o maior ausente neste período em que a malha viária sofre intensamente. Aliás, as diferenças com o ex-adversário Camilo Capiberibe (PSB), que hoje governa o Estado do Amapá, foram a tônica na entrevista concedida pelo gestor municipal ao programa Luiz Melo Entrevista, da Rádio Diário FM, na última sexta-feira. Os principais trechos da sabatina a que Roberto Góes submeteu-se, o Diário do Amapá publica a seguir.
"No caso do Shopping Popular o convênio estava próximo de expirar então encaminhei um documento ao governo para a prorrogação mas não houve manifestação do governador"
Diário do Amapá - Como é sua relação com o juiz federal João Bosco, prefeito?
Roberto Góes - Olha, nós temos grandes juízes aqui em Macapá, tanto juízes federais como juízes estaduais, assim como bons desembargadores. Mas no caso do doutor João Bosco, de quem estamos falando, a simplicidade dele em não só buscar a justiça através da sentença, da decisão, mas também tirar a toga e sair até a ponte, a passarela e ir para o embate, de frente com o problema, isso é tudo. Mostra o interesse dele pelo Amapá.
Diário - E isso tem dado resultado, funciona mesmo?
Roberto - Sim, com certeza. No caso do Hospital Metropo-litano, por exemplo, que a gente deve estar lançando já o edital de licitação da obra, uma luta de quase dois anos, mas que já temos R$ 6 milhões em conta para a conclusão da obra e outros R$ 15 milhões para equipar. Isso vai resolver definitivamente a questão dos hospitais aqui da cidade. Esse hospital terá quase 100 leitos para atender a população.
Diário - E quanto ao funcionamento, vai entrar o Governo do Estado para ajudar?
Roberto - Existe essa conversa, de a gente fazer uma parceria entre Governo e Prefeitura para que possam trabalhar juntos, com cada um assumindo a sua responsabilidade constitucional, mas com a gente buscando uma administração compartilhada ou também existe a possibilidade da Prefeitura administrar só.
Diário - Nessa história de parceria entre Governo e Prefeitura, a administração estadual tem entrado onde prefeito?
Roberto - Até agora em nada, não sei no futuro. Para não di-zer que não entrou com nada, nós tivemos várias conversas com o governador e ele entrou com R$ 48 mil em asfalto nesse tempo todo, o que dá 56 toneladas de asfalto. Primeiro liberou 6 toneladas que deu aquela polêmica toda, e o Governo fez até festa com isso, que dá R$ 10 mil; No total foram 56 toneladas.
Diário - E isso dá para fazer o que em termos de asfaltamento?
Roberto - Praticamente nada. A Prefeitura gasta hoje em torno de 50 toneladas de asfalto por semana e infelizmente as nossas ações de tapa-buraco não estão surtindo efeito. Em reunião com nossos técnicos decidimos aumentar a quantidade de equipes nas ruas, aumentar a quantidade de caçambas, fazer uma fiscalização mais intensa nesse pessoal que está trabalhando o tapa-buraco, contratar mais gente e trabalhar de noite também para não atrapalhar o trânsito. A nossa idéia é intensificar o trabalho, pois a população está sofrendo muito.
Diário - Agora também está chovendo muito, não é mesmo, o que não combina com serviço de asfaltamento prefeito?
Roberto - É, está chovendo bastante, desde o final do ano passado a chuva não pára, mesmo já estando no final de junho as chuvas continuam muito fortes, acho que pela mudança climática no Brasil todo, aliás, no mundo todo. Mas outra questão é que estamos trabalhando só, pois em outros anos o Governo fazia também, com a Prefeitura tapando buracos com as equipes que tinha e o Estado também por outro lado, trabalhando da mesma forma. Agora não, infelizmente a Prefeitura tem traba-lhado só desde o começo deste ano.
Diário - Mesmo assim o senhor anuncia mais equipes trabalhando, mais caçambas e o asfalto, vem de onde?
Roberto - Nós estamos comprando, bastante até. Fiz um le-vantamento do quanto nós vamos precisar até o final e passamos a ter um contrato até o final do ano de R$ 7 milhões com a empresa que vai fornecer asfalto, que já está chegando e nós vamos armazenar em Macapá, porque ele vem de Manaus e muitas vezes da região Sudeste, de carretão que causa um transtorno grande, com as condições de armazenamento apropriado. Quando a gente tinha uma relação com o Estado, ele guardava para a gente.
Diário - Mas a usina de asfalto é da própria Prefeitura?
Roberto - Nós temos três usinas de asfalto na Prefeitura. Tivemos que transferir uma para o Distrito Industrial, que estamos inaugurando agora, acredito em trinta dias estará pronta, então hoje estamos funcionando com uma antiga que dá pro-blema. A terceira é menor, produz asfalto a frio e deveremos reativá-la. Já a usina do governo está parada desde janeiro, não está produzindo nada de asfalto.
Diário - Assim como essa nova ação de asfaltamento, que ou-tras ações estão por vir com relação ao trânsito da cidade?
Roberto - Nós vamos lançar na próxima terça-feira um projeto de engenharia de trânsito para mudar alguns binários, com ruas que hoje são de mão dupla e que passarão a ter sentido único, melhorando a circulação e possibilitando alternativas para os corredores do tráfego que também receberão ações de recapeamento. Se o Governo não ajudar poderemos ter problemas, pois a falta de investimentos nesse período prejudicou bastante a situação da malha viária de Macapá que pode inclusive ter alguns trechos perdidos totalmente.
Diário - Essa indiferença que o senhor acusa por parte do Governo do Estado em relação à Prefeitura pode ser atribuída à carência de recursos ou ideologia política?
Roberto - Eu não acredito que seja de carência de recursos. Todo administrador tem problema, a Prefeitura e o Governo não têm suficiente, mas todo dia tem dinheiro. É tipo a administração de uma empresa, quando se administra com que você tem. Então essa história de dizer que não tem... Tem sim, pois o recurso vem, o Estado não está pagando dívidas passadas com fornecedores, o Estado não deu aumento significativo para o servidor, o Estado não tem repassado os convênios com as prefeituras, não digo nem só com Macapá, mas com todas as prefeituras. Basta conversar com outros prefeitos que eles dizem a mesma coisa.
Diário - Não é uma questão meramente política então, no seu entendimento?
Roberto - Vou falar por Macapá. O que nós queremos, e muita vezes sou até questionado por isso, é um tratamento diferenciado para Macapá, a capital de um Estado em que a maior parte da população vive na Capital, uma população essencialmente urbana. Se juntarmos Macapá e Santana temos meio milhão de habitantes. Além disso, 90% do que se arrecada no Amapá, de ICMS, de impostos, é do município de Macapá, da mesma forma, 90% dos empregos gerados no Estado são no município de Macapá. Mas também os maiores problemas ficam no município de Macapá, então efetivamente o Estado vive dentro do município, então que o Governo entre, é preciso e pode deixar aquela história do quanto pior melhor, porque perde a população, não é a Prefeitura que perde, é o Estado que perde porque a população sofre.
Diário - Em que outras áreas o senhor sente a falta de apoio por parte do Estado?
Roberto - Não digo nem apoio, mas para se ter uma idéia, no programa Saúde da Família nós tínhamos 45 equipes no começo do mandato e chegamos a aumentar para 64 equipes técnicas, que realizam um grande trabalho de saúde preventiva, vi-sitando as famílias nos bairros, nas pontes, nas periferias, no centro, para atender da melhor forma possível a população. Mas para tocar o programa existe um acordo com o Governo Federal, com a chamada tripartite, ou seja, União, Estado e município, com todos fazendo investimento nessa área. Infelizmente o Estado do Amapá não faz e a Prefeitura de Macapá acaba assumindo toda a responsabilidade.
Diário - Qual o custo mensal do programa?
Roberto - Uma equipe custa só com pessoal R$ 12,2 mil com o Governo Federal entrando com R$ 6,2 mil e os R$ 6 mil restantes, que deveriam ser divididos entre Governo e Prefeitura. O Estado não passa e o município assume sozinho.
Diário - Para cobrar o repasse do convênio para o Shopping Popular o senhor entrou na Justiça contra o Governo. Nesses ou-tros conflitos pensa em usar a também a mediação judicial?
Roberto - Em todas, estamos trabalhando. Para chegarmos à decisão de entrar na Justiça, não que tenha havido intransigência da nossa parte ou por parte do Governo, mas os convênios têm prazo de validade, então no caso do Shopping Po-pular o convênio estava próximo de expirar, então encaminhei um documento ao governo para a prorrogação, mas não houve manifestação do governador. Mandei expediente para a Secretaria de Planejamento e também não houve manifestação, então para que eu não pecasse por omissão entrei na justiça pedindo o recurso que foi assinado com o Estado e que consta na nossa lei orçamentária, devidamente aprovada pela Câmara Municipal.
Perfil do entrevistado
Antônio Roberto Rodrigues Góes da Silva, tem 45 anos de idade, é casado e pai de quatro filhos. Nasceu na colônia agrícola de Matapi, no município de Porto Grande e tem origem humilde. A produção agrícola da família era comercializada nas feiras de Macapá, para onde todos se mudaram depois. Estudou em escolas públicas e o trabalho desde cedo o fizeram tornar-se bastante conhecido, tanto que foi um dos mais jovens vereadores da Capital, em 1992. Dois anos depois chegou à Assembleia Legislativa, tornando-se um combativo deputado estadual, detentor de quatro mandatos consecutivos. Tornou-se também carnavalesco e dirigente da Liga das Escolas de Samba do Amapá. Apaixonado por esportes, ajudou a manter clubes do amador e do profissional, chegando à Presidência da Federação Amapaense de Futebol. Sua gestão o fez ser convidado a chefiar a delegação da Seleção Brasileira de Futebol em duas edições da Copa América. De tanto crescer como agente público, várias lideranças e partidos políticos o lançaram como candidato a prefeito de Macapá em 2008, sendo o vencedor no segundo turno da disputa daquele ano. Desde o dia seguinte à vitória nas urnas, decidiu percorrer as ruas da cidade para conhecer melhor os problemas e discutir com segmentos da sociedade as melhores alternativas. Esse período foi marcado pelo cumprimento de suas principais propostas de campanha, como a melhoria do trânsito, da limpeza, da organização da cidade e dos investimentos na melhoria da saúde e da educação municipal. Como dissabor, uma ruidosa investigação da Polícia Federal, ainda em curso, que ele tenta responder acelerando o ritmo dos trabalhos.
Assinar:
Postagens (Atom)















