sexta-feira, 9 de março de 2012

Tartarugas da Amazônia são soltas na foz do rio Amazonas

O repovoamento do rio Amazonas com tartarugas da Amazônia avançou com a soltura na tarde desta quarta-feira, 7, de mais de 700 filhotes, na Reserva Biológica do Parazinho, no distrito de Bailique. Ameaçado de extinção, os quelônios são alvo principal do trabalho de educação ambiental da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), em parceria com o Batalhão Ambiental, voltado principalmente para crianças e jovens do Arquipélago. Gestores e técnicos do governo do Estado, coordenados pela Sema, estiveram no local participando da ação de preservação ambiental.
Veja outras fotos: aqui.A equipe e a comunidade comemoram o sucesso em relação ao ano passado. Resultado do trabalho de 2010, em 2011 foram devolvidas ao rio somente 35 tartarugas, um número inferior cerca de 2.000% com relação a este ano. O crescimento é considerado fruto do trabalho dos profissionais que trabalham na Rebio do Parazinho, que desenvolveram novas técnicas que permitem que os embriões sofram menos danos durante o manejo. Na base do Parazinho trabalham técnicos, oceanógrafos e biólogos, junto com a comunidade.
Os maiores parceiros dos órgãos são moradores do Arquipélago, que já se acostumaram com a presença do Batalhão Ambiental e da Sema, e com a educação ambiental rotineira nas escolas e na própria comunidade.
A família de dona Dionísia Souza Costa esteve presente na soltura das tartarugas e também festeja o repovoamento do rio. Sem lembrar a idade, mas mãe de sete filhos e avó de muitos netos, dona Dionísia diz que refeições à base de caça fazem parte do passado devido o trabalho realizado no arquipélago.
“Já comi muita caça, mas era porque não tinha outro jeito. Ainda como bastante peixe, que graças a Deus tem muito, mas hoje temos açougues e muita comida chega aqui para vender. Seria muito ruim se as tartarugas sumissem do rio. Fico feliz que meus netos estejam aqui soltando as tartarugas”, disse dona Dionísia.
O secretário de Meio Ambiente, Grayton Toledo, explica que mesmo com as tartarugas soltas em maior quantidade, o percentual de sobrevivência ainda é pequeno por causa dos predadores naturais.
Grayton conta que no auge do projeto, em 2001, foram colocadas no rio 4 mil quelônios, e que pretende retomar esse número. Para que este objetivo seja alcançado, o Governo do Amapá vai melhorar a base do Parazinho com reforma e equipamentos, para que os profissionais trabalhem com mais recursos e possibilidades de sucesso maior.
“Os homens são predadores, mas temos ainda peixes, como o bagre, que têm preferência por estes filhotes. Quanto mais tartarugas colocarmos no meio ambiente, mais chance delas chegarem à idade adulta. Hoje, de 2% a 4% sobrevivem. Trabalhamos ainda para utilizarmos meios de monitoramento como a telemetria”, falou o secretário.
A soltura das tartarugas faz parte do projeto “Quelônios da Amazônia. Ama, quem luta pela preservação da espécie originária da região”. Ele foi criado em 1981, gerenciado pelo Ibama, e em 2001 foi passado para a Sema. Durante o ano inteiro, equipes da Sema e do Batalhão Ambiental atuam na área.
Na região há diversidade de pássaros, caça e peixes que são monitorados pela Secretaria de Meio Ambiente. No ano passado ocorreram muitas prisões de caçadores na Rebio do Parazinho, onde só são permitidas pesquisas. Além da carne da tartaruga, o animal é muito procurado pelos ovos e gordura, usada para fazer remédio.
Mariléia Maciel/Secom

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