quarta-feira, 27 de setembro de 2017

LOGÍSTICA | Franceses e brasileiros debatem incremento da navegação de cabotagem

Uma comitiva do Grand Port da Guiana Francesa, responsável pelo estudo da Cabotagem Interregional ano Platô das Guianas, apresentou resultados que apontam novos rumos para o desenvolvimento econômico do Estado do Amapá e regiões cooperadas, a partir de novas rotas marítimas.  A apresentação aconteceu durante seminário ocorrido na terça-feira, 26, na sala do conhecimento do Sebrae Amapá.
Foram nove meses de pesquisas para se chegar ao melhor cenário possível com novas rotas e oportunidades. O estudo traz subsídios importantes para a implantação desta modalidade de transporte marítimo, considerando as peculiaridades de nossa região, além de propor soluções às lacunas jurídicas e diplomáticas entre as regiões envolvidas e, principalmente, abre um leque de oportunidades de mercado aos empresários locais no aspecto logístico.
O consultor do projeto, Valére Escudié, deu destaque às barreiras encontradas no transporte de mercadorias no modelo atual de logística entre os Estados do Amapá e Pará e também, da Guiana e as Antilhas. Dados do estudo mostram que mercadorias transportadas do porto de Santana, por exemplo, levam 40 dias para chegar à Guiana ou Suriname, por terem que passar pela Europa.
“Identificamos cem mil mercadorias que deixam de ser transportadas por ano, por conta das dificuldades fiscais. Mesmo assim, é duas vezes maior a quantidade de produtos transportados. Daí a importância de se adotar o estudo e viabilizar a praticagem [serviço de auxílio oferecido aos navegantes] de novas rotas logísticas”, observou Escudié.


O diretor do Desenvolvimento do Grand Port Maritime de Guyane, Remy Budoc, disse que entre os meses de novembro e dezembro deste ano deve ser publicado o decreto que vai autorizar a implantação de um Porto de Inspeção de Mercadorias na Guiana, o que vai facilitar a entrada de produtos alimentícios como carne, frango, pescado, polpa de frutas, entre outros alimentos.

“O Estudo pertence aos parceiros deste estudo e como assinamos a carta de intenções com o Governo do Amapá por meio da Agência de Desenvolvimento, será a eles entregue o estudo completo” disse Budoc.

Para o diretor-presidente da Agência de Desenvolvimento Econômico do Amapá, Eliezir Viterbino, o Estudo da cabotagem não vai desenvolver somente o Estado Amapá, e sim, o Brasil. “O Amapá é o único Estado brasileiro ligado fisicamente à Europa, portanto é a única porta do Brasil para a união europeia e esse movimento influencia e muito o restante do país. Agora nós vamos sentar e tratar cada assunto com a sua devida importância para, muito em breve, termos produtos amapaenses sendo comercializados no Platô das Guinas, arco norte e até no mercado do Caribe”, destacou.

O estudo da cabotagem foi feito com investimentos de um acordo assinado em 2016, entre Amapá e Guiana Francesa, que prevê o acesso a recursos junto à União Europeia no valor de 24 milhões de euros, algo em torno de R$ 96 milhões.

Segundo informações do consultor Valére Escudié, as novas rotas de cabotagem envolvendo o Amapá, Pará e o Platô das Guianas deverão iniciar a operação a partir de 2019, a partir de um edital de chamada para empresas interessadas em operar as rotas a serem viabilizadas.

Texto e fotos: Leidiane Lamarão/Agência Amapá

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