quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Ilha de Santana é cenário para filme Tainá 3


A floresta aqui é muito bonita, tem verdes diferentes, as locações da oca do Tigê e da grande árvore são belíssimas, e é aqui no Amapá que a história começa e termina

A rotina dos moradores da Ilha de Santana mudou desde o dia 17, com o início da segunda e última fase das filmagens do longa-metragem Tainá 3 - A Origem. A equipe do filme grava no Amapá até dia 26, e é aqui que serão rodadas cenas fundamentais da história. A primeira etapa das filmagens ocorreu entre os meses de julho e meados de agosto nas localidades paraenses de Alter do Chão, localizada a 32 quilômetros de Santarém, no Pará.
"Filmar no Amapá está sendo ótimo, temos um filme que é 100% externa, então precisamos contar com a ajuda da natureza para não atrasar as gravações, não temos como controlar isso. A floresta aqui é muito bonita, tem verdes diferentes, as locações da oca do Tigê e da grande árvore são belíssimas, e é aqui no Amapá que a história começa e termina", do-cumenta a diretora do filme, Rosane Svartman, referenciada pelo trabalho realizado durante anos no programa Casseta e Planeta, da Rede Globo.
Na Ilha de Santana, além da equipe do filme, composta por 62 profissionais, foram contratadas mais 40 pessoas para trabalhar na etapa de produção e filmagem. Foi mão de obra local, por exemplo, que ajudou a equipe de arte a confeccionar o material necessário para construir as paredes da oca do vô Tigê. "O apoio que estamos recebendo para fazer as gravações aqui e a floresta são fundamentais para nosso trabalho, a população também nos acolheu muito bem e durante esse mês estamos gerando emprego", conta o diretor de produção, Pingo.
O terceiro filme sobre a indiazinha Tainá conta sobre a origem da guerreira, que foi encontrada pelo vô Tigê, interpretado pelo ator Grancindo Júnior, aos pés da grande árvore. "Tainá 3 é um filme sobre a origem da Tainá, a busca de quem ela é filhe, de onde veio, e nessa trajetória vive aventuras que faz com que ela se torne a guerreira que o público viu em Tainá 1", conta a diretora Rosane Svartman.
As aventuras são protagonizadas pela índia Tainá e a menina Laurinha, que juntas vão combater o contrabandista de madeira da região, Vítor, interpretado por Guilherme Berenguer. "Este é o meu primeiro vilão, as pessoas estão acostumadas a me ver como mocinho das histórias", comenta o ator, que precisou ter um cuidado especial para montar o personagem, já que contracena com crianças e a produção é voltada para o público infantil.
Para o ator, o filme trouxe a oportunidade de fazer coisas diferentes. "Algumas cenas foram realmente difíceis, mas não por se tratar de um vilão, mas por precisar realizar coisas que nunca tinha feito antes", afirma. A presença de Guilherme Berenguer na pequena e pacata Ilha de Santana mudou o cotidiano das pessoas, principalmente das fãs, que esperavam por qualquer oportunidade para pedir autógrafos ou fotografar, e esse carinho do público também marcou o ator. "Sem dúvidas trata-se de um projeto que já marcou muito a minha carreira, pois proporcionou eu conhecer e viver coisas emocionantes", relata.

As revelações mirins

A saga da produção do filme começou para encontrar a nova atriz que viveria a indiazinha defensora da natureza. Após dois anos e meio de procura, produtores do escolheram a indía Wiranú Tembé, de cinco anos, que vive em uma aldeia da etnia tembé, nos arredores de Paragominas, no Pará. Como o português não é sua principal língua, Wiranú precisou de ajuda das colegas para se comunicar.
A atriz Eunice Bahia, que representou Tainá nas duas versões já lançadas do filme, chegou a comentar que a escolha foi acertada, pois quando olha para Wiranú se vê quando tinha seis anos. A pequena Wiranú é realmente perfeita para o papel da pequena guerreira, corajosa e esperta como Tainá. A índia corre pelo set, sobe em árvores, atua como quem brinca.
"Ela vai ser uma das maiores descobertas de atriz para cinema que eu já vi na minha vida, ela tem uma presença cênica, uma inteligência de atriz que é raro descobrir, a cada dia aprende mais", garante Gracindo Júnior, que pela primeira vez esteve no Amapá.
O renomado ator conta que se interessou muito em fazer o filme, pois o roteiro, apesar de dirigido para o publico infantil, é altamente ecológico, fala de uma possibilidade de vida em convivência com a natureza, "não essa coisa alucinada de lutar por dinheiro e poder, que é possível uma vida melhor, e que os indígenas provam a cada dia como é viável ter essa relação".
Outra atriz mirim que tem destaque em Tainá 3 é Beatriz Santos Noskoski, que interpreta Laurinha, menina da cidade que contará com a ajuda de Tainá para salvar o avô das mãos de Vítor (Guilherme Berenguer). Beatriz também passou por seletivas, concorrendo com mais de três mil candidatas.


O filme é uma produção da Sincrocine Produções Cinematográficas e deve chegar às telas em janeiro do ano que vem.

domingo, 15 de agosto de 2010

Feira de Oiapoque termina hoje


Na fronteira do Brasil com a Guiana Francesa acontece o primeiro de uma série de eventos voltados ao incremento do turismo

A Feira Internacional de Oiapoque (FIO) encerra neste domingo, 15, do lado Brasileiro na cidade de Oiapoque. O evento binacional iniciou no último dia 9 de agosto em Saint-Georges (Guiana) e atraiu milhares de turistas. Os sete dias de programação, no lado francês, foram marcados por apresentações de danças de grupos folclóricos, exposição e venda de produtos, rodada de negócios, apresentação de grandes artistas, shows musicais e degustação de comidas típicas da Guiana Francesa e do Brasil.
Do lado brasileiro, na cidade de Oiapoque, os estandes foram montados em toda extensão da principal rua do município. A feira ocupa 3.600 metros quadrados, em formato de L, tendo como porta de entrada a frente da Igreja Nossa Senhora das Graças. A programação lá inicia sempre às 16 horas e entra pela madrugada. Do lado francês a programação é pela manhã.
Já a praça de alimentação está próxima ao monumento que marca o início do Brasil. O palco de shows, em formato de concha acústica, está posicionado na orla de Oiapoque, em frente à Prefeitura.
De acordo com a secretária de Turismo do Estado, Ana Célia Brazão, a feira sem dúvida marca a aproximação das culturas francesa e brasileira. “Os laços entre Brasil e Guiana estão cada vez mais fortes. Esse é o primeiro passo de uma aproximação entre duas culturas tão diferentes. Com a inauguração da ponte daqui alguns meses, estaremos ainda mais próximos, isso significa o crescimento do Amapá”, destacou a secretária.
A titular da Setur explicou que o sucesso de público superou todas as expectativas dos organiadores, tanto que já há um movimento para tornar a FIO um evento bienal, ou seja, que ocorra a cada dois anos, pelo interesse de expositores e público.

Programação Oficial da FIO 2010
Domingo 15/08
Local: Oiapoque
08h – Provas de ciclismo e atletismo na BR-156 Km 07
10h – Torneio de canoagem do Rio Oiapoque. Local: Praia do Goiabal
16h – Abertura da Feira
16h - Estande do Governo do Amapá: Mostra de manifestações culturais – Dança do Marabaixo e Desfile Temático com Biojóias
17h – Missa de Encerramento da Programação Religiosa da Paróquia Nossa Senhora das Graças e Coroação de Nossa Senhora.
18h30 – Apresentação de Grupo de Toada
19h – Entrega das premiações esportivas
19h – Apresentação Hip-Hop
20h – Apresentação das Rainhas da Feira de Saint-Georges e Oiapoque
21h30 – Banda Gospel
22h – Banda Projeção Central
22h 30 – DJ Robson
00h – Forró Bom de Farra
02h – Encerramento



Turismo



OPORTUNIDADES - A realização de eventos como feiras e seminários envolvendo o Amapá e a Guiana podem incrementar o turismo regional

“O que mais admiro nos brasileiros é a cordialidade”


Morando há mais de 30 anos no Brasil, o cônsul honorário da França no Amapá, Jean-François Le Cornec, conhecido como “Jef”, acompanha o fortalecimento das relações diplomáticas entre o Brasil e a França com otimismo. Ele, que é casado com uma brasileira, fala com um despojamento e espirituosidade típicos de um brasileiro, sobre as principais diferenças existentes entre os dois povos. O diplomata enumera uma a uma as etapas a serem vencidas para que a ponte binacional que Brasil e França estão para inaugurar sobre o rio Oiapoque se torne de fato um elo de intercâmbio econômico, cultural e turístico entre o Amapá e a Guiana Francesa. Para ele, é preciso que autoridades, empresários e as comunidades do Amapá e da Guiana se movimentem para serem as maiores beneficiárias do futuro que poderá advir assim que a ponte estiver pronta.

"A ponte foi fruto primeiro da mudança de visão que o Brasil, e estou falando de Brasil visto de Brasília, e que a França tinha também, por serem duas regiões longínquas, mas que viram que possuem uma fronteira que pode servir para alguma coisa, então essa ponte é muito simbólica, em primeiro lugar, agora temos que ver onde poderemos chegar com essas conversas."

Diário do Amapá - Há quanto tempo você está morando no Brasil?

Jean-François - No Brasil eu tenho trinta anos, inclusive todo esse tempo morando na Amazônia mesmo.

Diário - Como aconteceu para você vir servir em uma missão no Brasil?

Jean - É preciso explicar que eu sou cônsul honorário e não fui designado para um posto, é diferente de um cônsul de carreira. No Brasil tem três consulados de carreira, que funcionam de pleno direito, que é em Brasília, Rio (de Janeiro) e São Paulo. Existem outros lugares com algumas atividades, como em Recife, mas essas outras pessoas como eu já estão no local e são escolhidas para prestar serviços ao Consulado, que não são nomeadas para ir para um lugar, mas sim já moram lá e são aproveitadas para interligar ao Consulado.

Diário - Mas quando você decidiu vir para o Brasil foi para desempenhar que tipo de trabalho?

Jean - Bem a Amazônia me fascina desde muito cedo, acho que com quinze anos eu li um livro que ajudou também, pois cheguei aqui muito cedo, com vinte e poucos anos.

Diário - E nesses mais de trinta anos no Brasil você assimilou ou foi contagiado por qual característica do povo brasileiro?

Jean - Bom, infelizmente eu não fui contagiado... (risos) mas a coisa que mais aprecio com certeza é a cordialidade do povo brasileiro, o que chama a atenção mesmo, que é a capacidade de se relacionar com as pessoas, mas infelizmente não fui contagiado o suficiente... (mais risos). Bem mas a facilidade de relacionamento com as pessoas é o que mais chama a atenção mesmo, é algo marcante mesmo, principalmente quando você viaja pelo mundo e vê como o brasileiro tem essa reputação, de ser um país muito simpático mesmo.

Diário - Fazendo um contraponto, que característica francesa sua foi mais difícil para os brasileiros daqui assi-milarem no relacionamento com você?

Jean - Acho que os franceses têm uma tendência de serem muito quadrados... (risos) Mas são coisas simples mesmo, como uma determinada coisa acontece mesmo sem ter muita importância e a gente di "ah, mais ainda não está na hora", sabe? Essa é a característica mais difícil, de sermos muito exigentes quanto às coisas que foram determinadas, horários, às vezes exageradamente.

Diário - Você com essa experiência toda já viu vários governos do Brasil e da França colocarem um tijolinho por vê nessa questão da diplomacia, que avançaram bastante nos últimos anos. Qual a sua avaliação sobre o futuro dessas relações?

Jean - Primeiro é preciso dizer que nesse tempo todo em que vivo no Brasil a metade pelo menos não estive envolvido nessa questão diplomática, pois estava cuidado apenas da minha vida pessoal. Agora depois que assumi essa função aqui no Amapá tenho acompanhado de perto o que aconteceu e vi uma mudança muito grande, pois o Amapá e a Guiana Francesa eram dois estados conside-rados o fim de dois países, um fundo fechado, sem nada depois, uma fronteira intransponível praticamente, pelo menos falando do ponto de vista diplomático.

Diário - O que mudou agora, no seu entendimento?

Jean - O que mudou foi a abertura. Na verdade a fronteira sempre esteve aberta para quem queria ir lá mas não eram abertas para conversações, para a cooperação, isso é que mudou na última década ou um pouco mais até, acho que quine anos.

Diário - E essa cooperação tende a ser ampliada agora com a inauguração da ponte binacional sobre o Rio Oiapoque, não é mesmo?

Jean - A ponte foi fruto primeiro da mudança de visão que o Brasil, e estou falando de Brasil visto de Brasília, e que a França tinha também, por serem duas regiões longínquas, mas que viram que possuem uma fronteira que pode servir para alguma coisa, então essa ponte é muito simbólica, em primeiro lugar, agora temos que ver onde pode-remos chegar com essas conversas que precisamos ter os seis parceiros que precisarão se envolver: Guiana e Amapá; França e Brasil; União Européia e Mercosul. Isso é muito complicado, sabemos, mas a ponte vai forçar a que isso aconteça, pois ela vai permitir o trânsito de pessoas, de mercadorias e o intercâmbio. Tanto a Guiana Francesa quanto o Amapá estão um pouco longe, na periferia de suas respectivas metrópoles, então eles tem que conseguir aproveitar dessa estratégia. Além disso, existe ainda a estrada que significa também a integração dos municípios, do Amapá e da Guiana Francesa.

Diário - São outros a serem beneficiados, o senhor diria isso?

Jean - Exatamente. A estrada liga dois países, mas também ela permite fazer tráfego conjunto, fazendo a interligação interna de duas regiões que têm municípios afastados, então ela tem o benefício tanto externo como interno.

Diário - As pessoas também têm a expectativa de trocas comerciais entre o Amapá e a Guiana Francesa, mas estes são dois Estados que possuem uma produção ainda pequena, que mal daria para abastecer o consumo interno. É nesse sentido que o senhor diz que a parceria tem que ser mais ampla, do Mercosul com a União Europeia?

Jean - Diria que os dois lados têm que descobrir as complemantalidades. Esse é o grande problema e se definir. Primeiro porque na Guiana eles têm medo dos brasileiros, com a ponte, o que é injustificável. É preciso saber o que podem trazer os brasileiros para o lado francês e o que podem trazer os franceses para o lado brasileiro. A Guiana é muito carente de muitos gêneros que são importados de muito longe, da França. Seria muito mais lógico levar daqui. Mas o Amapá, de seu lado, não produz nem a metade do que consome, portanto não está em condições de exportar alimentos, a não ser alimentos que transitem pelo Amapá, vindos de outras regiões do Brasil.

Diário - Há quem defenda que essa é a verdadeira vocação do Amapá nessa nova realidade que se avizinha, de fazer navegação ou mesmo o transporte terrestre por cabotagem, não é mesmo?

Jean - É preciso se concentrar as discussões sobre o que o Amapá é capaz de produzirpela Guiana Francesa e talvez para o mercado europeu, juntos, ou mesmo o Caribe, que é um mercado até mais próximo, mais importante. É por isso que a Câmara de Comércio e Indústria da Guiana Francesa se instalou aqui (no Amapá), eu acho que para refletir sobre isso, conhecer os empreendedores e fazer se conhecer as pessoas de um lado e de outro. Eu acho que é isso o que temos que construir a partir da ponte, pois tem que transitar mercadorias, tem que se produzir no Amapá, tem que colocar também as normas européias na Guiana Francesa, enfim, tem muita coisa para se fazer. O importante é que tem que ser empresários da Guiana Francesa e do Amapá e não outros que venham de outras partes do Brasil e da França, antes que eles possam descobrir e ficar com todo o lucro disso.

Diário - Recentemente o Congresso Nacional do Brasil aprovou medidas para aumentar os poderes das Forças Armadas na fronteira e muita gente acredita que os conflitos na região de Oiapoque contribuíram para isso. O se-nhor diria que apesar de impopulares as medidas contra a clandestinidade deva ser uma ação conjunta?

Jean - Quando se fala em clandestinidade na Guiana Francesa existem duas vertentes a serem consideradas. Tem as pessoas que vão para lá trabalhar, na construção civil, geralmente, que mesmo clandestinas buscam me-lhores condições de vida porque lá os salários são mais atraentes. Para esses casos eu acredito que existe mercado e que deva haver possibilidade de regularizá-los, pois se os empresários precisam de mão de obra eles têm que fazer tudo para que essas pessoas entrem legalizadas.

Diário - E qual a outra vertente da clandestinidade a ser considerada, cônsul?

Jean - É outra muito mais complicada... (risos) É o garimpo de ouro, porque feito na clandestinidade provoca também uma grande poluição ambiental além de muitos outros problemas relacionados à questão do tráfico de drogas, prostituição, enfim, é um problema que vai muito mais além que somente a questão de empregar a mão de obra brasileira. É um problema muito maior e que requer realmente a colaboração e a boa vontade dos dois países.

Diário - O senhor enumerou algumas providências que precisam ser tomadas para que depois de pronta a ponte possa de fato escoar o trânsito de pessoas e de cargas. Agora mesmo já existe uma ponderação do lado brasileiro sobre a travessia de veículos de um lado para o outro, a chamada reciprocidade, que ainda não existe?

Jean - Bem, o trânsito de caminhões já está sendo discutido e está para ser resolvido. O problema que ainda existe é a questão dos seguros, mas isto é do âmbito privado. Certamente vão ter seguradoras interessadas. Esse é um problema que não é menor, mas que não cabe aos governos discutirem, mas sim outras questões como o peso sobre cada eixo de caminhão, pois cada país tem uma legislação própria. São assuntos que precisam ser discutidos para não ter nenhum impedimento para o tráfego entre a Guiana e o Amapá.

Diário - O Brasil e a França preparam uma nova reunião da Comissão Mista Transfronteiriça para o próximo mês e especula-se que entre outros assuntos deva ser anunciada a implantação de vôos regulares entre Macapá e Caiena. O que há de concreto sobre esse assunto?

Jean - Eu também espero muito sobre esse assunto... (risos), pois tem empresários que acham que a rota é interessante e há interesse sim de operar voos para cá. Eu pessoalmente consegui que fosse convidada para essa reunião em Caiena a empresa Puma (Puma Air), que voltou a Macapá depois de alguns anos e que me parece uma companhia bem estruturada pois me parece que acaba de abrir um vôo internacional entre Belém e Luanda. Então essa me parece ser a empresa mais próxima de fazer a ligação entre Macapá e Caiena, apesar de que existem pessoas na Guiana muito interessadas e ainda há conversações com eles, então espero que tenhamos novidades nesse sentido logo.



Perfil


O francês Jean-François Le Cornec tem 59 anos de idade, nasceu na cidade de Rennes, na região de Bretagne, no noroeste da França. É formado em Letras e em Inglês, pela Universidade de Haute-Bretagne. Mudou-se para o Brasil em 1976, para atuar na Aliança Francesa, em Belém (PA), onde lecionou, foi auxiliar de direção e produtor de atividades culturais. Em 1996 mudou-se por interesse próprio para o Amapá, onde montou um empreendimento da área de hotelaria, a Pousada Ekinox, bem como passou a tocar a administração de uma Reserva de Proteção Particular. Pouco depois recebeu a honrosa missão de ser o Cônsul Honorário da França no Amapá.




coluna.argumentos@yahoo.com.br


Quem são?
Eles estão bronzeados, roucos, eufóricos, nervosos, preocupados, articulados, endividados, estudiosos, midiáticos, cansados mas motivados. Este turbilhão de emoções serve para definir como estão os candidatos às eleições deste ano. Agora parece que a coisa esquentou mesmo, pois as bandeiras estão nas ruas. Mas e as propostas?

Onde vê-los
Bem, se você, como eu está preocupado em saber mais sobre as principais propostas dos candidatos a governador, senador e deputado (estadual e federal) e está sem tempo para ir aos eventos de rua deles, uma boa pedida é assistir aos programas eleitorais gratuitos que começam a ser exibidos na próxima terça-feira no rádio e na televisão. Não desligue.

Atenção na pista
Operários e máquinas estão realiazando serviços de manutenção na BR-210, à altura do quilômetro 100. Aliás, por lá a velha capa de asfalto foi retirada num trecho de dois quilômetros, forçando os motoristas a tomar um desvio. Então a coluna alerta para quem vai pegar a via que redobrem a atenção e evitem acidentes.

Ops! A coluna errou
Devido a uma visita da minha filha caçula, a Bruna Valentine ao meu escritório, foram “estraviadas” duas teclas do leptop usado diariamente para escrever esta coluna. Um remendo de última hora foi providenciado mas a tecla do “z” insiste em não funcionar, daí a edição de ontem ter saído com alguns erros de digitação, para os quais pedimos nossas desculpas.

PELO INTERIOR

Todos os candidatos a governador e senador este ano não deixam de incluir em suas agendas de campanha as visitas a municípios do interior do Estado. Ontem, o tucano Jorge Amanajás (PSDB) fez carreata e comício em Porto Grande, simplesmente um entreposto entre as principais cidades do interior do Amapá. Ele reuniu muita gente e neste domingo estará em Mazagão.

Comunicação
O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), fez um elogio oficial a 87 servidores da Casa pela formulação do Plano Estratégico a ser desenvolvido pela Secretaria Especial de Comunicação Social – SECS. O Plano prevê projetos e ações para os próximos 8 anos e definiu a Comunicação para a Cidadania, como o principal foco - o negócio - da SECS.

Companheiro
Lucas Barreto começou o sábado concedendo mais uma entrevista e depois caiu em campo atrás de votos. Da zona norte de Macapá ao Igarapé da Fortaleza, em Santana, ele caminhou e suou bastante a camisa. Teve sempre a compa-nhia do candidato a senador Randolfe Rodrigues (P-Sol) que algumas pessoas pensavam ser o vice de Lucas. O vice de fato, Jaime Nunes, não foi visto ao lado do petebista ontem.

Cidade cortejada
Já o progressista Pedro Paulo Dias (PP), candidato à reeleição, está repetindo o que sempre fez desde que assumiu o Governo do Estado, dedicando atenção mais que especial a municípios onde seu partido governa, como Oiapoque. Lá uma boa estrutura foi montada para o I Festival Internacional de Oiapoque. Assim quer ir amealhando mais adeptos.

Apelando à tecnologia
O candidato a governador Camilo Capiberibe (PSB) tem tirado um tempo bem razoá-vel em sua agenda de campanha para responder a internautas. Ontem, por exemplo, sua assessoria divulgou que das 12h30 até às 15 horas ele teria como único compromisso navegar na web para fazer campanha junto a internautas. Depois trancou-se no estúdio da propaganda de tv.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Coluna Argumentos (Cleber Barbosa)





Novidade

Os direitos do consumidor no Brasil possuem uma legislação muito elogiada. Agora a novidade é que os brasileiros dispõem de uma lei que obriga todos os estabelecimentos comerciais, inclusive bancos, a manter um Código de Defesa do Consumidor para acesso ao público. A lei entrou em vigor no dia 28 e prevê multa de R$ 1.064,10 para quem não cumprir.

Justiça Eleitoral

Desde ontem que a Casa da Cidadania tem novo horário atendimento ao público. Na verdade o expediente especial é exclusivo para atender demandas dos mesários que irão grabalhar nas Eleições 2010. Antes o atendimento era feito apenas no turno da tarde e agora vai das 8 horas da manhã até às 6 horas da tarde. Finais de semana pela manhã.

Inclusão também

Pode-se chamar de inclusão cultural, se é que isso existe. Mas que o projeto Sonora Brasil, forma ouvintes musicais isso sim. Agora será pela obra de Cláudio Santoro e Guerra Peixe, que trazem o “Quarteto de Brasília”, com música erudita contemporânea. No auditório da Escola SESC, às 20 horas. A entrada é franca.

Acabou

Assinada ontem em Brasília Projeto de Lei que cria a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). Ela proíbe a criação de “lixões”, onde os resíduos são lançados a céu aberto. Também determina que fabricantes, importadores, distribuidores e vendedores realizem o recolhimento de embalagens usadas. Dá para ganhar dinheiro com lixo.

No freio

Gente, o que está acontecendo com essa campanha eleitoral? O troço está muito frio. Não foi para a rua, como se costuma dizer. Dizem que é falta de dinheiro. Será? Então como é que se assume um compromisso como uma candidatura majoritária então? Sei não, está mais para estratégia mesmo. Estão economizando. Quando terá um comício?

Empresários

Empresários locais estariam divididos em três “frentes” de ajuda a candidatos este ano. O vice de Lucas Barreto (PTD) é do meio; Jorge Amanajás (PSDB) é do agronegócio; Pedro Paulo (PP) é o atual governador; só resta saber se Camilo Capiberibe (PSB) vai conseguir amealhar ajuda também, pois há resistências históricas com o empreariado. Mas o socielista está se encontrando com representantes do setor, dizem.

Eleição não
vai atrapalhar

A realização de uma sessão extraordinária marcou o retorno das atividades na Assembleia Legislativa ontem. Após o recesso do mês de julho, os deputados retomaram os trabalhos parlamentares sob o comando do vice-presidente, deputado Dalto Martins (PMDB). Ele disse que o se-mestre será tão produtivo quanto o anterior com o andamento normal dos trabalhos.

Sessões
às segundas

Mas nessa volta ao trabalho dos deputados estaduais está valendo a regra do regime reduzido, com apenas uma sessão plenária semanal. Mesmo assim, Dalto Martins disse que “as atividades na Assembléia Legislativa não serão prejudicadas e não haverá nenhum transtorno. Os trabalhos acontecerão normalmente”, frisou o atual vice-presidente da AL.

SORTUDA E CIDADÃ


Tudo bem que o Brasil é um país tido como um dos lugares onde mais de paga imposto. Mas existem cidadãos como esta se-nhora da foto, dona Maria da Conceição Guedes de Azevedo, que têm a atitude de pagar seu IPTU como uma obrigação. Além de ver o retorno em serviços, ela ainda foi a grande vencedora de um carro na promoção IPTU Premiado da Prefeitura de Macapá.

Dinheiro na conta

Nesta terça-feira o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) paga os beneficios de aposentados, pensionistas e demais segurados que ganham mais de um salário mínimo e têm cartão com finais 2 e 7, desconsiderando-se o dígito. Também nesta serão pagos os beneficiários que recebem até o mínimo e têm cartão com final 7. Acima do piso previdenciário virá com a diferença do reajuste de 7,72% .

Sarney reafirma otimismo sobre futuro do Amapá


O presidente do Congresso Nacional, senador José Sarney (PMDB-AP) passou o final de semana em reuniões políticas e visitas a amigos em Macapá, curtindo a folga do pequeno recesso parlamentar que se permitiu fazer, uma rara pausa nos trabalhos no Senado. Nessa entrevista, ele faz questão de enumerar os principais avanços alcançados no primeiro semestre, como as reformas do Código de Processo Penal e o novo Código Civil. Sarney recebeu em casa o Diário do Amapá e falou sobre as expectativas também que ele tem com relação às mudanças que estão sendo propostas para o Código Eleitoral. Para o ex-presidente da República e decano do Senado, está mais do que na hora de acabar com as edições de novas regras a cada eleição que se tem no Brasil, para definir uma regra única e assim definir o regulamento dos pleitos.

Diário do Amapá - Desde que iniciou o recesso parlamentar esta é sua primeira folga para vir ao Amapá então como o senhor está vivendo esse período?
José Sarney - Nós estamos num ano eleitoral e as perspectivas são de que a eleição será uma das mais democráticas que o Brasil já atravessou, pois somos a segunda democracia no mundo ocidental. Agora mesmo eu estou chegando de Montevidéu, onde fui participar da festa dos 25 anos de democracia no Uruguai, data muito cara para mim, pois eu participei com o Sanguinetti dos episódios que levaram aquele país à democracia juntamente com o Alfonsín.
Diário - E no Amapá especificamente, como o senhor reencontrou o Estado?
Sarney - Vejo que o clima aqui da eleição no Amapá está acontecendo com muita civilidade, de muita compreensão sobre o processo democrático e se desenvolvendo de uma maneira que podemos dizer todos ficamos satisfeitos.
Diário - Já que o senhor está chegando de viagem pode falar dessa certa discrição das campanhas pelo país, pois em várias capitais e até aqui no Amapá há certa timidez neste início de pleito. O senhor diria que todos estão se adaptando às novas regras da eleição?
Sarney - É, mas nós estamos também com uma eleição atípica porque pela primeira vez nós temos uma nova legislação eleitoral, uma legislação que impõe muitas restrições e que ao mesmo tempo ela também modificou o tempo da campanha eleitoral, que ficou muito restrita. É bom também lembrar que aqui no Amapá as novas regras determinadas pelo Tribunal Superior Eleitoral dizem que o eleitor desta vez não leva somente o título, ele tem que levar também um documento de identidade com foto. Isso é uma coisa que todo mundo deve estar sabendo para que possa providenciar para o dia da eleição, senão nós vamos ter uma grande abstenção porque muita gente não tem ainda esse documento e deve tirá-lo. Evidentemente os órgãos públicos encarregados disso devem recrudescer o seu trabalho para que todo o povo tenha acesso e exercer o seu voto escolhendo os seus candidatos.
Diário - O primeiro semestre chegou ao fim no Congresso Nacional em clima de esforço concentrado para vencer a pauta, já que de agosto em diante já é campanha eleitoral, então qual a avaliação o senhor faz destes primeiros seis meses?
Sarney - Nós tivemos o encerramento do primeiro semestre com matérias muito importantes sendo votadas, como o projeto que estabeleceu a punição dos torcedores que se excedem provocando violência no esporte. Nós também tivemos oportunidade de votar leis que dizem respeito ao benefício do povo como a Lei dos Aposentados que nós terminamos, votamos a lei que prorroga a Zona Franca de Manaus, também a relativa aos funcionários de Rondônia o que me dá condições de na reunião da próxima semana encerrar no Senado a última discussão e votação da lei que também estabelece para o Estado do Amapá as mesmas condições que foram estabelecidas para o Estado de Rondônia no que se refere aos seus funcionários civis e militares, que passam a gozar das mesmas vantagens dos funcionários federais de outros lugares.
Diário - Nesse período também foram votadas legislações importantes como o novo Código Civil, assim como iniciados os ritos para reformas maiores como a eleitoral. Como o senhor tem acompanhado tudo isso?
Sarney - Também é minha função provocar uma mudança e atualização da legislação brasileira. Fizemos uma comissão de juristas que prepararam o novo Código de Processo Penal, que já apresentamos, tramitou e está numa fase de votação que só não foi concluída porque o Supremo Tribunal Federal pediu um prazo de trinta dias para que eles pudessem fazer ainda um último estudo e revisão. Evidentemente que nós estamos prontos para receber essa contribuição dos juristas. Ao mesmo tempo eu constituí uma outra comissão para o Código Civil, que foi apresentada e que já tramita dentro do Senado para que tenhamos um novo Código Civil. Criamos ainda outra comissão para rever a legislação eleitoral, atualizando o Código Eleitoral, que já está totalmente desatualizado e essa legislação que é feita todo ano de eleição perturba muito a vida política do país, daí a necessidade de termos um Código que estabeleça definitivamente aquilo que se obedeça em qualquer eleição e não para cada pleito várias leis. O Montesquieur (filósofo) já dizia: quando nós temos muitas leis nós não temos lei nenhuma. Na realidade é isso que nós estamos fazendo. Essa comissão eu instalei há umas duas semanas, sob a presidência do ministro Tófoli (STF) e com os maiores juristas do país que entendem de direito eleitoral.
Diário - Pela sua experiência, presidente, uma vez iniciado esse processo de reforma eleitoral, o senhor diria que na próxima eleição daqui a dois anos será possível disputar já com essas regras em vigor?
Sarney - Eu acho que sim, porque nós vamos correr, pois o prazo que foi dado a essa comissão foi de seis meses, de maneira que acredito que nesse período nós tenhamos um anteprojeto do Código (Eleitoral) já entregue ao Senado Federal para início de discussão e votação.
Diário - Independente das questões político-partidárias a bancada federal do Amapá tem se colocado à disposição do Estado e de municípios amapaenses para tocar obras de infraestrutura a partir de recursos federais. Como isso está se concretizando?
Sarney - Eu acho que neste segundo semestre nós estamos assistindo o término do governo do presidente Lula, que foi um extraordinário governo. Durante esse tempo em que ele exerceu a presidência o Brasil aumentou as suas reservas externas para cerca de U$ 250 bilhões (de dólares), ao mesmo tempo em que uma grande parte da classe pobre saiu da pobreza. A classe média também aumentou a sua faixa e as classes mais privilegiadas, vamos dizer assim, elas também tiveram a oportunidade de se desenvolver e de ter bastante lucro. Também as classes mais desassistidas tiveram acesso ao Bolsa Família, criou-se um mercado interno, o comércio teve um crescimento muito grande, a indústria da mesma maneira, a parte de serviços e o Brasil internacionalmente ascendeu a um patamar muito grande e hoje entre os países emergentes ele se destaca com um lugar no mundo participando do Conselho dos 20, o que significa que foi um ano muito importante para o nosso país.
Diário - E também para o Amapá, o senhor diria?
Sarney - Sim, pois o Amapá cresceu bastante também nesse semestre, graças, sobretudo, ao dinamismo da classe empresarial amapaense que tem tido uma grande participação não apenas no desenvolvimento do volume dos negócios como também na criação de empregos. Basta citar um índice: o crescimento mensal de cerca de 10% no consumo de energia elétrica, que é um índice que mostra o crescimento do Amapá, da indústria amapaense, do comércio local e que significa que nós também vamos ter oportunidade de trabalhar bastante para fornecer a energia necessária ao Estado do Amapá.
Diário - É aí que o senhor entra, não é mesmo, pois todos sabem da sua articulação junto ao setor elétrico nacional, não é mesmo?
Sarney - Todos sabem da minha preocupação com a infraestrutura, a energia, sobretudo, que foi a minha primeira preocupação no Amapá. Eu já estou na segunda parte do meu mandato, mas com a certeza de que duas coisas importantes estão chegando nessa área de energia, que é o Linhão do Tucuruí e também o início da construção da Usina de Santo Antônio, além das usinas do Araguari, suplementando a usina de Paredão. Isso é uma nova etapa na vida do Amapá.
Diário - Que outros indicadores lhes dão essa condição de otimismo, presidente?
Sarney - A transferência das terras para o Estado do Amapá que nós conseguimos com o presidente Lula representou um avanço no setor agrícola. Agora mesmo eu estou sabendo da Feira de Tartarugalzinho, onde grandes negócios foram feitos lá na pecuária e também empréstimos à agricultura. Tudo isso é resultado da transferência das terras para cá, pois agora vão ser legalizadas e naturalmente dando acesso à propriedade para todos aqueles que trabalham na terra. Nós também devemos lembrar que o Lula fez uma lei que deu acesso ao crédito para não somente aqueles que já tinham os títulos, mas àqueles que efetivamente moram e têm a posse no seu lugar e ao mesmo tempo estão cultivando e têm direito a acesso ao crédito bancário.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Ibope divulga primeira pesquisa da eleição no Amapá




- O Ibope e a Rede Amazônica divulgaram hoje à noite o resultado da primeira pesquisa para a disputa ao Governo do Estado. Lucas Barreto (PTB) aparece com 25%; Jorge Amanajás (PSDB) tem 24%; Pedro Paulo (PP) tem 19%; Camilo Capiberibe (PSB) com 17%; Genival 1%; não sabem/não opinaram 9%; brancos/nulos 4%.

- Já para o Senado, os números do Ibope apontam para a liderança de Waldez Góes (PDT), com 51%; Gilvam Borges (PMDB) é o segundo mais citado, com 41%; João Capiberibe (PSB) tem 29%; Papaléo Paes (PSDB) tem 19%; Randolph Rodrigues (P-Sol) tem 17%; Marcos Roberto (PT) tem 2%; não sabem/não opinaram 16%; brancos/nulos 8%.

José Sarney: O segredo do sono


O professor Sidarta Ribeiro, da UFRN, deixou a cabeça de todo mundo confusa. É que, por experiência pessoal, descobriu que estudar demais dá um sono danado. Resolveu fazer um curso de imersão total de inglês e, à proporção que estudava, o corpo reagia e dormia mais. Chegou ao marco de 16 horas.
Eu, que tenho insônia desde os 30 anos, fiquei grilado. É que o professor concluiu que dormindo é que se aprende, sonhando é que se fixa na memória o que se aprendeu.
Fiquei sem saber por que tinha aprendido tanta coisa ao longo da vida, se minha experiência era estar sempre acordado e me envaidecendo da memória de elefante que eu julgava ter e a que o tempo tem se encarregado de arrancar as grandes orelhas e a tromba.
Aí me deu de também fazer teorias. Para dormir sempre fui ajudado pelas minhas diazepinas; será que essas, que dizem prejudicar a memória, podem, ao contrário, ajudá-la e ao sono?
A Bíblia está cheia de sonhos desvendados e muitas vezes Deus falou com o profetas no sono e aos santos, em sonhos acordados, deu visões do paraíso.
Não só os homens mas os bichos dormem e sonham sem precisar aprender inglês. Meu avô tinha um cachorro, Seu Beti. Na hora da sesta, deitava-se e ficava latindo baixinho, intermitente e todos diziam: "Está sonhando". Meu tio Ferdinand respondia: "E é com carne e osso". No Nordeste há um ditado que diz, quando uma pessoa é dorminhoca, que "dorme mais do que gato de pensão". É que nestas hospedagens caseiras sempre existe um gato dormindo debaixo da mesa ou na cozinha.
A verdade é que eu que não durmo e tenho uma inveja danada desses dormidores, inclusive do gato.
Mas, folclore à parte, os neurocirurgiões cerebrais descobriram agora uma neuronavegação que permite entrar em qualquer zona da cabeça, mesmo em áreas de difícil acesso, e "fazer maravilhas", como dizia Cervantes da catedral de Sevilha. É claro que isso vem dos novos equipamentos de precisão que permitem uma pontaria exata para realizar os milagres.
E, com essas novas descobertas sobre o sono, o sonho, dormir, acordar, ir às áreas de ódio, de amor, de sexo, de guerra, de bolivarianos, de bem, de mal, de ficha suja e limpa, não haveria um novo campo para a política?
Os tribunais condenariam os diversos tipos de transgressões a uma cirurgia de precisão indo aos pontos responsáveis por condutas indesejáveis. Ou então, mandar que sejam gatos de pensão ou fazer boi dormir.
Talvez não tivéssemos essa guerra de fronteira Venezuela-Colômbia ou a impugnação do nome do Muricy Ramalho para técnico da seleção.

O escritor e ex-presidente da República José Sarney, escreve às sextas-feiras no jornal Folha de São Paulo e aos domingos no Diário do Amapá

jose-sarney@uol.com.br

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Físico apaixonado pelo Amapá morre aos 58 anos no Rio de Janeiro


Faleceu ontem no Rio de Janeiro aos 58 anos de idade, o professor Marcomedes Rangel Nunes, que era pesquisador do Observatório Nacional, também na Capital Fluminense. Ele sofreu um AVC (Acidente Vascular Cerebral), do tipo hemorrágico e não resistiu. Nos últimos anos, ele viajava com freqüência para o Amapá pois se dizia apaixonado pela localização de Macapá na Linha do Equador e percorreu o Estado de carro várias vezes.
Aos 58 anos, o professor Marcomedes deixa esposa e três filhos. Ele era físico e trabalhava há 40anos no Observatório Nacional do Rio de Janeiro e há 10 anos vinha fazendo divulgação científica do Fenômeno do Equinócio, e teve várias arquivos científicos divulgados em revistas, blogs e na imprensa nacional e internacional sobre o Fenômeno do Equinócio com destaque no Amapá.
Além de ter recebido o título de Cidadão Amapaense pela Assembléia Legislativa do Amapá, ele queria guardar para a posteridade suas pesquisas sobre o Amapá em setembro, quando pretendia lançar um livro sobre toda a história do Marco Zero do Equador. O corpo foi velado na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro e seu enterro foi realizado no fim da tarde, no Memorial do Carmo.
Entusiasmo - O sítio arqueológico da cidade de Calçoene, no interior do Estado, marcou profundamente as viagens de Marcomedes pelo Amapá. Ele defendia que o local pode ter sido um grande calendário solar construído por civilizações antigas há mais de mil anos. Descoberto pelo naturalista Emilio Goeldi (1859-1917) no início do século passado, o sítio abriga pedras monolíticas estrategicamente posicionadas no solo.
Com ajuda de estudantes do curso de turismo do Centro de Educação Profissional do Amapá (Cepa), o físico mapeou o local e descobriu uma relação entre o sítio e o fenômeno natural do equinócio. "Uma das pedras é uma chapa de granito de 3 metros com uma abertura no centro com cerca de um palmo de diâmetro. Há outra pedra direcionada justamente em relação a essa. Provavelmente, o sítio era usado pelos povos antigos para saber a época de plantio, colheita, chuva e seca", disse, à época, o professor Marcomedes.
Para Marcomede, os monumentos encontrados em Calçoene - comparáveis a Stonehenge, na Inglaterra, o mais conhecido círculo de pedras do mundo -, podem ter sido formas de homenagem aos deuses pagãos ou mesmo observatórios primitivos. "Já conseguimos saber que a luz do Sol é projetada pela abertura de uma das pedras, criando uma bola de luz, que vai bater em outra pedra. A bola de luz se desloca seguindo a linha do Equador", contou o pesquisador.
Em nota, o Governo do Estado e a Secretaria Estadual de Turismo manifestação grande pesar pelo falecimento do professor Marcomedes Rangel.

Afuá recebe 40 mil veranistas


A A sexta-feira de festival iniciou agitada com os preparativos para a apresentação dos camarões Convencido e Pavulagem. Pela parte da tarde houve ensaio do Camarão Convencido no Camaródromo onde foram acertados os últimos detalhes para a grande performance do sábado na Batalha. A programação da noite teve início às 09:00 horas com uma mega apresentação do cantor afuaense Sandro Sandim, que, mais uma vez, mostrou toda a sua capacidade de apresentação em um show que durou mais de duas horas!
Em seguida, houve a Abertura Oficial do XXVIII Festival do Camarão com a presença de autoridades locais e estaduais. O prefeito Mazinho Salomão desejou a todos os visitantes um excelente Festival e disse também que está muito satisfeito com o público que, este ano, superou as expectativas. Após a abertura foi a vez da grande apresentação da noite: Forró do Muído que trouxe um repertório excelente e fez o camaródromo tremer! Outra banda de grande sucesso, Xeiro Verde se apresentou logo em seguida. Dando continuidade, foi a vez da Banda Xamego e por último, para finalizar a noite a cantora Viviane Batidão.
Afuá - Na cidade sobre palafitas, automóvel não tem vez, além das pontes em madeira, a Veneza Marajoara que é assim conhecida, tem praças, arborização e um povo de uma hospitalidade tamanha que atrai turistas do mundo todo.
Um dos atrativos de Afuá é o conjunto de Ilhas que Completam a beleza do lugar. Ilha das Pacas, Baturité, de Jurupari, dos Porcos, Conceição, Caldeirão e Queimada, além é claro da Ilha dos Camaleões, localizada a 25 minutos de voadeira da sede do município onde o IBAMA – Instituto Brasileiro de Meio Ambiente realiza o Projeto “Quelônios da Amazônia”, visando a reprodução de tartarugas e tracajás. Através do Projeto, Rios, Lagos e Igarapés do Estado do Pará foram povoados com mais de três milhões de filhotes dessas espécies.
Conhecer as Ilhas de Afuá e passear num fim de tarde belíssimo por alguns dos maravilhosos rios marajoaras como o Charapucú, Afuá, Jurará, Camaianim, além de visitar as praias dos Camaleões, das Madeiras, Muruquara e das Pacas é, com certeza, algo inesquecível.
Colaborou: Patrick Chagas e Prefeitura Municipal de Afuá.

Programação de XXVIII Festival do Camarão
DIA: 22 de julho (quinta-feira)
16:00 H. BICIATA
20:00 H. RAUL E BANDA
22:00 H. ZÉ MIGUEL E AMADEU CAVALCANTE
00:00 H. REGINALDO ROSSI
02:00 H. SANDRO SANDIM
DIA: 23 de julho (sexta-feira)
20:00 H. SANDRO SANDIM
22:00 H. ABERTURA OFICIAL DO FESTIVAL
23:00 H. FORRÓ DO MUÍDO
01:00 H. BANDA XEIRO VERDE
03:00 H. BANDA XAMEGO
DIA: 24 de julho (sábado)
12:00 H. JÚNIOR BELLO (pagode)
14:00 H. RAUL E BANDA
16:00 H. RAINHA DO FESTIVAL DO CAMARÃO
17:00 H. KELLY MEL
19:00 H. 6ª BATALHA CAMAROEIRA
22:00 H. FORRÓ DO MUÍDO
00:00 H. VIVIANE BATIDÃO
02:00 H. BANDA XEIRO VERDE
04:00 H. BANDA FUZAKA
DIA: 25 de julho (domingo)
12:00 H. JÚNIOR BELLO (PAGODE)
14:00 H. BANDA SEDUÇÃO
16:00 H. CONCURSO MISTER CAMARÃO
18:00 H. BANDA FUZAKA
20:00 H. PINDUCA E BANDA
22:00 H. CANTOR DUDÚ NOBRE
00:00 H. KELLY MEL
02:00 H. VIVIANE BATIDÃO
04:00 H. BANDA XAMÊGO



Turismo



Festival do Camarão - A pequena cidade sem automóveis foi mais uma vez invadida especialmente por amapaenses que adoram se esbaldar na festa marajoara

Popó: "Tem artista passando fome no Amapá"


Ele é polêmico, falante, direto para não dizer contundente, mas também é um batalhador da causa cultural. De ator autodidata a presidente do Conselho Estadual de Cultura, João Porfírio Freitas Cardoso, o Popó, agora faz planos para editar novos tempos para a política cultural do Amapá. Na bagagem, traz as experiências de ter sido parlamentar, diretor e produtor teatral, além de muitas histórias para contar, que o credenciam a lançar uma visão crítica sobre como vê o atual estágio de desenvolvimento da cultura local. Nessa entrevista exclusiva comcedida ao Diário do Amapá, Popó demonstra visão macro mas também a habitual metralhadora verbal sobre o que considera atraso e morosidade para uma distribuição das verbas públicas para a cultura. Acompanhe os principais trechos da conversa mantida ontem com o jornalista Cleber Barbosa.


Diário do Amapá - O senhor acaba de assumir a presidência do Conselho Estadual de Cultura, teve a primeira semana de atuação, portanto, então o que já é possível dizer sobre como encontrou esse importante colegiado?

João Porfírio - Bem, nós já entramos no conselho sabendo que iríamos fazer os conselheiros. O nosso primeiro ato foi tomar pé do regimento interno, das re-soluções e agora a nossa briga é pela criação do Fundo Estadual de Cultura, uma luta nossa de alguns anos. Esse fundo vai democratizar a cultura do Estado do Amapá, pois a gestão dele será feita por um comitê paritário, com seis membros do poder público e seis membros da sociedade civil eleitos pelos segmentos culturais. Depois nós queremos que esse conselho atenda a uma proporcionalidade da população do Estado, ou seja, Macapá que tem o maior contingente populacional vai receber a maior fatia, Santana que tem o segundo maior contingente, receberá a segunda maior fatia e assim sucessivamente.

Diário - Com isso o senhor espera movimentar o segmento cultural nos municípios?

Porfírio - Isso significa dizer que o dinheiro está muito concentrado em Macapá e com essas medidas esses recursos irão se democratizar pelo Estado do Amapá como um todo. Cutias vai receber sua parcela, assim como Itaubal (do Piririm) vai receber a sua parcela, Pedra Branca também, enfim, todos os municípios vão poder ter recursos e acessar o Fundo através de edital para poder realizar suas políticas culturais a nível de município.

Diário - Como vai se dar a composição financeira desse fundo? Dá para projetar o valor global desses recursos?

Porfírio - Existe uma PEC (Proposta de Emenda Constitucional) no Congresso Nacional, que é a PEC 150, já aprovada na Câmara e que já está no Senado, na Comissão de Educação, que tem tudo para ser aprovada na próxima legislatura, pois já é um compromisso do Go-verno Federal, que destina 1,5% do orçamento federal, 1,5% do orçamento estadual e 1% dos governos municipais. Por aí você percebe que o orçamento do Amapá chegaria a quase R$ 32 milhões para a área cultural. Mas nós aceitamos que esse repasse seja feito de uma forma progressiva. O governo do Estado entraria com 0,5% este ano, 1% no ano que vem e em 2012 entraria com o teto de 1,5%.

Diário - Como isso pode ser garantido desde já?

Porfírio - Nós não podemos ser intransigentes hoje. O país ainda se encontra em certa crise, mas nós temos que tratar a cultura como a gente trata as estradas, como a gente trata a educação, como trata a saúde. Nos grandes países como a Inglaterra, a França e outros, só cresceram porque também investiram no setor cultural. Não se pode pensar em turismo sem se pensar em cultura, assim como não se pode pensar em educação sem se pensar em cultura e turismo. Então nós acreditamos que criando esse aparelho nós vamos democratizar e dar cidadania aos artistas amapaenses.

Diário - E depois disso, qual o próximo objetivo a ser alcançado com o novo Conselho Estadual de Cultura na coordenação?

Porfírio - O próximo ponto é trabalharmos para a reformulação da Lei Estadual de Incentivo à Cultura. Essa lei financiou em cinco anos apenas dois projetos. Tem que ter uma dedicação e uma força tarefa em cima dela. Nós queremos reformulá-la e para isso estou conversando com a secretária de Cultura do Rio (de Janeiro), assim como com o secretário de Cultura de Minas (Gerais), onde as duas leis funcionam. Queremos trazê-los aqui para fazermos um grande fórum esta-dual no mês de agosto ou setembro para a reformulação da lei. Queremos também trazer para este avento as áreas de patrocínio de grandes empresas no Brasil como a Petrobras, que é a maior pagadora de impostos no Amapá através da Petrus.

Diário - Qual é a estratégia para atrair esses investimentos?

Porfírio - Nós não podemos nos dar ao luxo de perder entre R$ 6 milhões a R$ 8 milhões por ano da Lei de Incentivo à Cultura porque a classe artística não consegue acessar essa renúncia fiscal no Estado do Amapá. Depois disso queremos trabalhar o sistema estadual de Cultura, que passa pela lei, passa pela Secretaria Esta-dual de Cultura, que está criada, passa pelo conselho paritário, que também está criado, e passa pelo Fundo Esta-dual de Cultura. Além disso, queremos criar o Plano de Cultura. Depois que nós resolvermos tudo isso, nós vamos começar a pensar em fazer uma grande política cultural no Estado do Amapá. Aí nós vamos fechar um ciclo de legislação.

Diário - Como isso pode ser garantindo exatamente num ano como o de 2010, que é de transição de um go-verno para outro?

Porfírio - Nós não podemos ter no Amapá política de governo, mas sim ter política de Estado, porque o governante quando termina o seu mandato ele sai e leva essa política. O outro que entra acha que o antecessor fez tudo errado. Mas se for uma política de Estado, quem entrar vai ter que cumprir essa política de Estado. Pode mudar os atores, mas a política é a mesma, ou seja, ele teria que cumprir o 1,5% do orçamento para o Fundo (Estadual de Cultura). Depois disso nós vamos descer para os municípios.

Diário - Como isso pode ser operacionalizado sem incorrer em invasões de competências?

Porfírio - Nós vamos realizar dezesseis audiências públicas nos municípios, chamando prefeitos, vereadores, a classe produtora toda para conversarmos, para criar o sistema e o plano municipal de cultura, envolvendo fundo, leis, conselho paritário e tudo, aí, meu amigo, o Amapá vai ter uma grande explosão cultural. Vai ter vontade política para fazer as coisas.

Diário - Pelas projeções que o senhor faz presidente, dá para dizer que o orçamento do Fundo Estadual de Cultura será maior do que as verbas que a Secretaria Estadual de Cultura administra hoje?

Porfírio - Claro que vai. O orçamento da Secretaria Estadual de Cultura hoje é de R$ 7,8 milhões, o que significa dizer que nós vamos ter quase seis vezes mais esse valor. Só para se ter uma idéia, no ano passado foram executados em nome da Cultura do Amapá R$ 19 milhões, mas apenas R$ 8 milhões passaram pelos cofres da Secretaria de Estado da Cultura, pois os outros R$ 11 mi-lhões passaram direto do cofre da Seplan (Secretaria Estadual do Planejamento) para outros eventos direto, então significa que nós estamos investindo mais em evento nacional do que na política cultural local, então esse dinheiro não está rodando aqui, está indo embora. Sabemos que R$ 1 investido em cultura são R$ 4 que voltam para o Estado. Imagina a Ivete Sangalo quando passa por aqui, quanto ela gasta aqui? Nada, pois leva todo o di-nheiro para gastar na Bahia ou no Rio de Janeiro onde ela mora. Gasta nos seus jatos, comprando, entendeu? É isso.

Diário - O senhor fala de um jeito como se dissesse que boa parte dos recursos para a cultura fossem embora então?

Porfírio - Vou só te falar uma coisa: no Amapá tem artista que passa fome. Nós precisamos colocar primeiramente a panela de pressão das pessoas para funcionar, fazer com que as pessoas possam ter direito a cidadania, comprar seu sapato, comer num restaurante, enfim, receber pelo que faz. Nós temos grandes artistas neste Estado que vivem de pires na mão, que vivem mendigando. Aí vem alguém e diz "vou te dar para te ajudar", mas ninguém precisa de ajuda não, a gente quer é vender o nosso trabalho.

Diário - A gente pode ter uma sobreposição de atribuições entre a Secretaria de Cultura e o Conselho de Cultura, com a conseqüente migração das demandas de uma para outra?

Porfírio - Nós sabemos os nossos papéis. A Secretaria de Estado da Cultura tem o seu papel e nós temos o nosso. Nós somos parceiros da Secretaria de Cultura hoje, certo? Nós vamos conversar intransigentemente com a Secretaria. Vamos conversar, dialogar com a Se-cretaria, assim como conversar e dialogar com a classe produtora, pois somos um elo entre a Secretaria e a classe produtora. Nós não queremos sobrepor nada, pois que-remos trabalhar de mãos dadas para resolvermos os pro-blemas da cultura do nosso Estado, que é sério, é cruel, pois o orçamento é desigual, pois há investimentos mais em outras áreas deixando a cultura em último plano. Nós não podemos aceitar isso e o governador Pedro Paulo tem dito que é o governante dos desafios então vamos propor a ele mais este desafio que é a criação do Fundo, que acho ser o grande desafio hoje deste governo para a área cultural.

Diário - Nessa hora em que o senhor sugere a formulação de uma política de Estado o Amapá vive uma campanha eleitoral em sua plenitude, então como consolidar todos esses projetos?

Porfírio - Nós da classe produtora estamos propondo uma campanha à parte: vote em
quem apóie a cultura. Nós vamos "pinhar" essa cidade com isso. Todo cantor que for se apresentar vai dizer "só vote em quem apóie a cultura"; o ator vai dizer isso, todo mundo que faz cultura nesse Estado vai falar isso, em todas as entrevistas vamos sempre bater nisso, de votar em quem apóie a cultura.

Diário - O senhor fez essa ressalva em relação aos artistas de fora, em detrimento às dificuldades que os artistas locais estariam enfrentando. É uma posição de quem é contra a vinda de atrações nacionais entre nós ou entende ser importante o intercâmbio com outros re-presentantes?

Porfírio - Nós temos que buscar as grandes parcerias, que estão nos maiores editais do Brasil. O governo federal lançou sete editais recentemente. Estou deixando na Federação de Teatro que eu presidi, R$ 1,3 milhão em projetos aprovados, sendo que R$ 800 estou deixando com o apoio da bancada federal, que o presidente Sarney, o senador Gilvam e o deputado Milhomen ajudaram, para o Festival Nacional de Teatro que vai acontecer aqui em novembro com 17 companhias de 17 Estados brasileiros. Nós temos outro festival com a Prefeitura de Macapá que é uma emenda do senador Gilvam para mais um festival a nível local, com 7 companhias de fora e 7 companhias do Amapá. Então por aí dá para perceber que a gente tem que sair do Amapá e buscar os recursos lá fora. Além disso, há ainda uma série de editais que estão sendo lançados e uma grande parte da classe produtora está se inscrevendo, por isso nós queremos criar no Conselho um Telecentro, para que os artistas possam ir lá e acompanhar seus projetos, assim como os secretários de cultura, que estão perdendo muitos recursos a nível nacional, pois está faltando muita orientação e vontade política para nós resolvermos essas lacunas que existem.


Perfil


O atual presidente do Conselho Estadual de Cultura, João Porfírio Freitas Cardoso, é casado, pai de dois filhos, tem 43 anos de idade, nasceu em Gurupá (PA) mas mudou-se para o Amapá aos 5 anos de vida, indo morar em Santana. Estudou em escolas públicas e iniciou dois cursos superiores (Direito e Publicidade e Propaganda). Começou a militar na cultura como ator amador com o Grupo de Teatro da Paz (Grutepaz) para depois fazer teatro em Estados como Roraima e Amazonas. Tornou-se diretor e produtor teatral, tendo sido presidente da Federação Amapaense de Teatro Amador e conselheiro por 18 anos da Confedera-ção Brasileira de Teatro Amador, onde exerceu vários cargos, inclusive o de presidente. Em 1989 foi eleito vereador pelo município de Santana, aos 21 anos de idade. Depois foi secretário de Cultura de Santana e desde a última segunda-feira tomou posse como presidente do Conselho Estadual de Cultura do Amapá.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Coluna Argumentos (6 de julho)


Esforço concentrado

Começa hoje o mutirão para fechar o semestre de votações no Congresso Nacional em relação às matérias le-gislativas consideradas prioritárias. A partir da próxima semana, o foco do Senado e da Câmara dos Deputados deverá ser a votação do Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2011, sem o qual não pode haver recesso.

Saúde mental

Um acordo mediado pelo Ministério Público selou uma parceria entre a Secretaria de Saúde do Estado e o Iapen para disponibilizar uma sala adequada para atendimento dos apenados com distúrbios mentais e a presença de agentes treinados para a segurança dos profissionais da saúde. Presos sim, mas com direitos e garantias, diz a lei.

Maioridade do ECA

Mesmo contestado por muitos, o Estatuto da Criança e do Adolescente, o ECA, está completando 20 anos. Para a secretária da ação social de Santana, Helena Colares, é o maior instrumento em favor das crianças e adolescentes, e foram garantidos os direitos dos menores que antes não tinham uma lei específica.

Turbinando

A Associação de Artesãos Maracá e Cunani, composta por 28 membros, localizada no Ramal do Pequiazal, em Mazagão, recebeu do Senai-AP, em parceira com o Sebrae, doação de um torno elétrico para produção de peças em miniatura (linha de souvinirs) em argila. A partir desse equipamento se iniciam os testes e o Sebrae estará desenvolvendo o layout das embalagens para compor a linha completa de apresentação do produto para comercialização.

UM ALERTA


A dengue não está mais ocupando o espaço no noticiário como ocupou no início de 2008 e 2009. Porém, essa sensação de que diminuiu a incidência de casos de dengue no Brasil é falsa. Foi o alerta feito pelo senador Papaléo Paes (PSDB-AP), ontem em Brasília, quando divulgou que houve no país 447.769 casos registrados da doença no primeiro trimestre de 2010.

Saúde

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) disponibiliza um boletim com dicas para os consumidores identificarem medicamentos verdadeiros. A embalagem sempre traz indicações de segurança, como a ‘raspadinha’, que fica em uma das laterais da caixa. Conferir o lacre e comprar o remédio somente em farmácias ou drogarias é outra dica importante.

Troca na PM

Acontecerá hoje às 9 horas, no Quartel do Comando Geral da Polícia Militar do Estado, solenidade de transmissão de cargo de comandante-geral da corporação. Deixa o posto o coronel PM Marcos Vasconcelos da Cruz, que passará o cargo ao também coronel da PM Walter Soares de Oliveira, que era o chefe do Gabinete Militar da Defesa Social. Dizem que mais trocas de função virão nos próximos dias. Ajustes da máquina.

Nem sinal

Terminou em Caiena o encontro entre Brasil, Guiana Francesa e Suriname para debater questões relacionadas às políticas de fronteira. O Amapá enviou 50 pessoas para o evento mas até hoje não se vê notícia sobre o desfecho da viagem, ou mesmo uma notícia sobre o que ocorreu por lá. Tomara que algo de bom tenha resultado tudo isso.

Gozação: “Te vi lá”

A banda baiana Parangolé fez show no Sambódromo no domingo, abrindo oficialmen-te a programação de verão no município de Macapá. Agora o que chamou a atenção foi a quantidade infinitamente menor de homens do que as mulheres na festa. Puro machismo, afinal o bom era ir para ver as meninas. E ainda tinha amigos tirando onda: “Te vi lá”. Então ele foi, né?



Pré-Sal em pauta

Dentre as matérias que podem ser votadas nestas terça e quarta-feira em Brasília, destaca-se o PLC 309/09, que autoriza a União a criar uma estatal para gerir os contratos de partilha de produção e comercialização de petróleo, gás natural e outros hidrocarbonetos fluidos na área do pré-sal, sob novo modelo de partilha proposto pelo governo.

Parangolé marca a abertura do Macapá Verão 2010


O evento aconteceu no domingo (4), com show do Parangolé, no sambódromo. A Prefeitura de Macapá em parceria com o Governo do Estado e o bloco malagueta trouxe pela primeira vez a Macapá a banda baiana que já é sucesso em todo o Brasil com músicas como ‘Rebolation’, ‘Balacobaco’, ‘Todinha’, ‘Favela’, entre outras.
Com 13 anos de estrada, a banda vem se destacando no cenário da música nacional e internacional. O grupo é liderado pelo talentoso e animado vocalista Léo Santana, que já carrega títulos como o de melhor cantor, melhor banda e música do carnaval baiano.
O Parangolé conta com uma produção diferenciada, repertório, balé, cenário e figurino diversificado o que abrilhanta ainda mais os shows. A banda tem quatro dos seus sucessos entre as músicas mais pedidas e mais tocadas nas rádios amapaenses e de todo o Brasil e entre as primeiras da internet.
O público prestigiou o evento com a troca de 2 kg de alimento não perecível para arquibancada e pista, e uma lata de leite na área vip. No evento foram arrecadados 4 ( quatro) toneladas, que serão entregues a programas sociais da PMM.
“A banda trouxe toda alegria baiana para contagiar Macapá, com um repertório animadíssimo, com músicas que já são sucesso em todo o Brasil. Estamos na segunda edição do Macapá Verão de nossa administração. É uma amostra do esforço que a prefeitura promove no mês de julho, no período das férias para desenvolver ainda mais o nosso turismo”, disse José Augusto da coordenadoria de cultura de Macapá.
O Macapá Verão: A Festa do Sol inicia suas programações no próximo final de semana nos principais balneários da cidade e distritos.

ASCOM/PMM
Andréia Freitas

Notícias do Governo do Amapá

GOVERNO DO AMAPÁ PREPARA NOVOS POLICIAIS MILITARES

Arraiá no Meio do Mundo é encerrado com show e premiação

Seed realiza capacitação para diretores de escola em Macapá

Comunidade de Igarapé do Lago recebe reforço na segurança

Construção do muro de arrimo do Aturiá começa este mês

Donas de casa são beneficiadas com curso de informática





NÚCLEO DE JORNALISMO INSTITUCIONAL



Rodiney Santos da Silva

Gerente do Núcleo de Jornalismo Institucional

Coordenadoria de Comunicação

Secretaria de Estado da Comunicação

21015765 / 99022264 / 91482320

Atendimento de plantões cresce 35% em Macapá

Dados do Departamento de Média Complexidade da Prefeitura de Macapá apontam um alto crescimento nos atendimentos de plantões médico nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs). Atualmente o município conta com 150 médicos, sendo 53 plantonistas que foram contratados na atual gestão.
Um comparativo realizado entre o ano de 2008 e 2009 mostra um crescimento elevado nos atendimentos de consultas médicas. Em 2008, a média era de 19.363 consultas/mês. Em 2009 houve um acréscimo de 21%, totalizando 22.442 consultas/mês. Já nos primeiros cinco meses de 2010, os números apontam um crescimento de 35% em procedimentos realizados em relação a 2008, o que indica 81 mil procedimentos/mês.
O aumento no atendimento é reflexo de uma série de medidas tomadas pela atual administração, que além de ampliar o número de médicos plantonistas, também ampliou o horário de atendimento, estendendo o horário das UPAs para funcionamento 24 horas e das UBSs para 18 horas. Esses fatores trouxeram agilidade no atendimento colocando a disposição da população serviços de saúde com qualidade e rapidez.
De acordo com o secretário municipal de Saúde, Eduardo Monteiro, o aumento dos plantões dilui a demanda de atendimentos no município. “Estamos fazendo um trabalho voltado para o bem estar da população. Com os plantões ampliamos os atendimentos, o que facilita para quem precisa ser atendido em horários alternativos ao comercial”, afirma.
Investimentos – A Prefeitura de Macapá investe constantemente em reforma, ampliação e construção de Unidades Básicas de Saúde e Unidades de Pronto Atendimento. Além da estrutura física, as unidades contam com um número maior de profissionais de saúde aptos para atender a população com eficiência e agilidade.

Natália Platon – 8129-2166
Assessora de Comunicação – SEMSA/PMM

Sebrae Itinerante registra 41 novos empreendedores individuais


Por Ana Barbosa

A Caravana Sebrae Itinerante esteve nos municípios de Serra do Navio e Pedra Branca do Amapari, a ação durou quatro dias, dois em cada cidade e ofereceu 18 oficinas, cinco palestras e 31 consultorias empresariais, o que resultou em 450 atendimentos.
A Caravana do Sebrae é uma ação do Projeto Interiorização do Atendimento no Amapá, que visa descentralizar o atendimento da sede do Sebrae, levando informações, capacitações, palestras, consultorias, oficinas manuais e registro de empreendedores individuais.
Percorrendo lugares em que não existe uma Unidade de Atendimento do Sebrae, a escolha dos destinos da Caravana acontece por meio de planejamento, pois no início de cada exercício das atividades anuais da Instituição é elaborado o calendário de execução das ações e são realizadas avaliações de quais municípios foram atendidos e quais ficaram faltando para o ano seguinte. De acordo com a coordenação, a prioridade é para os que não foram contemplados, objetivando, sempre, fomentar o empreendedorismo das micro e pequenas empresas, que é a missão do Sebrae.
No mês de junho, os municípios contemplados foram os de Serra do Navio e Pedra Branca do Amapari. Cinco colaboradores do Sebrae se deslocaram para os dois destinos. Em Serra do Navio, os trabalhos foram realizados no barracão da Igreja Católica da cidade. Ali, foram realizados 209 atendimentos, sendo eles, quatro palestras direcionadas ao empreendedor individual e 18 oficinas de capacitação, em média com 20 a 25 vagas por turma. Já no município de Pedra Branca do Amapari, a Caravana se instalou no Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), neste, o total foi de 241 atendimentos, com 18 oficinas e uma palestra para o empreendedor individual.
Segundo Cynthia Pereira, coordenadora da ação Caravana Sebrae Itinerante, antes da chegada dos colaboradores do Sebrae nos municípios há mobilização nas rádios e pré-inscrição. Os cursos são gratuitos, porém, em contra partida, o participante doa 1kg de alimento não perecível, para, ao final da Caravana, ser entregue à uma entidade de cunho social.
“Esta edição da Caravana foi excelente, bastante proveitosa e focada no empreendedor individual. Desde o início do projeto, já visitamos praticamente todos os municípios do Estado do Amapá e, por onde já passamos, sempre fomentamos o empreendedorismo e a economia local, para tanto, surge a figura do empreendedor individual. Assim podemos contribuir para a legalização desses trabalhadores que já produzem suas peças a partir das habilidades adquiridas nas oficinas e cursos da Caravana”, disse Cynthia.
Se referindo à ação de registro dos empreendedores individuais, que foi realizada pela primeira vez, nestas edições de Serra do Navio e Pedra Branca, o resultado foi 41 novos empreendedores que saíram da informalidade.
Neste primeiro semestre, a Caravana Sebrae Itinerante já percorreu, além de Serra do Navio e Pedra Branca, Pracuúba, Santana, Porto Grande e Ferreira Gomes. Em julho, a Caravana se estabelecerá na capital do estado, Macapá, realizando parceria com o projeto Seama Comunidade, da Faculdade Seama, ofertando cursos, oficinas, capacitações e consultorias.

Serviço:
Sebrae no Amapá:
Unidade de Marketing e Comunicação: (96) 3312-2832
Call Center: 0800 570 0800
(06/07/2010)
Denyse Quintas
Analista da Unidade de Marketing e Comunicação
e-mail: denysequintas@ap.sebrae.com.br
Tel. (96) 3312.2832 / 9113.9793

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Coluna Argumentos, domingo e segunda-feira





Tombamento


O senador José Sarney (PMDB-AP) e o presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Luiz Fernando de Almeida, fizeram a inclusão do maior e mais preservado monumento militar do Brasil, a Fortaleza de São José de Macapá, na lista de monumentos candidatos ao título de patrimônio histórico da humanidade.

Patrimônio

Considerado um dos maiores e mais bem preservados monumentos militares do Brasil, construída em meados do século XVIII, foi incluída em lista a ser encaminhada à Unesco, de monumentos candidatos ao título de patrimônio histórico da humanidade. A notícia foi dada ao presidente José Sarney,em audiência no Senado com a direção do Iphan.

Equilíbrio

Pelas regras da eleição, os candidatos a reeleição como parlamentares e governadores, terão que dar garantias ao chamado equilíbrio do pleito, no que diz respeito a aparições na mídia. Depois que a campanha for às ruas, as entrevistas terão que ser agendasas também com os concorrentes. É a igualdade.

Uma vitória

A procuradora-geral do Estado, Luciana Melo, foi o personagem da semana ao divulgar que a direção do jornal goiano O Popular decidiu se retratar publicamente pelas ofensas ao Estado do Amapá que foram feitas com a publicação de um artigo do jornalista Rogério Borges. Para escapar da ação ci-vil pública e da multa que lhe seria imposta, compensações.

Apertando

O procurador-geral do Ministério Público Estadual, Iaci Pelaes dos Reis, disse que a instituição vai encampar uma verdadeira força-tarefa para disciplinar o horário de funcionamento de bares e boates em Macapá. Ele, que é evangélico, conta com o apoio do novo titular da Divisão de Diversões Públicas da Polícia Civil, o delegado Ericlaudio Alencar.

Ele é assim

O técnico da Argentina, Diego Maradona, teve uma discussão acalorada com torcedores alemães após o fim da partida que marcou a eliminação argentina da Copa do Mundo. A equipe perdeu para a Alemanha por 4 a 0, na Cidade do Cabo. Aparentemente xingado por alemães que estavam atrás do banco de reservas argentino, Maradona se aproximou e começou uma discussão até que Dalma, uma de suas filhas, pediu calma.

Alívio de rival

Em Macapá, não se tem notícia de nenhuma colônia argentina, portanto o que se viu ontem com a eliminação da Argentina da Copa foi uma enorme sensação de “alívio” e “consolo” aos brasileiros. “Nós perdemos, mas em compensação eles [os argentinos] também já voltaram para casa”, dizia uma senhora dentro de uma loja no Centro da cidade.

Prêmio e consolo

Tem um grupo de amapaenses que apesar da derrota do Brasil puderam ter uma alegria com a Copa do Mundo. Foram os vencedores de uma promoção da Federação Amapaense de Futebol e a Prefeitura, que premiou as melhores decorações das ruas da cidade. A alemeda Calçoene, no Cabralzinho, foi a primeira, com a Avenida Ana Nery em segundo. Parabéns!

Nosso forte

Erguido estrategicamente na foz, pela margem esquerda do rio Amazonas, a Fortaleza de São José de Macapá exerceria várias funções estratégicas: impedir por esta via, a entrada de navios invasores; defender, abrigando no seu interior, moradores da vila de São José de Macapá, caso sofressem ameaça de assédio estrangeiro.

EIS A NOVA TAINÁ


A pequena índia Wirandu Tembé, da aldeia Tekohãw, de Paragominas (PA) foi a escolhida para ser a estrela do filme Tainá 3. Mediante um processo de seleção com mais de 1000 crianças de seis estados do Brasil, a seleção foi concluída numa votação pela internet, que culminou com a escolha da menina de 5 anos, que nunca tinha saído da aldeia e sequer falava português.

“Respeito não se impõe mas nesse caso foi necessário”

LUCIANA MELO - A procuradora-geral do Estado atuou na defesa dos interesses do Amapá







A jovem advogada Luciana Melo está a menos de um ano no cargo de procuradora-geral do Estado, mas o episódio envolvendo o processo movido contra um jornal de Goiás que ofendeu a honra do povo amapaense serviu para que todos pudessem conhecer mais sobre ela e um grupo de novos procuradores do Estado, que estão imbuídos do propósito de defender os interesses da sociedade amapaense. O jornal se comprometeu a se retratar das ofensas, fazendo publicar em suas páginas matérias positivas sobre o Amapá, em oito edições do jornal O Popular. Para a chefe da Procuradoria do Estado, foi um resgate a tradições que deixaram aos amapaenses um legado de amor à terra, sua história e conquistas. Luciana Melo também esclarece que assim como Estado teve a iniciativa de processar o jornal, o Ministério Público também poderia te-lo feito. Não há concorrência, diz ela, apenas um complementa o trabalho do outro. Confira a seguir os principais trechos da entrevista exclusiva concedida ontem pela procuradora ao Diário do Amapá.
Diário - Nesse caso envolvendo o jornal O Popular algumas pessoas se perguntam por que coube a Estado, através da Procuradoria Geral comprar essa briga pelos amapaenses?

Luciana Melo - Uma das atribuições que acho de fundamental importância para a Procuradoria Geral do Estado é exatamente a defesa da sociedade amapaense, então dois órgãos poderiam, em tese, entrar com a ação: uma a Procuradoria Geral do Estado e a outra o Ministério Público Estadual. A Procuradoria agiu mais rápido e entrou primeiro com a ação, pois não justificaria ter duas ações contra o jornal, em relação ao mesmo fato.

Diário - Qual o objetivo da ação, ou seja, o que ela buscava conseguir de fato?

Luciana - Nós entramos com a ação na defesa do interesse maior, de direito coletivo, então acionamos judicialmente em nome do Governo do Estado, que se manifestou através de seu órgão jurídico e que defende o seu interesse e o interesse da sociedade. É essa a missão da Procuradoria e foi por isso que nós entramos com a ação.

Diário - Qual é o principal conflito neste caso, como ele pode ser medido ou mensurado, ou seja, como essa ofensa afetou ao chamado interesse coletivo?

Luciana - A ofensa é o dano moral coletivo, especificamente a identidade da sociedade amapaense que foi ferida, por um critério de discriminação federativa, porque o Amapá é um Estado da Federação então o mesmo tratamento deve ser dado a todos os Estados. A reportagem com a manifestação do jornalista não foi feliz, ela foi agressiva nesse sentimento da identidade da sociedade amapaense, então a gente interpôs a ação que nem chegou a ser julgada, pois o próprio jornal nos procurou, inclusive, vendo que realmente que estava errado, então queria encerrar logo a demanda com a negociação.

Diário - Então a proposta de se fazer um acordo foi iniciativa do próprio jornal?

Luciana - Exatamente, quem procurou para fazer o acordo foi o jornal O Popular, que logo de início reconheceu o erro e propôs a compensação em favor do Amapá.

Diário - E quais foram as bases de desse acordo para compensar o Amapá pela exposição negativa do povo, de sua identidade, enfim, dessa enorme divulgação negativa?

Luciana - Não seria uma compensação exatamente. No agravo, dissemos que o jornalista publicou o tal artigo no blog e no jornal, que fez a sua parte e publicará durante oito dias, sendo quatro domingos e quatro quartas-feiras, as informações do Estado possam ser veiculadas notícias referentes aos seus negócios, ao seu comércio, a sua cultura, a sua realidade, então assim, tanto o jornal como o jorna-lista em seu blog.

Diário - O próprio jornalista Rogério Borges procurou depois se desculpar, afirmando que na verdade o artigo que escreveu poderia ser uma grande brincadeira, tanto que fora publicado na página de va-riedades do jornal. O que a senhor achou disso?

Luciana - Não concordo com isso. Ele tentou fazer uma retratação, mas a gente não entendeu assim. A retratação soou cínica, para usar um apalavra um pouco pesada, não seria nem essa a palavra exata, mas a verdade é que não achamos adequada a suposta retratação, para o nível da agressão sofrida no início. Então a ação foi bem genérica, relacionada ao jornal e ao jornalista, de modo que quando o jornal procurou para fazer a negociação, entrar num acordo, o jornalista também entrou e assinou junto os termos da negociação.

Diário - O que o Estado entende que deva ser preponderante nessas reportagens sobre o Amapá, ou seja, o que deve ser mais marcante nessas reportagens que o jornal irá publicar?

Luciana - O que a gente entende como mais re-levante é demonstrar a realidade do povo amapaense, divulgando a nossa cultura, os nossos negócios, o nosso dia a dia, a existência de uma identidade do povo amapaense, a nossa diversidade também. A única coisa que não será veiculada, pois essas reportagens serão preparadas por um grupo de técnicos do Go-verno para pegar as informações a serem repassadas à Secom (Secretaria Estadual da Comunicação) para que ela possa trocar as idéias com os jornalistas, pois o campo é esse, mas a única coisa que não vai poder ser veiculada é a questão político-partidária, até pela vedação do período eleitoral e nem de privilégios a determinadas pessoas, pois aí fere a impessoalidade. De resto, tudo mais que for de interesse do Estado, caberá notícia positiva do Amapá, objeto de divulgação.

Diário - Como cidadã, o conteúdo daquele texto a ofendeu de que forma procuradora?

Luciana - Vou falar uma coisa, eu não sou de amapaense de nascimento, pois foi nascida em Brasília, mas vim para cá em 1979, portanto desde meus seis anos de idade em moro aqui no Amapá, então a minha formação é daqui, a minha família é daqui, as minhas raízes são daqui, eu vivo aqui, eu trabalho aqui, então eu também me senti ofendida, pois me sinto parte integrante da sociedade amapaense que tão bem me acolheu e tão bem me trata até hoje. Então eu vejo como uma obrigação que eu tinha na condução da Procuradoria Ge-ral do Estado em defender a sociedade, pois o meu cargo me obriga a fazer isso. É essa a missão da Procuradoria, portanto a gente não podia prevaricar e se omitir num momento tão importante para nós, que pode até não ser para outros, mas eu achei que para a sociedade amapaense isso era fundamental, pois era a defesa do Estado do Amapá, de todo um povo.

Diário - A Procuradoria já tinha atuado em casos semelhantes a esses doutora Luciana?

Luciana - Não dessa envergadura. A Procuradoria está hoje com uma identidade, uma postura diferente, pois uma ação mais direta, mais positiva, não diria nem mais autônoma e independente, mas a gente está conseguindo atuar de forma mais incisiva depois do concurso público. Os procuradores são todos muito bem preparados e a gente está realmente tendo uma visão mais técnica e mais prática das situações que acontecem no Estado. Você tem uma liberdade um pouco maior para fazer a defesa do Estado com um pouco mais de liberdade.

Diário - Esse tipo de episódio faz com que a sociedade possa conhecer um pouco mais sobre o apa-relho do Estado, pois há quem compare a atuação dos procuradores do Estado com a dos procuradores da República. Qual a diferença?

Luciana - Os procuradores da República são um órgão ministerial, integram o Ministério Público Fede-ral. É como se fossem os procuradores e promotores de Justiça aqui no Estado. A nossa atuação [de procuradores do Estado] se assemelha a do advogado da União, que são os profissionais do Direito que defendem a União. A mesma coisa é aqui no Estado, onde a Procuradoria Geral do Estado seria o órgão de advocacia do Estado, de defesa da sociedade e do Estado do Amapá. Então essa atribuição de defesa dos interesses da sociedade ela ficou um pouco mais apagada, pela atuação na defesa dos interesses individuais, que é feita pelas Defensorias Públicas, quando as pessoas precisavam de um advogado gratuitamente para defendê-las. O Ministério Público é o fiscal da lei, mas a defesa específica é atribuição da Procuradoria do Estado, que é como se fosse um grande escritório de advocacia e defende os interesses do Estado e de toda a sociedade. É essa a nossa missão, é esse o nosso papel.

Diário - Não vamos então editar nenhuma competição, digamos assim, entre a Procuradoria do Estado e o Ministério Público, não é mesmo?

Luciana - Não! Absolutamente, pelo contrário, o Ministério Público, tanto o Estadual quanto o Federal, são grandes parceiros da Procuradoria do Estado, numa relação muito positiva. A Constituição Federal esta-belece bem claramente as atribuições de cada órgão, de cada instituição dessa, tanto a Constituição Federal como a Constituição do Estado, então as atribuições são muito bem demarcadas, portanto não há uma concorrência, mas eu diria que no momento ocorre uma complementação, inclusive.

Diário - Há alguns anos atrás, um outro jornal, só que mineiro, chamado Hoje em Dia, também publicou um artigo semelhante a este do jornal goiano, su-gerindo a venda do Amapá para se estabelecer aqui um Estado palestino. A senhora tem conhecimento sobre os desdobramentos do caso, já que quem processou o veículo foi o Ministério Público Estadual?

Luciana - Não, não tenho conhecimento especificamente, tanto é assim que o Ministério Público Estadual poderia ter entrado com ação nesse episódio, mas nós interpusemos mais rapidamente então não justificava, como falei anteriormente, duas ações sobre o mesmo fato. Nesse caso que você relatou, a Procuradoria Geral do Estado certamente não atuou, pois senão eu teria conhecimento da medida lá na Procuradoria, mas se foi o Ministério Público Esta-dual eu desconheço qualquer desenrolar desse processo pois não passou pela gente, que não fomos autores nem parte da ação.

Diário - Para fechar procuradora, o que ficou desse episódio todo envolvendo o jornal de Goiás, seria a marcação de uma posição firme do Amapá, ao estilo daquela frase 'respeito é bom e eu gosto'?

Luciana - É mais ou menos isso sim, porque o acordo visou não enriquecer, não era fazer dinheiro, mas exatamente demonstrar o respeito que o Estado do Amapá merece, que a sociedade amapaense merece, pela grandeza que a nossa sociedade tem, as suas vitórias, os avanços corporativos, nós temos políticos muito bons, uma realidade muito boa, uma tradição, uma história, nós temos um legado, que deve ser respeitado sim, no passado e para o futuro. Então é mais ou menos assim: se você não defende o que tem, vai permitindo, permitindo, aí cria realmente um desrespeito. Tudo bem que respeito não se impõe, mas nesse caso foi necessário ser imposto.


Perfil


A procuradora Luciana Lima Marialves de Melo tem 37 anos de idade, é solteira, nasceu em Brasília e mudou-se para Macapá em 1979, onde parte de sua família já morava, Foi aluna de escola pública e sua primeira formação foi no Magistério, pelo antigo Instituto de Educação do Território do Amapá (IETA). Graduou-se em Direito pela Universidade da Amazônia (Unama) e fez pós -graduação em Direito Público pela Universidade Estácio de Sá (Rio de Janeiro) e pela OAB-AP. Foi corregedora-fiscal da Secretaria Estadual da Fazenda e corregadora-geral da Procuradoria Geral do Estado; também ocupou o cargo de subprocuradora-geral da Prog e desde abril deste ano assumiu o posto maior do órgão.

Quem será o campeão da Copa?





Muita gente achou que a zebra havia feito todas as suas vítimas na Copa do Mundo da África do Sul e que Brasil e Argentina fariam a final do mundial. Ledo engano, pois duas das principais favoritas também já voltaram para casa e agora a pergunta é sobre quem pode levantar a taça em Johannesburgo no próximo domingo. Agora somente quatro seleções podem conquistar o título: Alemanha, Espanha, Holanda e Uruguai.
Para os analistas da Copa, que costumam analisar os resultados apenas em cima de estatísticas e supremacia dos continentes, fica a triste constatação de que os europeus chegaram em maior número às semi-finais do torneio, com três do Ve-lho Mundo, contra apenas uma seleção sul-americana.
Aliás, sobre a nossa América do Sul, o continente nunca chegou tão longe com o número de representantes que passaram da fase classificatória este ano, com o Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, estando entre os oito melhores colocados da competição. Os demais foram a Alemanha, Espanha, Holanda e Gana. Pelo retospecto em todas as Copas, o equilíbrio é total entre sul-americanis e europeus, pois cada continente possui nove títulos no currículo.
Currículo - Pela América do Sul, já foram campeões o Brasil (5 vezes), a Argentina (2 vezes) e o Uruguai (2 vezes); pela Europa, jpá ergueram a taça a Itália (4 vezes), a Alemanha (3 vezes), a França (1 vez) e a Inglaterra (1 vez). Isso significa que quem vencer a copa da África do Sul também leverá seu continente à liderança nessa briga particular entre América e Europa.
O Brasil, que gaba-se de ser o único país a ter parcipado de todas as copas até agora, também vai continuar sendo o maior ganhador do torneio, pois seus cinco títulos (1958, 1962, 1970, 1994 e 2002) não serão alcançados tão cedo, apesar da proximidade da Itália, que tem 4 títulos mas já voltou para casa em 2010. Corre por fora a Alemanha, que se for campeão este ano, será também tetra e ficaria a um título de se igualar ao Brasil como as maiores vencedoras de Copa do Mundo.

PUBLICIDADE